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quinta-feira, 15 de outubro de 2015

PARA VÓS NASCI

15 de Outubro | Santa Teresa de Jesus

Teresa de Ahumada nasceu no dia 28 de Março de 1515. De entre os seus 11 irmãos, Teresa evidenciou ser a mais inteligente e agradável no trato, daí a mais querida de seus pais. 

Desde criança se imprimiu no seu espírito um forte desejo do Céu e da eternidade. Com apenas 13 anos perdeu a mãe. A partir daí foi junto de uma imagem de Nossa Senhora, na sua igreja paroquial, pedindo-lhe que fosse a sua mãe. Ao entrar na adolescência e juventude, órfã de mãe, Teresa sente-se um pouco desorientada e, com os seus primos, perde-se em futilidades e vaidades próprias da idade, inspiradas pelos romances que adorava ler. 


O seu pai viu-se obrigado a interná-la no Colégio de Irmãs de Nossa Senhora da Graça. Uma jovem freira da comunidade, de quem Teresa se tornou amiga, foi a sua então educadora e ajudou-a a redescobrir os grandes valores humanos e cristãos. Começou a pensar na possibilidade de vir a ser também ela religiosa, e decidiu entrar no convento de Nossa Senhora da Encarnação, das carmelitas, onde já se encontrava uma das sumas amigas, Joana Soares. O seu pai não esteve de acordo, mas Teresa insistiu e ingressou neste convento de clausura, embora lhe custasse muito separar-se da casa paterna. 


Depois da Profissão Religiosa, foi atingida por uma estranha e grave doença que a levou às portas da morte, ao ponto de se ter preparado a sepultura no cemitério do convento. O seu pai não desiste e acredita na recuperação de Teresa, encomenda-a a S. José e, passados quatro dias, sai dum coma profundo. Desde então, tornou-se grande devota de S. José, devoção que depois legou a todo o carmelo reformado. 


Teresa conheceu os segredos de Deus que lhe eram transmitidos pela oração. Recorreu aos melhores teólogos do seu tempo para que a ajudassem no seu itinerário orante e contemplativo. Entre os quais encontra-se S. João da Cruz, S. Francisco de Borja, S. Pedro de Alcântara, S. João de Ávila e outros de grande fama no seu tempo. Um dia ouviu a voz do Senhor que lhe dizia: «Já não quero que tenhas conversas com homens, mas com anjos». Deus revelou-lhe verdades e incutiu-lhe grandes desejos de santidade e de serviço à Igreja. 


Quando a Igreja, por causa dos protestantes, proibiu as edições da Bíblia em língua que não fosse o latim, Teresa sentiu muita pena e ouviu Cristo que lhe disse: «Não te preocupes. Eu serei o teu livro vivo». Por esta altura, sentiu o impulso que a inspirava a renovar a Ordem do Carmo. Assim, passando por muitos sofrimentos e sempre com a ajuda de Deus, fundou o primeiro convento, o de S. José de Ávila, da nova família das carmelitas descalças. Nas obras do seu primeiro convento, muito a ajudaram amigos e familiares. Foi inaugurado a 24 de Agosto de 1562, dia em que Teresa se descalçou, mudou de hábito e começou a chamar-se Teresa de Jesus. 

A cidade de Ávila quis destruir o convento por não concordar com a reforma por ela iniciada e por já existirem muitos nesta cidade abulense. Mas quando Deus quer e o homem colabora, nenhuma oposição faz parar uma boa obra. A sua segunda fundação foi em Medina del Campo, onde conheceu S. João da Cruz, ficando encantada com ele e pedindo-lhe que fosse o primeiro carmelita descalço. 

Em 1571, foi nomeada pelos superiores, prioresa da comunidade onde havia estado, a do Convento da Encarnação. Começou o seu mandato colocando as chaves do convento nas mãos duma imagem de Nossa Senhora do Carmo, a quem colocou na cadeira priorial, e Teresa a seus pés. Assim conquistou a simpatia da comunidade de quase 200 freiras, até então enfurecida com as suas aventuras. É aqui, neste mesmo lugar, que um dia ouviu o Senhor dizer-lhe: «Teresa, se não tivesse criado o Céu, para ti e por tua causa o criaria agora». 

Durante o seu priorato na Encarnação, chamou para Ávila S. João da Cruz, reconhecendo-o como o único capaz de a ajudar naquela difícil empresa, fazendo dele o confessor do convento. Quando o apresentou à comunidade disse: «Irmãs, trago-vos por confessor um Santo!». 

Ao todo, fundou dezassete conventos. O último foi o de Burgos. O Inverno estava áspero e a saúde de Teresa muito débil. Mas no meio das maiores dificuldades, erigiu o último convento. Regressada a Ávila, mandaram-na para Alba de Tormes onde caiu de cama dizendo: «Não me lembro de me ter deitado tão cedo desde há muitos, muitos anos». Não se levantou mais. Nas suas últimas palavras de despedida disse: «Perdoem-me os maus exemplos que viram em mim, que sou má freira. Guardem a Regra e as Constituições, e não é preciso mais para as canonizar». 


Perguntaram-lhe se, morrendo queria ser enterrada em Ávila, ao que respondeu perguntando: «Mas aqui não terão um pouco de terra que me emprestem até ao dia do Juízo?». E morreu, exclamando: «Por fim, Senhor, morro filha da Igreja!». Eram nove horas da noite do dia 4 de Outubro de 1582. Nesse ano, o calendário foi actualizado pelo que o dia seguinte seria o 15 de Outubro. 


Teresa de Jesus foi uma mulher extremamente alegre, humilde e agradecida. A frei João da Miséria que a pintou num quadro, respondeu: «Deus te perdoe, Frei João, que me pintaste feia e enrugada!». Era de grande simpatia e afabilidade no trato com todos. Relacionava-se com Deus como com Amigo. Pela sua experiência, vida e escritos tornou-se Mestra e Doutora da Igreja sobretudo pelos ensinamentos em matéria de oração. 

Um dia disseram-lhe: «Madre, dizem que sois bonita, inteligente e santa. Que dizeis de vós mesma?». Teresa respondeu: «Bonita, vê-se bem. Inteligente, penso que nunca fui tonta. E santa, a veremos, assim Deus o queira!». 

Deixou-nos preciosos livros espirituais, tais como: Livro da Vida, Caminho de Perfeição, Moradas ou Castelo Interior, Livro das Fundações, Poesias, Exclamações, e mais de 500 cartas. O seu conteúdo espiritual e intuições teológicas são de tal maneira profundos que a Igreja a declarou Doutora da Igreja. (www.carmelitas.pt)

domingo, 11 de janeiro de 2015

Dulce Pontes atua em concerto evocativo dos 500 anos de nascimento de Santa Teresa de Ávila

A cantora portuguesa Dulce Pontes vai atuar a 19 de março na cidade italiana de Milão, num concerto integrado nas celebrações mundiais dos 500 anos do nascimento de Santa Teresa de Ávila, que se assinalam em 2015.

O concerto no mosteiro das Carmelitas Descalças evocará a cantora italiana Giuni Russo (1951-2004) e a sua aproximação à religiosa, mística e doutora da Igreja espanhola.

Dulce Pontes, que na quarta e quinta-feira se apresentou no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, e no dia 17 atua no Coliseu do Porto, após quatro anos de ausência dos palcos portugueses, decidiu dar o nome de "Peregrinação" ao seu novo disco.

«É mesmo uma peregrinação: no sentido espiritual, no sentido em que representa um encontro de pessoas e um encontro com a música, e porque é um caminho propriamente dito», explicou em entrevista publicada na mais recente edição do "Jornal de Letras".

Em 2012, Dulce Pontes cantou durante o 7.º Encontro Mundial de Famílias, também em Milão, durante a “Festa dos Testemunhos”, que reuniu atores, uma orquestra sinfónica, coros de gospel, bandas pop e “world music”, assim como artistas de circo.

O programa do concerto de 19 de março prevê a participação do cantor e compositor italiano Franco Battiato, bem como de Bianca Pitzorno, escritora e biógrafa de Giuni Russo, entre outros intervenientes.

O canto de Giuni Russo «soube explorar as diferentes dimensões da beleza e do sofrimento, como se fossem companheiros de igual dignidade e de igual respeito, parecendo que na dor ela encontrou aquele "júbilo de esplendor" a que sempre aspirou», refere a revista italiana "La Civiltà Cattolica".

A partir da década de 1990, Giuni Russo aproximou-se da espiritualidade carmelita e começou a admirar as figuras de Santa Teresa de Ávila, Edith Stein e S. João da Cruz.

Giuni Russo estabeleceu um diálogo com textos de Santa Teresa de Ávila que a impeliu a interpretar, ao vivo, "Nada te turbe" e a incluir poemas da religiosa no álbum "Morirò d'amore", lançado em 2003. (Fonte: www.snpcultura.org)



quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Novo CD - "Amigos fuertes de Dios"


Acaba de ser lançado um novo CD sobre Santa Teresa, com a participação de vários artistas, entre os quais o P. João Rego e o Rogelio Cabado, do Carmo Jovem. Com o título "Amigos fuertes de Dios", este CD editado pela San Pablo oferece novas canções sobre textos da santa de Ávila e inspirados na sua espiritualidade. Podes conhecê-lo melhor e escutar um pouco das suas canções em www.sanpablo.es/amigosfuertesdedios/





domingo, 26 de outubro de 2014

CD Virtual - Rogelio Cabado



O músico Rogelio Cabado acaba de lançar o seu último trabalho com textos de Santa Teresa, do seu livro "As Moradas". Este amigo do Carmo Jovem tem já editada uma vasta discografia, ao longo da sua longa carreira musical, com participação assídua nos Encontros Ibéricos. Para conheceres mais sobre este músico e fazeres o download deste último cd visita a sua página www.rogeliocabado.com

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

15 de Outubro | Início do V Centenário de Santa Teresa


Hoje é dia de festa para todos nós carmelitas. Iniciamos, em todo o mundo, as comemorações dos 500 anos do nascimento de Santa Teresa. Ao longo deste ano, serão inúmeras as actividades que se realizarão para celebrarmos tão grande acontecimento. Junta-te a nós e vem festejar numa comunidade perto de ti... :)

Teresa numa palavra

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Preparando o V Centenário do Nascimento de Santa Teresa

Entrevista com o Provincial dos Carmelitas Descalços de Castela, Fr. Miguel Marquez. Esta entrevista, apresenta também alguns dos lugares por onde passou Santa Teresa - Ávila, Salamanca, Alba de Tormes.


quinta-feira, 10 de novembro de 2011

VI ENTREFITAS > "Olha que Ele te olha"

 
Para que quem esteve presente, possa recordar e quem não esteve presente, possa aprender...




MIRA QUE TE MIRA (acordes)

                       Ré m Dó                    Ré m
“Mira que te mira, mira que te mira,
                      Sib Dó       Ré m
Mira que te mira, mirale”.

                         (Dó)            Ré m
Acompanha-o, fala-Lhe e pede-Lhe,
         Sib                      Ré m
Sê humilde e fala com Ele.


segunda-feira, 24 de outubro de 2011

XVIII HOREB - Carta aos Jovens



Carta de uma amiga «Andariega»
[aos participantes do XVIII HOREB 2011]


jm+jt


1- Meus amados Jovens Carmelitas, que a graça do Espírito de Cristo ressuscitado esteja com vossas caridades.


2- Saibam vossemecês que estava a passear pelo Céu, quando me deram conhecimento do XVIII Horeb do Carmo Jovem, que este ano se realiza, como em outras ocasiões ao redor de um dos Santos carmelitas, na linda cidade de Viana do Castelo, rodeada de montes, mar e rio. Eu mesma sou convidada de honra no vosso encontro! Que feliz fiquei, pelo vosso convite e pela gotinha tanto me acarinhar aos longos destes anos. Uma filha muito querida minha, vossa amiga e irmã carmelita, incentivou-me a que escrevesse umas letras, para vos motivar nesta nova e magnífica aventura. Deus lhe pague por todos sacrifícios que tem passado!


3- Caros amigos fortes de Deus, talvez, não começariam este encontro se me quisessem de todo imitar, pois ruim e fraca mulher fui ao longo da minha vida terrena e no céu só Deus o sabe pelos carminhos que me leva… Sua majestade, teve e tem para comigo grande benevolência e misericórdia. No carminho percorrido, muitas vezes lhe perguntei: «Que quereis Senhor de mim?». E neste enlace em que Ele me entrelaçou, nesta humildade na qual pretendi andar somente em verdade me coloquei. Tudo o que sou, o sou graças ao nosso Deus. Desde muito cedo, Ele me fez encontrar a Sua verdade na Sua vida. Verdade que trazia alojada no meu interior, mas não satisfeita, e muito inquieta, procurava sempre não sei que verdade. Muitas vezes percorri carminhos de noite, solidão. No entanto, buscava apenas a verdade. A verdade encontrei. Ao fim de muito procurar, descobri que tudo o que procurava e buscava com tanta inquietude estava dentro de mim. Compreendi que essa verdade era a que me dava assas para voar! tal como um bicho da sede, feio que se transforma numa bela borboleta. A pergunta: «Que quereis Senhor de mim?» Fez-me Santa!


4- Procurando e ajustando momentos aqui e acolá, dei-me conta do grande bem que faz à alma entrar em oração, e com determinada determinação, me dediquei a contentar a Deus, pois só Ele era o que contentava a minha alma: Oh! Deus meu, quanto tempo perdi, quando Te buscava fora de mim, quanto tempo perdi buscando-Te fora de Ti porque para estar em Ti, bastava só chamar-Te em mim!


5- Jovem carmelita, que me escutas, tendo oração, abrem-se os olhos do silêncio do coração, para entender as verdades que chegam… eu, muitas vezes, pensei que para chegar onde Ele queria, tinha que estar muito limpa das minhas faltas… Oh! que por mal carminhos andava a minha esperança! Pois tendo eu oração, sua majestade não deixará de me favorecer, nem me deixara perder se o carminho fora o da humildade. Recordo-me que muitas vezes me cansei eu de ofende-Lo do que Ele em me perdoar. Ele jamais se cansa de dar, nós é que jamais podemos cansar de O receber em nós. E são tantas as vezes que Ele se abeira de nós e nós não lhe correspondemos! Oh doce aventura da alma! Porque tardais?!


6- Queridas gotinhas, disseram-me que este ano fazeis XVIII anos, que tendes em mãos novos projectos, que quereis continuar a dar muito do que tendes recebido. Bem, esse é o carminho que vos levará a um bom destino, vos levara a conhecerem-se como jovens carmelitas, a amar a espiritualidade carmelita que vos cerca. Neste carminho tendes que compreender para serdes compreendidos, é o ciclo dos atrevidos, dos que fazem da sua vida, um hino de louvor. Peço-vos que sejais radicais! A ordem carmelita descalça em Portugal e no mundo, precisa de jovens radicais. TU, começa sempre de bem a melhor. Porque esperas?


7- Viana do Castelo, Porto, Fátima, Caíde de Rei, Braga, Aveiro, Avessadas, Moinhos da Gandará, Alhadas, Coimbra, Paços de Gaiolo… quantas recordações, quantas vidas, quanto amor. Carminhos percorridos ao redor da espiritualidade carmelita, carminhos ao redor de Cristo. Já levais alguns de vós anos de experiência que marcaram as vossas vidas, e hoje dais oportunidade a outros para que vivam aquilo que vos fez crescer. Sois filhos desta vinha do monte Carmelo. Continuai a carminhar!


8- Amigo(a) jovem carmelita, que orgulhosa me sinto de ti, que te encontras no XVIII Horb. que feliz estou por vós. Prometo que desde o céu, cuidarei da vossa gotinha e guiarei os vossos passos até Aquele que guiou amorosamente os meus passos. Orientou nos Seus carminhos. Como Ele me vislumbrou e me deleitou em oásis de amor, o que queria de mim fê-Lo. Quanto a ti, não podes fazer que alguém te ame, mas podes e deves deixar de amar. Onde está o Teu Deus de Amor? Que quer Ele de Ti? Quem não se encontrou sem palavras ao ser interrogado por tão grande amor? Como busca-lo hoje nos carminhos da Sua história? Deus procura-te! Sai ao Seu encontro. Sai de ti e encontra-Te com Ele no silêncio do teu coração.


9- Já disse bastante. O demais não é para a carta nem mesmo para dizer. É para amar! Pois a vida espiritual é como um mapa… tem muitos carminhos mas a importância está no local onde pretendemos chegar…. Ele é a meta. Trata-se de um carminho que vai durar toda a nossa existência. É bom que O louvem uns pelos outros. A Ele a glória e a honra, seja bendito para todo o sempre, Ámen


10- A todos vós me recomendo muito. Deus vos faça Santos.


Viana do Castelo a 1 de Outubro do ano da graça 2011

  
Vossa indigna serva,
  

sábado, 15 de outubro de 2011

Sta. Teresa e os Jovens


Para mim Santa Teresa de Jesus é ...

... e para ti?

Sta. Teresa de Jesus - Hino Internacional V Centenário


(versão jovem)

"VIVES HOY AQUÍ" (português)
Autor: Rogelio Cabado


ALELUIA, ALELUIA, ALELUIA, ALELUIA, ALELUIA, ALELUIA, ALELUIA, ALELUIA.


1- Vamos ter contigo, de tantos lugares, de todo o mundo
Vamos ter contigo, tantos amigos que te querem ver,
Vamos ter contigo, juntos procuramos ser mais felizes
E tu, Teresa, queres acolher-nos.


VIVES, HOJE AQUI,
TERESA DE JESUS, HOJE AQUI,
JESUS DE TERESA, HOJE AQUI,
TERESA DE JESUS… (bis)


ALELUIA, ALELUIA, ALELUIA, ALELUIA, ALELUIA, ALELUIA, ALELUIA, ALELUIA.


2 – Juntos celebramos a vida e o desejo de crer,
E juntos partilhamos os sonhos, o que podemos fazer,
Como jovens levamos a estrela e a luz do Carmelo,
Estende-nos a mão Teresa, tornamos possível a fé,
Levamos o sinal da vida entre a terra e o céu.


VIVES, HOJE AQUI
TERESA DE JESUS, HOJE AQUI
JESUS DE TERESA, HOJE AQUI
TERESA DE JESUS… (bis)



3 – Como jovens caminhamos alegres, com Jesus bem dentro,
Levantamos as mãos abertas, que acaricia o vento,
Levamos uma boa notícia: “o amor enche a alma”,
“vivo sem viver em mim e tão alta vida espero”,
Levamos o sinal da vida entre a terra e o céu.


VIVES, HOJE AQUI,
TERESA DE JESUS, HOJE AQUI,
JESUS DE TERESA, HOJE AQUI,
TERESA DE JESUS… (bis)

ALELUIA, ALELUIA, ALELUIA, ALELUIA, ALELUIA, ALELUIA, ALELUIA, ALELUIA.


VIVES, HOJE AQUI,
TERESA DE JESUS, HOJE AQUI,
JESUS DE TERESA, HOJE AQUI,
TERESA DE JESUS… (bis)

ALELUIA, ALELUIA, ALELUIA, ALELUIA, ALELUIA, ALELUIA, ALELUIA, ALELUIA.



Solenidade de Santa Teresa de Jesus

 
 

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Preparando a Solenidade de Santa Teresa de Jesus (III)



Dai-me riqueza ou pobreza,
dai consolo ou desconsolo,
dai-me alegria ou tristeza,
dai-me inferno ou dai-me o céu,
vida doce, sol sem véu,
pois a tudo me rendi:
Que quereis, Senhor, de mim?·

Dai-me, pois, sabedoria,
ou, por amor, ignorância;
dai-me anos de abundância,
ou de fome e carestia;
dai trevas ou claro dia,
revolvei-me aqui ou ali;
Que quereis, Senhor, de mim?
(excerto da Poesia 2 de Santa Teresa de Jesus - Para Vós nasci)

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Preparando a Solenidade de Santa Teresa de Jesus (II)


Que quereis então, Senhor tão bom,
que faça tão vil servidor?
Que missão destes a este escravo pecador?
Eis-me aqui, meu doce amor,
Meu doce amor, eis-me aqui.
Que quereis fazer de mim?

Eis o meu coração,
que coloco em Vossas mãos,
com o meu corpo, minha vida, minha alma,
minhas entranhas e todo o meu amor.
Doce Esposo, meu Redentor,
para ser Vossa, me ofereci,
Que quereis fazer de mim?
(excerto da Poesia 2 de Santa Teresa de Jesus - Para Vós nasci)

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Preparando a Solenidade de Santa Teresa de Jesus (I)

Foto - Edição facsímile de Caminho de Perfeição

Soberana Majestade,
Eterna Sabedoria,
Bondade tão boa para a minha alma,
Vós, Deus, Alteza, Ser Único, Bondade,
Olhai para a minha baixeza,
Para mim que hoje Vos canto o meu amor.
Que quereis fazer de mim?

Vossa sou, pois me criastes,
Vossa, pois me resgatastes,
Vossa, pois me suportais,
Vossa, pois me chamastes,
Vossa, pois me esperais,
Vossa pois não estou perdida,
Que quereis fazer de mim?
(excerto da Poesia 2 de Santa Teresa de Jesus - Para Vós nasci)

segunda-feira, 28 de março de 2011

Para vós nasci - 496º Aniversário de Santa Teresa de Jesus

Hoje celebramos o 496º aniversário da nossa mãe Santa Teresa de Jesus. Mãe, amiga, companheira de carminho. Este ano, não faltou a uma única Carminhada, Entre-fitas, Noite Escura, Horeb... E está inscrita no Kerit :)


PARA VÓS NASCI
Vossa sou, para Vós nasci
Que quereis fazer de mim?

Já toda me entreguei e me ofereci
Já toda sou para Ti.

Vê-de aqui meu coração,
Eu o ponho em vossa mão,
Meu corpo e vida e alma
Meus desejos e afeição;
Eis-me aqui, meu terno Amor:
Que quereis fazer de mim?

Dai-me morte, dai-me vida,
Dai-me guerra ou paz crescida,
Dai-me alegria ou tristeza
Dai-me riqueza ou pobreza
Só a Ti, meu coração,
Que quereis fazer de mim?

S. Teresa (Poesia 2)

sábado, 5 de março de 2011

A história continua...Santa Teresa de Jesus, cap XVIII

XVIII

A REFORMA DE SANTA TERESA EM PORTUGAL

Chama-se assim a Ordem Carmelita: Ordem da Bem-aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo – remoçada no seu primitivo viço e esplendor pela Santa Madre Teresa de Jesus.


Não há sombra de dúvida que a Santa Reformadora tencionava vir a Portugal fundar seus Carmelos, tanto de Descalços como de Descalças. As cartas que recebia frequentemente de D. Teotónio de Bragança, Arcebispo de Évora e seu grande admirador, fazendo-lhe convites e apelos nesse sentido, bem como a velha amizade que votava à Princesa de Espanha, D. Maria, irmã de D. Filipe II, leva-nos a crer que só não chegou a vir porque a colhera a morte.
É fácil adivinhar como sofreria Santa Teresa, quando da guerra de Espanha contra Portugal, que teve como resultado a anexação deste reino à coroa de Castela. Há quem diga que Santa Teresa queria vir a Portugal e que desanimou ao saber do desastre de Alcácer Quibir (1578), sobre cujos mortos chorou.
Seja como for, a verdade é que Santa Teresa morreu em 1582, pensando em Portugal, porque era aqui, em terra lusa, onde pretendia vir fundar o seu primeiro mosteiro, logo que começou a expansão da Reforma Carmelita fora do território espanhol.
Se Santa Teresa, porém, não pôde vir pessoalmente a Portugal, vieram em seu nome e trazendo sua representação, seus filhos e filhas. Quer isto dizer que o amor da Santa Reformadora a Portugal o herdaram, como legado precioso, os Descalços e Descalças Carmelitas. Por isso, no célebre Capítulo da Separação, em Março de 1581, um dos assuntos tratados e resolvidos foi este: a introdução do Carmelo Teresiano em Portugal. Ainda no mesmo ano, foi destinado a Portugal, com plenos poderes de Fundador, o P. Frei Ambrósio Mariano, oriundo da Itália, homem de grande inteligência, muito sabedor e de acrisoladas virtudes, um dos Descalços primitivos mais estimados pela Santa Reformadora. Tinha tomado o hábito em Pastrana em 1575, assistindo à cerimónia Santa Teresa que assim lhe quis manifestar o seu apreço e estima.
Quando da partida do P. Ambrósio Mariano para Portugal, estava a Santa Reformadora em S. José de Ávila; e lá foi ter com ela o ilustre Descalço para se despedir e pedir-lhe a bênção e conselhos. Não veio só o Padre Mariano a Lisboa, mas acompanhado do Padre Frei Gaspar de S. Pedro, pregador insigne, e mais cinco religiosos. Em Lisboa encontraram os Descalços todo o apoio, quer da parte do rei D. Filipe, quer do Arcebispo, D. Jorge de Almeida, e dos fiéis. Em homenagem ao Monarca, grande benfeitor da Comunidade Carmelita, tomou o convento o título de S. Filipe.
Parece que o primeiro convento dos Descalços se inaugurou, em Lisboa, pelos lados da Pampulha, em Belém. Foi nomeado mestre de noviços deste convento lisbonense o Padre André da Conceição, português, natural do Algarve.
Em 1585, celebrou Capítulo a Reforma, que se reuniu em Lisboa. Vieram por essa ocasião a Portugal muitos ilustres carmelitas, entre eles S. João da Cruz. Ainda hoje, diz a tradição, nas margens verdejantes do Tejo, o sítio aprazível que escolhera o futuro Doutor da Igreja para ir contemplar a natureza ao cair da tarde.
Em 1610 tornou-se a Província Lusitana de Carmelitas Descalços de S. Filipe independente de Andaluzia e, volvidos mais alguns anos, era tão numerosa e alcançou tanto esplendor que, com licença da Santa Sé, chegou a constituir Congregação à parte, com Superior Geral próprio.
Antes da expulsão dos religiosos, 1834, tinha a Congregação Portuguesa de Carmelitas Descalços 28 conventos: 17 de frades e 11 de freiras.
Ainda hoje, volvidos mais de três séculos, vale a pena ser visitado o Deserto dos Carmelitas Descalços na Serra do Buçaco, inaugurado a 8 de Fevereiro de 1629, em virtude de um Breve do Papa Urbano VIII, que concedia ao Bispo-Conde de Coimbra licença para transferir a propriedade destas serras, pertença da Mitra, para a Ordem dos Carmelitas Descalços.
É uma preciosa relíquia do glorioso passado dos filhos de Santa Teresa em Portugal. O governo da Nação chamou a si o encargo de guardar, com todo o respeito, esta jóia como monumento nacional.
*

Não têm conta os ilustres Descalços que floresceram em virtudes e letras na Congregação Portuguesa. Vamos apenas citar alguns: o Padre Silveira, Definidor Geral da Ordem, nascido e criado em Lisboa, insigne comentarista da Sagrada Escritura; D. Manuel do Menino Jesus, Bispo de Viseu, no século XVII; D. Inácio de S. Caetano, Bispo de Penafiel e que nunca chegou a tomar posse do bispado, grande teólogo, exegeta, confessor da Rainha D. Maria I e Inquisidor Geral do Reino. Nasceu em Chaves em 31 de Julho de 1691. Nomeado Arcebispo de Tessalónica, faleceu em 29 de Novembro de 1788. Está sepultado na Basílica da Estrela. Não é menos ilustre do que estes Descalços o Padre Mestre João da Ascensão Neiva (1787-1861), cuja fama de virtudes chegou até nós. Entrou no mundo este insigne filho de Santa Teresa na freguesia de S. Romão de Neiva, concelho de Viana do Castelo, em 26 de Outubro de 1787. Tomou o hábito e fez a sua profissão no Convento de Carmelitas Descalços de Nossa Senhora dos Remédios da cidade de Lisboa. No colégio que a Ordem tinha em Braga estudou filosofia e teologia, sendo ordenado sacerdote em 1810. Sua longa vida de Carmelita pode-se dizer que foi um exemplo, “escondido, com Cristo, em Deus”, no dizer de S. Paulo. Logo os fiéis reconheceram em Fr. João uma alma de eleição, um homem todo de Deus. Desempenhou cargos importantes na Ordem, sendo Prior do convento de S. João da Cruz de Carnide, quando da expulsão dos religiosos em 1834. Os grandes talentos intelectuais deste frade Descalço, a sua memória pronta e exacta, a sua clara e profunda exposição das verdades teológicas, a sua fácil e fecunda invenção de pensamentos e de razões, bem conhecidas e até admiradas pelos seus próprios professores, quando estudante, deram-lhe depois o título de “Mestre”. O P. Mestre Neiva era conhecido em todo o Portugal e o povo português amava-o. Era pregador de primeiro plano, com nome feito, ouvido em toda a parte com agrado e admiração. A sua paixão eram as almas. Quando, em 1833, vivia entregue mais intensamente ao sagrado ministério, foi surpreendido, na sua humildade, pela nomeação de Arcebispo de Goa, Primaz do Oriente. O humilde religioso recusou-se, como outros muitos Descalços, a aceitar a nomeação, preferindo a sua vida escondida e penitente. Depois da extinção dos conventos, retirou-se para o Minho, sua terra natal, fazendo de Braga o seu quartel general de apóstolo. Então consagrou-se todo à salvação das almas e à pregação do Evangelho. Fazia-se tudo para todos a fim de todos conquistar para Deus; isto, porém, sem deixar a sua vida de oração e penitência, porque é esta a nota mais saliente deste grande Carmelita português: vivia fora do claustro, em casa do seu amigo, Cónego José Maria de Oliveira, exactamente como se vivesse dentro do claustro, com o hábito religioso, com a mesma oração, as mesmas austeridades, a mesma penitência... Esta vida de íntima união com Deus e intenso apostolado – é isto a vida carmelita reformada – viveu-a o Padre Neiva vinte e dois anos na cidade dos Arcebispos, sem recuos nem desfalecimentos. “Mortificado por diversas dores físicas e morais que ele sofria com grande paciência e afável alegria, já desfalecido do corpo, que só tinha pele e osso, mas sempre vigoroso no espírito, morto já para o mundo e vivo só para Deus, tranquilo, esperou e viu o dia da sua morte, para o qual se havia preparado sempre e proximamente se dispôs, recebendo com grande devoção os últimos sacramentos”, assim termina Monsenhor Benevento de Sousa89 a biografia deste insigne filho de Santa Teresa. Faleceu em odor de santidade, em Braga, a 16 de Março de 1861. O seu sepulcro encontra-se sempre enfeitado de luzes e flores, na Igreja do Carmo de Braga. O povo do Norte, tanto do Minho como do Douro, conservam com toda a devoção a sua imagem e a ele recorrem nas necessidades, esperando que um dia a Santa Igreja lhe conceda as honras dos altares.
Não queremos encerrar esta pequena galeria de ilustres Carmelitas Descalços sem fazer referência ao ilustre P. João José de Santa Teresa, autor do livro “Finezas de Jesus Sacramentado”, traduzido mais tarde em espanhol e italiano, bem como de dois insignes místicos, discípulos categorizados de Santa Teresa e de S. João da Cruz. É o primeiro o P. Fr. António do Espírito Santo, autor do “Directorium Misticum”, seguro compêndio de Mística em que se reduzem a método escolástico as candentes experiências interiores de Santa Teresa e de S. João da Cruz. É o segundo o P. Fr. José do Espírito Santo, homem de invulgar valor, autor de duas obras sobre assuntos místicos: “Catena Mistica Carmelitana” e “Enucleatio Misticae Theologiae” reeditada em Roma, 1927.
*

Em 1834 desaparecem as Comunidades Religiosas em Portugal. Passam-se os anos, mudam os tempos e as ideias que governam os homens e as coisas, e voltam de novo a aparecer os frades e as freiras de quase todas as Ordens Religiosas; só os filhos de Santa Teresa, portugueses, é que não tornam a aparecer no palco da vida nacional. Isto tem a sua explicação natural. Os Carmelitas Descalços ao serem civilmente extintos, como os frades das outras Ordens Monásticas, não formavam Província dependente do Superior Geral de Roma, mas – é isto o curioso e interessante –, em virtude dum privilégio especial concedido pela Santa Sé, constituíam, como já se disse, Congregação à parte, com Superior Geral próprio residente em Lisboa; isto é, nenhum Superior da Ordem tinha jurisdição em Portugal, nenhum deles era obrigado pelo seu cargo a zelar os interesses da Ordem neste país.
Felizmente, em 1927, Deus providenciou quem viesse estender a mão ao Carmelo Português. A Província Carmelitana de S. Joaquim de Navarra, das mais florescentes da Reforma90, lembrou-se, em 1927, de mandar a Portugal alguns religiosos espanhóis, que tinham trabalhado no Brasil, para verem, “in loco”, se ainda era possível reatar o fio de oiro da tradição carmelita neste país peninsular, restaurando a antiga Província de S. Filipe. A hora que passa, portanto, é de restauração para o Carmelo Português. Já surgiu, esplêndida, a aurora. A tarefa, porém, para aqueles que a ela meteram ombros, é ingente. Em 1928 encontramos já carmelitas espanhóis no Alandroal (Alentejo). Abandonada esta fundação, porque não convinha à Ordem, mudaram para a cidade de Elvas, 1929, paroquiando até hoje, a freguesia do Salvador. Depois abriram outras pequenas residências. A de Aveiro, 1930; a de Viana do Castelo, 1932; na Foz do Douro, 1936; no Funchal, 1946. Avessadas (Marco de Canaveses), 1961; Braga, 1962; Fátima, 1971; Paço de Arcos (Oeiras), 1982.
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Instalados os Descalços em Lisboa, 1581, logo mandaram vir suas irmãs, as Descalças, como era vontade da Santa Reformadora, e pedia insistentemente o D. Teotónio de Bragança, Arcebispo de Évora. Mas as Carmelitas só chegaram à capital do Império em 24 de Dezembro de 1584, vigília do Natal. Foram escolhidas para esta fundação religiosas do Carmelo de Sevilha, fundado por Santa Teresa. A primeira Prioresa foi a Madre Maria de S. José, irmã do P. Jerónimo Graciano e filha predilecta de Santa Teresa, que já era morta. Inaugurou-se o mosteiro de Santo Alberto – assim foi denominado o primeiro Carmelo Português das Descalças – em 19 de Janeiro de 1585. A tradição fixa o convento em Santos-o-Velho.


Hoje florescem em Portugal nove Carmelos: o de Fátima, Viana do Castelo, Coimbra, Monte Estoril, Porto, Crato, Faro, Aveiro e Guarda.


[Jaime Gil Diez, Santa Teresa, Edições Carmelo]

sábado, 26 de fevereiro de 2011

A história continua...Santa Teresa de Jesus, cap XVII

XVII

A MÃE E OS FILHOS

Em 24 de Agosto de 1562 conseguira Santa Teresa, como já vimos, à custa de dissabores sem conta, inaugurar na cidade de Ávila, para religiosas, o seu pequeno convento de S. José, berço da Reforma da Ordem Carmelita. À fundação deste mosteiro seguiram-se outras, mas a Santa Reformadora não andava ainda satisfeita; é que não tinha realizado por completo, naquela altura, o seu sonho dourado. Ela queria e pedia incessantemente a Deus que os frades do Carmo aceitassem também a Reforma, tal qual as freiras. Mas, como meter-se uma mulher a reformar homens? Isto nunca ninguém tinha visto na Igreja de Deus. Onde encontrar vocações? Como arranjar casa para uma obra dessas? Era isto o que preocupava Santa Teresa naquela altura e o que tratou de resolver a pouco e pouco, mas começando logo no primeiro dia da sua partida de Ávila, mal chegou a Medina del Campo.
Tanto os Descalços como as Descalças Carmelitas chamam “mãe” a Santa Teresa, e com toda a razão; tanto àqueles como a estas deu ela a vida reformada do Carmelo. A Madre Teresa sente-se escolhida para esta grande obra e, como tudo fia de Deus e nada de si, lança-se, intrépida mas prudente, à realização desta empresa. E assim, escolherá ela os homens aptos para isso, dar-lhes-á suas instruções para observarem com todo o rigor a Regra primitiva quanto à oração, jejuns, abstinência de carnes, austeridade, solidão, isolamento do mundo. Ela própria, com suas filhas, lhes talhará o burel, pobre, curto, de estamenha; procurará convento para eles; irá visitá-los de vez em quando, como mãe solícita e moderará com descrição os rigores das suas penitências.
Mais. Quando desabar a tormenta sobre os seus filhos, os Descalços, ela mesma os defenderá desassombradamente dos seus inimigos, mostrando a toda a gente a inocência, a vida austera, irrepreensível dos Descalços, escrevendo ela, se tanto for preciso, ao próprio Rei da Espanha.
É este, ao que me lembra, caso único na História da Igreja: uma mulher a meter homens na ordem, isto é, na observância perfeita da Regra primitiva duma Ordem Monástica das mais antigas e gloriosas. Teresa, porém, é também única, a mulher extraordinária por excelência, a mulher-prodígio.

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No entender da Madre Teresa, os alicerces da Reforma Carmelita deviam ser estes: noviças com muito bom espírito, prioresas ciosas da observância regular e frades descalços para dirigirem as Descalças. Já tinha bastantes noviças e Superioras à medida dos seus desejos; o que importava agora era formar descalços para guias das descalças pelos caminhos de Deus.
A Santa Reformadora começou por pedir a necessária licença ao P. Geral da Ordem, Fr. João Baptista Rubeo, quando da sua passagem por Ávila em 1567. O prelado, homem de invulgar talento, grande servo de Deus, como lhe chama Santa Teresa, e amigo de toda a Reforma, anuíra de muito bom grado ao que se lhe pedia, concedendo à Santa Madre, por meio duma patente assinada em Barcelona, de regresso a Roma, em 16 de Agosto de 1567, autorização para fundar, em Castela, dois mosteiros da Regra Primitiva, contanto que estivessem de acordo o Provincial, Fr. Alonso González, e o Prior dos Carmelitas de Ávila, Frei Ângelo de Salazar.
É notável e digno de registo o documento do P. Geral sobre este assunto. Nós desejaríamos, diz o Prelado, que todos os frades e freiras desta Ordem fossem espelhos, lâmpadas, tochas acesas, estrelas cintilantes para alumiarem e guiarem todos os homens que andam pelos agros caminhos da vida...
Não é fácil dizer o júbilo de que se sentiu dominada a Santa Reformadora quando soube desta memorável patente que tanto honra seu autor, o P. Rubeo. Santa Teresa já não esperou mais. Deus o queria, e assim pôs mãos à obra.
Em Medina del Campo foi ter com o Prior do Carmo, Frei António de Herédia, que logo aceitou o convite para ser o primeiro Descalço, frisando que a Reforma da Ordem vinha mesmo ao encontro dos seus desejos e propósitos, pois que tinha resolvido já recolher à Cartuxa de Segóvia, dar-se todo a Deus e fazer austera penitência.
A Santa Madre agradeceu-lhe a oferta que não podia ser mais generosa nem mais sincera, mas ficou meio hesitante, a cismar... e marcou-lhe o prazo de um ano para ele experimentar, praticando aquilo que ia prometer e professar.
O P. Herédia, figura de grande relevo na Ordem, era já velho, tinha 58 anos... e assim dificilmente se poderia adaptar por completo à vida austera de descalço; apesar de suas excelentes qualidades de inteligência e coração, não parecia ser esse o homem destinado a pedra fundamental da Reforma.
Por aqueles dias apareceu no convento de Santa Ana de Medina um frade novo, inteligente, discreto, muito fervoroso, mas um tanto pequeno de corpo; tinha apenas 26 anos e andava concluindo os estudos na Universidade de Salamanca: era Fr. João de Yepes.
A Santa Madre mandou-lhe dizer que lhe queria falar à grade da clausura das Descalças. Lá foi ter com a Reformadora o jovem universitário. Conversaram sobre o mesmo tema, expondo-lhe Madre Teresa, pormenorizadamente, seus planos de Reforma. Será este o homem providencial escolhido por Deus para pedra fundamental do edifício? – dizia de si para si a Reformadora, quando lhe falava, fitos seus grandes olhos na fraca silhueta daquele homem, que já tinha qualquer coisa de grande.
Conta-lhe a Madre Teresa a vida reformada que levavam as Descalças, sua quase contínua oração, jejum, penitências, afastamento dos seculares, toda a austeridade que queria implantar nos mosteiros da Reforma.

Frei João sorri: Isso é pouco, queria mais – diz. Mal termine no ano próximo, os estudos teológicos, já tenho licença dos meus Superiores para ir para cartuxo.
Mostrou-lhe, então, a Santa Madre a glória que daria a Deus, se se reformasse dentro da Ordem Carmelita sem necessidade de ir procurar fora o que tinha dentro da sua casa. Frei João fita a Madre Teresa, através da grade de ferro, como para lhe penetrar as intenções e, de novo sorri... Sim, sim, está bem – replica o jovem Carmelita. Concordo plenamente e aceito, mas ponho uma condição: que não haja demoras.
As Descalças de Medina estavam, naquela altura, na hora do recreio, depois da refeição do meio-dia. Chegou toda radiante a Reformadora e disse-lhes assim: Oh! minhas filhas! Já tenho, para a reforma dos nossos Padres, frade e meio.

Qual seria o meio frade? Porventura Frei João, pequeno no físico, mas grande, gigante no espírito, que satisfazia por completo os desejos e exigências da Madre Teresa para levar a cabo a obra ingente da Reforma, ou Fr. António de Herédia, bela figura de homem, de maneiras polidas, com nome feito na Ordem e os seus 58 anos... que não satisfazia completamente à Madre Teresa? Seja como for, a verdade é que estes dois frades foram os primeiros filhos espirituais da Santa Reformadora, os pilares da Ordem de Carmelitas Descalços fundada por Santa Teresa de Jesus. O P. António, que morrerá com 91 anos, passando 32 na Reforma Carmelita a ocupar sempre altos cargos, vai assistir aos últimos momentos da vida preciosa de Santa Teresa no Carmelo de Alba de Tormes (1582), e recolherá também o alento final do futuro Doutor da Igreja, S. João da Cruz, no convento dos Descalços de Úbeda, em 1591.

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Medina del Campo, Agosto de 1567.
Frei João de Yepes ou de S. Matias – era este o nome de S. João da Cruz, quando vivia entre os calçados – está com a Madre Teresa e as religiosas no locutório do Carmelo. Pode dizer-se que ele anda estes dias a fazer com elas a aprendizagem da vida reformada que, por sua vez, ensinará aos descalços quando for Mestre de noviços e Superior. Conversam na intimidade das almas santas. Do lado de lá da grade de ferro, a Santa Reformadora e suas filhas; do lado de cá, Frei João.
Mas, em determinada ocasião, a pedido da Santa Madre, aparece-lhes vestido de Descalço... pés nus, hábito curto e pobre, de estamenha de cor castanha, a mais ordinária. O burel foi talhado pela própria Madre Teresa e costurado pelas monjas. Nunca ninguém tinha visto um Carmelita com um hábito assim... É o primeiro Descalço que aparece no mundo... Dir-se-ia que é a imagem viva do homem contemplativo e penitente. O mundo, os anjos e os homens assistem, maravilhados e edificados a este espectáculo de grandeza moral inegável.
Passam alguns meses. A Santa Madre segue, na companhia de algumas freiras, para a fundação do Carmelo de Valladolid, como já vimos, e quer que as acompanhe Frei João, para que, na ausência do Capelão, P. Julião de Ávila, lhes celebre a Missa, as confesse e faça práticas. Temos aqui, na cidade do Pisuerga, a grande Reformadora, confessando-se e tratando as coisas do seu espírito com Frei João de S. Matias, que apenas contava 26 anos; tão prudente, fervoroso e adiantado na vida reformada o encontrou Santa Teresa que resolveu mandá-lo sozinho para Duruelo arrumar a desmantelada casa ou casebre, que havia de ser, no mundo, o primeiro convento de Carmelitas Descalços.
Teve de ir para lá só, porque o P. Fr. António de Herédia não tinha ainda sido dispensado do múnus de Prior de Santa Ana de Medina. Saíra para Duruelo nos últimos dias de Setembro de 1568, levando fixas na sua memória todas as recomendações da Santa Reformadora, para dar alguma forma de mosteiro àquela desconfortável casa que lhes doara D. Rafael Mejia Velázquez, grande benfeitor da Ordem e admirador da Santa Madre.
Duruelo era um lugarejo quase ermo, situado na província de Ávila, distante uns 40 kms de Valladolid, ao pé da rica e progressiva vila de Bracamonte. Tinha apenas 20 fogos.
A tal casa para convento de frades não era mais que a humilde moradia do caseiro de D. Rafael, que cultivava aqueles terrenos. Já a conhecia a Madre Teresa, porque já a tinha ido visitar propositadamente com o P. Julião de Ávila e outras pessoas amigas. Achou-a adaptável ao fim a que se destinava, mas sem nenhum conforto. Porém, como Fr. António e Fr. João tinham grandes desejos de penitência, não hesitou em aceitá-la.
Lá esteve Fr. João dois meses dirigindo os trabalhos como arquitecto e mestre-de-obras, transformando em mosteiro de Descalços aquela casa que Santa Teresa chamou em frase lapidar “Presépio de Belém”. Quer dizer; não tinha mais conforto que a lapinha de Jesus em Belém.

As dependências eram estas: uma sala, logo à entrada da porta, que Fr. João destinara a Capela; à direita de quem entra, um quarto tão estreito e baixo que mal se podia estar nele de joelhos, e que serviria de coro; à esquerda, um outro aposento que, feitas algumas divisões, daria para celas dos frades, com uma pequenina janela que dava para o Santíssimo Sacramento, e mais uma cozinha rural. Isto é tudo. De resto, só se viam por todos os cantos cruzes de madeira, de papel, de todos os tamanhos e feitios, e caveiras humanas.
Limpo o pobre conventinho e munido de utensílios e apetrechos de sacristia oferecidos pelas Descalças de Medina, inaugurou-se a fundação, e começou com todo o rigor a vida reformada no primeiro Domingo do Advento, 28 de Novembro de 1568, com a presença do Provincial, Fr. Alonso González, que rezou a Missa de comunidade. Finda a Missa, Fr. António de Herédia, que tinha chegado na véspera, Fr. João de S. Matias e mais Fr. José, que era ainda diácono, todos carmelitas descalços, muito sensibilizados e de joelhos aos pés do Prelado, renunciaram solenemente à mitigação da Regra concedida por Eugênio IV, prometendo observar a Regra Primitiva da Ordem dada por Santo Alberto, Patriarca de Jerusalém, aos monges do Monte Carmelo e confirmada por Inocêncio IV. O resto e as palavras do Provincial, amigo de toda a reforma, facilmente se podem adivinhar... Não houve mais.
Cerimónia esta singela, sem nenhuma pompa, mas cheia de significado e de enorme projecção espiritual na Santa Igreja. Era nada mais nada menos que o reflorir do Carmelo entre os frades da Ordem de Nossa Senhora.
A Santa Reformadora não assistiu à cerimónia inaugural, mas sentia-se feliz, por ver realizado o seu sonho. A vida dos filhos de Santa Teresa, a partir desta data memorável, foi um misto de oração e penitência, num ambiente de solidão e silêncio. Andavam literalmente descalços, sem alparcatas, que a Madre Teresa já tinha concedido às religiosas, como medida de prudência. Erguiam-se todos os dias à meia-noite para rezar Matinas no coro, perante o Santíssimo Sacramento, ficando muitas vezes em oração até ao romper do dia, em que de novo reunia a Comunidade para as Horas Canónicas. E quantas vezes lhes chovia ou nevava sobre os hábitos, naquele presépio com aparência de convento!
Jejuavam de 14 de Setembro até à Páscoa, todas as sextas-feiras, nas Têmporas do ano, e ainda em muitas vigílias de grandes festas, designadamente de Nossa Senhora. A abstinência de carnes não tinha quebra.
Tomavam disciplinas uma, duas, três vezes por semana. Oravam, meditavam, estudavam a Sagrada Escritura aqueles primitivos descalços e ainda iam pregar a palavra de Deus por aquelas redondezas, vivendo assim, plenitude, o duplo espírito do Carmelo, como lhes indicara o Superior Geral da Ordem ao conceder licença para a fundação. Por mais de uma vez foram pregar às freguesias vizinhas os frades de Duruelo e voltaram para o mosteiro, cansados, sem terem tomado coisa alguma, porque não queriam que ninguém os recompensasse, pois tudo faziam unicamente por Deus. Vida penitente, como a dos antigos moradores do Monte Carmelo, a dos filhos de Santa Teresa, em Duruelo. Tão penitente que, ao passar por lá a Reformadora em Fevereiro de 1569, a caminho de Toledo, recomendou encarecidamente aos Descalços que moderassem com prudência os rigores das suas penitências, para não perderem a saúde ou afastarem as vocações que podiam aparecer. Os filhos responderam à Mãe que timbravam em copiar o mais perfeitamente possível, na sua vida reformada, Jesus Cristo Crucificado, cujo nome eles reproduziam e lembravam nos seus apelidos. Com efeito, o velho Prior de Medina quis chamar-se, no Carmelo Reformado, Fr. António de Jesus, e assim será conhecido entre os Descalços; Fr. José, o diácono, de Cristo; e Fr. João de S. Matias, esse trazia a ideia da crucificação com a sua cruz, pois, propositadamente escolheu chamar-se Fr. João da Cruz. E a história diz que os três Descalços souberam viver e realizar maravilhosamente seus respectivos nomes, e fazer, juntos, um Jesus Cristo Crucificado.
Seria diminuir a verdade dos factos se pretendêssemos ocultar aqui a impressão salutar de devoção que causara a Santa Teresa e às pessoas que com ela foram visitar Duruelo a contemplação do conventinho e igreja. “Logo que entrei, fiquei surpreendidíssima ao perceber o espírito que lá tinha posto Nosso Senhor. E não só eu, como também os dois comerciantes que tinham vindo comigo de Medina, pessoas amigas, não podíamos deixar de chorar. Tantas cruzes, tantas caveiras humanas!”.
Antes de sair de Duruelo, o P. Provincial nomeou Fr. António de Jesus Vigário da comunidade e, crescendo mais tarde o número de frades, resolveu elevar aquela residência dos Descalços à categoria de Priorado, escolhendo Fr. António para Prior do convento, e Fr. João da Cruz para Subprior e Mestre de noviços.
Como o sítio de Duruelo era bastante insalubre e os religiosos começavam a adoecer, tiveram de mudar para a próxima vila de Mancera, onde era muito conhecido e estimado o Padre Prior Fr. António de Jesus, pelos seus sermões e trabalho apostólico. Realizou-se a trasladação da Comunidade processionalmente com toda a solenidade em 11 de Junho de 1570, acompanhados os Descalços pelo clero e fiéis. Nesta data eram já 15 ou 17 os membros da comunidade Carmelita, rezam os anais do convento. O P. Fr. António, pregador de grandes recursos e fino recorte literário, e S. João da Cruz continuavam a espalhar por aquelas planícies castelhanas a boa semente do Evangelho, realizando grandes conversões, principalmente nos arredores de Mancera onde o Prior do Convento tinha pregado os sermões quaresmais em 1569.

Os Conventos dos Descalços iam aumentando, bem como os das Descalças, com grande consolação para a Santa Reformadora, a quem disse um dia Nosso Senhor que veria florescer esta Ordem, como nos conta nos seus relatórios a Beata Ana de S. Bartolomeu, secretária e enfermeira dedicada de Santa Teresa.

Quando ela redigia em Toledo o capítulo 13 do livro das “Fundações”, isto é, entre o ano de 1577 e 1580, diz a própria Santa que havia já fundado dez mosteiros: Duruelo, Pastrana, Mancera, Alcalá de Henares, Altamira, La Roda, Granada, La Peñuela, Sevilha e Almodóvar del Campo. E levando em conta que este último foi inaugurado em 1575, podemos concluir que, no breve lapso de sete anos – tinha começado a Reforma dos frades em 1568 – foram fundados estes dez mosteiros de Descalços. Deus Nosso Senhor, como se vê, não podia abençoar melhor a seara da Madre Teresa.
Vêm aqui a propósito as suas palavras: “Estas casas, na sua maior parte, não foram fundadas por homens, mas foi a mão poderosa de Deus que as fundou”.
Como os Descalços, nos começos da Reforma, não tinham constituições e em cada convento se procedia como bem entendia o Superior, em 1576, o Comissário Apostólico, Frei Jerónimo Graciano, redigiu umas Constituições. No dizer de Madre Teresa, era natural que os reformados interrogassem amiudadas vezes a Reformadora sobre o que se devia praticar nos seus conventos. Não é fora de propósito notar aqui que o P. Fr. António de Jesus, ocupando quase sempre altos cargos na Reforma, nunca fora da plena confiança de Santa Teresa como S. João da Cruz, o P. Jerónimo Graciano e outros insignes Descalços. Tinha muitos pergaminhos, e parece que até chegou a ser indigitado para bispo, mas nunca o chegou a ser, ainda que não lhe faltassem grandes predicados, vasta cultura, vida interior e um fino e impecável porte social.
Durante a terrível tormenta que desabou sobre os Descalços e a Santa Reformadora (1577-1580), foi a própria Santa Teresa quem defendeu com todo o desassombro os seus frades, levando a causa ao conhecimento do próprio Rei de Espanha, D. Filipe II, que logo acudiu em sua defesa. Felizmente, tudo terminara com o triunfo estrondoso da Madre Teresa e de seus filhos ao conceder-lhes o Papa Gregório XIII absoluta independência dos Superiores Calçados (1580), como já vimos.
Um dia em que Santa Teresa pedia encarecidamente a Nosso Senhor, no convento de S. José de Ávila, o progresso espiritual da sua Reforma, diz o autor de “Serafina do Carmelo” que teve a Santa Reformadora um êxtase e o Senhor lhe fez saber quatro preceitos que deviam observar os monges desta Ordem: primeiro, que houvesse conformidade entre os Prelados; segundo, que os conventos tivessem poucos moradores; terceiro, que os frades e freiras tratassem pouco com os seculares; quarto, que se ocupassem mais de obras do que de palavras. Ficaram assim superiormente traçadas as linhas gerais do espírito que devia informar a Reforma do Carmelo, no correr dos séculos.

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Santa Teresa era de um zelo verdadeiramente apostólico; tinha mesmo alma de apóstolo. Já em pequenina, deu provas disso quando fugira da casa paterna, rumo à Moirama. Por isso costumava dizer que mil vidas daria ela por uma das muitas almas que se perdem; e foi justamente para ajudar os que defendem a Igreja que ela fundou os seus Carmelos.
Ora, seus filhos não podiam deixar de andar santamente contagiados desta sede de almas. É esta, sem sombra de dúvida, a razão por que, já no Capítulo da Separação, celebrado em Alcalá de Henares (1581), em que foi eleito Provincial o P. Jerónimo Graciano – o que muito alegrou a Santa Madre Teresa – triunfou a ideia de auxiliar as Missões Católicas, aventada e defendida pelo Provincial contra uma certa corrente de opiniões chefiada pelo P. Dória que sustentava a preponderância, na Reforma, da vida contemplativa, com quase exclusão da vida apostólica, ou, pelo menos, da obra das Missões.
A Ordem Carmelita é contemplativa, é certo, mas não deixa de ser também apostólica. Pelo menos assim a concebeu a sua Santa Reformadora.
Era em 1560... O protestantismo grassava na Europa como um flagelo. Lutero deformara; Teresa reformara. Teresa de Jesus, diz Edgard Luinet, foi o verdadeiro adversário da Reforma protestante. Fundou uma Ordem para combatê-la pela acção, pelas lágrimas, pelo amor; numa palavra, pelo apostolado.
Santa Teresinha, com a nítida visão de que o Espírito Santo a dotara, desde a infância, acerca das virtudes sobrenaturais, assimilara perfeitamente o espírito da Fundadora do Carmelo. Sabia que, alistando-se entre suas filhas, entrava na carreira apostólica. “Vim para salvar almas e, sobretudo, para orar pelos sacerdotes”, disse no exame canónico que precedeu a sua profissão. Além do mais, preside hoje às Missões Católicas uma Carmelita Descalça, a própria Santa Teresinha, na qualidade de Padroeira escolhida e proclamada pela Santa Igreja, tal qual como S. Francisco Xavier, o que quer dizer que a Santa Igreja considera a Ordem de Santa Teresa como apostólica, pois, de outro modo, não escolheria um dos seus membros para zelar os interesses das Missões no mundo inteiro. Por isso, o P. Jerónimo Graciano, formado na escola da Madre Teresa de Jesus com quem privava mais do que ninguém, adiantando-se três séculos, com alta e nítida visão da realidade, já em 1582, 1583 e 1584 mandou, sucessivamente, três levas de missionários carmelitas para Angola e Congo, das quais, infelizmente, só a terceira conseguiu aportar às costas da África Equatorial. O Ven. P. Francisco do Menino Jesus, alma e chefe da terceira expedição, se dermos crédito ao testemunho de velhos manuscritos, chegou a baptizar ele só mais de 100.000 pagãos.
Em Sumatra, ilha de Java, foram martirizados no século XVIII dois ilustres missionários do Carmelo: o P. Dionísio da Natividade (francês) e o Irmão Redento da Cruz (português), beatificados em 1900 por Leão XIII.
Veja-se o que escrevemos algures sobre “Missões Carmelitas”.
Nos centros de Missões Carmelitas vegetam hoje 9 milhões de infiéis confiados pela Santa Sé ao zelo dos filhos de Santa Teresa de Jesus.
Vamos encerrar este longo capítulo com chave de ouro, pois outra coisa não representam estas notáveis palavras do imortal Pio XI sobre o zelo apostólico dos Descalços: “De forma alguma queremos que passe despercebida a influência que exerciam os Carmelitas Descalços na Congregação da “Propaganda Fide” para cuja fundação muito concorreram, não só com os seus conselhos como também com os seus trabalhos e esforços junto desta Sede Apostólica, como afirmam as actas de Clemente VIII, Paulo V e Gregório XV”.

[Jaime Gil Diez, Santa Teresa, Edições Carmelo]