
terça-feira, 27 de maio de 2008
Mais valia
Muito obrigada por me responderes.
Claro que sou uma mais valia para o grupo ( mas isso dá para ver na foto que vos mando - sempre bem disposta).
Agora a sério... Acho que pertenço mais ao grupo dos "estorvos e empatas" do que ao das "mais valias". Tenho medo de não conseguir ter a vossa pedalada. ( A sinceridade também conta como uma mais valia, não é? E além disso depois não podem dizer que não vos avisei.)
Tocar viola?! Ora bem... toquei durante uns anos, mas depois... para ir aos casamentos tinha de deixar crescer as unhas para irem bonitas e não se conseguem fazer os acordes com unhas grandes e... está lá arrumada a um canto para tristeza dos meus pais que compraram a mais cara da loja. Mas posso levar se quiserem. Tenho duas. (desafinadas)
Mas sei bater palmas muito bem!!
Quanto aos compromissos pastorais,não sei muito bem o que isso é, por isso vou supor que sejam compromissos na paróquia. Sou leitora uma vez por mês na paróquia de Valongo do Vouga ( o padre de lá insistiu - porque eu lia muito bem e não podia deixar as minhas origens). Isto é só mais valias, afinal.
Ah!!! e fui escuteira durante muitos anos. (Também conta!!)
Bem... depois disto tudo e como não há mais perguntas é facil de concluir que mais valias é o que não falta.
Agora mesmo a sério. Compreendo que as inscrições acabaram e juro que não levo nem um bocadinho a mal que não possa ir. Até porque tenho mesmo medo de não conseguir acompanhar o grupo. Precisava era que me dessem uma resposta porque tenho coisas a decidir quer vá sózinha ou com vocês. E com vocês não faço a mais pequena ideia do que preciso levar.
Pode ser por mail (vejo todos os dias) ou por telemóvel.
Testemunho VII - II Peregrinação a Pé a Fátima
Não fazia a menor ideia do que era. Conhecia a Igreja do Carmo de Aveiro que fica a 800 metros de minha casa e onde apenas fui duas ou três vezes à missa. Mas lembro-me da decoração. Linda. Não havia flores. Apenas uvas, videiras, abóboras, hortaliça… "coisas da terra". Deve ser por causa dos frades – pensava eu. E era somente isto que eu conseguia associar ao nome "Carmo Jovem".
O Miguel (o meu marido) achava-me louca por querer ir com um grupo totalmente desconhecido. Não sei o que é melhor. Se ires sozinha ou com uma "seita" que não conheces de lado nenhum. Tu não bebas nada do que te derem. E telefona-me várias vezes ao dia.
No fundo, sentia-me mais assustada do que ele. Eram quatro dias e três noites. E com quem?!
Mas havia algo que me dizia que não era nenhuma "seita".Algo que me fazia acreditar. Algo como o "Testemunho III da Peregrinação a Fátima 2007" de um tal "José Henriques, 29 anos – Aveiro". Dizia tudo o que eu precisava que me dissessem. Sentiu um dia tudo o que eu estava a sentir. Tudo o que eu poderia vir a sentir se "embarcasse" com aquele grupo. E nada é por acaso. O Zé viria a ser a pessoa de todo o grupo com quem mais me identifiquei e das com quem menos falei. (Talvez porque não fossem precisas grandes palavras.)
Estava decidido! Vou!! (ou melhor, espero que me deixem ir)
" Chamo-me Márcia Santos, tenho 31 anos e moro em Aveiro." (…)
Parece estranho. Parece simples, mas foi assim que me aceitaram.
Aceitaram-me como uma "mais-valia", sabendo eu que não o era, desconfiando vocês de que nunca o seria.
Aceitaram-me porque era da "Geração 76". Obrigada Verónica.
Aceitaram-me porque numa "ditadura" quem manda é o "chefe" e ele já tinha decidido. Obrigada Frei João.
Aceitaram-me… porque existe alguém chamado Ricardo Luís. Obrigada.
Lembro-me do dia em que nos apresentámos.
Lembro-me de olhar para o Ricardo como quem tenta perceber se me meti em alguma alhada (e aquela cara não enganava ninguém), da expressão doce da Tuxana, do sorriso do Frei João quando, ao passar lá longe, me disse pela porta entreaberta: Olá Márcia. Sê bem-vinda. (lembrava-se do meu nome, mesmo sem nunca me ter visto)
Lembro-me de ver a Susana entrar (e o marido e o pai e a mãe e o irmão e a futura cunhada) e pensar: Aquela é a Susanita da Gafanha do Curso do Miguel (a Gafanhoa – como o Miguel carinhosamente lhe chama). Afinal isto não é nenhuma "seita". É a família da Susana. Ah!!, quando o Miguel souber!!...
E soube! E depressa se arrependeu de não poder vir também na dita "seita". (Que já tinha o tinha deixado de ser.)
Lembro-me do "Eu sou a/o ….. e vim a esta peregrinação porque….. e vou com a/o…… ( à nossa direita)."
A minha peregrinação era por agradecimento. Pela Maria (que não se chama simplesmente Maria só porque o nome é bonito ou está na moda), por todos os "milagres" do nosso dia-a-dia, por alguns "milagres" especiais, … pela vida.
Era por isto que peregrinava quando saí de Aveiro. Não foi por isto que peregrinei quando cheguei a Fátima. Tinha muito mais para agradecer.
Quanto à pessoa do meu lado direito, antes de chegar a minha vez de falar, tratei de lhe saber o nome: Delfina. Longe estava eu de imaginar o que seria para mim a Delfina nos 4 dias seguintes.
Sabem que mais… continuo a pedir a Deus que me dê a Fé necessária para acreditar em muitas coisas que todos vocês sabem que me "escapam" (não se escandalize Frei João), mas acredito que, nesse dia, a Delfina não estava sentada à minha direita por acaso.
E lá fui.
Soltei amarras… deixei-me ir.
Parti!
Como o José Henriques testemunhou, "no 1º dia era apenas um peregrino".
Não vou relatar o que me aconteceu nos 4 dias e 3 noites (pequenas noites) senão teríamos uma segunda crónica. Exteriormente, todos viram o que foi (e não foi só o que viram), interiormente… foi bem mais complicado.
O momento de "partilha e perdão" (3ª noite). O nº18 da Regra do Carmo: "No muito falar não falta o pecado". Agora aprendi. Agora até menciono a Regra aos meus alunos quando falam de mais nas aulas (não se escandalize Frei João). Mas também lhes digo que quando tiverem dúvidas devem pôr o dedo no ar e perguntar. Sem medo da pergunta parecer "tola" ou simples demais. Fiquei diferente depois da "partilha". Não consigo transcrever o que senti (ou não quero). Cada um de vós passou a ocupar um lugar ainda maior. O Frei João tem razão: "O sofrimento une".
Num instante, senti o mundo fugir-me debaixo dos pés.
Num instante, deixei de ver as estrelas no céu.
Num instante, deixei de existir como sendo eu mesma;
Passei a algo, uma coisa jogada ao acaso,
Que já não sabe no que há-de acreditar,
Que já não sabe o que sentir!
Depois, o mundo voltou.
Tal como as estrelas.
Mas já não era o mesmo mundo,
Nem as mesmas estrelas.
Também o que sentia já não era o mesmo.
Era mais forte.
Dos dias de peregrinação, mais não vos digo, porque nem tudo é para dizer.
Voltei para casa. O dia seguinte foi estranho. Continuava (ainda continuo) a peregrinar, mas sem sair do lugar. Sentia-vos ali perto de mim, sem o estarem. Dei graças diante da mesa posta, e almocei sozinha. Sabia que nada mais seria como antes. Afinal o Miguel tinha razão. Vocês deram-me mesmo alguma coisa para beber. E bebemos todos da mesma Fonte.
Ninguém fez o caminho que eu fiz, apesar de percorrermos a mesma estrada.
Ouvi-O, ouvi-vos e ouvi-me.
Caminhei In obsequio Iesu Christi.
Regressei por outro caminho. Ou talvez não. Talvez o caminho seja o mesmo. O que mudou foi a minha forma de caminhar.
A minha pedra ficou em Fátima. Está junto das vossas. "Somos UM".
Com ela ficou a minha peregrinação:
Por ti,
Para ti, MARIA.
Até sempre.
MÁRCIA SANTOS, 31 anos, Aveiro
Pais de Santa Teresa de Lisieux a caminho da beatificação
Os corpos de Louis (1823-1894) e Zélie Martin (1831-1877), proclamados veneráveis em 1994, foram exumados das suas tumbas, situadas próximo da Basílica de Lisieux, durante uma cerimónia privado onde esteve presente Pietro, uma criança italiana de seis anos, miraculosamente curada graças à intercessão, segundo informação do Santuário.
A Congregação para as Causas dos Santos publicou um decreto, aprovado por Bento XVI, reconhecendo que os Martin viveram as virtudes da fé, da esperança e da caridade de forma heróica.
A cura presumivelmente milagrosa de Pietro está actualmente a ser examinada pelos especialistas da Congregação.
O aniversário dos 150 anos de casamento de Louis e Zélie Martin, assim como o avanço do processo de beatificação, são causa, segundo aponta o Santuário, para este desenvolvimento.
O anúncio da sua beatificação por Bento XVI pode acontecer a 13 de Julho, por ocasião da celebração dos 150 na os de matrimonio, em Alençon, vila natal da Santa Teresa.
Os restos mortais dos esposos serão colocados num relicário, ainda a ser feito em Verona, Itália, e o ar será substituído por um gás inerte, o argónio.
“Se Louis e Zélie Martin forem algum dia beatificados não será porque foram pais de uma santa, mas porque a sua vida é reconhecida pela Igreja”, explica o santuário. Até ao momento, apenas um casal italiano Luigi e Married Beltrame Quattro Occhi, foram objecto de uma beatificação simultânea.
(Fonte: Ecclesia)
segunda-feira, 26 de maio de 2008
Notas Finais - Carminhada - Braga - 24MAI'08
A palavra forte ao longo do dia será «Inunda», logo depois de «Espírito Santo».
Quando às 10:00h a delegação de Viana do Castelo, a última, entrou na Igreja de Nossa Senhora do Carmo de Braga, já ali se encontravam todos os carminheiros. Logo depois iniciaram-se as operações comandadas pelo Tiago Gonçalves.
Havia gente nova, gente repetente e peregrifatis, quer dizer jovens que fizeram a Peregrinação a Pé a Fátima. Outros muitos não puderam vir, quase todos por boas razões; a maioria com imensa pena. Mas a vida não é só carminhar. O céu chovia, chovia que Deus a dava. Também por esta razão o verbo inundar será hoje o mais ouvido. A oração inicial foi decorrendo em paz e serenidade, e com o pensamento na chuva. Lemos o texto do Profeta Ezequiel que fala dos ossos ressequidos que se erguem e se põem a caminho pela força do Espírito de Deus. Logo depois o Superior da Comunidade, P. Agostinho Castro, em breves palavras, saudou-nos animando-nos a estar em paz na casa da Mãe, caminhar em paz e a regressar em paz. Recordou também que a «caminhada mais importante é ao centro do coração onde está a Verdade». Verdade que ele ainda não sabia que não caminharíamos como fora programado e como tanto era desejado.
A igreja estava escura. A Igreja do Carmo de Braga é escura e convidativa ao recolhimento. Mas aquele céu cor de chumbo e de chuva escurecia ainda mais a igreja. Não foi pois necessário sair fora de portas para perceber que não se poderia sair. Não carminharíamos como tanto gostamos!
Passámos por isso à execução do Plano B: caminhar dentro, com mais atenção ao interior. Caminhar dentro, mas sobretudo carminhar para dentro para «o centro do coração onde está a Verdade» (Palavras do P. Agostinho Castro). Assim, num primeiro momento dividimos o grupo em cinco pequenos cenáculos que foram convidados a ouvir o testemunho dos peregrifatis e a rezar uma de duas orações: ou a que pede os sete dons do Espírito Santo ou a que pede os Seus doze frutos. (Todos escolheram a que pedia os sete dons. Coincidência? Inteligência? Inspiração?) E a manhã ia ficar por aqui quando, empurrados mais pelo desejo de carminhar que pela eleição da escolha mais prudente, nos fizemos ao caminho. O Tiago Gonçalves, alto, voz forte e encorpada, declarou: «Vós sois testemunhas do Espírito Santo, carminhai em paz!»
E saímos do templo. À frente ia o cajado que ninguém «está autorizado a ultrapassar» e uma pequena candeia acesa, que nos recorda que temos a Luz por guia. Caminhamos descontraidamente durante 45 minutos, da Igreja do Carmo à Capela de Nossa Senhora de Guadalupe, por um caminho mais longo que o normal, que nos fez passar pelo centro da cidade. Chegamos. Que linda é a Capela de Guadalupe! A receber-nos estava o Dr. Ricardo Carvalho, membro da Irmandade de Guadalupe, que nos sintonizou com a história e as vicissitudes do templo e nos despertou para a singular beleza daquela capela tão pequena, tão acolhedora, tão sóbria e por tudo isso (e muito mais) tão bela!
Ali rezamos como manda o preceito e escutamos a voz do Papa, como também mandava o protocolo das carminhadas deste ano pastoral. Foi bonito estar em sintonia com aquela pequena comunidade que ali se reúne para celebrar a fé, e sobretudo com a agilidade daquelas gentes que converteram aquele celeiro bastardo em Casa do Pão. Digo bastardo, porque a primeira função daquele edifício foi a de lugar sagrado (capela), depois foi mal convertida em celeiro e agora novamente em capela, ou seja em Casa de Pão bom, a Eucaristia.
Já não foi fácil sair dali. Primeiro, porque a capela é bela. Depois, porque – e via-se dali! – a chuva que caía sobre o Mosteiro de Tibães em breve cairia sobre Guadalupe. Mas ainda assim fomos para a estrada. Não descêramos ainda à Rua de S. Margarida e já chovia. Acoitamo-nos por baixo do Diário do Minho, mas as ânsias eram tantas que, ala!, vamos carminhar! E fomos. Mas ainda não tínhamos passado o Paço Episcopal e a chuva mais que redrobara. E não havia ali lugar para nos recolhermos! Iam abertos uns poucos guarda-chuvas que alguns, mais prudentes como as virgens do Evangelho, haviam trazido, mas eram insuficientes. Havia muitos em falta, para que bem se completasse naquela hora a parábola evangélica sobre a imprevidência.
Quando nos abrigámos numa bela arcada duma grande livraria ninguém estava grandemente molhado, não tinha sucedido nenhuma azar excepcional. Estávamos, por assim dizer, ligeiramente respingados. Mas também era certo que ao benzer a chama que nos acompanhava, o Frei João rezara:
«Que a bênção da chuva fecunde a terra
e caia gentil sobre as nossas cabeças refrescando as nossas almas
com a doçura de pequenas flores recentemente floridas.»
Tudo estava certo, tudo estava no seu lugar. Até a chuva que nos refrescara os corpos e nos recordava que o Espírito Santo desce sobre nós até à alma para a renovar e revivificar!
Por fim a chuva deu-nos algumas tréguas. Estávamos a meio caminho do nosso destino final, a Mata do Convento franciscano de Montariol. Porém, decidimos regressar a casa. Era uma hora da tarde e ninguém protestou. As sandes e os sumos esperavam por nós. (Gostei sobretudo que ninguém tivesse protestado, sinal que o espírito de aventura era suportado pelas asas da compreensão!)
Durante o almoço que comemos diante do olhar da Senhora do Carmo o tempo não melhorou o suficiente para decidirmos andar o caminho em falta. Mas deu para tomar café. No fim da pausa do café e porque já não dava para andar para trás, caminhamos em frente. Decidíramos rezar o Terço em tons juvenis e vestido de roupas carmelitanas. Assim, na porta de entrada da igreja rezámos o primeiro mistério e recordámos o nosso baptismo; à volta do altar rezámos o segundo e fizemos memória da Eucaristia que nos alimenta e fortalece; junto do túmulo de Frei João d’Ascensão Neiva rezámos o terceiro e recordámos que há santos no meio de nós, que caminharam no passado ao nosso encontro para nos trazer a Igreja e o amor a Nossa Senhora; no jardim conventual rezámos o quarto e recordámos a beleza do Carmelo povoado de tantas, tão belas e variadas flores; na capela do antigo Seminário rezámos o último e recordámos aquela casa vazia e outros muitos Seminários vazios e a fome imensa de sacerdotes e de Eucaristia!
A tarde pusera-se boa. Quente até. Mas já decaía, não dava para muito mais.
Depois de breve intervalo recolhemo-nos de novo. Era preciso continuar essa carminhada interior que o Senhor nos proporcionara com solicitude. E lá fomos.
Fizeram-se os últimos preparativos para celebrar a Eucaristia. Era a do Oitavo Domingo Comum e ainda faltava a maior inundação. Uma inundação de fé, de festa, de amor, de serenidade, de fogo e de luz. De alegria, de paz, oração e de Espírito Santo. Foi serena a Eucaristia, serena apesar de demorada. Demorada, mas sem que ninguém reclamasse, sem que ninguém se cansasse. Celebrada demoradamente para que Jesus falasse calmamente a cada um e cada um caladamente a Jesus.
Antes da Eucaristia a máquina fotográfica oficial emperrou, destemperou-se, retorceu-se, transtrocou as funções, sei lá. (Coisas da inundação, concerteza!) E o maquinista, decepcionado e desesperado, nada pôde fazer. Em suma, foi impossível tirar fotografias. O que até é bom e simbólico, pois há coisas que as palavras não alcançam dizer e é melhor que nada digam, mas que calem no fundo da alma, que se amainem nesse mais profundo centro onde só entra o Amado e a amada. E se as palavras ficam mudas e incapazes também não é bom que as fotos falem o que só poderiam falar enviezado e desfocadamente.
Não há, portanto, fotos da Eucaristia. Nem fotos nem palavras. Ou se há são muito poucas. Ficou, porém, célebre, uma em que o sr. José recebeu do carminheiro mais jovem, o Romão, uma faixa do Movimento. Estão a apertar as mãos sob o olhar atento do Frei João. Essa é a melhor síntese da carminhada, da inundação, daquela Eucaristia, daquela família. Foi bonito.Depois, debaixo duma enorme bola de fogo que se acendeu ali, pedimos ainda ao Espírito Santo que inundasse as nossas realidades, as nossas pessoas, famílias, amigos, grupos, Igreja, comunidades, doentes, sacerdotes, escolas, ruas, recreios, casas, bibliotecas, trabalhos.
Por fim, recebemos a bênção, uma bênção de luz e de fogo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. E estava tudo terminado. Estava tudo terminado, não. Falta aqui dizer que na carminhada de Alhadas e Maiorca, no dia 16 de Fevereiro passado, nos animáramos a saudar o Santo Padre enviando-lhe uma carta. A carta já foi postada por isso não falaremos aqui dela. Basta percorrer o Blog. Pois sucedeu que obtivemos resposta e foi agora a altura de dar conhecimento dela. Lemos a carta na Eucaristia e saudamo-la com uma grande salva de palmas, como se o Papa ali estivera em pessoa. A carta será postada a seu tempo, dando tempo apenas para saborear a que em tão boa hora lhe escrevemos.
Tudo estava consumado. Urgia partir dali para Alhadas, Aveiro, Caíde, Viana e os bairros em volta do Carmo. Urgia partir, mas como sempre o mais difícil são as despedidas. E como falhava o desembaraço veio a chuva e meteu tudo dentro dos (auto)carros.
Também me fiz à estrada. Lentamente. Chovia tão forte, tão fortemente que nada se via. O regresso foi lento. Ao que soube depois choveram nas estradas que foram para o Sul, nas que foram para o Norte, para Este e Oeste. Choveu fora e dentro de nós. Houve inundação. Alguém garantiu que sentiu um tsunami. Não serei eu a desmentir.
Houve concerteza Carmo Jovem em comunhão com Deus Espírito Santo.
Estão terminados dois anos de carminhadas. Oito ao todo. Há quem garanta que valeu a pena porque nada falhou. Por mim, garanto simplesmente, que caminhamos na presença de Deus e que Deus caminhou connosco. Eu senti-O. Mas é impossível que neste deserto que já leva dois anos não tenham surgido falhas. Ausências. Inquietudes. Percalços. Talvez a Luz brilhe de tal forma que as não deixe ver.
Foi bom e continua a ser bom carminhar.
P’rá frente é caminho. Ele vai à frente.
«Sois testemunhas do Espírito Santo, carminhai em paz!», gritou-nos novamente o Tiago no fim da Eucaristia. Pois somos. Carminhemos! Em Alhadas e Maiorca os campos de arroz estão verdes, tão verdes que não deveríamos deixar de carminhar.
sábado, 24 de maio de 2008
Carta ao Papa
Na Carminhada de Alhadas e Maiorca em Fevereiro tínhamos prometido saudar o Santo Padre, e assim fizemos. E Ele, gentil, respondeu-nos. Agora publicamos a nossa carta. Depois a resposta. Queremos que todos os jovens Carmelitas sintam próximo de si a pessoa e a voz do Papa.
Viana do Castelo, 16 de Fevereiro de 2008
pedimos-lhe a vossa bênção e confiamos-lhe a nossa oração na força do Espírito Santo!
Hoje, dia 16 de Fevereiro de 2008, fomos 150 Jovens Carmelitas caminhando convosco por terras da Figueira da Foz, Portugal. Animados pelo Espírito Santo subimos ao Monte Tabor e também nós, no fim, ousámos dizer as palavras do Apóstolo Pedro: «Senhor, como é bom estarmos aqui»!
Os jovens do Movimento do Carmo Jovem continuam a ouvir as vossas palavras, a trazer consigo o vosso convite para nos pormos a caminho como testemunhas de Jesus com a audácia a que o Espírito nos convida. No nosso caminhar de fé queremos ser Igreja com a Igreja, fermento que fermenta, pés que andam e corações que amam. É assim que queremos seguir Jesus.
Neste nosso Encontro que realizamos na sequência de outros, o Santo Padre esteve especialmente presente nas nossas orações, pois vos amamos como a B. Jacinta, pastorinha de Fátima.
Queremos agradecer-vos as palavras que nos dirigistes na Mensagem para a XXIII JMJ. O convite que fazeis aos jovens de todo o mundo cala em nós, e com o ânimo do Espírito Santo, fonte de vida, sentimo-nos impulsionados a renovar a nossa esperança. Aceitamos o convite, e fazemo-nos ao caminho, fazendo dele uma escola de oração segundo os nossos pais S. João da Cruz e S. Teresa de Jesus.
Aceite e guarde esta pequena gota que somos. O nosso Movimento é uma pequenina gota no imenso oceano da Igreja a quem amamos e por quem rezamos. Nós, Jovens Carmelitas portugueses, aceitamos continuar a ser desafiados a caminhar com Jesus, a manifestar apreço pela sua palavra que nos convoca para a ternura de Deus e o serviço dos irmãos.
Queremos continuar a crescer na intimidade com Deus, a beber da «Fonte que mana e corre», a olhar para a Espiritualidade e a História da Ordem do Carmo com amor e vontade de a imitar!
Porque o Espírito Santo nos anima não podemos ficar parados, seremos testemunhas da «Chama de amor viva» que arde dentro do coração de cada um de nós e dos nossos grupos.
Santo Padre, nós, jovens do Carmo Jovem, agradecemos com carinho a maneira como abraça e acolhe o mundo. Não nos é indiferente a vossa acção missionária. Por isso seguiremos rezando pelo vosso serviço à Igreja. E procuraremos imitar-vos e seguir-vos. Rezamos ao Espírito de Jesus para que anime o nosso Pastor, o abençoe e santifique. Que a Virgem Mãe, Rainha e formosura do Carmelo, caminhe sempre convosco.
Todos os jovens carmelitas vos saúdam com afecto e alegria.
(Coordenadora Nacional do Movimento do Carmo Jovem)
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No Carmo Jovem somos rapazes e raparigas que desejamos viver o nosso compromisso de baptizados, construindo a fraternidade proposta por Jesus Cristo, em continua presença de Deus, como a Virgem Maria; ao serviço da Igreja e segundo o projecto de vida proposto por João da Cruz e Teresa de Jesus.
quinta-feira, 22 de maio de 2008
[Que bem sei eu a fonte]
«Que bem sei eu a fonte que mana e corre
mesmo de noite.
Aquela eterna fonte está escondida,
mas eu bem sei onde tem sua guarida,
mesmo de noite.
Sua origem não a sei, pois não a tem,
mas sei que toda a origem dela vem,
mesmo de noite.
Sei que não pode haver coisa tão bela,
e que os céus e a terra bebem dela,
mesmo de noite
Eu sei que nela o fundo não se pode achar,
e que ninguém pode nela a vau passar,
mesmo de noite.
Sua claridade nunca é obscurecida,
e sei que toda a luz dela é nascida,
mesmo de noite
Sei que tão caudalosas são suas correntes,
que céus e infernos regam, e as gentes,
mesmo de noite.
A corrente que desta fonte vem
é forte e poderosa, eu sei-o bem,
mesmo de noite.
A corrente que destas duas procede,
sei que nenhuma delas a precede,
mesmo de noite.
Aquela eterna fonte está escondida
neste pão vivo para dar-nos vida
mesmo de noite.
De lá está chamando as criaturas,
que nela se saciam às escuras,
porque é de noite.
Aquela viva fonte que desejo,
neste pão de vida já a vejo,
mesmo de noite»
[S. João da Cruz]
«O cálice de bênção, que abençoamos, não é comunhão com o sangue de Cristo? O pão que partimos não é comunhão com o corpo de Cristo? Uma vez que há um único pão, nós, embora muitos, SOMOS UM só corpo, porque todos participamos desse único pão». [1ª Carta aos Coríntios 10,16-17]
Eucaristia é um mistério de infinito Amor para o Mundo, só poderá ser aceite pela fé e onde a razão do Homem continuará a fazer a experiência das suas limitações. Que a experiência deste Deus Amor se cale em nossos corações!...
terça-feira, 20 de maio de 2008
OBRIGADO será a palavra que encerra tudo!
segunda-feira, 19 de maio de 2008
Testemunho VI - II Peregrinação a Pé a Fátima
“I have a dream!”
Pois, bem, eu tinha um desejo já há muitos anos:
Ir a Fátima a pé.
Este desejo nunca teve data ou hora marcada. Mas, quisera Deus e a Nossa Senhora do Carmo que fosse este ano e com um grupo de Jovens Carmelitas, o Grupo JOVENS LEIGOS EM MOVIMENTO.
Mas o que procurei nesta peregrinação?
Agradecer a Deus tudo quanto me dá.
À partida, pensar em caminhar durante 4 longos dias, ou mais exactamente 140 Km (desde o Carmo de Aveiro até o Santuário de Fátima) parece um desafio impossível. Não pensei nunca na dificuldade, ou na totalidade do percurso. Mas, optei por me sentir feliz por cada passo que dava e por cada etapa superada.
Podem não acreditar. Mas, agora que já passou, a sensação é que tudo foi estupidamente fácil. Ainda não descobri porquê. Mas, houve muita coisa a ajudar. Em primeiro lugar a organização. Toda a peregrinação foi racional e meticulosamente pensada para que cada elemento do Grupo atingisse o seu objectivo, chegar a Fátima a pé. Como nos foi dito no dia de acolhimento, “Haverá um (mais precisamente três) carro-vassoura para transporte de mochilas e dos mais cansados, mas a maior honra dos condutores é chegar sem passageiros”.
Em segundo lugar a reflexão espiritual que nos era proposta em cada dia e que dava sentido a cada dia e em terceiro lugar, mas tão importante como o primeiro, o carinho e o apoio do grupo, especialmente dos mais novos, que estão habituados a fazer carminhadas e para quem o percurso não demonstrou qualquer dificuldade.
O que me impressionou?
Um grupo de JOVENS com valores e que sentem o apelo de Deus, que se sacrificam por um objectivo.
Mais uma vez tenho que agradecer, pela fé que demonstram. Se não fossem eles, não teria desfrutado deste desafio que deixou marcas. Em termo físicos foi poupada. Pois não tive uma única bolha nos pés e as pernas também se portaram bem. Mas em termos psicológicos, irão ser sempre recordados com muito carinho. Passei a tratá-los por “Meu coração” que é a forma carinhosa com que trato os meus amigos do peito.
Se me permitem o atrevimento,
Saudações carmelitas,
Um beijinho muito grande de OBRIGADA,
E até,
Talvez, para o ano,
domingo, 18 de maio de 2008
Festejamos a Santíssima Trindade.
Elevação à Santíssima Trindade


quinta-feira, 15 de maio de 2008
Testemunho V - II Peregrinação a Pé a Fátima
Nestes últimos dois anos em que o Movimento Carmo jovem organizou a Peregrinação a Fátima ofereci-me sempre como voluntária para a equipa de apoio. Eu já conhecia as dificuldades que se sentem ao percorrer tantos quilómetros a pé e quis dar todo o meu apoio a todos os peregrinos.
Este ano fi-lo “In Obsequio Iesu Christi” … fi-lo para acompanhar o meu marido que fez todo o caminho a pé … fi-lo para dar forças aos elementos que percorreram o caminho a pé não desanimassem e que o caminho torna-se mais agradável … fi-lo para também dar apoio à Verónica e ao meu Pai, António Branco, que conduziam as outras duas viaturas de apoio.
Percorrer o caminho numa viatura, sozinhos agarrados ao volante também não é fácil, pois não sofremos das dores mas, por vezes, o desânimo também nos toca. Mas dada à experiência tida anteriormente pensei que o meu maior contributo nesta Peregrinação seria dar apoio a quem caminha, sabendo que entretanto também ia peregrinando a par com eles.
E assim se fez a Sua Vontade.
Naturalmente, o caminho foi longo e doloroso, principalmente para quem não está habituado a percorrer tantos quilómetros a pé e não tem noção das distâncias, nem das dificuldades que se encontram, mas também o é para quem já conhecia o caminho e o repetia, sendo também para quem tem de levar uma viatura … No entanto lá ia dando ânimo a quem percorria os caminhos “In Obsequio Iesu Christi”.
E a cada quilómetro percorrido, quer a pé quer de carro, as dificuldades eram vencidas e Jesus Cristo estava mais próximo de nós! E há medida que todos iam atingindo a “meta” diária ficava contente por ter ajudado o meu amigo a ultrapassar uma dificuldade e esse amigo ter-me também ajudado…
A vida é também feita de dificuldades. Ninguém nos disse que o caminho é leve. A cada novo dia as forças redobravam. Estávamos em família, e com Jesus ao nosso lado percorríamos os largos quilómetros de cânticos e de palavras…
Testemunho IV - II Peregrinação a Pé a Fátima
Fiz a Peregrinação a Fátima como todos vós com muita alegria.
Agradeço a Maria, esta oportunidade de continuar a caminhar com Ela e por Ela até Jesus.
Foi muito bom, apesar das dores, do cansaço, é reconfortante chegar ao fim do dia todos juntos e felizes, porque conseguimos vencer mais uma etapa do nosso caminho.
Este foi particularmente muito especial, fazer a experiência dos discípulos de Emaús ficará para sempre gravada no meu coração e espero que no vosso também… tantas vezes ELE caminha a nosso lado e os nossos olhos e ouvidos continuam fechados (é tanto o ruído na nossa vida).
Precisamos Senhor, que a tua Palavra aqueça o nosso coração e ilumine a nossa inteligência, que o teu Pão alimente a nossa fome e nos dê forças para amar…
Quero pedir-te Senhor que caminhes sempre connosco, principalmente quando a tristeza e o desânimo entram no nosso caminhar. E que eu saiba reconhecer-Te sempre naqueles que caminham a meu lado e precisam da minha ajuda ao longo do caminho.
Tu sabes como sou «pequenina», mas aceita Senhor o pouco que sou, para que possa ser um bocadinho do Teu tudo para os meus irmãos…
A todos agradeço a alegria e a amizade com que vivemos mais esta caminhada.
Obrigado pelo vosso carinho e pelos vossos miminhos.
DELFINA RIBEIRO, 38 anos, Caíde de Rei
terça-feira, 13 de maio de 2008
Belíssima oportunidade para nos (re)encontrarmos
Uma belíssima oportunidade para nos (re)encontrarmos não só com Ele, mas com os outros.No passado sábado, dia 10 de Maio a comunidade de padres e leigos do Carmo de Aveiro homenagearam o Frei João Costa pelos 2 triénios de serviço à comunidade. Um grupo significativo de peregrinos a pé a Fátima do Carmo Jovem, reuniu-se em Aveiro para juntos continuarmos a ser testemunhas do Amor de Deus.
Deste amor queremos continuar a falar, neste amor, construiremos pontes e cresceremos nos carminhos que o Mestre nos manda seguir.
Dos rios que correm para o mar, nos falou Frei João Costa na homilia desta tarde. Também nós jovens em Movimento queremos continuar a por os olhos n´Ele e em todos os que, com Ele, são capazes de navegar no mar encapelado da vida, segurando as redes com ardor, convictos que neste mar encontraremos a mão segura do Mestre.
Que Nossa Senhora do Carmo, Nossa Mãe e Senhora do Sim, o acolha sob o seu manto, o ilumine e o proteja para que continue a ser presença deste Deus que é Pai.
Em Viana do Castelo, na Igreja Nossa Senhora do Carmo, com Teresa de Jesus e S. João da Cruz permaneça testemunha do amor de Deus, anunciador da Boa nova e a viver «In obsequio Iesu Christi».
Conte connosco, continuaremos a contar consigo!