sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Acampáki Júnior - 02. VIII. 2009

Era Domingo e o sol, desta vez, presenteou-nos com a sua presença. A rotina dos dias anteriores ajudou a que as tarefas da manhã acontecessem de forma muito organizada. Pois… é sempre assim, quando estamos a chegar ao fim é quando parece que estamos a começar a entrar no ritmo! (Alguns até já seriam capazes de lavar a louça a todas as refeições e tomar duche todos os dias em três minutos!)
(...)
http://acampakijr.blogspot.com/2009/08/acampaki-junior-02-viii-2009.html

Bento Amaral

"Apaixonado pela vida, Bento revela em tudo o que faz e diz uma profundidade, uma sensibilidade e uma alegria espantosas. A sua condição e a forma como transcende as suas limitações fazem dele um homem apaixonante. E foi tudo isto que prendeu a Carmo que, não tendo nenhum handicap, se apaixonou perdidamente pelo homem mais livre e mais inteiro que conheceu na vida e, com uma coragem e uma alegria invulgares, construiu para si e para ele uma felicidade que ainda agora começou mas já nos contagia a todos."
Este é um excerto da crónica de Laurinda Alves sobre Bento Amaral e Maria do Carmo. Podem ler a crónica na íntegra aqui.

Notas Finais VI – Um grande dia, um grande homem e um grande sarau

O Sábado chegou... avisando a chegada do fim-de-semana e a despedida. Mas este Sábado seria grande. Quando se chega a Sábado é certo e sabido que as estacas das tendas ganharam verdor, raízes e flores como a vara de São José. Que é como quem diz: todos querem ficar mais uma semana. Mas não é possível. A verdade é que estamos todos cansados porque embora o Acampáki seja para descansar, também é verdade que é um acampamento muito exigente, com regras e tarefas, com provas e estímulos que nos obrigam a saltar e a correr, a adivinhar e a cumprir. Tudo isto poderia ser chato mas não é, é vivo, atraente, acelerado, arrebatador nalguns momentos, irrequieto e quieto também. Enfim, cansa e dá saudades de casa. Por isso o Sábado é sempre grande: é o princípio do fim e o fim do princípio da chegada a casa e à vida comum em família. Estamos pois no Sábado.
Depois do acordar (sempre mais cedo que em nossas casas) veio o pequeno-almoço madrugador. Subimos ao Santuário da Senhora do Acampáki e começámos por louvar a Deus e rezar por todas as famílias: as boas e santas, as exitosas e felizes, as sofredoras e perdedoras, as que estão em ruptura e ferimentos profundos, por aquelas onde morreu o amor e a esperança e por aquelas que vivem prostradas e abatidas. Enfim, por todas. Seguiu-se um tempo livre para não andarmos sempre a toque-de-caixa. Esperava-nos o encontro com um novo professor, marcado para as onze horas. Haveria ser algo muito especial, por isso convinha chegar à Sala de Aulas sem stress. Um pouco antes da hora marcada chegou o nosso professor, o Eng.º Bento Amaral que veio acompanhado pela nossa professora, Maria do Carmo, sua esposa. O Bento, como quer que o tratem, é tetraplégico e muito falho de movimentos, por isso se a mulher o tirou do carro e o colocou na cadeira de rodas, nós, os alunos, levámo-lo para a Sala e acomodámo-lo para o ouvirmos. O resumo da aula está noutro lugar (http://carmojovem.blogspot.com/2009/08/pode-chegar-se-sem-coracao-ao-fim-do.html), mas faz muito sentido dizer aqui que não poderíamos achar melhor supedâneo para o Professor: terra atapetada de folhas de eucalipto e austrália, uma enorme rocha ao lado e o Santuário também, árvores altas e pássaros que por ali cantam, e alunos calados, vivos e atentos a seus pés. Foi uma aula inolvidável que dificilmente se repetirá no Acampáki. O sumário não foi registado, pois cada um o fez para si. Mas poderia ser mais ou menos assim: Nasceste para ser feliz e sê-lo-ás se te encontrares como homem ou mulher, ainda que as vicissitudes da história e da tua vida se revoltem contra ti. Porque te haverias de revoltar se tens forças para continuar e procurar mudar em ti o que está ao teu alcance? Se alguém de fora nos visse acharia muito estranho aquele magote de putos sentados num monte no meio das árvores, aos pés dum homem em cadeira de rodas. Pensaria que éramos tolinhos. E se isso o for, então o somos. Ali, porém, aprendíamos uma grande lição de vida e de fé, de amor à Igreja e a Jesus, de esperança e confiança nas forças humanas próprias e alheias, mas sobretudo em Deus e Nossa Senhora. Ali estava um homem quase só cabeça, mas um homem inteiro, que ama e que sofre, que reza e que canta, que pensa reflecte e trabalha, que investiga e sorri, que ouve com muita atenção e responde a tudo, é solidário e voluntário, é desportista olímpico e campeão, professor e provador de vinhos, apóstolo e orante, mestre e sempre aluno, marido, filho e irmão, um cidadão comprometido com o progresso da sua comunidade, apreciador do vinho, batatas fritas, bolo e melão da nossa mesa! Ah!, ali víamos um homem, onde muitos um farrapo! Raramente se está perante um homem inteiro como naquela manhã esteve o Carmo Jovem! (Que privilégio!) Ali estava um homem completo, porque precisa dos outros para quase tudo! O almoço foi ao ar livre, debaixo da ramada. A mesa foi colocada estrategicamente ao comprido para facilitar o acesso aos nossos convidados, Bento e Maria do Carmo... e foi bom estar à mesa assim! Foi um encontro diferente: uma refeição quase eucarística, diga-se! A tarde foi de preparação do Sarau da Noite. (Não se dizia atrás que o Acampáki é exigente?) E cada Aldeia arregaçou as mangas da imaginação e buscou a maior criatividade... no segredo. O levantar da cortina seria só à noite. E como é interessante ver que todos já perceberam a regras do jogo: dar o melhor para chupar até ao tutano o melhor do Acampáki: a alegria, a festa e a amizade vividas em comunidade! E assim foi. Depois do jantar (bom como sempre que nem parece de Acampáki!) preparámos o espaço: o nosso Royal Albert Hall com red carpet e tudo e equipámo-nos com os nossos melhores fatos: os saco-cama, e lá fomos para a plateia (porque nos camarotes estavam desde há muito as estrelas do firmamento!)... A Ana Lúcia de São João da Cruz apresentou o Sarau (a nossa apresentadora oficial tinha outro show agendado, mas não de gala nem em sala tão bela!). Apresentou-o bem, aqueceu o ambiente e animou as tropas. E as Aldeias lá foram apresentando os seus números: uns com originalidade e outros com muita. E no à-vontade igual! Começámos pela aldeia do Casal Martin que apresentou os patronos da sua aldeia e fez, com recurso a um vídeo, uma retrospectiva das actividades do Carmo Jovem. Levou os aaacampákis a recordarem momentos vividos de forma intensa e feliz. Seguiu-se a aldeia de Santa Teresinha que criou um hino do AAAcampáki que alegrou os espectadores. Posteriormente, actuou a aldeia de S. João da Cruz, que nos prendou com a segunda edição da TV ACAMPÁKI. E tivemos Preço Certo em Euros, notícias e muito mais... e fizeram reportagem de todas as cenas mais excêntricas e caricatas deste nosso acampamento. O sarau prosseguiu com a apresentação do Amigo Secreto. Para uns foi a confirmação de quem lhes escreveu, para outros foi a surpresa total. E foi o abraço-secreto e a foto!!!! Voltámos às apresentações dos grupos e seguiu-se a aldeia de Santa Teresa que nos trouxe, juntamente com a Nandinha e a Elsa, um número musical com os seus músicos e belos cantores!!! Faltava a aldeia de Isidoro Bakanja que dramatizou de alguns momentos mais burlescos de alguns dos aaacampákis, nos quais aparecia Isidoro Bakanja a harmonizar os ânimos. Por último, subiram à cena os bosses que nos trouxeram o “Diz que é uma espécie de AAAcampáki”. E os quatro gatos (na verdade, duas eram gatas) dançaram, beberam chá, mostraram vários sketches “gravados”, tesourinhos deprimentes do CJ e cantaram a “Tendinha” dos Xutos & Pontapés. E terminou o Sarau. Terminou tão de noite que já era outro dia. Por isso (confessamos o nosso erro!) fomos para a tenda sem a oração em comum. Amanhã que já é hoje promete ser um grande dia e de muita oração também. Ficamos perdoados? Até amanhã.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Oração pelas férias

Dá-nos, Senhor, depois de todas as fadigas um tempo verdadeiro de paz. Dá-nos, depois de tantas palavras o dom do silêncio que purifica e recria. Dá-nos, depois das insatisfações que travam a alegria como um barco nítido. Dá-nos, a possibilidade de viver sem pressa, deslumbrados com a surpresa que os dias trazem pela mão. Dá-nos a capacidade de viver de olhos abertos, de viver intensamente. Dá-nos de novo a graça do canto, do assobio que imita a felicidade aérea dos pássaros, das imagens reencontradas, do riso partilhado. Dá-nos a força de impedir que a dura necessidade esmague em nós o desejo e a espuma branca dos sonhos se dissipe. Faz-nos peregrinos que no visível escutam a melodia secreta do invisível.
José Tolentino Mendonça

«Tesourinhos» do Carmo Jovem

Decorria o ano de 2002, em pleno mês de Agosto, quando se realizou o I Encontro Ibérico dos jovens carmelitas. Segóvia, junto ao sepulcro de São João da Cruz foi o lugar escolhido. Tudo chegou e tudo passou… partilhamos o nosso ser jovem com outros jovens que viviam a espiritualidade carmelita. O tema deste encontro: «Junto à fonte de São João da Cruz». A vida é este carminhar e neste carminho jovem e carmelita estamos todos chamados a conhecer e a aprofundar a espiritualidade deste jardim que é o Carmo, somos convidados a alcançar a meta… hoje recordamos e partilhamos estes salutares momentos… Não encontres o Hally… encontra o Frei João, o Ricardo Luís, a Maria João Brito, a Verónica Parente, o Luís Correia, a Paula Ferreira, o Carlos Carvalheira, o Nuno Óscar, Carlos Araújo, Andreia e muitos outros amigos… como estamos diferentes…

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Notas Finais V – Dia do Perdão

Os dias e as noites continuam felizes por Deão: Deus e os aaacampákis apreciaram e viram que tudo era bom. Ao som da música, todos se levantam de rompante. Vá, todos começam a pensar levantar-se!!!
As rotinas estão absorvidas e tudo corre sobre carris. É a vantagem das rotinas. Apesar de tudo um novo dia é um dia novo, portador de novidades e de oportunidades de crescimento e aprendizagem. Como veremos. Como viveremos. Nesta sexta-feira, depois do pequeno-almoço, rezámos pelos Missionários e preparámo-nos de seguida para receber a nossa professora: a Marta Carvalho, psicóloga, mestranda em Ciências Religiosas e estudiosa da música, do violino e do canto lírico desde os seis anos. Esta chegou e trouxe-nos também a sua irmã, a Ana. São naturais e vivem em Barcelos; ambas invisuais, sobretudo a Marta que começou a cegar no fim do Secundário. A crónica poderá ser vista noutro lugar do blog (http://carmojovem.blogspot.com/2009/08/caminhar-e-nao-desistir-de-caminhar.html) Com palavras simples e sentidas que a todos tocaram a Marta partilhou connosco a sua vida e os seus sentimentos, a sua fé e a busca que faz em Igreja, as suas dúvidas e anseios, a sua solidão e a necessidade que sente de ter uma comunidade que a acolha e a faça crescer no amor; partilhou em especial aqueles sentimentos que lhe surgiram a partir do momento em que o seu problema visual aumentou. Falou-nos da sua falta de autonomia, da sua necessidade de amigos, da sua alegria em partilhar a sua vida, na sua vontade de viver... isto sem nunca, nunca desistir. E depois das palmas e das prendas ficaram connosco, em comunidade, partilhando sorrisos e cânticos, a refeição e oração e o carinho que lhes dispensámos. A parte da tarde foi para a Festa do Perdão e juntaram-se a nós os sacerdotes Pe. Agostinho Castro, Superior do Carmo de Braga donde alguns de nós procedemos e também membro da Comissão da Pastoral Juvenil da Ordem, e Pe. Joaquim Maciel, do Carmo de Viana do Castelo. A eles o nosso muito obrigado. A Festa, que é como quem diz, as confissões correram bem. Cada aaacampáki acorreu à confissão na alegria de sentir acolhido tal como é e de ser abraçado e perdoado pelo Pai. Rezámos e cantámos muito, enquanto as confissões decorreram. Foi uma tarde inteira, porque alguns nunca mais se calavam (e ainda dizem que os Padres falam muito!) Depois desta alegria, seguiu-se a piscina e o divertimento que lhe é intrínseco. A alegria atrai alegria, como é óbvio! O divertimento continuou nesta sexta-feira. Claro que nem tudo é divertir. Existe a Hora M, que é a hora do Chefe Costa e dos Chefes das aldeias e que eles cumprem como mandam as melhores Leis da Sapatilha; existe a Hora da Descasca, dedicada à batata; a Hora do talher, em que temos de varrer, cuidar e alindar o Refeitório como se fora para um casamento duma Princesa; e se o chefe se lembra inventa uma beata no chão…; e há a Hora do Silêncio; e a de preparar algo mais, ou isto e aquilo. Enfim, quase se pode dizer que existiu muito divertimento, sim, mas também muito compromisso e responsabilidade e que estes são pilares sólidos para o bom convívio comunitário carmelitano do AAAcampáki. Por isso: Alegria, sim; muito trabalho também. Fora isso, alegria, alegria que o Acampáki está a terminar e vai de dar mais um biracu na piscina. E chegou o jantar e jantámos. A comida era boa e todos comeram com um apetite de náufragos. Daquele apetite que assusta uma cozinheira habilitada a salvamentos de última hora, a recursos inesperados e a soluções in extremis. Enfim, terminado o jantar bem comido e melhor regado a água deslavada em Sunquik, alguém perguntou: E será que ainda temos fome para logo? Logo era o After-hours, um tempo quase para lá do tempo, em que nos dedicamos a saltar, a correr, a bailar e a arremedar ao som da música e do ondular da poeira do terreiro. Foi pela noite dentro, depois das 22:00h até às 23:00; ou um pouco mais além, valha a verdade, que no dia seguinte ainda tínhamos professores de gabarito para receber e ouvir!!!! O Diogo Limões é o DJ e os restantes abanámos o capacete como quase-doidos varridos (que são os que estão por varrer completamente!), ou melhor, como aaacampákis que querem atrasar o tempo impedindo que passe e o Acampáki termine. E há que dizer que esse-para- -além-do-tempo foi um tempo de alegria e abraços pela noite dentro. E há também que dizer, que alguns têm o capacete bem duro e pesado que é de fugir. Outros como o Frei João encostaram o capacete ao travesseiro queixando-se de constipação, mas o que ele não sabe mesmo é abaná-lo. E outros ainda abanam como se fosse essa a profissão de todos os dias, e se calhar será porque treino também é obrigação de profissional. E quando chegou a hora dos Patinhos, que sempre chega: Plim! Plim, vamos para os sacos onde esticamos o esqueleto e arrumamos o molho d’ossos. Alguns adormecem logo, deixando conversas a meio que retomam depois de passar pelas brasas sem que ninguém lhes pergunte nada. (Famoso ficou aquele que tendo adormecido a meio duma conversa, acordou quando sentiu um ronco mais alto. E como antes conversava e digitava SMS logo se pôs a concluir (sem olhar e a dormir, claro) a que faltava enviar e fora interrompida pela cortina do sono que entretanto caíra.) Sinais dos tempos. Bem, vamos dormir. E a crónica também. O dia de amanhã será longo, mas o fim do AAAcampáki é já ali.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Por que cabe o Carmo Jovem no seu coração?

O Carmelo é o coração!
Professores: D. Alice e Nuno Montargil Secretária: Cristiane Macedo, 17 anos, Aldeia de Isidoro Bakanja Foi cantando o cântico espiritual de S. João da Cruz, que recebemos alegremente a madrinha do Carmo Jovem, a D. Alice Montargil. Logo a sua energia e vivacidade nos começava a contagiar e a preparar o nosso espírito para uma aula que tinha como tema a questão: “Por que cabe o Carmo Jovem no seu coração?”. Começámos então por conhecer um pouco da sua vida para percebermos como foi deixando espaço no seu coração para Ele. Nascida em Coimbra, mudou-se para Lisboa aos 9 anos. Estudou Ciências até ao antigo 7.º ano, contudo não continuou os estudos pois não aceitavam mulheres no curso de Teologia. Iniciou o seu percurso como catequista aos 17 anos na paróquia de Nossa Senhora de Fátima, na qual também fez parte do secretariado. Desde nova tinha um espírito exigente e tenta passar essa mensagem a todos os que ama. Quando se tratou de escolher o marido escolheu aquele que ainda hoje se mantém a seu lado, feliz, acompanhando-a sempre há já 46 anos. Foi viver para as Alhadas, Figueira da Foz. Mais uma paróquia que precisava de ser animada e dinamizada. Assim começou as equipas de casais e os cursos de cristandade na Figueira. Activa onde quer que esteja, mas sempre com a família em primeiro lugar. E assim foi referindo que a sua vida tem sido vivida em comunidade. E só em comunidade nos sentimos realizados e felizes, pois sozinhos não somos nada. Sozinhos não podemos amar o próximo, não podemos crescer no Amor. É necessário mobilizar os jovens, pois são eles que têm força para lutar e agarrar o amanhã. Quando se refere a filhos diz: “Deus não me deu um filho… deu-me muitos!”, “Quando uma mulher engravida, no princípio, já tem o filho dentro de si e ainda não sabe. Comigo aconteceu o mesmo: fiquei grávida do Carmo Jovem e quando vos conheci, apaixonei-me! Eu amo-vos porque sou amada!”. Ainda antes de nos conhecer, entrou para o Carmelo Secular de Coimbra e explicou-nos quem eram os carmelitas seculares: leigos que procuram viver fielmente a sua vocação de baptizados, pondo em prática o Evangelho com a ajuda da espiritualidade carmelita, constituindo-se em pequenas fraternidades. Justificando-se dizia: “A espiritualidade carmelita é a forma para o meu pé. Não queria deixar essa espiritualidade só para mim.”. E assim confirma-nos que há muita alegria onde há muita espiritualidade, algo que nós começamos a experimentar agora, neste início de vida. E neste carminho construímos a nossa personalidade. Como dizia a nossa madrinha: “…o núcleo da personalidade está no coração. E como comunidade vocês têm-me dado muito! É muito bom viver em comunidade.”. E ainda bem que assim é, visto que recebemos e aprendemos muito com a nossa madrinha. Afinal, uma madrinha orienta parte do carminho dos afilhados! E que alma esta que se impressiona com a nossa generosidade e paciência: diz-nos que quando fomos de propósito às Alhadas durante a peregrinação a Fátima, já estava grávida de nós. Quando nos viu a ir embora, sentiu o coração cheio de ternura, estava a viajar connosco internamente. Apaixonou-se completamente por nós, amou o Carmo Jovem. Revela-nos ainda que quando fizemos a carminhada em Alhadas teve aquela reacção “a minha alma está parva!” porque ficou surpreendida ao ver tanta gente! Então aproveitou para nos deixar uma homenagem. No entanto também se sente desafiada por nós: pela nossa radicalidade, entusiasmo e abertura aos outros. Pois as coisas são verdadeiras se são por dentro! Expressava com emoção: “Somos almas criadas para a grandeza!” e diz ainda que continuará em actividade quando entrar no céu: “O céu não é uma pasmaceira! Há sempre actividade. A Trindade é uma dinâmica.”. No final desta conferência tão enriquecedora a nossa madrinha deixa-nos a resposta à questão que constituía o tema: a espiritualidade carmelita é a solução para o mundo de hoje, onde faltam os afectos. Nós devemos comunicar alegria, amor, amizade. Nós somos o futuro! O Carmelo é o coração! E como dizia Santa Teresinha “Quero passar o meu Céu fazendo bem na terra”.

Carituras de Acampakids

Logo na primeira noite do Acampáki Júnior, fomos convidados a olhar para nós próprios e tentar fazer a nossa caricatura. Aqui fica partilhado um pouco de cada um! http://acampakijr.blogspot.com/2009/08/caricaturas-dos-acampakids.html

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Notas finais IV – A madrinha esteve com os jovens!!!!

Quinta-feira: haverá melhor acordar do que no centro da natureza, dentro do pomar com o bosque por perto, um sol que sorri brilhantemente e uma piscina azul ao lado? Tomámos o pequeno-almoço e subimos ao monte para rezarmos pelos “jovens em noite escura”. Depois da oração de Laudes, passámos para a nossa Sala de Aulas e já chegavam os nossos professores: Alice e Nuno Montargil. E como foi bom tê-los connosco e sentir a alegria de também estarem connosco!!! A Alice falou-nos do amor que tem pelo Carmo Jovem e de como ficou “grávida” do Movimento! Os jovens são para ela seus filhos... trata-nos como tal e nós sentimos tudo isso nas suas palavras e no brilho dos seus olhos. A madrinha do Carmo Jovem partilhou connosco muito mais histórias de vida... e é delicioso ouvir essas histórias porque encerram uma experiência, uma verdade e uma sabedoria profundas verdadeiras. E é muito belo ver o Nuno como companheiro de silêncio. Depois do almoço, a tarde foi dedicada ao desporto. E o futebol também aqui foi desporto-rei. Quem deu o pontapé de saída foi a madrinha, que a nossa Taça – Ricardvs Cup - tem classe!!! Obrigado, madrinha! As equipas foram escolhidas pelo David (treinador principal) e pelo Jorge... e começou a Taça!!! Foi ver golos de todas as formas e feitios: classe pura, pois claro. Isto, muito embora faltasse o Frei João (a cargo do departamento médico) e o Ricardo (a assinar por outro clube, o Castellón). É verdade que faltaram as grande estrelas das últimas épocas, mas não falharam as artes dos novos artistas! Os jogos foram muito equilibrados! Tanto que a Sté perdeu as folhas com os resultados (vamos fazer de conta que foi assim, certo Sté?). Mas, como era preciso um vencedor, recorreu-se à tradição para a atribuição da Taça! E, surpresa das surpresas, ganhou a equipa do Coordenador (Apesar de ter um jogador a menos em grande parte dos jogos e de ter perdido todos os jogos. Há coisas fantásticas não há?). No final, comemorámos na piscina a vitória de todos. A hora de silêncio (como em quase toda a semana) ficou para um pouco mais à tardinha. No final do jantar, foi o Karaoke... que é sempre um momento brilhante, se bem que este ano tínhamos o nosso Pedro Abrunhosa (não é Bessa????) e não é que ele encanta???? Já cantar não será tanto, mas tínhamos as meninas que lá compunham a grande afinação dos rapazes!!! Não sabemos como aguentaram os vizinhos!!! Devem ser pacientes!

"No Carmo Jovem sinto-me em casa"

Professora: Vera Pinto Secretárias: Cristiana Santos, 13 anos; Daniela Simões, 14 anos; Joana Filipa Silva Gonçalves, 14 anos; Aldeia do B. Isidoro Bakanja. A Vera faz parte do Carmo jovem há cerca de 14 anos. (...) http://acampakijr.blogspot.com/2009/08/no-carmo-jovem-sinto-me-em-casa.html

Remamos para o mesmo lado

Professores: Rui, João, Ricardo, Cláudia, Ana, Rui, atletas e membros do Clube Náutico de Viana do Castelo. Secretátia: Cindy Monteiro, 14 anos, Aldeia de Santa Teresa de Jesus. No Acampáki Júnior tivemos a visita e o testemunho de uns atletas do Clube Náutico de Viana do Castelo. (...) http://acampakijr.blogspot.com/2009/08/remamos-todos-para-o-mesmo-lado.html

domingo, 16 de agosto de 2009

XX Domingo do Tempo Comum

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João [Jo 6, 51-58]
Naquele tempo, disse Jesus à multidão: «Eu sou o pão vivo que desceu do Céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que Eu hei-de dar é minha carne,que Eu darei pela vida do mundo».Os judeus discutiam entre si:«Como pode Ele dar-nos a sua carne a comer?»E Jesus disse-lhes:«Em verdade, em verdade vos digo:Se não comerdes a carne do Filho do homeme não beberdes o seu sangue,não tereis a vida em vós.Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna;e Eu o ressuscitarei no último dia. A minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida.Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em Mim e Eu nele. Assim como o Pai, que vive, Me enviou e Eu vivo pelo Pai, também aquele que Me come viverá por Mim. Este é o pão que desceu do Céu;não é como o dos vossos pais, que o comeram e morreram:quem comer deste pão viverá eternamente».

Acampáki Júnior - 01. VIII. 2009

A manhã acordou os acampakids com a chuva a cair ritmada nas tendas. Eram oito horas e não apetecia mesmo nada sair do quentinho, por isso mais uma vez tivemos que recorrer à buzina que cada dia nos era mais familiar, quase música para os nossos ouvidos :) Não?!?!
(...) http://acampakijr.blogspot.com/

sábado, 15 de agosto de 2009

Assunção de Nossa Senhora

Que a Rainha do Céu, que tanto amamos, continue a acompanhar como Mãe solícita o caminho terreno de cada um de nós, seus filhos, e a todos nos recorde a meta gloriosa, onde Ela nos precedeu e nos espera.

Caminhar é não desistir de caminhar!

“Não nos bastamos a nós próprios.”
Professora: Marta Carvalho Secretária: Ana Lúcia Magalhães, 18 anos, Aldeia de São João da Cruz Os alunos do AAAcampáki receberam de braços abertos a Marta que, acompanhada pela sua irmã, a Ana, nos revelou que caminhar é não desistir de caminhar. A Marta tem 35 anos e é natural de Lama, Barcelos. É licenciada em Psicologia pela Universidade do Minho, trabalha no GASC (Grupo Acção Social Cristã) e, paralelamente, está a tirar mestrado em Ciências Religiosas na Faculdade de Teologia, em Braga. Aprendeu a tocar violino; hoje estuda Canto Lírico. Esteve sempre ligada a movimentos da Igreja. Este percurso poderia ser de qualquer pessoa, no entanto, estamos a falar na Marta Carvalho. A Marta tem um problema de visão, que começou a agravar-se a partir dos 18 anos. Agravou-se de tal forma que ficou dependente dos olhos dos outros para a guiarem. Apesar das dificuldades visuais, ingressou no ensino superior, na Universidade do Minho e lá estudou Psicologia durante cinco anos. Foi quando deixou a música que tinha iniciado com 12 anos. Neste período expôs os seus medos. Foi morar para um lar e a amizade com as colegas que lá habitavam também, ajudou-a bastante. Após este período, o regresso a Barcelos não foi muito bom. Deixou as amigas em Braga e em Barcelos já não tinha muitos amigos. Em casa, sentia-se só: “Eu não nasci para estar sozinha”. Apesar desta fase menos boa, a Marta nunca desistiu dos seus objectivos. Sempre lutou para chegar a pessoas, lugares… “Parados não pomos a render aquilo que somos”, deixou-nos uma mensagem de força: “Sempre que encontrarem obstáculos, lutem. Não se fechem em casa!” Encontrou a sua harmonia espiritual num grupo de jovens franciscanos de Barcelos. O convívio, a partilha com as outras pessoas, com os mesmos ideais cristãos foi óptimo para o seu progresso. Falava com Deus e o que mais Lhe pedia era companhia. Queria partilhar a sua pessoa, a sua existência, a sua vida, a sua voz, porque “Não nos bastamos a nós próprios. Não nos podemos deixar estar dentro da nossa concha. Devemos abri-la aos outros, dar um bocadinho de nós e deixarmo-nos de conformismos. Pode ser o caminho mais fácil, mas não é o melhor”. E foi esta necessidade de Deus que a levou a estudar Ciências Religiosas. Como invisual, a Marta sente algumas dificuldades no seu dia-a-dia. Alertou para a necessidade da criação de etiquetas da roupa com Braille, de rótulos para os produtos alimentares e para os produtos de limpeza. Tudo o que é digital é pior para os cegos, e o que é adaptado para eles, normalmente, é muito dispendioso. Confessou-nos que adora ler e que a sua maior alegria era ter alguém que a acompanhasse a uma livraria e que lhe lesse os títulos dos livros que vê como vultos. É ‘interneteira’, e foi por essa razão que a Marta, numa das pesquisas sobre Santa Teresa de Jesus, encontrou, a conselho de uma amiga, o blogue do Carmo Jovem. Ficou fascinada com o Movimento e enviou um e-mail a pedir mais informações sobre nós. Disse quem era e revelou a sua frase favorita de Santa Teresa: “Nada te perturbe, nada te espante, só Deus basta”. Nessa manhã de 7 de Agosto, envolvidos pela frágil melodia do violino onde repousavam suavemente as mãos da Marta, que tudo vêem, ficámos com o testemunho de uma jovem, que apesar do seu problema, viveu com amor e de forma intensa cada episódio da sua vida, porque abriu os olhos do seu coração.