quinta-feira, 9 de abril de 2009

Quinta-feira Santa: A fonte do eterno Amor!

III Peregrinação a Pé - alimentação

Quinta-feira Santa: Celebração da Ceia do Senhor

«O Pai disse uma palavra, que foi seu Filho, e di-la sempre no eterno silêncio e no silêncio ela há-de ser ouvida pela alma» [São João da Cruz]
Como poderá o Homem não ficar maravilhado com o que se opera em cada eucaristia? A Última Ceia, a primeira Eucaristia onde se esconde o mistério do Eterno… infinito Amor para o Mundo, que só poderá ser reconhecido pela fé e onde a razão do Homem continua a fazer a experiencia dos seus limites… Quem deseja seguir a Cristo deve sentar-se nesta mesa, na Sua mesa, na mesa da Eucaristia. Foi o que fizeram os apóstolos com o supremo recolhimento. É o convite que nos é feito, hoje, a cada um de nós… E nós, como acolhemos este convite? Desejamos responder afirmativamente? Desejamos ser apóstolos de Cristo? Com o coração munido por este terno amor vivamos o que aconteceu nesta «ditosa noite». Na noite em que o entregaram. Na noite a partir da qual o Mundo gira à Sua volta… Reacendamos a Última Ceia em nossos corações, Última Ceia que Jesus realizou com os seus apóstolos e Instituiu Eucaristia, o Ministério Sacerdotal e o Mandamento novo do Amor… No coração da Eucaristia, os sinais do vinho e do pão introduzem-nos na presença do seu Corpo e Sangue... Esconde-se a vida de Deus, amor interminável onde não meditamos na solidão, onde o tempo é amor amado e pelo qual nos deixamos enamorar... É grande este mistério, é admirável o mistério da fé… Oh! Eterno hoje do Amor no tempo… oh! «Fonte de água viva» … Que nesta Quinta-feira Santa a experiência deste Deus amor se cale em nossos corações!

III Peregrinação a Pé - calçado

Que bem sei eu a fonte que mana e corre...

«Que bem sei eu a fonte que mana e corre mesmo de noite. Aquela eterna fonte está escondida, mas eu bem sei onde tem sua guarida, mesmo de noite. Sua origem não a sei, pois não a tem, mas sei que toda a origem dela vem, mesmo de noite. Sei que não pode haver coisa tão bela, e que os céus e a terra bebem dela, mesmo de noite Eu sei que nela o fundo não se pode achar, e que ninguém pode nela a vau passar, mesmo de noite. Sua claridade nunca é obscurecida, e sei que toda a luz dela é nascida, mesmo de noite Sei que tão caudalosas são suas correntes, que céus e infernos regam, e as gentes, mesmo de noite. A corrente que desta fonte vem é forte e poderosa, eu sei-o bem, mesmo de noite. A corrente que destas duas procede, sei que nenhuma delas a precede, mesmo de noite. Aquela eterna fonte está escondida neste pão vivo para dar-nos vida mesmo de noite. De lá está chamando as criaturas, que nela se saciam às escuras, porque é de noite. Aquela viva fonte que desejo, neste pão de vida já a vejo, mesmo de noite» [S. João da Cruz]

III Peregrinação a Pé - conselhos úteis

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Capítulo Geral dos Carmelitas Descalços em Fátima

Ultimam-se os preparativos para a realização do Capitulo Geral Ordinário da Ordem dos Carmelitas Descalços, a relizar na «Domus Carmeli», em Fátima, entre os dias 17 de Abril e 8 de Maio de 2009. Será o 90.º Capítulo na história da Ordem e o primeiro a realizar-se em Portugal. Serão 106 carmelitas descalços, entre os superiores provinciais ou representantes de zonas e os delegados das várias províncias. Haverá ainda uma equipa técnica de apoio com cerca de 20 elementos. O P. Geral, Luis Arostegui, pede as orações de toda a Ordem para este acontecimento de graça na vida desta grande família eclesial.

«Exemplo heróico em tempo de crise»

«Exemplo heróico em tempo de crise»
Nota Pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa
por ocasião da canonização de Nuno Álvares Pereira

1. Nuno Álvares Pereira proclamado santo A 21 de Fevereiro de 2009, o Papa Bento XVI anunciou a canonização de D. Nuno Álvares Pereira – o já beato Nuno de Santa Maria – para o dia 26 de Abril, junto com outras quatro figuras ilustres da Igreja. Este facto é para Portugal e os portugueses motivo de júbilo e de esperança. Deve também constituir ocasião de reflexão sobre as qualidades e virtudes heróicas desta relevante personagem histórica, digna de ser conhecida e imitada nos dias de hoje.Nuno Álvares Pereira viveu em tempos difíceis de crise dinástica, com fortes divisões no tecido social e político português, que punham em perigo a própria identidade e independência da Nação.

Os Bispos de Portugal, em nome de todos os católicos do nosso país, desejam exprimir a sua alegria e gratidão pelo reconhecimento oficial da santidade heróica de mais um filho da nossa terra. Ultrapassando a mera saudade do passado e assumindo, com realismo e esperança, o tempo que nos é dado viver, querem ressaltar algumas virtudes heróicas de Nuno Álvares Pereira, cuja imitação ajudará a responder aos desafios do tempo presente.
2. Breves dados biográficos
Nascido em 1360, Nuno Álvares Pereira foi educado nos ideais nobres da Cavalaria medieval, no ambiente das ordens militares e depois na corte real. Tal ambiente marcou a sua juventude. As suas qualidades e virtudes impressionaram particularmente o Mestre de Aviz, futuro rei D. João I, que encontrou em D. Nuno o exímio chefe militar, estratega das batalhas dos Atoleiros, de Aljubarrota e Valverde, vencidas mais por mérito das suas virtudes pessoais e da sua táctica militar do que pelo poder bélico dos meios humanos e dos recursos materiais.Casou com D. Leonor Alvim de quem teve três filhos, sobrevivendo apenas a sua filha Beatriz, que viria a casar com D. Afonso, dando origem à Casa de Bragança. Tendo ficado viúvo muito cedo e estando consolidada a paz, decidiu aprofundar os ideais da Cavalaria e dedicar se mais intensamente aos valores do Evangelho, sobretudo à prática da oração e ao auxílio dos pobres. Assim, pediu para ser admitido como membro da Ordem do Carmo, que conhecera em Moura e apreciara pela sua vida de intensa oração, tomando o profeta Elias e Nossa Senhora como modelos no seguimento de Cristo.
De Moura, no Alentejo, vieram alguns membros da comunidade carmelita, para o novo convento que ele mesmo mandara construir em Lisboa. Em 1422, entra nesta comunidade e, a 15 de Agosto de 1423, professa como simples irmão, encarregado de atender a portaria e ajudar os pobres. Passou então a ser Frei Nuno de Santa Maria. Depois de uma intensa vida de oração e de bem fazer, numa conduta de grande humildade, simplicidade e amor à Virgem Maria e aos pobres, faleceu no convento do Carmo, onde foi sepultado.Logo após a sua morte começou a ser venerado como santo pela piedade popular. As suas virtudes heróicas foram oficialmente reconhecidas pelo Papa Bento XV, que o proclamou beato, em 1918, passando a ter celebração litúrgica a 6 de Novembro.
3. Virtudes e valores afirmados na vida de Nuno Álvares Pereira D. Nuno Álvares Pereira não é apenas o herói nacional, homem corajoso, austero, coerente, amigo da Pátria e dos pobres, que os cronistas e historiadores nos apresentam. Ele é também um homem santo. A sua coragem heróica em defender a identidade nacional, o seu desprendimento dos bens e amor aos mais necessitados brotavam, como água da fonte, do amor a Cristo e à Igreja. A sua beatificação, nos começos do século XX, apresentou o ao povo de Deus como modelo de santidade e intercessor junto de Deus, a quem se pode recorrer nas tribulações e alegrias da vida.Conscientes de que todos os santos são filhos do seu tempo e devem ser vistos e interpretados com os critérios próprios da sua época, desejamos propor alguns valores evangélicos que pautaram a sua vida e nos parecem de maior relevância e actualidade.
Os ideais da Cavalaria, nos quais se formou D. Nuno, podem agrupar se em três arcos de acção: no plano militar, sobressaem a coragem, a lealdade e a generosidade; no campo religioso, evidenciam se a fidelidade à Igreja, a obediência e a castidade; a nível social, propõem se a cortesia, a humildade e a beneficência. Foram estes valores que impregnaram a personalidade de Nuno Álvares Pereira, em todas as vicissitudes da sua vida, como documentam os seus feitos militares, familiares, sociais e conventuais. Fazia também parte dos ideais da Cavalaria a protecção das viúvas e dos órfãos, assim como o auxílio aos pobres. Em D. Nuno, estes ideais tornaram se virtudes intensamente vividas, tanto no tempo das lides guerreiras como principalmente quando se desprendeu de tudo e professou na Ordem do Carmo. Como porteiro e esmoler da comunidade, acolhia os pobres de Lisboa, que batiam às portas do convento e atendia os com grande humildade e generosidade. Diz-se que teve aqui origem a «sopa dos pobres».
Levado pela sua invulgar humildade, iluminada pela fé, desprendeu se de todos os seus bens – que eram muitos, pois o Rei o tinha recompensado com numerosas comendas – e repartiu os por instituições religiosas e sociais em benefício dos necessitados. Desejoso de seguir radicalmente a Jesus Cristo, optou por uma vida simples e pobre no Convento do Carmo e disponibilizou‐se totalmente para acolher e servir os mais desfavorecidos. Esta foi a última batalha da sua vida. Para ela se preparou com as armas espirituais de que falam a carta aos Efésios (cf. Ef 6, 10 20) e a Regra do Carmo: a couraça da justiça, a espada do Espírito (isto é, a Palavra de Deus), o escudo da fé, a oração, o espírito de serviço para anunciar o Evangelho da paz, a perseverança na prática do bem.
Precisamos de figuras como Nuno Álvares Pereira: íntegras, coerentes, santas, ou seja, amigas de Deus e das suas criaturas, sobretudo das mais débeis. São pessoas como estas que despertam a confiança e o dinamismo da sociedade, que fazem superar e vencer as crises.
4. Apelo à Igreja em Portugal e a todos os homens e mulheres de boa vontade Ao aproximar-se a data da canonização do beato Nuno Álvares Pereira, pelo Papa Bento XVI, em Roma, alegramo-nos por ver mais um filho da nossa terra elevado às honras dos altares. Algumas peregrinações estão a ser organizadas para marcar a nossa presença na Praça de S. Pedro, na festa da sua canonização, no dia 26 de Abril. Confiamos que outras iniciativas pastorais sejam promovidas para dar a conhecer e propor como modelo o exemplo de virtude heróica que nos deixou este nosso irmão na fé.
A pessoa e acção de Nuno Álvares Pereira são bem conhecidas do povo português. A nível civil, é lembrado em monumentos, praças e instituições; a nível religioso, é celebrado em igrejas, imagens e associações. Figura incontornável da nossa história, importa revitalizar a sua memória e dar a conhecer o seu testemunho de vida. Para além de ser um modelo de santidade, no seguimento radical de Cristo, que «não veio para ser servido mas para servir» (Mt 20, 28), apraz nos pôr em relevo alguns aspectos de particular actualidade, para todos os homens e mulheres de boa vontade:
– Nuno Álvares Pereira foi um homem de Estado, que soube colocar os superiores interesses da Nação acima das suas conveniências, pretensões ou carreira. Fez da sua vida uma missão, correndo todos os riscos para bem servir a Pátria e o povo.
– Em tempo de grave crise nacional, optou corajosamente por ser parte da solução e, numa entrega sem limites, enfrentou com esperança os enormes desafios sociais e políticos da Nação.
– Coroado de glória com as vitórias alcançadas, senhor de imensas terras, despojou se dos seus bens e optou pela radicalidade do seguimento de Cristo, como simples irmão da Ordem dos Carmelitas.
– Não se valeu dos seus títulos de nobreza, prestígio e riqueza, para viver num clima de luxos e grandezas, mas optou por servir preferencialmente os pobres e necessitados do seu tempo.
Vivemos em tempo de crise global, que tem origem num vazio de valores morais. O esbanjamento, a corrupção, a busca imparável do bem estar material, o relativismo que facilita o uso de todos os meios para alcançar os próprios benefícios, geraram um quadro de desemprego, de angústia e de pobreza que ameaçam as bases sobre as quais se organiza a sociedade. Neste contexto, o testemunho de vida de D. Nuno constituirá uma força de mudança em favor da justiça e da fraternidade, da promoção de estilos de vida mais sóbrios e solidários e de iniciativas de partilha de bens. Será também um apelo a uma cidadania exemplarmente vivida e um forte convite à dignificação da vida política como expressão do melhor humanismo ao serviço do bem comum.
Os Bispos de Portugal propõem, portanto, aos homens e mulheres de hoje o exemplo da vida de Nuno Álvares Pereira, pautada pelos valores evangélicos, orientada pelo maior bem de todos, disponível para lutar pelos superiores interesses da Pátria, solícita por servir os mais desprotegidos e pobres. Assim seremos parte activa na construção de uma sociedade mais justa e fraterna que todos desejamos. Fátima, 6 de Março de 2009
Ver mais sobre a Canonização de Nuno Álvares Pereira no blog Chama do Carmo de Viana do Castelo.

III Peregrinação a Pé a Fátima

III Peregrinação a Pé a Fátima - Testemunhos

Jornada Mundial da Juventude de Madrid renovará fé, diz o Papa

Bento XVI está convencido de que a Jornada Mundial da Juventude, que acontecerá em Madri em 2011, renovará a fé entre os milhões de jovens que participarão dela. Assim explicou ao receber nesta segunda-feira cerca de 7 mil jovens peregrinos procedentes da capital espanhola que, junto a seu arcebispo, o cardeal Antonio María Rouco Varela, encheram a Sala Paulo VI do Vaticano. O encontro aconteceu depois de que os jovens madrilenos receberam, na Praça de São Pedro, das mãos de seus irmãos australianos, a Cruz dos jovens, que nesta Sexta-Feira Santa percorrerá as ruas da capital e nos próximos anos, outras cidades espanholas. «A preparação da Jornada Mundial da Juventude, cujos trabalhos haveis começado com muita vontade e entrega, será recompensada com o fruto que estas Jornadas buscam: renovar e fortalecer a experiência do encontro com Cristo morto e ressuscitado por nós», assegurou o Papa no discurso que dirigiu aos jovens em espanhol. «Segui os passos de Cristo – recomendou o Santo Padre aos jovens que participaram da festa de fé. Ele é vossa meta, vosso caminho e também vosso prêmio.» Recordando o tema que escolheu para a Jornada de Madri, «arraigados e edificados em Cristo, firmes na fé» (Col 2, 7), o Papa assegurou que «a vida é um caminho, certamente. Mas não é um caminho incerto e sem destino fixo, e sim que conduz a Cristo, meta da vida humana e da história». «Por este caminho, chegareis a encontrar-vos com Aquele que, entregando sua vida por amor, abre-vos as portas da vida eterna.» «Convido-vos, pois, a formar-vos na fé que dá sentido à vossa vida e a fortalecer vossas convicções, para poder assim permanecer firmes nas dificuldades de cada dia.» O Papa exortou também a que, «no caminho rumo a Cristo, saibais atrair vossos jovens amigos, companheiros de estudo e de trabalho, para que também eles o conheçam e o confessem como Senhor de suas vidas». «Os jovens de hoje precisam descobrir a vida nova que vem de Deus, saciar-se da verdade que tem sua fonte em Cristo morto e ressuscitado e que a Igreja recebeu como um tesouro para todos os homens», concluiu o Papa.

Contem com o Carmo Jovem!

O Carmo Jovem é um paixão! Que mais nos animaria a reunir durante quatro horas, depois de percorrermos uma centena de quilómetros, correndo o risco de não jantar e de nos obrigarmos a regressar pelo mesmo caminho? Só mesmo o Carmo Jovem. Ao longo do ano o Movimento oferece aos jovens 8 actividades diferentes. É obra, mesmo para gente tão pouca e tão fraca! Mas quando reunimos, reunimos. Foi o caso de segunda-feira, dia 6. Foi em Viana. Os apetrechos estão na foto como meros acesssórios, apenas querem significar que sabemos deitar mão ao trabalho, mesmo que seja duro. Ver mais na Chama do Carmo do Convento de Viana do Castelo.

III Peregrinação a Pé - 1 a 3 MAI'09

Ecos da Carminhada - Moinhos da Gândara

No sitio oficial da Junta de Freguesia de Moinhos da Gândara, Figueira da Foz encontramos mais algumas fotos da Carminhada do passado sábado, 4 de Abril. Todos nós apreciamos imenso o dia passado em terras de moinhos. Clique aqui para ver.

domingo, 5 de abril de 2009

Notas finais - XI Carminhada - Moinhos da Gândara - 4ABR'09

Não há Quaresma sem deserto, diziam-me. E eis que ele chegou já perto do fim, porque Deus é oportuno e cuidadoso para com todos os seus filhos e nos ofereceu a nós, Carmo Jovem, a possibilidade de irmos ao deserto. Bastou querer, estar desperto e atento. Também poderíamos dizer que não há Quaresma sem Deus, nem comunidade sem irmãos. E tudo isto e mais haveremos de alcançar hoje em poucas horas. A XI Carminhada estava agendada para Moinhos da Gândara, Figueira da Foz, ali para os lados do mar que não chegaremos a ver. Dum lado estava a ânsia de nos receber, do outro lado o desejo de ir, pelo meio andava Deus, e em todos os jovens carmelitas, havia fome de caminhos e de verde, de poeira e novidade, de amigos e Amigo, de comunhão com a natureza e o céu. Fomos. Estavam. Não sendo a minha primeira carminhada, foi, contudo, aquela que me fez partir de mais longe, dum ambiente mais contrastante com aquele por onde carminharíamos. Os amigos não são problema e são sempre bons em qualquer lugar; a dificuldade mesmo, que convém que sempre as haja, será o terreno arenoso e movediço debaixo dos pés. Saímos cedo e com sono. O tempo das sete da manhã, fusco e incerto, tinha uma cara pior que a nossa. A nossa sorte é que a XI Carminhada seria bem para sul, longe das nuvens e da chuva que parecia ter chovido durante a noite. As notícias que se vão cruzando no ar dão contas que os exércitos estão em marcha, acometendo os Moinhos. E outras confortam-nos por demais, porque os moleiros — deixem que o carinho os chame assim — são os únicos que parecem confiantes no bom tempo. Ah! valentes! Por ora marchámos estrada fora, desconfiados. Ainda por cima, vamos quase sem plano B! Isto é que é confiar na Providência. Chegámos a horas, cumprindo o horário, porque isto de andar com Deus tudo são horas. Os da casa estavam a postos, quais Martas que Marias, dando voltas e reviravoltas a mais um pormenor que alguém alcançava arranjar melhor, ou quem sabe, dar um pouco mais de brilho. E havia brilho e gosto do bom e de bem receber, e em nós de nos deixarmos abraçar e acolher. Os acertos que sempre os há foram rápidos e entrámos. Uma vez dentro da Igreja de Nossa Senhora da Saúde dos Moinhos da Gândara fomos acolhidos pelo grupo coral que nos saudava cantando Somos Um. Sim, somos um. Um só povo em torno dum só Rei, um só corpo em Cristo, uma só igreja reunida no baptismo, uma só comunidade reunida na fé, na esperança e na caridade. Não contámos quantos os da casa e quantos os de fora, porque, no fim de contas, todos somos da casa, todos somos de fora, todos somos dos caminhos. Porque todos em qualquer lugar Somos Um. Ámen. É isso que seremos ao longo do dia. E para além do dia e dos dias e das noites que sobrevirão. Somos um, uma bela saudação. Muito obrigado. Uma vez dentro, vamos ainda mais adentro e rezámos no interior. Depois a Célia Oliveira, serena e calma — sem denunciar o temor e o tremor que lhe vai dentro —, com voz pausada, foi dando conselhos e instruções de segurança, dizendo-nos com verdade que a manhã seria dura e mais longa, caminhando sobre areia e levantando pó; que haveria surpresas no carminho que valeriam as dificuldades; que a tarde seria mais levadeira e calma; que, oxalá, nos haveríamos de cansar fisicamente, mas chegaríamos de novo à casa da Senhora da Saúde, a casa da Igreja, renovados e reconfigurados espiritualmente. Esse era o desejo bem posto. Depois falou o Rev. Pároco, Padre Pedro Hoka, que saudou cordialmente a todos e re-situou as carminhadas no longo contexto cristão das peregrinações ao encontro dum santuário ou lugar santo. Somos, afinal, o que sempre fomos: povo de peregrinos. Mas, talvez, nem tanto. Talvez apenas aprendizes. A marca porém que há em nós é essa: carminheiros, peregrinos. A Filipa recebeu da Sté o cajado e lá fomos. (Em fundo o coro recordava novamente: Somos Um!) Sê-lo-emos. Além do cajado, que é pesado, a Filipa, que é franzina, recebeu na outra mão a prima Mariana que, quando lhe pergunto, me assinala quatro dedos para me dizer que tem cinco anos. A regra não será infringida: ninguém chegará a ultrapassar o cajado, a Filipa andará sempre ao ritmo desejado pela boa organização e a Mariana nunca largará a mão da prima, o que quer dizer que, pequenita, fará, sem birras, o percurso dos graúdos.

Como gente grande. E assim se confirma que é imprudente e pouco sensato medir as mulheres aos palmos. A organização, gente adulta e atenta, parece ter ou muita experiência ou muito cuidado e muito gosto, ou tudo junto e mais. Pois sempre que nos fazemos à estrada alguma cabeça madura se adianta e corta o trânsito lá bem ao longe para que nenhum motor nos incomode com o seu rancor. Entrámos na floresta. Os pinheiros são alinhados «à linha, como quem planta uma vinha». O caminho é de areia muito fina, que, depois de calcorreada por mais de duzentos e oitenta pés — É fazer as contas! É fazer as contas, como dizia o outro Primeiro! — levanta uma nuvem de pó. Caminhamos a bom caminhar, mas de repente, vê-se que o pessoal escolhe caminhar pelo monte, que é um pouco mais duro. Quase só a Filipa e a Mariana vão pelo caminho. Os outros vão pelas bermas, que hão-de ser dificultuosas, em algum lugar até com urtigas! Por fim, o inesperado: uma lagoa grande, vinda do nada aparece-nos ali plantada! Depois de tanto pó apetece mesmo um banho. Apetece mesmo o banho, não o silêncio e a oração. Por fim lá se consegue. Rezámos ali um belo salmo de confiança, lemos um trecho da Carta aos Romanos. E ala! Ala não, que há uma surpresa. Depois da fotografia de grupo somos presenteamos com broinhas de pão doce e água fresca. A manhã já vai adiantada, o caminho ainda não vai a meio e o pão e a água vêm mesmo a calhar. Ó que boa ideia! Como mandam as boas regras só tirei uma broinha, mas oxalá tirara doze, que doze comeria de tão boas que eram.

E lá vamos nós ao pó. Andámos pelo monte como as cabras e pelos caminhos como gente, e se alguma estrada nos cortava o passo podem ter a certeza que a organização ia cortar o trânsito com a autoridade de General da Guarda Nacional Republicana: e os poucos condutores obedeciam cordatamente! (E não éramos tão poucos e tão lestos assim a atravessar!) E as valas? As valas se havia que atravessá-las a Junta de Freguesia mandara limpar-lhes os acessos e reforçar os passadiços. (Sei do que falo, porque bem vi que algumas tábuas eram novas e os pregos também!)

E que belos campos por ali há, cheios de verde e de vida. E valas como veias que os regam e lhes alimentam a vida! A carminhada foi tão diversa que não houve variedade ou diferença que não víssemos, como quem em dia de colheita tudo recolhe para o celeiro. E se a orientação se fazia difícil logo víamos São Paulo numas placas preparadas a preceito indicando o caminho. E não foram tão poucas assim, que alguém se deu ao trabalho de começar a coleccionar os cromos. Até que se cansou! Não sei o que mais me impactou pela manhã. Mas não me estranharia que tivesse sido a visita ao moinho que uma associação cultural local recuperou. Tudo está ali bem: bem recuperado, bem documentado, bem apresentado. Éramos 130? Éramos. Ou mais. E entrámos todos dentro do moinho, que outrora fora engenho e lar do moleiro, que ali tanto trabalhou e adormeceu tecendo as freimas e os seus sonhos ao ritmo do rom-rom da mó e das pás do moinho.

Belo! Ali rezámos como propusera o grupo Somos Um. Ali ouvimos por calmos momentos a mó a moer. Ali rezámos ainda em silêncio, por aquelas e aqueles a quem o inesperado da vida planta uma mó na cabeça que vai moendo, moendo, moendo. Rodando, moendo.

Vimos ainda um outro moinho, este a vento. A foto não podia escapar e bem andou quem dela se lembrou.

Saímos dum, a água, e subimos o morrozinho do outro, a vento. E, ó surpresa!, ao chegarmos sai-nos uma lebre correndo por entre as pernas da moçarada, julgando que a quereríamos para almoço. Não queríamos, embora a barriga o reclamasse. Subimos um pouco mais e nova surpresa: o moinho tem rodas. Sim, rodas! Estará o leitor a pensar: a hora vai adiantada e o escriba ou teve um ataque de ilusão, semelhante ao do cavaleiro da Triste Figura, ou, por causa da fome, julga ver rodas o que são mós, ou vê um carro e julga ver um moinho! Mas não, protesto eu! É mesmo um moinho, um moinho de vento e com rodas! E a coisa passa-se assim: Como não haveria jeito de o descer dali, para que servirão (ainda hoje servem!) as rodas? Servem obviamente para rodar o moinho sobre um eixo em busca do melhor vento que mova as velas! Imagine-se! Quero ainda declarar que vi este moinho moer. É dos poucos, nós visitámos ou visitaremos três. Mas a terra teve imensos, porque era uma terra farta de grão, de veias generosas e bom vento que fizessem girar pás e velas. Pelo que, penso eu, quando este povo jovem nos trata tão bem, como já ficou dito e mais à frente ainda melhor se dirá, mais não fazem que repartir fartura e bem fazer como bem repartiram os seus antepassados e eles aprenderam, porque em casa farta uma mancheia de farinha que se reparte com os pobres nunca faz falta. É o relato bíblico da viúva de Sarepta que o diz. E quero ainda declarar que vi o que jamais vira: o moleiro vestir as velas ao moinho. Assim como uma mãe, pela manhã, veste o filho pequenito e lhe vai ronronando para que erga os braços afim de vestir a camisa, depois a camisola e por fim o casaco, assim, o moleiro: por debaixo do braço caça a vela, e com as mãos vai rodando os braços à roda, e uma a uma lhe veste todas as velas. Podem discordar e dizer que nada há ali de belo, mas eu raramente vi cuidar dum engenho como quem aconchega um filho! Como quem faz a manhã longa encurta a tarde, parámos algures, num lugar que a Filipa sabia, ou que se não sabia sabia pelo menos ler São Paulo nas tabuletas.

Era um parque de merendas espaçoso, com água, WC, mais água, sabão líquido, toalhas limpas, baloiços, escorregas, flores, sombras, convívio e um bom convite para descansar. Só luxos. Eram tantos os luxos que dei comigo a pensar qual dentre nós seria o rei, pois, pelo tratamento, éramos a comitiva! Mas havia que comer e depois de comer, tínhamos de caminhar embora nos apetecesse dormir. Mas para que caminhássemos sem sono, antes de partir, ali um pouco ao lado e à sombra, brotou uma máquina de café que não se cansou enquanto não fomos todos servidos. Vocês ouviram bem: ali um pouco ao lado e à sombra brotou uma máquina de café que não se cansou e foi debitando saboroso café, enquanto não fomos todos saciados! Ó maravilha! Façam muitas dessas que não nos custa nada regressarmos e mais cedo do que julgam! (E depois de calmamente abandonarmos o parque, ficou uma equipa duma rapariga só, que recolheu a máquina, as toalhas, o lixo que sempre fica, e desligou as luzes. Fantabulástico!) Estamos agora no início da tarde, percorrendo a rua mais movimentada da localidade. Avisam-nos. Mas porque é sábado talvez não haja trânsito. Claro que há. Mas não tanto assim. Cruzam-se dois camiões enormes, um é da terra e o outro do estrangeiro. Não sei se o local está informado, sei que pára e fica respeitosamente a apreciar a longa e ordeira fila de gente jovem.

E quando o último de nós passa, ele liga o motor e arranca. E lá vai à vida. E nós à nossa. Parámos agora numa encruzilhada de verde e de sombra.

Dum e doutro lado e dos outros dois também há verde e mais verde e mais dois verdes, e nenhum igual: é trigo afoito. Parámos para rezar em mais um momento bem conduzido pelo Somos Um. Depois arrancámos. Mais uma viragem de estrada e outra mais além, e já vamos de novo areia fora, pinhal adentro. Dizem-me baixinho que vamos para o Moinho do Sr. José Augusto Rodrigues. É um moinho-casa. Pode ver-se agora o que de manhã não fora possível, visto a reconstrução ter sido quase de raiz. Destes moinhos já eu vira uma vez e fiquei deveras impressionado. A porta está aberta e o dono não responde. Saberemos depois que como não estamos a horas fora à nossa procura. Chegáramos entretanto por outro caminho. Por isso, entrámos. O espanto maior é dos novos. Dei, no que se podia dar, a volta à casa. Pelo lado norte chega uma levada forte que não precisa de bater à porta porque logo ali morre e descai para as pás do moinho que fazem girar a mó. A casa é baixa e de planta rectangular. Tem duas portas, se bem me recordo, frente a frente. Do lado da levada tem um cruz vermelha e do lado da frente duas. Entrando pela frente chega-se uma sala ampla que ocupa um quarto do espaço. Deve ser a arrecadação da semente e até talvez da farinha. Do lado direito duas portas denunciam os quartos ou um quarto e uma cozinha que não chegámos a visitar. Do lado esquerdo, num pequeno quartinho, como se fora um membro mais da família, gira docemente uma mó.

Estão por ali alguns apetrechos indispensáveis à vida e à lida do moleiro e há depois ainda outra porta que não chega a abrir-se. E a mim dá-me inveja só de pensar ser ali um quarto onde se possa dormir ouvindo a água a cair embalando canções à mó e ao moleiro! Quando chego ao terreiro apresentam-me o livro de honra. Leio a acta onde se declara o júbilo do dia e a alegria de estarmos ali vendo a vida a girar. Já assinaram todos os representantes dos grupos, uns onze ou doze, e por fim, assino eu. Eis senão quando nos aparece, sorridente, o Dono da casa, o Sr. José.

Somos mais de cem e ele é um só. Mas os tempos são de paz e homem vem alegre, nunca tivera tantas visitas em casa duma vez só! É ele quem apõe a sua assinatura em último lugar como que validando um dia que valeu a pena. Paramento-me segundo as normas litúrgicas do dia. E, surpresa, mais uma!, dum cabeço vem descendo por um carreiro a Dona Maria da Luz com um macho pela mão, rapaz novo e forte, que ainda trabalha. Mais afeito à carroça que a ser levado pela arreata.

Ele que é burro mas sabe contar, vai, em deixando a dona, rodando a cabeça e sacudindo as orelhas com ligeiros puxões. Não, moscas ali não há. Mas há gente como moscas e eu estou seguro que nos vai contando um a um. Por cima do lombo deitam-lhe uma manta e para que fique parecido connosco, deitam-lhe também uma faixa do Carmo Jovem.

Assim sim! Somos todos criaturas de Deus, valha a verdade! Junto do burro postam-se dois moçoilos fortes com palmas nas mãos. O cenário compõe-se. Chega por fim uma cruz enorme de madeira, que, erguida, ganha presença e domina o terreiro. Seguram-na outros dois fortalhaços, mas para ser levada terão de levá-la, julgo eu, com o amparo de mais dois. Mas depois se verá. Começa a bênção dos ramos com um silêncio profundo para propiciar o melhor ambiente. Segue-se a bênção e a leitura do Santo Evangelho da entrada triunfante de Jesus em Jerusalém. Podemos caminhar em paz, diz o presidente da celebração e lá vamos. Primeiro a cruz, depois os jovens quatro a quatro, depois os ministros, por fim o Frei João que presidiu e ao lado a Dona Maria da Luz e o macho. Ele garboso, ela com pena. Ele garboso porque um seu antepassado teve a sorte de alombar com o Príncipe da Paz na sua entrada triunfante em Jerusalém; ela com pena, «porque toda a gente gosta de assistir à Missinha» e hoje não poderá fazer porque terá de devolver o macho em segurança a casa. (Mas descanse, Dona Maria da Luz, porque a organização já lhe conhece as penas e por isso providenciou segurança para o bicho e a si a possibilidade descansada para «ver a Missinha»!) Enquanto líamos o Santo Evangelho chegou uma carrinha branca Kangoo.

Abriram-se as portas e lá dentro brilham sacos grandes. Abrem o primeiro e a carrinha arranca lentamente e quatro mulheres espalham verdes por onde há-de passar a procissão! A carrinha ganha-nos avanço, a cruz arranca, a procissão organiza-se e estende-se, tudo se põe em marcha e até o macho pouco habituado a estas andanças colabora. Foram mais de dois quilómetros, primeiro a cantar e em júbilo, depois em silêncio e respeito. Os trolhas páram de trabalhar e descobrem a cabeça, o trânsito pára, as mulheres levam bebés nos carrinhos, os cafés desligam as televisões, e nas traseiras seguem bicicletas e silenciosas motorizadas levadas à mão. Belo. Belo e respeitoso. Ao chegarmos à Casa da Mãe, a Igreja de Nossa Senhora da Saúde, iniciámos a Eucaristia, uma bela Eucaristia que terminará duas horas depois. Preside o Frei João. Canta o grupo coral. Os representantes dos grupos sustentam palmas, os leitores são variados.

É a Eucaristia no Dia Mundial da Juventude, e também do Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor, dia contraditório e paradoxal, por ser dia da memória jubilosa da entrada festiva de Jesus em Jerusalém, mas também memória da sua paixão e seu martírio, às mãos iníquas dum discípulo traidor que se aliou às temerosas forças do poder para O assassinar! E logo Ele que era o melhor de nós!

Na homilia lembrámos os que sofrem, em cujo corpo campeia a dor e o sofrimento. Rezámos por eles e elas para que unidos à dor de Jesus sejam fortes e valentes no combate, tantas vezes horrível e desigual, que o sofrimento lhes propõe. Recordámos ainda a vida do jovem mártir zairense B. Isidoro Bakanja — amigo de Nossa Senhora, crente no Evangelho e discípulo de Jesus — que, porque jamais se envergonhou do Evangelho, morreu mártir perdoando a quem tão extemporaneamente lhe arrancara a vida, como quem arranca a cana de trigo antes da espiga crescer e amadurecer. E recordámos o discípulo que na noite da prisão de Jesus o acompanha embrulhado num lençol, mas que vendo-se denunciado e reconhecido abandona o lençol antes que lhe deitem mãos e foge nu! Não assim nós! Não queremos ser como este, Senhor! Não nós. E por fim a Eucaristia acabou com mil abraços e mil palmas e mil agradecimentos para quem se deslocou àquelas terras tão belas e não menos agradecimentos nem palmas nem abraços para quem tão bem soube acolher. A fé não se faz só. E se é certo que no fim do dia estávamos cansados, certo era também que mais amigos, mais irmãos, mais renovados, mais fortalecidos. Havia que regressar? Havia. Não era fácil, mas havia. Nos sacos havia ainda restos de comida para comer e partilhar. Porque o regresso era longo para alguns, logo ali se alimentou o corpo porque a alma já estava. Termine-se com a exclamação do salmista: Ó como é bom e agradável viverem os irmãos em harmonia! Em Moinhos da Gândara houve comunhão: a farinha que nos deram recordar-nos-á sempre os grãos imperfeitos que ainda somos, que só seremos completamente belos quando moídos na mó do moinho para que, juntos, reunidos e em enfarinhada comunhão, nos dermos como alimento uns aos outros! Termina cansada a crónica, porque foi isso que a Célita pediu. Mas o espírito, como ela bem sabe, estava renovado e retemperado. A carminhada de Moinhos da Gândara foi diferente, e ainda bem. Nada é igual a nada, e o que conta é o amor a Jesus e à Mãe. Sim o que fazemos é por amor a Jesus. É por amor a ti, Jesus! Fizemo-nos de novo à estrada, para o regresso, porque lá como aqui, alguns tinham uma noite de trabalho pela frente. E se queremos que a devoção não complique a obrigação é preciso fazer tudo certinho. Enquanto a carrinha comia quilómetros, o Dinis entretinha as hostes e eu dormitei. Comecei a aforrar sono para a próxima carminhada que se fará de noite, em Aveiro no dia 22 de Maio. E que por ser de noite se chamará clarminhada. Para ela virão aqueles que não se assustam nem com o susto nem com a noite. Até lá, abreijos! Páscoa feliz para os grupos de Alhadas, Esperança, Ferreira-a-Nova, Maiorca e Moinhos da Gândara (Figueira da Foz); Avessadas (Marco de Canaveses); Aveiro; Caíde de Rei (Lousada); Coimbra; Gafanha da Nazaré (Ílhavo); Matosinhos e Viana do Castelo!