segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Escuta-O, repousa n´Ele!

«Um jovem sonha que entra numa grande loja. Atrás do balcão encontra-se um anjo. O jovem pergunta: - Que vendes aqui? - Tudo o que quiseres – responde sorridente o anjo. Então o jovem começa a dizer coisas, umas atrás das outras... - Se vendes tudo o que eu quiser, então eu quero que terminem todas as guerras no mundo, que se elimine todo o tipo de pobreza, que todos os marginalizados se possam integrar na sociedade, que a Igreja seja realmente fraterna e servidora, que… - Um momento! – O anjo corta-lhe a palavra. – Talvez não tenhas compreendido bem, ou eu não me expliquei bem. Aqui não vendemos frutos, somente vendemos sementes». Colher os frutos depende de cada um de nós. Depende de mim, de ti. Anima-te a semear as sementes que recebes em cada novo dia, e espera o recolher da colheita. Silencia diante de Deus. Escuta-O, repousa n´Ele e encontrarás o silêncio da eternidade. Torna-te uma jovem alma carmelita presente em Deus e encontrarás a dom da paz!

domingo, 16 de novembro de 2008

ORAÇÃO DA SEMANA DOS SEMINÁRIOS

Deus santo, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, Vós criastes o mundo pela vossa primeira e última palavra E pela primeira e última o salvastes; Lançai no coração dos nossos jovens sementes de amor, capazes de crescer e de fazer deles agentes do vosso desígnio de salvação. Vós chamastes profetas para dizer palavras de verdade, justiça e caridade ao povo que, por amor, escolhestes e reunistes. Colocai as vossas palavras santas na boca dos nossos jovens para que não sejam espectadores passivos mas actores atentos ao mundo que os rodeia e, dando-se sem reservas, disponíveis para amar, encontrem um sentido para a sua vida e deixem a semente germinar. Vós enviastes a Sabedoria do santo céu, do trono da vossa glória, e com a vossa voz derrubastes os cedros e abalastes o deserto. Atendei às inquietações dos nossos jovens, aos seus gritos e sussurros, e despertai neles um amor pela Igreja, vosso templo e corpo do vosso Filho, para que, sem complexos nem angústias, tenham coragem e discernimento para responder com um sim entusiasmado à ternura do vosso abraço. Senhor Jesus Cristo, Filho de Maria, a serva da Palavra, Vós semeastes a Palavra com abundância para que frutificasse e pelo sangue que derramastes, sangue que não tinge mas branqueia, fostes digno de tomar o Livro escrito por dentro e por fora e de abrir as suas páginas seladas; Derramai o vosso Espírito sobre os nossos seminários e fazei com que, acolhendo as vossas palavras de vida eterna, sejam centelhas de esperança e sementes de futuro para a Igreja, no seguimento fiel e generoso da vossa vontade. Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo. Ámen.

Retiro em silêncio

«Não vos lembreis do passado, não penseis nas coisas antigas; eis que vou fazer uma obra nova: ela está a começar agora, e vós não a vedes? Abrirei um caminho no deserto, rios em lugar seco». [Is 43, 18-19]

sábado, 15 de novembro de 2008

15 de Novembro | Comemoração de todos os defuntos da ordem do Carmo

Quer na vida quer na morte não
nos cansemos de procurar a face de Deus!
Rezemos por todos os carmelitas que em silêncio e na solidão serviram o Mundo.
ORAÇÃO
Senhor Deus,
criador e redentor nosso,
glória dos vossos fiéis,
concedei aos nossos irmãos defuntos,
a quem nos une o mesmo Baptismo e o mesmo chamamento
e vocação à família do Carmo,
graça de Vos comtemplarem eternamente
como prémio das suas vidas consagradas
ao serviço de Cristo e da Virgem Maria.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Retiro em silêncio

Retiro em silêncio

Não seria necessário falar tanto Se as nossas obras dessem testemunho verdadeiro (S. João Crisóstomo)

O voo espacial de Santa Teresinha

No dia 17 de Agosto as Carmelitas Descalças de New Caney (USA) tiveram uma prometida e muito esperada visita do seu amigo astronauta, Coronel Ron Garan. Garan fez parte da tripulação da mais recente viagem da nave Discovery, que ocorreu de 31 de Maio a 14 de Junho passados, com o objectivo de acoplar o módulo do laboratório japonês Kibo (Esperança) à Estação Espacial Internacional. A missão do astronauta consistiu em sair para o espaço preso por uma correia a um pé a fim de colocar o módulo na posição correcta e efectuar algumas reparações no exterior da Estação Espacial. A NASA preparou um vídeo da missão, pelo que a comunidade das Carmelitas pode escutar e ver alguma das coisas que se passa na Discovery e na Estação Espacial. Foi certamente uma apaixonante e muito esclarecedora tarde para a comunidade carmelitana. Com razão as monjas estão muito agradecidas ao comandante Garan pela partilha desta experiência aventureira. Aliás, na passada Primavera passada o Comandante tinha telefonado à comunidade pedindo-lhe orações pela sua viagem no espaço e oferecendo-se para levar algum objecto sagrado que as Irmãs lhe entregassem. Que haveria de ser? Por fim a comunidade lembrou-se das palavras de Santa Teresinha: «Sinto em mim uma vocação de Apóstolo… Quereria percorrer a Terra, pregar o teu nome e plantar sobre solo infiel a tua Cruz gloriosa. Mas, ó meu Amado, uma só missão não me bastaria! Quereria anunciar ao mesmo tempo o Evangelho nas cinco partes do mundo, até às ilhas mais remotas…». Com esta evocação as Carmelitas entregaram ao astronauta uma relíquia de Santa Teresinha. Durante 14 dias este restinho teresiano percorreu 9.177.030 quilómetros do espaço em torno da Terra, a uma velocidade de 27.291 km/hora. Durante todo esse tempo, com uma oração intensa, a comunidade pediu a Santa Teresinha a sua chuva de rosas desde o espaço sobre o mundo. De facto, a sua vocação universal chegou até aos confins do espaço!

FESTA DE TODOS OS SANTOS CARMELITAS

http://www.carmelitas.pt/site/santos/santos_ver.php?cod_santo=36

Senhor, que ateastes a «Chama de amor viva» à familia carmelita para que viva santamente para Vós fazei que, a exemplo de todos os Santos da família deste harmonioso jardim, abracemos fielmente os seus exemplos e sirvamos a Vossa Igreja no amor que nos move.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

terça-feira, 11 de novembro de 2008

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

NOTAS FINAIS - Carminhada - Viana do Castelo - 8NOV'08

E se de repente quatro vacas e depois uma quinta passarem um pouco ao lado dum grupo de jovens e mansamente se puserem a pastar, isso o que é? É uma carminhada do Carmo Jovem! E se uma égua e o seu potro se afastarem ligeiramente (e o potro se proteger entre a vegetação) e nós passarmos ao lado e os fotografarmos ao longe, isso o que é? É a IX Carminhada, em Viana do Castelo, pelo trilho dos Canos d’Água, num dia friorento de Inverno a ameaçar choviscos mas muito animado e aquecido por 90 corações dispostos a incendiar o verde forte e viçoso do Alto Minho! No Sábado, dia 8 de Novembro, foi assim que nos reunimos no Seminário Missionário Carmelita, em Viana do Castelo. Fomos chegando às pinguinhas. Os lugares de partida eram os habituais. A surpresa foi o Virgílio, de Matosinhos. O Dinis também foi surpresa por nunca ter feito uma carminhada connosco, mas não era surpresa porque foi ele quem nos fez descobrir o caminho de Santa Luzia pelos Canos d’Água. Fomos chegando às pinguinhas e pinguinhas ou pingonas eram as ameaças do céu. Entretanto, fomos visitando a bela e inesperada Exposição Missionária preparada pelos Jovens Kanimambos, os anfitriões. Quem chegava queria partir; cheios dos assentos dos carros queriam caminhar pelo verde e saciar o olhar com o azul do mar e do céu e o verde dos caminhos. Mas não. O tempo incerto amarrava-nos às paredes, como barcos famintos amarrados ao cais. Os que vinham vinham do sol e da luz, mas aqui havia nuvens e uma quase chuva miudinha. Entretanto, deu para dar uns toques na bola: o Frei João era o guarda-redes!

Estávamos no vamos não-vamos quando fomos. Arriscamos tudo, pois o monte não tem um único abrigo. Se chovesse beberíamos água fresca da chuva; seria uma espécie de baptismo, sei lá! Na escadaria do templo do Sagrado Coração de Jesus fizemos uma breve oração. Depois, ala que se faz tarda! Cá em baixo a cidade aconselhava-nos a subir, a ir com segurança. O tempo era pior na cidade que na montanha! Fomos. O cajado ia na mão do Dinis, que nunca mais parou. Primeiro houve uma paragem técnica nos Arcos do Fincão. Depois, a partir dali, ó meus amigos!, a partir dali foi uma bela carminhada! Uma das mais belas. Durante 3 km caminhámos sobre um cano d’água em pedra granítica, com 500 anos de idade! É uma bela obra! Bela e surpreendente! Vem de lá detrás dos montes, trazendo ainda hoje a água que abastece as fontes públicas da cidade de Viana do Castelo.

O caminho é todo ele uma imensa surpresa. Aqui sobe, ali desce. Aqui passa por entre austrálias, ali por entre tojos. Aqui alimenta ternas violetas (mas seriam mesmo violetas?), acolá pequenas flores selvagens. Aqui está uma mina e acolá um depósito que protege a convergência de duas nascentes. Aqui são os cavalos que nos surpreendem, ali são as vacas. Aqui cantam passarinhos miúdos a fugir, ali gaios ou pegas. Aqui cruzamos uma calçada romana, ali um pequeno carreiro. Ó diversidade! Ó beleza! Aqui há um campo onde se rega e se colhe erva fresca, ali de certeza é um de sequeiro! Fantástico, tudo canta e grita de alegria! Aqui pode-se correr, ali caminha-se lentamente. Aqui salta-se, ali dão-se passinhos curtos. Entretanto, alguém tem de preocupar-se com o Filipe, que não se ajuda como nós.

Por fim, já a hora ia adiantada e a barriga remoendo quando chegamos ao lugar de pousar. E pousamos. No largo da capela de S. Mamede pousamos os merendeiros que a Verónica nos trouxe. E foi ali sob o olhar do jovem mártir de Cesareia da Capadócia — S. Mamede —, que almoçamos mais com ganas de quem quer continuar a carminhar do que quem quer comer por comer. Foi também aí que as vacas entraram no recinto, e se nós comíamos também elas começaram a comer retouçando na erva fresca.

A verdade é que não apetecia recomeçar a carminhada. A ameaça da chuva era certa, faltava apenas que caísse. E a cair, que caísse enquanto estamos em casa do Santo, pensaram alguns senão todos. Mas caminhamos. Alguém ouviu o que há muitos anos ouviu o jovem mártir Mamede. A nossa carminhada tinha por título: «mandei pedir notícias da vossa fé»; e ali estava quem ouvira uma voz interior dizendo: «Tem coragem, ó jovem Mamede! Guarda a fé e mostra o teu ânimo varonil, pois bem-aventurado será quem sofrer perseguição por Cristo!» Eu sei quem isto ouviu e nos animou a carminhar. E sei também que logo depois de começar a carminhar começou a chover. Abriram-se os guarda-chuvas: 3!, e meteram-se os carapuços na cabeça. Mas isso foi só por segurança, por nós estava S. Mamede e não choveu mais que aquela chuva necessária para os passarinhos não passarem sede nesse dia! Junto à Carreira do Tiro parámos e batemos palmas a ciclistas e a outros passantes com o mesmo bom gosto que nós. Lemos ainda um texto de São Paulo, da primeira Carta aos Tessalonicenses. Todos os excertos foram preparados e lidos pelos Jovens Missionários Kanimambos, do Carmo de Viana. Mas que bela maneira arranjaram eles de nos meter a Palavra de Deus pelos ouvidos dentro! Uma maneira bela e inesperada que nos fazia ouvir pequenos excertos, lidos com bom gosto e muita suavidade! No templo de Santa luzia, que é do Coração de Jesus, e bem junto a Ele, tirámos a foto de família.

Uma foto muito animada, cheia de gente jovem cansada mas de coração carmelita muito animado. Vencêramos a tarde, a chuva, os obstáculos, o tempo frio e as horas sem rede de telemóvel. Lá em baixo o Lima abraçava-se ao mar, perdia-se, ia-se com os navios para outros lugares, levava água fresca e húmus e trazia sal que nos salgava o olhar e a esperança de algo novo! Estávamos neste enleio quando, depois de lermos mais um texto de São Paulo, o Frei João nos desafiou a descer o Escadório. Disse-nos que iria de carro — privilégios de velho! —, mas que nós deveríamos fazer a experiência de descer 999 escadas! Não seriam tantas, que nos acertos finais as contagens não coincidiram, mas ainda assim passaram de duzentas! Ainda assim não foram demasiadas, porque mal chegámos ao campo de futebol a bola desafiou-nos para uns chutos e nós, incluindo as raparigas, fomos correr atrás dela. Nós, não. Todos, não. Uns foram ensaiar os cânticos e outros preparar leituras e o ofertório solene. Às seis rezámos a Missa, com o Frei João a presidir. Entrámos como ele gosta, com uma bela procissão. Entrámos e rodeámos o altar, ouvimos a Palavra de Deus e a dele também. E comemos do Pão Eucarístico que fortalece os fracos e anima os fortes.

E ouvimo-lo dizer que a fé é como uma planta que se cuida, uma vela que não se deixa apagar. E ouvimo-lo dizer que a fé tem de ser defendida, questionada, aperfeiçoada, testemunhada, entregue. Não pode viver sozinha, mirrada, sem se cuidar e regar, sem carminhar com outros, sem ouvir os corações do lado a bater. E ouvimo-lo dizer que os nossos chefes têm de perguntar-nos pela nossa fé, como São Paulo mandou pedir notícias da fé dos Tessalonicenses. Que a Igreja que dá a fé é a Igreja que alimenta a fé. Que a Igreja que acarinha a fé é a Igreja onde se aperfeiçoa e se testemunha a fé.

E ouvimo-lo dizer que deveríamos rezar pelos nossos catequistas e líderes dos nossos grupos, porque eles aconchegaram-nos a fé em nome da Igreja e em nome da Igreja a regam e a fortalecem. E ouvimo-lo dizer que o Ricardo Luis, a Verónica e o Jorge Fernando lhe davam notícias da nossa fé e que se não tem notícias nossas as manda pedir urgentemente. E ouvimo-lo dizer tantas coisas, que um dia alguém que muito estimamos também nos perguntaria sobre a nossa fé e que nós haveríamos de ter gosto em responder-lhe sobre ela. E ouvimo-lo dizer… Depois entregaram-se as recordações da carminhada, pois sempre há uma recordação para recordar.

E por fim fizemos festa, porque o Jorge Fernando já podia falar connosco e disse-nos duas palavras parvas, isto é, pequeninas. Ele é o nosso chefe, o chefe do Carmo Jovem que agora vai connosco à pesca, uma pesca à rede na esperança que renda muito e tudo para todos. Por fim, partimos. Mas custou partir. Era noite, mas não dentro de nós. As nossas almas agora regadas davam boa conta de si e a fé fortalecida está mais pronta para os meses de invernia. Tudo estava terminado, porque

Tudo gira à Tua volta, em função de Ti: não importa quando, onde e o porquê.
Fomos 90 jovens vindos de Aveiro, Avessadas (Marco de Canavezes), Caíde de Rei (Lousada), Gafanha da Nazaré (Ílhavo), Mangualde, Matosinhos, Moinhos da Gândara (Figueira da Foz) e Viana do Castelo.
E foi em Viana do Castelo. No dia 21 de Fevereiro estaremos algures noutra Carminhada.