sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Testemunho VI - Carta deixada aos Acampakis

Olá a todos!
Nunca tive jeito para escrever cartas, mas neste momento o que vos posso dizer é: Obrigada! Obrigada por estes dias bem passados, pelos momentos de oração e partilha, pelo silêncio, pelo apoio incondicional na difícil e aceite clarminhada. Irei lembrar-me sempre deste AAcampaki, quero voltar, quero repetir. Irei ter saudades das gafes, das brincadeiras do Diogo, das preocupações da Betinha, dos atrasos da Ana Lúcia, do trabalho de equipa do Frei João, da Verónica e do Ricardo, a todos e a cada um: mil vezes obrigada!... Lembrem-se: Alarguem o espaço da vossa tenda! Obrigada e desculpem qualquer coisa da minha parte.
Joana Borges, 16 anos
Aldeia S. João da Cruz (Caíde de Rei)

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Testemunho V - AAcampaki!!!! Dois “A”s iguais mas diferentes…

AAcampaki!!!! Dois “A”s iguais mas diferentes… Um “A” de alegria, pois foi o que tentamos transmitir uns aos outros ao longo daquela semana, alegria de viver, alegria de estar com esta família, alegria de acampar, alegria da piscina e brincadeiras. O outro “A” é de aulas, aulas estas que nos enriqueceram interiormente, fizeram com que nós pensássemos mais nos outros e menos em nós, com que não julgássemos quem é inferior a nós socialmente, porque por dentro somos todos iguais, aulas que fizeram os sentimentos verem a superfície da pele. Os temas foram fortes, mas foram bons, pois ajudaram-nos a crescer, a aumentar o nosso coração para amarmos quem mais precisa de nos que por vezes são os que amamos menos. Somos uma família por isso nos ajudamos mutuamente em todas as tarefas, brincamos juntos, rimos juntos e até choramos juntos. Durante esta semana também nos libertamos interiormente, esquecendo todo o Mundo e seus problemas e concentrando-nos numa só coisa, na oração. Palavras que entraram no coração e nos mudaram. Clarminhada, Clarminhada!!! Que grande desafio… Psicologicamente enriqueceu e muito. Pois como aquela estrada assim é a nossa vida, um caminho escuro que não sabemos o que vamos encontrar daqui a 5 minutos ou a 10 minutos ou a 1 hora. Sempre com a certeza de que não faremos sozinhos o caminho da vida mas com Jesus a dar-nos a mão, a ajudar-nos a ultrapassar as dificuldades. Fisicamente foi muito cansativa pois o esforço foi muito e a preparação física era pouca. Mas com dores e gemidos lá fomos nós avançando no meio da escuridão, dos cavalos e talvez alguns lobos. Também naquela noite Jesus nos deu a mão, ajudando-nos a superar as dores com algumas massagens, confortando-nos com a oração e até que conseguimos chegar á “meta”, que era a Sua e nossa Mãe. Apesar das dores exteriores havia um “cheirinho” a vitória, pois juntos conseguimos lá chegar e mais importante ainda, cultivamos uma vez mais o sentido de inter-ajuda. Aprendemos que afinal a vida não é assim tão colorida como pensamos mas sem nunca desistir e com a ajuda dos amigos conseguimos perfurar essa escuridão e chegar a algum lado. Não paramos, foi uma semana sempre preenchida, no meio de brincadeiras, actividades, jogos, festas, chuva e algum sol, não tivemos tempo de pensar nos que estavam fora daquela vedação só nos que estavam connosco e nos ajudaram a alargar o espaço da nossa tenda. Mas com todas estas coisas também tínhamos que carregar baterias e ninguém melhor para o fazer senão a Nandinha, sempre alegre e sorridente que nos foi “abastecendo” ao longo dos dias. E como começamos a semana da melhor maneira, acolhidos pelo nosso Reizinho, acabamos igualmente bem, com as palavras do Frei João que finalmente nos esclareceu acerca do Espírito Caracol, ficando no ar a promessa de que iríamos levar esse Espírito ao longo da nossa vida. Depois do convívio entre as nossas duas famílias chegou a hora da despedida. Como todas as despedidas são difíceis, esta não fugiu á regra. Houve lágrimas que queriam sair mas não saíram, outras que saíram mas foram disfarçadas. Mas connosco e após uma semana vivida em conjunto, ficou a riqueza, a experiência, a amizade. AAcampaki positivo!!!
Stéphanie Coelho Monteiro, 16 anos
Aldeia de S. Teresinha (Avessadas)

Testemunho IV - Agradecimento

Agradeço-vos a todos, por serem meus amigos/amigas, pela vossa paciência durante esta longa semana que tive convosco. Vou estar com muitas saudades de vocês, do AACAMPAKI, dos cozinhados da D. Fernanda, de tudo. Obrigada pela vossa gentil atenção, um grande abraço do vosso amigo.
Elmano Emanuel Ramos, 15 anos
Aldeia de S. Teresinha (Aveiro)

Testemunho III - Uma semana estranha, men!

AAcampaki? Como hei-de eu explicar o que foi? É impossível escrever algo que descreva tudo aquilo que se viveu naquela semana! É impossível descrever os sentimentos que nos sobrevoavam! É impossível citar toda a alegria, entusiasmo, amizade, felicidade e gratidão que cada um de nós sentia e vivia! É obvio que só aqueles que lá estiveram, saberão dizer o que foi verdadeiramente aquela semana, apesar de ficar sempre algo por dizer e se calhar, por vezes, o mais importante... Como esperava, o AAcampaki foi do melhor, quer dizer, nunca é aquilo que nós esperamos, pois as nossas expectativas são sempre superadas, pois nunca sabemos verdadeiramente o que nos espera lá! Eu já tinha a ideia do que aquilo seria, mais ou menos, pois já era o segundo em que participava, mas certamente não seria igual ao do ano passado, nem de perto...nem de longe! Agora, após passado este segundo AAcampaki, não sei dizer se foi ou não melhor que o primeiro, mas sei dizer que em ambos fiquei a ganhar! No primeiro umas coisas, no segundo outras coisas, certamente. Ambos foram diferentes. O primeiro, é sempre o primeiro! Mas o segundo, já é o segundo!Naquela semana de AAcampaki, foram vários os pontos que me marcaram, em especial as conferâncias, em que temas bastante interessantes eram abordados por grandes formadores, que por vezes até nos deixavam com a lágrima no canto do olho; os momentos de silêncio, que no nosso dia a dia achamos impossível fazer, mas que lá nos ajudavam muito a pensar e sobretudo a saber mais sobre a vida de uma grande mulher, Santa Teresa; os momentos passados na piscina, que apesar de serem poucos, devido ao tempo não muito agradável, eram sempre os de maior alegria e diversão; os momentos de oração, incluindo a Via Lucis, que eram aqueles que nos ajudam a começar e a acabar bem os nossos dias, eram os momentos de maior proximidade com Ele; a clarminhada, que para mim foi o ponto mais alto deste AAcampaki, foi uma actividade nova, muita receada e temida, que consistia em carminhar pela noite fora, neste caso rumo à Senhora do Minho, bem lá no alto da serra, em que todos juntos conseguimos lá chegar; os trabalhos na cozinha, as refeições, o aka, o karaoke, o cinema, a after hours, foram todos bons momentos, que permanecerão sempre na minha memória e no meu coração.Os pontos sempre mais marcantes são as amizades, que se aprofundam, que se reveêm, mas especialmente aquelas que se fazem e que para sempre permanecerão!Eis algumas palavras que podem, resumidamente, descrever aquela semana:
Amizade
Alegria
Companheirismo
Ajuda
Memorável
Partilha
Abertura
Konhecimento
Interiorização
Uma semana que já mais será esquecida! Como diz o outro, foi uma semana estranha, men! Obrigado a todos que contribuiram para que esta semana assim fosse!!!
Luís Peixoto, 17 anos
Aldeia de S. João da Cruz (Caíde de Rei)

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Notas Finais V - Um dia cheio de luz!

Esta Sexta despertou muito estranha e contraditória. Ameaçando sol e calor! E vieram. Pé ante pé foi o sol insinuando-se e logo depois um calor veraniego. Assim, sim. Assim dá gosto. O dia será muito intenso. As Sextas no Acampáki são sempre muito intensas. Ao fecharmos a Quinta ponderámos o que fazer durante a manhã de Sexta, pois os formadores escolhidos para o dia foram vítimas dum percalço de agenda e viram-se obrigados a faltar. Havia duas sugestões: ou dormir mais ou pôr o Frei João a falar dum assunto à sua escolha. Venceu a segunda opção, pelo que, ei-lo a falar de improviso às primeiras horas da manhã. Aquilo não foi bem uma aula, foi um falar descontraído, em família, sobre o Grande Apóstolo São Paulo. Estamos em pleno Ano Paulino que se prolongará até ao dia 28 de Junho de 2009. E foi por aí a conversa: pela sua vida, experiência mística, experiência evangélica de anunciador do Evangelho entre os gentios. O amanuense do dia registou muito interessado a conversa, mas, certamente, não há muito para dizer para além deste Fogo imenso que impeliu o Apóstolo e que em nós arde também tantas vezes de forma murcha! A conversa parou a tempo de irmos à piscina. Fazia calor e estiveramos tão privados da frescura da água, que merecíamos aproveitar. E aproveitámos. Foi uma delícia! Atrasou-se a hora do almoço? Sim, ou poucochinho. Mas que interessa a comida se estamos na piscina a saborear essa gozosa sensação de liberdade de caminhar por cima da água e dentro dela? Valeu a pena. Depois do almoço partilhado com o P. Agostinho Castro, Superior da Comunidade de Braga — obrigado pelos gelados, P. Agostinho! — descansámos um pouco e preparámo-nos para a Festa do Perdão – Confissões a que acorreram todos os acampákis e ainda colaboraram o P. Carlos Gonçalves e o Frei Manuel Dias. As confissões correram muito bem, dentro duma dinâmica parecida à do ano anterior. Mas ainda melhor, sem tempos mortos. Ao silêncio das Confissões seguiu-se a Hora de Silêncio. Claro que houve que despedir os nossos convidados, mas depois respeitou-se certeiramente todo o roteiro. Afinal, o silêncio é uma riqueza e já não custa tanto assim! Agora não há dúvidas: depois do silêncio fomos todos para a piscina — excepto a Dª Fernanda, por que não é piscineira. No Jornal de Parede vão sucedendo-se os lamentos e aproveitos: O AAcampáki está a chegar ao fim. Como se fora preciso recordar! Não é, e ainda bem que está um calor jeitoso. Por isso todos fomos parar à piscina. Não me recordo se merendamos, mas quem quer merendar e engordar quando tem fome de piscina? O jantar sem sal foi à hora certa. Nisso ninguém falha, nem a pequenina mão da cozinheira. Depois preparámos as nossas cruzes e partimos para a Via Lucis. Descemos em festa e cantorias a rua principal de Deão. O objectivo era iniciá-la na Igreja Paroquial, mas ficava lá longe. Por fim apareceram-nos umas Alminhas de Nossa Senhora do Carmo — Oh quantas singelas catedrais tem Ela espalhadas pelos caminhos e corações das gentes! Foi aí que parámos e calámos. O silêncio revelou-nos que aquele edifício era um pavilhão desportivo e que lá dentro se jogava à bola. Eles jogavam, nós rezávamos. Cada pontapé na bola era uma Ave Maria! Ó que bela Via Lucis fomos fazendo no silêncio da noite, lendo textos belos, rezando o Terço e serenando silêncio em nós, assim como a Virgem Maria calava tudo no seu coração! Ao chegarmos a casa não paramos em casa, mas no Santuário onde belamente, sob as estrelas e o murmurar das folhas dos eucaliptos nos deixámos tocar e abençoar pela mão de Deus. Não terá sido uma Transfiguração. Sim, não terá sido. Tão pouco a clarminhada o fora! Mas porquê pedi-la? Deus a dará. A iluminação nem sempre é imediata e quando o é é-o quase sempre por fogachos. O certo é que foi muito belo carminhar mais uma noite à luz das estrelas. Sim no monte vêem-se estrelas e diluem-se as árvores, as casas, os palheiros e as coisas. No monte há menos luz, por isso elevando-nos nos abrimos mais às estrelas e à Luz de Deus! Oh, como brilham as estrelas! Como são tantas as estrelas! Como caem estrelas sobre os montes puxando-nos o olhar para cima e anunciam e predizem desejos de que caiam mais, de que venha mais luz, uma inundação de luz, um lucernário como um fogo santo, inextinguível, insaciável, um banho que queime e que lave! Ficaríamos ali mais tempo, naquela escuridão iluminadora e reveladora do Santuário de Nossa Senhora do AAcampáki. Ficaríamos mais tempo ali, eu sei. Mas a Sexta é tão estranhamente especial e ainda tínhamos um after hours pela frente a que ninguém queria faltar. E ninguém faltou. Nem o Élsio nem a Glória faltaram! E que alegre ajuda foi o Élsio! Quando nos deitámos já era tarde, mas era ainda necessário saudar o Padre Provincial que nos visitaria no dia seguinte. E vai daí cada acampáki caracol enviou-lhe uma SMS surpresa. A caixa das mensagens ficou certamente inundada, mas assim ficou a saber que era bem-vindo e querido de todos e que todos desejávamos a sua presença. Eficaz! Mas, estou certo que se perguntou: — Caracol? Que isso de caracol? É certo que ainda não sabe, porque há coisas que só se sabem se se entrar pelas portas do AAcampáki. E ele amanhã há-de, finalmente, entrar.

Notas Finais IV - Uma conferência estranha

A Quarta terminou de forma inovadora. Rebobinando um pouco o dia até é bom recordar que o sempre prestável Elmano ao levantar-se às sete da tarde (Caminhamos até às 5:00 da manhã, como se lembram!) foi pôr a mesa para o pequeno almoço! — Pequeno almoço, Elmano, às oito da noite? Sim, é verdade, mas quem pode garantir que o dia não foi todo ele um pouco estranho? Terminamos o dia como todos os outros: com a Oração da Noite. (Mais uma vez fora do Santuário). Mas entre o jantar e a oração tivemos cinema ao ar livre. Foi bom ver e ouvir, isto é, ouver o filme Cars (Carros). Dispenso-me de dizer a ficha técnica, mas a escolha não foi inocente. Trata-se dum excelente mensagem para o mundo excessivamente competitivo, como é o dos nossos jovens. Um jovem e orgulhoso carro de competições acaba num retiro forçado entre duas competições e leva um oportuno banho de humildade. O banho cai fundo e tocar-lhe-á a alma ao ponto de na volta final, da folgada vitória, travar a fundo no pedal do orgulho para engrenar a lenta velocidade da solidariedade. E mais não se diz, mas recomenda-se este gracioso filme. Assim não se lhe tira a piada. A Quinta madrugou prometedora. Não será um verdadeiro dia de Verão, longe disso. Mas traz promessas de Verão. Às 10:30, recompostos e finos, recebemos no refeitório (a Sala de Aulas continua molhada) a Dª Teresa Olazábal e a Mónica, ambas vindas do Porto. A Mónica veio como dama de companhia, a Teresa para falar. O Frei João faz as apresentações, mas como nem a idade das senhoras sabe dizer limita-se a ler um interessantíssimo texto que revela as cambiantes da alma da formadora deste dia. Nós ficámos a conhecê-la pelo texto e mais nas suas palavras pausadas e sentidas que se seguirão. Falou duas horas. Mas não pareceu. Pelo meio fomos cantando para que descansasse. E bebericasse. De quando em vez a voz embargava e morria um pouco no fundo da alma, mas logo recomeçava com ânimo redobrado e chegava ao fim da história de vida em apreço. De que nos falou? Falou-nos da sua vida sossegada e do seu cristianismo d’ouro vivido entre o calor da lareira e dos escritórios silenciosos e confortáveis. Falou-nos da sua conversão. Da sua actual vida de mulher pobre pelo Evangelho. Da sua dedicação aos outros, aos doentes terminais, aos pobres, aos sem abrigo do Porto. Falou-nos da sua oração, da sua família e dos seus seguidores. Falou-nos do Porto by night, um Porto estranho, um Porto diferente, um Porto que não vem nos cartazes turísticos ou da moda, um Porto que quase só se vê à noite com óculos de amor, uma cidade de dejectos humanos que ela abraça com amor e conhece nome a nome; do escândalo que foi a sua conversão e mais ainda a sua dedicação aos que ninguém quer. Falou das dores e das dúvidas. E confirmou as falas com lágrimas e embargos na voz e silêncios em que talvez perguntasse a Alguém: — Posso contar mais esta história! Por fim recebeu duas prendas muito singelas mas devem-lhe ter sabido a beijos de bocas com dentes estragados e a Pai-nossos de mãos dadas a mãos sujíssimas, pois agradeceu com um sorriso de criança alegre o que tão modestamente lhe oferecemos. Foi ainda com um sorriso lindíssimo como um pôr de sol na praia que recebeu a nossa promessa de rezarmos todos os dias por ela. Com pena nossa não almoçou connosco, pois tem o marido doente. E lá abalou, porque a caridade começa em casa. Isto está estranho, men! A tarde foi de desporto. No Aacampáki só se conhece um: o futebol. Há também heroínas do ténis, pelo menos uma mas como férias são férias não trouxera as raquetes. Depois que os capitães de equipa botaram os pés coube ao David escolher primeiro e sairam-lhe em sorte duas raparigas na equipa. Elas jamais se encolheram no jogo, mas rezam as crónicas que sabiam mais de ténis. O resultado final foi achado por recurso a grandes penalidades, como nos grandes jogos internacionais. E venceu a equipa dos Chichiuawas, porque sagazmente deslocaram o Dumbo para a baliza que ficou obliterada em mais de três quartos do espaço e depois, quando necessário, ele voou para ir buscar as bolas mais impossíveis. O dia teve desporto e teve silêncio e leitura, porque uma coisa não impede a outra e até se favorecem mutuamente. A noite terminou com oração no Santuário depois duma bela e sentida sessão de karaoke. Finalmente rezamos novamente no Santuário, men! Este Verão está mesmo estranho!

Notas Finais III - Clarminhada

Após a ceia retemperadora de Terça chegaram notícias boas da Márcia. Lavados os pratos e os tachos, com lanternas e agasalhos subimos ao Santuário de Nossa Senhora do Acampáki. Não creio que se possa falar de serenidade. Os mais experientes estavam ansiosos: o Carmo Jovem nunca tinha feito uma clarminhada. Os mais novos não sabiam como haviam de estar, porque o carminhar ainda é muito novo para alguns. Mas o que é uma clarminhada? É uma coisa nova, é uma carminhada na noite feita na esperança clara de vencer o escuro da dúvida e da incerteza. Há tanta noite na vida de cada um (E às vezes é noite por excesso de luz informadora!) que talvez seja necessário fazer passar o breu das nossas noites pela claridade da noite de Deus que se insinua pela fé nas nossas vidas. Foi assim que entramos no Santuário de Nossa Senhora do Acampáki: dispostos a confiar-lhe a vida, dispostos a carminhar na noite com Ela em busca da Luz. Numa pequena oração (ao longo da noite suceder-se-iam outras) confiámo-nos ao seu amor de Mãe e logo mesmo antes de partir recebemos a imposição do Santo Escapulário e outros que ali não o tinham dele se revestiram. Foi assim que partimos: envolvidos pelo amor da Mãe. Não vi medo, mas garra. Não vi perrice, mas alegria. Num instante percorremos a veiga esquerda do Lima. Ao atravessarmos a Ponte de Lanheses cruzamo-nos com o Caló e a Sameiro, jovem casal do Carmo Jovem, que nos vinha visitar mas para quem tivemos pouca paciência por causa do muito que nos faltava subir. Depois da ponte aproximou-se a Márcia e o Miguel: não quiseram regressar a Aveiro sem nos saudar. E saudaram calorosamente com direito a retribuição. E continuamos a clarminhada. Era noite, por companheiros levávamos o latido insistente e surpreendido dos cães, algum suor, conversas serenas e pés para andar. Quase sem darmos conta achámo-nos na escadaria da Igreja Paroquial. Era uma da manhã. Ali nos esperava o João e a Clea com chã quente e chã frio, bolachas e bolachinhas, pão e pãezinhos, sumos e suminhos e muita vontade de nos animar a subir a clarminhada que nos propuséramos. Tragado o bocado que nos estava reservado despedimos em agradecida oração estes bons amigos e prolongamos um pouco mais a nossa, porque o osso duro de roer estava a chegar. De Meixedo a São Lourenço da Montaria o passeio é rápido. Oh que delícia tornear suavemente a montanha adormecida, sentir o cheiro fresco da terra e o perfume das vinhas. E se os sentidos se espantam com o que a terra e o céu nos dispara, não menos os cães se surpreendem ao sentir ao longe a nossa chegada. Em São Lourenço da Montaria a montanha mostra o que é. Há ali uma tão inclinada subida quanto curta. É a montanha a receber-nos e a dizer-nos que o viver da fé não é fácil. Formam-se pequeninos grupos e depois mais pequenos ainda. Ninguém clarminha só. Agora é só montanha, luzes do céu, luzes da terra ao longe, grilos por perto e em breve cavalos selvagens em grupo sonolento e surpreendidos pela presença de animais de duas patas! Subimos. Apagamos as lanternas, porque a luz da noite era suficiente. O caminho era só um. Não havia que enganar. Um pouco mais de meio da montanha vê-se bem uma imensidão de casas agrupadas por localidades e a dormir. Ao longe o mar, o mar de Viana do Castelo e talvez mais além o da Póvoa. E acolá que será, Santo Tirso? Talvez não, mas era longe e alto monte! Parámos. Bebemos água. Contámos os pés e dividimos por dois: estávamos todos! Silêncio. O mundo dorme. Ou pelo menos meio mundo dorme. Ali em baixo concerteza que quase tudo dorme. Mas nós éramos ali vigias na noite. Sentinelas atentas e discretas. E rezamos o Terço pelos que dormem. E há tantas maneiras de dormir! Dali para cima não havia vegetação. E não havia como enganar. Era só subir até ao regaço da Mãe do Minho. Subimos aos pares e em oração. Lá em baixo vem o nevoeiro a subir. Em mim morre a esperança de ver nascer um dia claro, mas jamais morrem a ideia de clarminhar até à Mãe e de descansar sob o seu olhar. Quando cheguei ao Santuário já outros tinham chegado. E outros faltavam chegar. Estava tudo cansado e com frio e o nevoeiro a chegar com um ventre cheio dele. Eram 5:00 horas da matina! Alguns abriram os saco-cama e meteram-se neles. E depois todos. Deitámo-nos sob o pórtico do Santuário recentemente dedicado à Senhora do Minho. Entretanto, aproxima-se uma vaca cuidadosa e alguém tira a cabeça fora do saco-cama e assusta-se com o bicho e o bicho com a cabeça assustada. Depois vem um cavalo (no original, um asno). Disse-lhes que eram poucos para um presépio tão grande. Que fossem à vida. Cá nos arranjaríamos. É certo que as palhas eram de pedra dura, mas os sacos valer-nos-iam. E o calor da Mãe também. Afinal valem mais três horas sob o pórtico frio do Santuário, que mil anos nas tendas aquecidas dos injustos. Às 8:00 começou o regresso. Esperava-nos um banho reconfortante e o chão fofo das tendas do AAcampáki. As restantes horas do dia serão como que uma longa e sonolenta lengalenga.

AAcampaki - Só o silêncio da interioridade do coração pode entender o vivido!

«A esperança não nos deixa confundidos, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações, pelo Espírito Santo, que nos foi concedido». [Rom 5, 5]
Terminou o dia 3 de Agosto de 2008, o mês de Agosto inicia, mês escolhido pelos jovens Carmelitas para continuar a ir pelo mundo com o «Carmo no coração», após uma semana de AAcampaki! Nesta semana aprendemos a escutar e ensinamos muitas vezes os outros sem falar, para isso bastou aproximarmo-nos do Amigo e cravarmos em nós o convite: «Alarga o espaço da tua tenda». Só o silêncio da interioridade do coração pode entender o vivido!
Depois de tudo arrumado, eis-me aqui... Recordo momentos de uma semana, (re)vejo gestos de amigos, de irmãos, de Acampakis. Laços de ternura que se entrelaçam em sentimentos mútuos de partilha de um Deus que nos ama e não é indiferente. A noite cai, o dia desperta em amor que não se extingue. Este amor não se extinguiu nem se extinguirá, continuará a arder e a fervilhar a quem O deixa escutar.
Os ecos de hoje que recebo de muitos de vós balanceiam e ditam palavras de saudade! Com saudade nos despedimos uns dos outros de uma semana que a consideramos muito nossa e muito especial. Partilhamos vidas sem nos pouparmos ao sacrifício: tantas preocupações, lutas, correrias, tanto desprendimento de nós mesmos para assumir responsabilidades. E no fim, vimos que tudo era bom! Tudo isto, digam o que disserem é Amor de Deus.
Por e com amor construímos e solidificamos presenças, crescemos juntos, derrubamos barreiras da nossa existência e dos nossos pequenos mundos encerrados em si mesmos. Não esperamos recompensas, pois Ele mesmo nos deixou legado: «dai de graça o que de graça recebeste.»
Haverá Acampaki para o ano? Partiremos em novas aventuras? Deus nos acompanhará e nos lisonjeará nas sendas da «Clara noite».
O AAcampaki provocou encontro e o encontro leva à benevolência de Deus. Porque nos ama vem ao nosso encontro, encontremo-nos também com Ele em cada dia fora dos portões que nos receberam. Ele espera por ti, por mim, por quantos se deixam enamorar. Que não se extinga a «fogo que arde sem se ver»! Acreditas no diálogo da vida quotidiana, na partilha do vivido, na construção baseada na simplicidade? Eu acredito.
Um conselho de amiga vos deixo: Sede amigos e prudentes, na paciência está o alcance das vossas forças. Solidificai-vos em Deus. A Igreja é Mãe, preocupa-se com cada um de vós, permanecei ao lado dela. Que o «Espírito caracol», permaneça em vós, na carapaça da vida estendei as vossas lonas, fincai as vossas estacas… Envaidecei-vos por quanto, cada um foi e será capaz de dar. Deixai render o vosso tempo, saboreai-O com Amor e achareis curta a Sua real beleza.
Como Acampaki que fui e com «Espírito caracol» que quero firmar em mim, não o deixando desfalecer, agradeço a Deus Pai por me ter permitido passar esta semana enriquecendo com todos vós um pouco do caracol que sou.
Amigos jovens Acampakis, bem hajam!
Ao longo das semanas que precederam ao AAcampaki foram soltas frases convidando-vos! Num hoje fui rememorar e volto a firmar: Cada momento AAcampáki é uma descoberta
1. AAcampáKi é tempo encontro. Descobrir a aventura de viver o encontro com os outros e com Deus! 2. AAcampáki é tempo de piscina, jogos, lazer… Descobrir e potenciar a criatividade de maneira lúdica. 3. AAcampáki é tempo de silêncio. Descobrir o conteúdo dos símbolos e sinais cristãos, através de celebrações simples e vividas. 4. AAcampáki é tempo de trabalho. Descobrir a importância do trabalho cooperativo como meio de inculcar valores. 5. AAcampáki é tempo de oração e reflexão. Descobrir os valores evangélicos do perdão, amizade, solidariedade, simplicidade. 6. AAcampáki é tempo ganho. Descobrir que não podemos viver vazios por dentro! 7. AAcampáki é tempo de partilha. Descobrir a partilha como uma das prioridades para novos impulsos no carminhar! 8. AAcampáki é tempo de aventura na natureza! Descobrir e conhecer novas pessoas, dormir e acordar tendo a natureza ao nosso redor! 9. AAcampáki é tempo de conhecimento! Descobrir que a contemplação da obra de Deus começa por nós mesmos. 10. AAcampáki é tempo de viver experiências inesquecíveis! Descobrir que devemos confiar n´Ele. E isso é tudo. Eu recomendo! AAcampáki é tempo… De continuares a alargares o espaço da tua tenda, onde quer que estejas!

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Notas Finais II - Dias de chuva e amizade

O AAcampáki foi interessante. Foi bom, até. Atrevo-me a dizer que foi muito bom. Houve muita chuva e frio, mas apesar destes dois amigos dispensáveis os planos não se molharam nem se arrefeceram as expectativas.
Tínhamos acordado entre nós que o despertar seria feito pelas aldeias: à sua maneira, uma despertaria à vez todas as outras. Mas não chegou a ser necessário. Chegada a alvorada, poucos foram os que dormiam até às 8:30 da manhã. Seguia-se o pequeno almoço e o tempo de formação. E se o tempo deixasse ou convidasse longo viria uma horita de piscina.
Na Segunda-feira o formador foi o Frei Joaquim Teixeira. Veio elucidar-nos sobre a Regra do Carmo e de como apesar dos seus 800 anos pode ainda ser um bastão para a nossa carminhada jovem no século XXI. Foi interessante lê-la e verificar que na sua simplicidade e evangelicidade ela permanece sempre actual e com respostas sustentáveis para cada época. Também a nossa.
Algures há-de aparecer uma síntese feita pelo amanuense do dia.
Logo depois do almoço o tempo livre foi ocupado em preparar o sarau nocturno. A cada aldeia fora proposto que se apresentasse e que apresentasse o seu patrono; ou melhor, que representasse uma sua estória ou florinha. Quando chegar a noite será bem interessante verificar que apesar do pouco tempo e dos poucos recursos as estórias são sagazmente bem apresentadas. E nem todas eram fáceis de representar.
A meio da tarde chegou a temida hora de silêncio — um longo deserto com uma só companhia: um livro biográfico de S. Teresa de Jesus, da autoria do Carmelita Frei Jaime Gil Diez. A leitura recomenda-se, talvez porque seja de fácil acesso e compreensão de todo o público. As Edições Carmelo estão de parabéns pela re-edição desta obra. O elogio é sincero e vai muito mais além do agradecimento devido ao seu Director.
O Jorge Fernando introduziu bem esta actividade, com palavras que animaram os jovens leitores. Cada hora de silêncio foi sempre precedida por um breve debate que ajudava a relançar a leitura dos capítulos subsequentes. Chegados aqui, o escriba garante que houve quem concluísse a leitura do livro e não dúvida que muitos dos restantes a terminarão em casa.
Na hora da piscina entraram na água cinco marinheiros, mas deve ter sido por naufrágio: quero dizer, deve ter sido por sentido de dever! Saíram logo que puderam, pois estava frio.
O sarau foi sob o luar frio e com sucesso. Os actores actuaram e a plateia ficava dentro dos sacos-cama, quais longos chouriços. Logo que pudemos fugir fugimos do nevoeiro mas sem poupar nas palmas. Palmas mesmo mereceu a Betinha que faz o lugar e a função de apresentadora com distinção. Só ela é meio sarau. Não canta, mas encanta. Embora se deva reclamar que cante. No AAAcampáki tem de cantar pelo menos uma canção em cada sarau!
Para a Oração da Noite não chegámos a subir o monte e evitamos entrar no Santuário porque o chão estava molhado e o chão é onde abancamos. Rezamos ali, sem luar. Por fim, quando o Ricardo dá o tiro de partida todos correm para as tendas e poucos minutos depois já tudo dorme.
Estranho, men!

Terça acordou sincera: o frio continua. A manhã é fria e a tarde aquece mas permanece muito irmã da manhã. No AAcampáki não há acesso a notícias, mas ninguém precisa delas para concluir que o tempo encoberto é gémeo do do Outono.
Às 10:00 recebemos a Prof. Márcia Santos, de Aveiro, jovem mulher de 32 anos, casada e mãe da Maria de dois anos. A Márcia é uma recém-chegada ao Carmo Jovem, esta trupe tão estranha. Fala a medo da sua experiência de jovem esposa e mãe cristã, mas como somos alunos aplicados logo ela arranca e nos alarga horizontes sobre a graça da vida matrimonial e a grandeza da maternidade que ela deseja viver com fidelidade e fecundidade. Como não é modelo para ninguém — acha ela! — as suas palavras soam a verdadeiro e são ainda mais eficazes. A Márcia é uma mulher grande, mas sentada no chão isso não se nota. Vê-se que caminha apoiada em Jesus, que ama a Igreja, que defende a vida, que respira porque respira a filha. E respirará melhor o amor de Deus quantos mais filhos tiver. Algures há-de aparecer uma síntese feita pelo amanuense do dia.
Definitivamente, a Márcia é também uma grande mulher! O tempo abriu um pouco com a chegada da Márcia. Não foi preciso ter muita audácia para ir à piscina, mas ainda assim não fomos todos. A Márcia foi. Depois, partilhou connosco a mesa e da nossa alegria de comermos juntos. Como era ali a única mãe, foi lindo vê-la presidir à mesa de tantos filhos!
A tarde tornou-se amena. E serena. Era tarde livre, mas logo ficou condicionada. A noite será dura, pelo que a tarde prognosticou-se leve. Não o será. Um horroroso aaaiiiiiiiiiii gelará o AAcampáki e acordará alguns da sesta. Que sucedera? A Márcia inclinara-se para molhar a mão direita na piscina e a clavícula desceu. É a última descida duma longa série nos últimos tempos. Ao vê-la anichada vejo-a amparada pela Verónica e pelo Tiago que reza com um guarda sol nas mãos. Não há muito a fazer, senão esperar que a ambulância chegue. Sairá acompanhada pelo Ricardo e pela Betinha, dois filhos muito chegados. Mais tarde visitarei no Hospital o marido Miguel. Parece conformado, mas ninguém lhe tira a dor de saber que a mulher sofre lá dentro e ninguém lhe diz nada nem como nem quando. Regressamos a casa quando a Providência nos manda um anjo para cobrir com as suas asas o Miguel e a Márcia.
Chegámos a tempo de nos refazermos. Connosco já está a Nandinha — ou Dª Fernanda, como ela não gosta que se lhe chame. É também uma jovem mulher, conhecedora destas andanças que dispensou alguns dias das suas curtas férias para nos fazer a comida. Será uma comida maravilhosa: sem sal! Sorte a dos hipertensos! Mas como não os há, azar de todos e prevenção futura.
Recomposta a família ceámos em paz. Lá ao fundo vai fugindo a luz e mais vai recortando o Monte da Senhora do Minho que dentro de horas será por nós calcorreado.

Notas Finais I - Entrada no AAcampáki

AAcampáki quer dizer Segundo Acampáki. O primeiro foi Acampáki. No primeiro, Ele acampou entre nós; no segundo, convidou-nos a Alargar a tenda. Para alargar a tenda chegámos à Quinta do Menino Jesus de Praga, no Domingo 27 de Julho. A tarde estava algo fria e escura. Os áugures da Meteorologia não auspiciavam grande semana. Mas por que só Ele é o Sol, não nos detivemos em casa e aportamos a Deão.
À chegada vimos a piscina a fumegar frio e fomos em frente.
À partida ficaram em casa a Maria Regina e a Rita. O que as terá obrigado a ficar em casa? Era, seria, o primeiro contacto com o Carmo Jovem. Talvez tenha sido isso. Talvez isso e os maus presságios. Entre a tarde de Domingo e a manhã de Segunda compôs-se o ramalhete: 22 jovens Carmelitas. A grande maioria repete a convocatória; mas também existem caloiros alegres e ansiosos. O casal Élsio e Glória montaram a sua tenda na Aldeia Casal Célia e Luís Martin e ao início da noite regressaram a casa e ao trabalho com promessa de regressarem na Sexta, logo que os patrões deixassem. Ao longo da semana havemos de crescer, mesmo que o tempo quase só prometa e cumpra ameaças de frio e chuva. A montagem das tendas foi uma festa. O que mais se ouvia é: — preciso de espaço para alargar a minha tenda; preciso de mais espaço! Quando todas as tendas ficaram montadas, de estacas espetadas e fios esticados ainda havia luz. E alegria. Muita. Claro que a anteceder a montagem das tendas tivera lugar um trabalho de sapa que durou duas tardes e deu que fazer a doze mãos, doze pés e seis corações. Quando chegaram os acampákis até o jornal de parede do primeiro Acampáki tinha sido montado! Como é bom recordar!
Mais uma vez as tendas ficaram sob a copa das árvores de fruto, mas mais bem organizadas. A aldeia de São João da Cruz recebeu os jovens de Caíde de Rei; a de S. Teresa de Jesus, os do Carmo de Braga; a de Santa Teresinha, os de Aveiro, Avessadas, Coimbra e Guarda; a de São Paulo, as de Viana; a última, a dos Bem-aventurados Célia e Luís Martin recebeu os casais.
À medida que o dia se foi aproximando do fim, de nós se veio aproximando o frio e a chuva. A noite prometia ser fria lá fora, mas quente nos corações dos amigos que se reuniam e se revisitavam.
A ceia foi ceada em alegria bebericando água e acepipes com que as mães nos brindaram à despedida. Eram pequenas delícias, mas maiores que a fome que tínhamos. Amanhã haverá ainda lugar para nos saciarmos com os restos de coisas boas. Amanhã e Terça não haverá cozinheira. E se vier durante a semana é o que veremos.
Enquanto comemos a chuva cai. No céu há estrelas, mas só a fé permite crer que lá estão por cima das nuvens e da chuva.
Arrumada a mesa e limpas as migalhas as tramelas dão à língua com gosto. Não tarda a noite é tarde e convida à oração. Foi a das boas vindas: o tempo arisco e chuvoso proibira da subida ao Santuário de Nossa Senhora do Acampáki. Por isso, rezamos ali mesmo, no refeitório, o convite de Deus a alargar a tenda; não é que fosse necessário convidar mais, mas era necessário rezá-lo sob o olhar amoroso do Pai. Feita a apresentação geral e lida a Saudação do Responsável da Pastoral Juvenil da Ordem, rezou-se. E depois de rezar lavámos o dentinho e fomos para a cama. Fomos não, eu fui; eles foram para as tendas. Ficaram com a melhor parte, como me disse um médico. Porque pelo menos uma vez por ano devemos deitar-nos no pó e comer um pouco dele. Seja. Boa noite. Bom descanso. Bom AAcampáki.

Testemunho II - De um lugar chamado coração

Não soube então onde entrava;
Porém, quando ali me vi, (…)
grandes coisas entendi;
não direi o que senti,
que fiquei não o sabendo,
toda a ciência transcendendo
. [São João da Cruz]

Falar sobre uma actividade como AAcampaki, logo nos momentos seguintes é duro; todos os momentos que vivi individualmente ou em grupo fazem ainda eco no meu coração… a procura de uma explicação desses momentos de forma racional é difícil… o mais importante ficará sempre por dizer, ficará sempre entre os espaços das palavras que escrevo.
As expectativas, à partida para esta actividade do Carmo Jovem, existiam para todos os participantes. Eu não fugia à regra… as expectativas eram altas, tendo em consideração o Acampaki de 2007. Não sei dizer, no entanto, se este foi melhor. Diferente foi de certeza.
Marcaram-me de forma especial as conferências. Estas foram sempre interpelativas, pediam resposta interior e envolvência. Com os testemunhos que fomos ouvindo, era impossível manter-se alheio. As conferências e as suas temáticas não foram distantes do mundo e dos jovens. Foram testemunhos com rosto, vida e coração.
Depois, o AAcampaki é sempre um momento de caminho diferente. Longe das minhas coisas tão necessárias das quais não sinto falta nesta semana. A mata, a piscina, o santuário preenchem profundamente os espaços deixados vazios… alargam-nos e enriquecem-nos. A oração e o silêncio são pacificadores, mas também provocadores. Levam-me ao encontro de um lugar que nem sempre encontro no dia-a-dia…
Os amigos que se revêem ou que se conhecem são especiais. Tornam os momentos muito significativos. A partilha, os abraços, as lágrimas e os sorrisos são partes do carminho que faço… como partir sendo o mesmo?
Na verdade, este foi (é) só um tempo “para partilhar qualquer coisa que ainda podemos guardar cá dentro um lugar a salvo para onde correr” [Mafalda Veiga]
Obrigado a todos…

Jorge Fernando Teixeira, 27 anos
S. João da Cruz (Caíde de Rei)

Despedida

Conta-se que certa pessoa encontrou o que ninguém antes quisera: um diamante bem feio com uma enorme cicatriz! Pensou em dar-lhe um piparote e atirá-lo para a berma onde se derrotam todos os lixos. Mas pensou: este ano ainda não paguei os meus impostos ao Rei. Isto servirá. O Rei ao receber aquele asqueroso diamante pensou em atirá-lo à cabeça do servo atrevido, mas um avisado Conselheiro pousou suavemente a mão na do Rei e pediu-lhe que lhe cedesse aquela pedra tão ignóbil. Saindo dali levou-a a um joalheiro que a burilou pacientemente durante duas décadas.
No dia do jubileu o Rei exibia satisfeito a mais bela rosa.
Eis o Espírito Caracol. O bicho em si é viscoso, mas ágil. Repelente, mas com encanto. Pequeno, mas animoso. Assustadiço, mas resoluto. Tenro, mas destemido. Lento, mas incansável! Nervoso, mas intrépido.
Não é algo que se aprecie facilmente. A carapaça pode chegar a ser bela ou simplesmente ter a sua piada, mas aquela baba que expele é tão repugnante que nem os queremos ver por perto. Longe de nós como bicho de estimação, pior como amigo. Se se assusta refugia-se em casa. Se chove, encolhe-se. Se ouve os pés das crianças a correr, treme só de pensar que vai ser esmagado. Come as couves e as alfaces da minha mãe e por isso os dá às galinhas. Elas apreciam-nos, e alguns humanos também.
Aparentemente não se recomenda. Mas aquela carapaça faz-me lembrar os falsos refúgios onde nos acoitamos para sossegar o medo. Onde nos consolamos a ouvir música e fingimos palavras mudas de salvação.
Não tenhas medo, pobre caracol!, diz-nos Deus. Sim. Não tenhas medo. Não vivas do medo nem bebas da vergonha. Sim, és tímido, mas ainda assim vai ao jogo da vida com alegria e destemor. Com amor.
Só o amor move.
Rompe a tua carapaça, alarga a tua tenda. Não te escondas, caminha sem medo. Talvez não chegues longe. Talvez não alcances o teu objectivo. Mas por que te assustas? Porque tremes e páras? Estica as tuas peles, firma os teus músculos, expande os teus sonhos, alarga os horizontes e avante! Caminha que é o amor que nos impele! É o sopro do vento do Espírito que nos anima!
Não tenhas medo, pequeno caracol! Amanhã ou depois de muitos amanhãs, depois de teres suado e chorado baba e ranho, quando lá chegares, verás que não custou
nada. Verás que verdadeiramente ainda não chegaste, porque és apenas um pequeno caracol.
E porque és um pequeno caracolito, alarga a tua carapaça! Caminha sem medo! Vai, deixa que «o amor de Deus propague a força do Espírito Santo, para que te mude a partir de dentro. Tens de O deixar penetrar na crosta dura da tua indiferença, do teu cansaço espiritual, do teu cego conformismo com o espírito deste nosso tempo.» (Bento XVI, na homilia de encerramento da XXXIII JMJ em Sidney).
Vai, leva uma rosa! Alguém precisa dela.
Até para o ano.
Obrigado pelo Amor!


Frei João Costa, ocd

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Testemunho I - Obrigado

Obrigado.


... por ter permitido que entrasse nessa família.

... pela paz de espírito que levam e oferecem aos "novos" e "velhos" elementos, uns mais e outros menos jovens.

... pelo momentos em que me esqueci dos problemas da vida e passei a amar os outros elementos e ouvir as preocupações deles.

... por me acolherem na "Tenda", mas mesmo assim acho que cabem muitos mais, quem sabe para o ano a Ana vai.

..... pelo silêncio que torna mais especial "o vento das folhas" (*) mais sonoro, quente.

..... por me fazerem esquecer que alguém especial para mim está longe, mas que estará mais perto dentro de uns tempos, porque os segundos no AAcampaki passam a correr sem que eu dê por isso.

... pela paciência, de aturar a malta que não deixa uma pessoa relaxar, ter um momento de paz e de descanso sem que seja "atacado" pelas tropas (Diogo, Luís, David, Tiago, Élsio, e outros)...

... pelas natas do céu da mãe do Francisco (mas, segredo dos segredos, gosto mais das Natas do Céu da minha mãe - sou imparcial, acho eu).

... experimentei essa "droga" que vocês todos tomam, e fiquei viciado... a "droga" AA (no símbolo do Acampaki) (A de Amizade e o outro A de Amor pelo semelhante).

... por tudo...

Já estou com saudades de todos vós, e só estive dois dias... até para o Ano.


Abraços para Eles e Beijos para Elas do amigo (e não Sr. como alguns diziam/chamavam) Marco Branco


Obrigado Noddy, Sr. Lei e Ursa Teresa


(*) citação do Sr. Lei na oração da manhã do dia 3-8-2008.

Marco Branco, 33 anos
Aldeia Casal Martin (Gafanha da Nazaré)

Sempre jovem, Carmo jovem!

1. Caros Jovens Carmelitas,
saúdo-vos por esta vossa actividade e como esta iniciativa é uma iniciativa proposta pela Ordem, senti-me na obrigação de responder ao vosso convite. Nós como Ordem Carmelita não temos uma tradição muito forte ao nível do laicado; ou seja, nós historicamente não temos investido muito nos leigos, praticamente têm sido os leigos que se aproximam de nós e à sua maneira tem apanhado o trilho para si. Seguem a nossa espiritualidade e à sua maneira tem procurado viver a sua vida cristã com o espírito carmelita. Isto sem ignorarmos a existência da Ordem, ou a extensão da Ordem ao mundo laical, chamada Ordem Terceira.

2. De facto, o Carmo começou por ser uma Ordem de varões — os primeiros eremitas do Monte Carmelo; depois juntaram-se mais tarde as mulheres — e temos a Segunda Ordem, as Carmelitas de Clausura; mais tarde ainda vieram os leigos. Esta é a ordem natural das coisas e praticamente todas as Ordens Religiosas tiveram este processo, porque um carisma é um dom de Deus dado ao Homem, homem e mulher. Quando esse dom começa por ser dado a um homem, logo se comunica naturalmente a uma mulher e no nosso caso é curioso que a Reforma começou numa mulher, Santa Teresa de Jesus. Foi ela que iniciou a reforma da Ordem que deu origem a outra Ordem, porque a primitiva era a Ordem do Carmo, depois surgiu a Ordem do Carmo Descalço. Neste caso, a fundadora foi uma mulher que considerou que sem a reforma dos padres seria difícil que aquela sua iniciativa fosse avante e logo se preocupou em agregar a si São João da Cruz. Ele foi o primeiro que ela encontrou e daí nasceu a reforma dos frades. Esta reforma naturalmente estendeu-se aos leigos e hoje temos leigos da ordem do Carmo antiga, aquela do Beato Nuno — São Nuno daqui a algum tempo; e também o laicado da Ordem do Carmo Descalço.

3. Portanto, nós terminamos por ter uma relação forte no mundo laical, embora nós, os frades e as freiras, não tenhamos uma tradição de caminhar com os leigos como têm outras famílias religiosas.

4. Nos últimos anos, até pela escassez das vocações de consagração religiosa — mas não é só por isso; e pela consciência que temos da nossa missão na Igreja, abrimo-nos a esta colaboração com os leigos e criamos iniciativas para vós. O Acampáki é uma actividade que de vai respondendo a esta necessidade de nos abrirmos aos jovens leigos, para lhes oferecermos a nossa espiritualidade, afim de que eles se enriqueçam com aquilo que é a nossa herança. Bom, isto, diria, é a minha introdução. Vamos ao assunto.

5. O assunto é a nossa preocupação. É que o Acampáki é uma actividade nossa, e se o Acampáki não resultar — e pode não resultar —, por dois factores: ou porque nós não a sabemos apresentar e portanto ela não tem interesse junto dos leigos, e pode terminar por aí; ou ela pode ter interesse: pode ser uma árvore muito bonita, faz-se uma festa para plantar a árvore, mas depois a árvore não é regada, não é cuidada e termina por morrer. E então quem fez aquela festa da plantação da árvore, ao ver a árvore morta não tem coragem para plantar outra árvore e fazer outra festa, com o medo de ser mais uma árvore morta.

6. Bom, perceberam o que nós… a minha ideia. Estas actividades do Carmo Jovem são uma responsabilidade para nós, daí a atenção que eu dediquei em vir aqui… Este tempo faz-me falta para outras coisas e prejudicou outras actividades, mas considero o Acampáki como prioridade, por conseguinte vim cá. Mas também do vosso ponto de vista isto deve ser uma responsabilidade porque se esta actividade que para todos os efeitos é uma plantazinha, é a vossa vida, se isto não for acarinhado, se esta experiência que fizestes não for levada para a vossa vida, ela pode morrer. E todas as mortes são dolorosas no coração. Daí o apelo que vos deixo a que acarinheis esta actividade que fizestes, para não pensardes nela ou não a terdes como uma coisa que passou, um acontecimento sem sentido, como tantas coisas que acontecem na nossa vida, mas como um acontecimento importante que projectou luz na nossa existência, deu rumo, encontrámos amigos. E os amigos são um tesouro na nossa vida, nunca são demais, e quanto mais variadas, quanto mais distantes geograficamente, quanto mais diferentes culturalmente, ideologicamente as amizades se situam muito mais valor acrescentam à nossa vida.

7. Eu convidava-vos a serdes responsáveis com estas actividades a acarinhá-las, promovê-las, a agarrá-las e a manterdes isto pela vida fora. O que é que acontece? Com tristeza nós verificamos que as actividades que nós temos vindo a fazer com os leigos, com os jovens, de há alguns anos para cá, essas actividades têm vindo a morrer. E o Carmo Jovem tem já uma experiência histórica negativa, porque tem vindo a morrer e a ressuscitar; quer dizer, morre e ressuscita, acabam uns jovens e vêm outros e depois vão indo e vão vindo e não tem havido uma continuidade e isto é mal. A falta de continuidade não ajuda. Ou seja, os jovens são Carmo Jovem, mas depois há uma idade em que os jovens já não são tão jovens: casam-se, têm filhos, crescem e eu pergunto: onde se encontram esses jovens? Alguns já têm agora 40 anos, daqui a pouco 50: Mas onde estão, por onde andam? Ainda serão Carmo, como agora são Carmo Jovem? Esta falta de continuidade é mal. É mal porque desanimamos: afinal temos trabalho em começar grupos de jovens e depois eles vão à sua vida! É como na família casam-se e desaparecem, quer dizer… então os pais, não contam, não se conhecem? E depois é ainda mal para as próprias pessoas porque cria um certo desencanto: afinal não vale a pena investir nos grupos porque eles desfazem-se e não se investe no grupo. E é importante investir no grupo, até porque hoje a sociedade vive de grupos e quanto mais forte for o grupo maior é a capacidade de êxito do próprio grupo.

8. Há dias o Padre Carlo, italiano, que trata do nosso site da Ordem e que também trabalha no Vaticano, veio a Fátima com um casal. Foi um fim de semana interessante. Que casal era aquele? Ele já tem netos, devem ter 60 e tal anos. Já têm netos crescidos. Quando eles eram namorados quem os animou para o casamento foi um Carmelita e digamos em atenção a esse Carmelita que os incentivou a casar, eles deram-lhe o primeiro nome do filho: António! E depois em atenção a uma santa carmelita baptizaram uma filha com o seu nome. Eles têm meia dúzia de filhos e todos os filhos têm nomes relacionado com o Carmelo. São Carmelitas para tudo. E eu perguntei: na sua paróquia há Carmelitas? Eles disseram que não, que eram os únicos Carmelitas na paróquia. Assumiram responsabilidades pastorais, mas como um lar com identidade carmelita: são filhos de escola carmelita… São uma família autenticamente carmelita, conotada com o Carmelo. O senhor estava em nossa casa e dizia: «sinto-me em minha casa!».

9. Isto é bonito de ouvir. Mas esta identidade não se constrói de um dia para o outro: é uma vida! Vidas assim são um estímulo muito grande para nós, porque o Carmelo é das ordens religiosas mais ricas espiritualmente, é a que tem mais doutores da modernidade e outros estão a caminho! Eles são uma rica espiritualidade cristã para o mundo de hoje, pela exploração que fazem — por exemplo, São João da Cruz é o especialista da noite, da noite do espírito, que hoje é um grande drama da Humanidade, porque nós estamos a atravessar uma longa noite, noite escura e vem aí uma noite tremenda que é a noite da fé, da descrença. Hoje está-se a banir da sociedade a crença. Há toda uma estratégia maçónica ou não sei bem como interessada em banir a fé e as manifestações de fé da sociedade, se estivermos atentos escutamos denúncias nesse sentido. Tudo o que é fé, tudo o que é crença, deve ser ocultado. A sociedade está como que zelosa por ser ela própria sem Deus. Isto é uma noite tremenda, uma noite muito escura! E essa noite escura é iluminada pela espiritualidade de São João da Cruz e pela espiritualidade de Edith Stein, que esta aí à porta como Doutora da Igreja. Num tempo em que os Judeus, eram todos eliminados e ela esteve nessa lista e também foi eliminada, ela tem uma doutrina preciosa para a Humanidade do nosso tempo.

10. A espiritualidade carmelita tem grande interesse para o presente e para o futuro na orientação da Humanidade no prisma da perspectiva da orientação, da luz que vem de Deus, aquela luz que os Magos viram e os demais não viram nada porque não sabiam ler as estrelas. Os Magos sabiam ler as estrelas e nós temos que saber ler os acontecimentos.

11. E nós não estamos aqui a dizer aos leigos que vivem no mundo: vão para freira ou para frades! Não! Dizemos: sejam cristãos, sejam casais, sejam solteiros, o que a vossa consciência vos ditar, se quiserem ir para religiosas podem ir, se quiserem ir para frades podem ir! Sejam muito felizes, mas onde estiverdes que sejais cristãos, porque o cristão é o sal que dá sabor, o cristão é a luz que ilumina e esse sabor e essa luz vêm do Evangelho e o Carmelo é uma vinha onde isto tudo se cultiva. Eu fazia votos para que nunca deixassem murchar esta plantazinha do Carmo Jovem, que esse caracolzinho cresça, que vá devagarinho, mas vá sempre atento. Muito bem.

12. (Palmas, segundos de silêncio e continua…)


13. É… vocês não parem, não parem nisto, de facto é uma pena, já existe aí alguma coisa do antigo Carmo jovem, tentativa de… mas há poucos… era necessário relacionar a parte teórica da espiritualidade, do pensamento, aterrar estas ideias para que elas cresçam e produzam fruto, isto pode acontecer; este produzir fruto pode ser na vida paroquial, numa fábrica, onde estiverdes aí deveríeis fazer crescer e provocar, ou seja: deveriam olhar para vós e perguntar: este indivíduo que procede assim porque é que procede assim? Nós devemos ser provocadores. Nós também perguntamos, o que é que esta comida tem para que esteja tão saborosa? Porque é que esta pessoa procede assim? E a resposta não tem porque ser imediata, nós até podemos esconder, os antigos cristãos tinham o arcano, um segredo, e não diziam imediatamente o que eram, por que isso é uma provocação às pessoas, as pessoas têm que aprofundar. Provocar as pessoas pela nossa forma de viver, de modo a que elas se interroguem e investiguem, porque assim investigam mais. Porque é que as pessoas têm este comportamento e este brio profissional?, por que tem esta caridade, esta amizade?, por que têm esta atenção: visitar os doentes, os pobres, atender as pessoas, não pensar só em si?

14. Para proceder assim é necessário uma riqueza espiritual muito grande. E o Carmelo permite essa experiência de união com Deus que leva à procura dos irmãos e quando nós vamos à procura dos irmãos aí é que provocamos! Por que vem esta pessoa à procura dos irmãos? Por que se interessa pelos demais: é porque é cristã? Mas os cristãos são assim? É por que é Carmelita? Aqui está a ponte! O Carmelo é o lugar onde as pessoas se encontram com Deus, é o lugar onde se se enriquece e donde se é enviado. O Carmelo é o lugar à volta do qual nós vivemos mas onde não se deve parar! Tu deves ter a preocupação por alargar o Carmelo por onde andares.

15. Gostaria que vocês aproveitassem toda a riqueza do Carmelo. Que nunca parassem com o Carmo Jovem seja qual for a vossa profissão futura! De facto esse é o eco que nós temos das pessoas que procuram na espiritualidade do Carmelo o alimento espiritual para durante o ano. E é curioso que quanto maior é o nível cultural maior é o interesse pela espiritualidade carmelita. A espiritualidade carmelita é quase uma espiritualidade de élites, é quase… Corre o risco de não ser entendida pelas pessoas simples, talvez porque não leiam. A nossa espiritualidade tem outra vertente: a da devoção mariana, a devoção popular do Escapulário; mas digamos, como arte de viver são mais as classes médias e superiores que se encontram no Carmelo. Gostaria que para o próximo ano estas caras se mantivessem por aqui, que os casais crescessem em número. Era muito bom sinal, era sinal que se mantinham nisto, porque cada um que se casa trás o outro. Faço votos para que de futuro este número que hoje aqui se encontra duplique. Eles tragam elas e elas tragam eles, depois em vez de um Acampáki faz-se uma dúzia de Acampalás…. Muito bem…

16. (Entrega das lembranças ao Padre Provincial juntamente com o Guião do Acampáki.)

17. Por acaso eu aprecio muito estes livrinhos, porque dizem da seriedade com que estas coisas são feitas. Eu não sou indiferente a isto. Não é pelo livro, porque nós livros temos muitos: é porque há muitas actividades improvisadas e as actividades que o Carmo Jovem promove são actividades preparadas. Isto é muito importante, porque sem isto vocês andavam um pouco às aranhas. Eu sou apologista dos guiões, etc., porque são instrumentos de trabalho.

18. Os meus parabéns! Vocês são pessoas que sabem trabalhar. Eu sei o que isso custa… e este está muito bem feito. Vocês são especialistas nestas coisas!

19. Acampákis! Sempre jovem, Carmo jovem!

P. Pedro L. Ferreira,
Provincial ocd


Fotos - AAcampaki - 27 JUL a 3 AGO