terça-feira, 8 de dezembro de 2009

São João da Cruz | Dia 4

Maria, alegremo-nos contigo!

Maria, mulher peregrina da fé…

que procuras-te os vestígios de Deus no meio de densa luz,

a força do Espírito Santo em ti resplandeceu

e o verbo de Deus em ti germinou!

Oh! Projecto de Deus amado, de coração imaculado,

ensinai-nos a escutar a Verdade, aumentai a nossa fé,

e fazei-nos portadores dos caminhos da esperança

no meio da humanidade!

Oh! Resplendorosa flor do Carmelo,

aplanai a nossa alma, enchei-a de decidida força,

para que saibamos esperar-vos e entregarmo-nos

na via de imensurável formosura que atrai o coração do Homem…

Oh! Cheia de misericórdia, mulher de sublime amor.

Alegremo-nos contigo, Maria!

Ponhamo-nos a caminhar, neste terno tempo litúrgico!

Ámen.

III ENTREFITAS - MOINHOS DA GÂNDARA - 12|DEZ|09

Somos mais felizes…enquanto raça humana? Será que o mundo é basicamente melhor…devido à ciência e à tecnologia? Fazemos compras ao domicílio e navegamos na Web…mas ao mesmo tempo sentimo-nos mais vazios…mais isolados uns dos outros, do que em qualquer outra época da história humana. Tornamo-nos uma sociedade artificial…
- Contacto -
Premiações: Recebeu uma indicação ao Óscar de Melhor Som;
Recebeu uma indicação ao Globo de Ouro, Melhor Actriz em Drama, Jodie Foster
Moinhos da Gândara
12/Dez/09

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Crónica de um serviço

Trrrimmmmmmmmm…
Assim começava a aventura. Era a Madrinha Alice ao telefone a perguntar a minha disponibilidade para me deslocar até Guadalupe, Alhadas, Figueira da Foz, no fim-de-semana 4 a 6 de Dezembro. Disponibilidade para dar o meu testemunho de como fui chamada à missão e o que significa para mim: «Ser Jovem para servir». Eis os temas que congregariam um pequeno grupo de jovens acólitos, familiares e amigos em Alhadas neste encontro. Encontro organizado pelo André e pela Mariana, jovens com um enorme coração para caminhar e servir. (De futuro também os veremos nas actividades do Movimento Carmo Jovem).
Sexta-feira, 4 de Dezembro
Depois das tarefas distribuídas e do encontro organizado em trocas de e-mails e alguns telefonemas eis-me a caminho para servir… Cheguei a Alhadas pelas 19h30 do dia 4 de Dezembro. Esperava-me a Alice e o Nuno. Após o jantar, eis-nos a caminho da capela de Nossa Senhora da Guadalupe. Longe estava de pensar a familiaridade que me uniria àquelas gentes. 21h, o André encontrava-se no exterior da capela a (re)organizar tudo com muito gosto e requinte. Ninguém tinha ainda chegado. Pouco a pouco reunimo-nos naquele espaço de enorme simplicidade e beleza. A noite estava fria, a chuva cai… e nós? Nós, refugiávamos aos pés da Mãe. Após estarmos reunidos, aconchegados, foi o momento das apresentações e de darmos testemunho de como fomos chamados à missão: A Alice Montargil, o meu, o do Padre Pedro (pároco de Alhadas), e da catequista do André. No fim acabaríamos todos por falar e testemunhar. As horas passam depressa, depressa chega a Meia-noite! Terminaríamos fazendo uma breve oração, partilhando umas fatias de bolo e bebendo um sumo.
Sábado, 5 de Dezembro
A manhã iniciou às 9h, na Capela. Após a apresentação fui convidada a iniciar o tema: «Ser jovem para servir». Como está ainda fresco na memória o Ano Paulino, iniciei a minha apresentação com uma música de Sara Tavares: Escolhas. Canção extraída da Bíblia. Onde é citado o Apóstolo São Paulo. Pouco a pouco, com quadros sucessivos guarnecidos com os Santos Carmelitas ia desfolhando a Sagrada Escritura. A Palavra de Deus ecoou em quantos se esforçaram para me ouvir com ouvidos capazes de escutar: «Não seja assim entre vós. Pelo contrário, quem entre vós quiser fazer-se grande, seja o vosso servo; e quem no meio de vós quiser ser o primeiro, seja vosso servo. Também o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida para resgatar a multidão.» (Mt 20, 26, 27). Para além dos novos amigos lá encontrei a Teresa Romeiro e a Sofia Simões de Moinhos da Gândara (da Coordenação do Movimento Carmo Jovem). Depois da escuta surgiram as perguntas, intercaladas com testemunhos de realidades actuais. Demos lugar à Sissi, uma outra jovem missionária da Consolata que nos falou da sua experiência em terras de missão. Fazíamos um compasso de espera e bebíamos da «fonte que mana e corre». Eucaristia, expressão máxima da festa, pois do sacrifício parte a ressurreição. Resplandecia o crucifixo no cortejo de entrada. Ouvíamos as palavras do padre Pedro que incentivava a nunca desistir de caminhar, a nunca perder a esperança de evangelizar e de propagar a certeza do viver n'Ele. Aqui está o serviço, aqui reside o nosso ser jovem, servindo a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo. Partimos por fim para o almoço, para nos reunirmos novamente pelas 15h para ouvirmos e o Dr. Jorge Biscaia e debatermos: a eutanásia. Após o jantar, regressávamos… Eis o momento da vigília. Eis o momento dos amigos se reunirem numa noite de luz, noite de vida. Fomos convidados a parar e a permanecermos na presença «de Quem sabemos que nos ama». Fizemos silêncio, tranquilizamos o muito que trazíamos dentro de nós… Terminada a vigília, eis um convite: caça ao tesouro. Caça ao tesouro? A esta hora? E o frio? E a chuva? E as lanternas? Eram 22h30, quando partimos em grupos para a aventura dos caminhos nocturnos. Partimos para descobrir, posto a posto um dos maiores tesouros: a juventude. Eis o tesouro encontrado. O dia ia bem longo quando as luzes se apagaram para descansarmos…
Domingo, 6 de Dezembro
Desta vez o despertador foi a chuva: como chovia! Ainda assim, ninguém teve preguiça! Um após outro chegámos à igreja matriz de Alhadas para ouvirmos a explicação da Madrinha Alice sobre aquele templo. Ao bater das 12h00 nos sinos todos os grupos paroquiais se congregam na Igreja: grupo de catequese, grupo dos acólitos, escutistas, comunidade em geral. Todos nos seus lugares para participar na Eucaristia, muito alegre e vivida. Todos fazíamos festa. Em nossos corações cantava-se a alegria. Acima dos nossos interesses pessoais colocávamos o mandato de Cristo – o de anunciar o Evangelho. Em silêncio, concluía em mim que só pode anunciar quem O conhece e quem O vive; e Ele é exigente, mas paga «cem por um» e neste fim-de-semana tinha nesta Eucaristia a certeza que fui (fomos) largamente compensados! A refeição aproximava-nos e trazia ao de cima a unidade fraterna. (Perguntavam-me: então este ano o Movimento não passa por cá na peregrinação a Fátima?). Após o almoço no Centro de Alhadas, partimos para a Capela de Guadalupe para encerrar o encontro. As palavras do André foram guarnecidas pela alegria que trazia em si. O seu coração estava cheio, a transbordar. Nesta tarde a fé enchia-nos. A Teresa Romeiro, entregava ao André a faixa do Movimento Carmo Jovem, convidando-o a caminhar com o Movimento nas próximas actividades… Muitas palavras se disseram, muitas se calaram em nós… É bom partilhar tarefas e anseios na promoção do verdadeiro Amor. A gotinha do Movimento jorrava no olhar de quem ainda não o conhece bem. O tempo faz-se pouco, a festa continuou num lanche, eu tinha que regressar, o tempo chuvoso continuava… No caminho de regresso não deixei de encontrar lugar para continuar o diálogo. Durante o percurso, a chuva era cada vez mais intensa, estava a ser inundada e recordava o padre Hermann Cohen: «fui inundado de graças durante o tempo de silêncio». Cheguei a Viana pelas 19h30 e continuava a chover; eram mensagens dos jovens, de novos amigos encontrados, de amigos (re)conhecidos… Todos estamos de parabéns! Obrigada a todos por todos os esforços, alegria e amor a Jesus e à sua Igreja! Que continuemos a dar aos outros: quanto mais dermos mais receberemos. Devemos sentir-nos orgulhosos do nosso contributo. Sem sacrifício nada se faz, mas com boa vontade tudo se consegue. Não nos esqueçamos que o que torna a Igreja actual é a santidade dos seus membros pela união ao Senhor. Somos nós. Sou eu, és tu… A semente foi lançada e semeada. A possibilidade de deixar que cresça está em cada um de nós... André, Mariana, Helena, Hugo, Bruno, Joana… Nós esperamos por vós. Ele espera por vós!... Ele chama-vos a servirdes a Sua grande família que é a Igreja. E por fim termino como terminou a vigília de oração: «A alma que anda em amor não cansa nem se cansa».
Não vos canseis nunca!
Até breve.
Verónica Parente, apóstola por (mais) um dia

São João da Cruz | Dia 3

III ENTREFITAS - MOINHOS DA GÂNDARA - 12|DEZ|09

"CONTACTO"
um filme de Robert Zemeckis
Actores: Jodie Foster; Matthew McConaughey; Tom Skerritt; Jena Malone; David Morse.
MOINHOS DA GÂNDARA - 12/DEZ/09

domingo, 6 de dezembro de 2009

São João da Cruz | Dia 2

Um (re)conto...

Durante o Kerit, um dos temas que foi abordado, foi o do Perdão. Entre muitas outras coisas, o Frei Vasco partilhou connosco este pequeno conto que agora é postado, para que outros possam também ler e reflectir.
Conto-vos uma história:
«Em certa ocasião, um jovem de uma aldeia teve que viajar até à capital. Enquanto ia em grupo, e sem ele se dar conta, alguém tirou-lhe o mais valioso que tinha: um relógio que seu pai lhe havia oferecido com muito sacrifício antes de morrer. Quando se deu conta, o seu coração encheu-se de uma grande amargura e sentiu um profundo ódio pelo desconhecido que lhe tinha tirado o seu valioso tesouro.
A partir desse momento, os seus pensamentos centraram-se no anónimo ladrão. Pensava nele dia e noite, odiava-o com todo o seu coração, e o seu rancor crescia cada vez que tinha de ver a hora no outro relógio mais pequeno que agora usava. Havia noites em que não dormia de raiva e de impotência. Tornou-se irritadiço e iracundo com a sua própria família. Até que um dia, angustiado por tanto ressentimento, fez esta oração:
«Senhor, já não posso continuar assim. Por isso quero perdoar a esse ladrão que levou o meu relógio. Mais ainda: quero oferecer-lhe o meu relógio. De tal modo que, quando esse ladrão morrer, Tu não o julgues por este roubo, porque não houve roubo nenhum. Eu já lhe ofereci o meu relógio».
A partir desse dia, o jovem foi feliz. Recuperou a alegria que durante meses tinha perdido, porque não voltou a trazer à sua memória aquele facto torturante. E desde então pôde viver em paz».
(Autor anónimo)
Conclusão: Perdoar é sacudir da mão uma brasa acesa, em que pegamos estupidamente nalgum momento da vida, e que nos queima e nos tira a vontade de viver. Pelo contrário, a falta de perdão é capaz de nos deixar doentes, envenenar-nos e tornar-nos maus.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

III ENTREFITAS - MOINHOS DA GÂNDARA 12|DEZ|09

Foi no I Kerit

Vivemos mais uma actividade do Carmo Jovem. Com muita alegria. Com muitas amizade. Felizmente nem tudo é igual, pelo que se umas vezes caminhamos e cansamos, outras vezes paramos e descansamos junto do Mestre. Foi o que fizemos. Com muito gosto. Num fim de semana intenso. Um ano depois doutro intenso Kerit. E para o confirmar houve carta do Ricardo Luis
+
Às Gotinhas do Carmo Jovem em Kerit.
Jesus.
A graça do Espírito Santo esteja com os Gotinhas e com todo o Carmo Jovem.

Há um ano atrás estava no meio de vós. O meu coração trazia o Carmo Jovem no coração mas outros carminhos chamavam-me, a Vida Religiosa. No final do I Kerit o Frei João convidou-me a falar. Entre vós, pensava-se, vamos ter segunda homilia! Foi então o momento de partilhar convosco aquilo que seria a partir de Janeiro seguinte o meu novo carminho, a minha opção de vida: a entrada na Ordem dos Carmelitas Descalços. Um ano passou, e depois de ter estado, entre Janeiro e Agosto, no local onde vos encontrais neste momento, Convento e Santuário do Menino Jesus de Praga de Avessadas, estou agora no Noviciado no Desierto de Las Palmas em Espanha. Conheci essa Casa com 15 anos, num encontro do Grupo de Jovens de Caíde de Rei. Estava a dar os primeiros passos num grupo. Desde aí, foram muitos os encontros, retiros, carminhadas, acampamentos em que participei. Agora, encontro-me a 1.000 km fisicamente de vós, mas tenho-vos no coração, pois sempre me acarinharam muito. Há um ano, no final da Eucaristia, cada um, deu-me um abraço, um forte abraço. Os abraços dão-nos força e coragem para fazer carminho, enfrentar obstáculos e saltar as pedras que nos vão aparecendo no carminho. A cultura moderna em que vivemos grita-nos: “desfruta”; “é rídiculo”; “porquê?”. A verdade é que agora que não há respostas fáceis nem seguras sobre o futuro, buscar a Deus dá à vida uma força nova. A imersão em Deus é a única razão absoluta que faz com que outras motivações da vida — amor, dinheiro, êxito pessoal,... — passem a segundo plano. É o que me/nos dá força a cada dia e, por isso, ultrapassamos perdas, alterações, esforços na vida. De outro modo não teria sentido. Durante o Postulantado no Convento do Menino Jesus de Praga, o pastor por um dia do Carmo Jovem, o superior da comunidade, Pe Agostinho dos Reis Leal, recordava-me em vários momentos que não deveríamos imitar nem seguir a ninguém. Seguir só a Deus! Ao longo do Kerit tivestes, espero, a oportunidade de vos encontrardes com Ele. Recordai, Gotinhas, que é possível não separar aspectos que parecem contrários na vida: Deus e mundo; sagrado e secular; oração e acção; mundo íntimo e comunhão. É uma pena, por vezes, que os jovens não saibam descobrir e ver a Deus nas realidades humanas e acontecimentos actuais e que para falar de Deus, escutar a Deus, perceber a Deus, nunca haja tempo. Mas vós tivestes tempo! Como Carmelitas Descalços que somos, o silêncio é uma coordenada chave. O silêncio não é ausência de ruído. Santa Teresa de Jesus, diz-nos nos seus escritos: “Aprender o silêncio e a solidão é muito bom para a oração. O silêncio ensina-nos a viver por dentro.” O Kerit é para isto mesmo. Espero sinceramente que tenhais conseguido este desiderato. Aqui, no Desierto de Las Palmas, já decorreram três meses desde a tomada do hábito, a 4 de Setembro. Tem sido um tempo aproveitado, essencialmente, para submersão e encontro com Deus. Faço votos que neste II Kerit tenhais sido “inundados de graça durante o tempo de silêncio” (Padre Hermann Cohen). Abraço-Vos de coração, meus amigos e gotinhas do Carmo Jovem. Podeis estar seguros do carinho deste pequeno irmão:

Ricardo Luís de Santa Teresinha

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Crónica do II Kerit - Retiro de silêncio

O despertador tocou cedo e num pulo saltei da cama, um friozinho no estômago, como quando partimos para os primeiros passeios da escola. Afinal tratava-se de um (re)encontro com um Amigo, especial, muito especial. Esperava-me uma pequena viagem de comboio no final da qual me aguardava a minha boleia (da minha mana de coração). Partimos do Porto às 8:30 de sábado, rumo a Avessadas. O dia estava cinzento, alguma chuva que nos atrasou e a conversa que corria em torno dos detalhes deste (re)encontro.
. 9:15 – Avessadas.
Corremos para o refeitório onde os restantes dez amigos do Pai já aqueciam o corpo com uma chávena de leite com café. No refeitório do Convento um cheiro antigo a café de saco, lembrei-me da minha bisavó, do seu café e daquele cheiro. Um bom dia geral, uma chávena de café e um pão com geleia (que delícia) e avançamos para a oração da manhã.
Éramos 12 amigos do Pai mais o nosso guia até ao Pai (Pe. Vasco). Ao longo das orações fomos escutando uma passagem do Livro dos Reis, sobre Elias e a sua experiência do Kerit. Foi tão importante para mim durante este Retiro que acabei por eleger esta leitura como o meu resumo deste Encontro (I RS 17 -1-16).
A seguir à oração da manhã seguiu-se o tema apresentado pelo Pe. Vasco (A graça do Amor e do Perdão). Palavras íntimas, sábias e reflectidas. Catequese e partilha. Um (re)visão de matéria, com detalhes e pistas para a reflexão que se seguiu a sós. Escolhi a mata para me recolher. Há algo de mágico naquele espaço, que me transporta sempre para as minhas memórias, que me ajuda a voltar para dentro, a recolher, a desligar, e partir até Ele. Uns pingos grossos de chuva e um frio que cortava arrastaram-me de novo para debaixo de telha. Recolhi-me na capela a meditar naquelas palavras, na graça do Amor e no que tal supõe e prendi-me à minha experiência de amar e ser amada. Recuei à minha infância e a momentos muito felizes. Mas as palavras do Pe. Vasco desafiavam-me a uma reflexão no presente, a perceber a grandeza e exigência desta graça que é o Amor. Porque amor é dar-se, é servir, é provar o amigo, é perdoar…
Desci para o almoço no refeitório. Eu não sei explicar, mas toda a comida ali tem um sabor tão delicioso, tão bom… Saciamos o estômago, despertamos no calor de um café que o Pe. Alpoim dedicadamente nos serviu e partimos para uma nova reunião entre amigos. Preparamos o que viria a ser o resto da nossa tarde: a exposição e adoração do Santíssimo. Cada um deveria permanecer com Ele durante meia hora, alternadamente, acompanhando-o naquela tarde de silêncio sonoro. Partimos todos para a capela onde Jesus seria exposto para O adorarmos, e rezarmos, e comungarmos. Porque a oração é isso mesmo, uma conversa íntima com o Pai. Alguém soltou esta frase ‘Mira que te mira’. Esta frase ecoou toda a tarde nos meus ouvidos. Ali permanecemos, alternadamente. Optei por me recolher naquela capela, não senti as horas avançarem, dentro de mim uma inundação de sentimentos, de memórias… de Graças. Desliguei os meus sentidos, encolhi-me no meu coração e parti para aquele encontro. Foram horas tão vividas, tão partilhadas, com Aquele que nos Ama. Sem interrupção partimos, já todos reunidos, para a oração de vésperas, com mais um excerto da passagem de Elias e um momento de partilha entre todos.

Sim, porque este retiro é de silêncio mas também de partilha, nem sempre com palavras, mas também com gestos, com risos e abraços. Com troca de experiências, porque como qualquer grupo de amigos, estes 12 falaram de si e das suas experiências.

E assim regressamos ao refeitório, para mais um delicioso jantar. Seguisse mais um momento de oração, aquecidos à lareira das Palavras de Deus e da sua luz. Juntaram-se a nós outros carminhantes de Rosém.

Mas também o corpo queria trato, e veio um chá quentinho, umas bolachas docinhas e um pão de Alhadas, que só de pensar me cresce água na boca. Obrigada, Teresa. A noite já crescida chamou-nos ao descanso. Coração cheio de Graça, de sentir. Dormi profundamente.

Novamente o despertador. Saboreei o som da chuva na janela e parti para o banho. O dia começava com a oração de Laudes na capela. Novamente Elias, e divulgação do mistério do Kerit.
Às 9h, novamente aquele cheiro ao café das minhas memórias. Um pequeno-almoço demorado, como nem sempre podemos, a saborear o alimento e a conversa entre amigos. Que delícia na alma.
Houve ainda tempo para uma reflexão / avaliação do encontro. A reflexão em voz alta ou silenciosa de cada um, sobre aquelas últimas horas. E acho que não me engano, cada um de nós foi tocado pelo Pai e deixou-se tocar. Os rostos estavam renovados, alguns refrescados das lágrimas que teimam em aparecer, porque falamos de nós, da vida e de Deus. Remexemos em nós, calamos o exterior e deixamos que no nosso interior rebentem todas as torrentes.

Ensaiamos os cânticos da Eucaristia e aguardamos a chegada do Frei João que presidiu à nossa Eucaristia. Às 11:30 subimos à capela e celebramos a nossa Eucaristia. Confesso que em todos estes anos, este é sempre um momento muito especial, é a ‘cereja no topo do bolo’, o melhor resumo, a melhor comunhão. E foi tão especial. Fomos presenteados com um miminho do Amigo Ricardo, que do deserto ecoou a sua voz nos nossos corações.

Aproximávamo-nos do fim (ou de um recomeço), ainda com tempo para mais um excelente almoço. Ai que saudades daquela comidinha. Obrigada!
No final um café para nos desapertar para o caminho e a já habitual e imprescindível ‘Foto de Família’.

O caminho de regresso ainda era longo e tínhamos de partir. É tão duro, tão difícil regressar. Mas tinha de ser.

Veio a despedida. Muito obrigada a todos e cada um. São pessoas lindas, foram horas tão boas, foi um silêncio tão sonoro em mim, tão rico. Obrigada ao Frei Vasco e ao Frei João. Carminhemos agora, um pouco mais fortes, mais capazes, mais confiantes… Um abraço amigo.
Animem-se no caRminho!
.
Joana Rocha I Esmoriz

Oração para alcançar a beatificação do Padre Hermann

Ó Maria, Virgem Imaculada,

que na gruta de Lurdes curastes miraculosamente

o P. Agostinho Maria do Santíssimo Sacramento

que admiravelmente vos servia na vossa Ordem do Carmo:

alcançai-nos da Santíssima Trindade

a graça de pela intercessão e méritos do vosso fiel servo

«que nada de mais delicioso conheceu que servir Jesus»

e se consumia na oração mais ardente

«para que não passasse um segundo da sua vida

sem sofrer qualquer coisa para agradar a Deus

ou sem O servir para Sua glória».

.

Ó Maria, «Mãe da Eucaristia»,

alcançai-nos a glória deste «convertido da Eucaristia».

Dignai-vos exaltar este apóstolo abrasado

pelo Sacramento do Amor do vosso Filho Jesus,

a fim de que ele comunique a todos, sacerdotes e fiéis,

o seu zelo ardente pela adoração

da Presença divina no sacrário,

a celebração digna e vivida da Eucaristia

e a comunhão frequente e fervorosa.

.

Apressai-vos a lançar sobre toda a terra,

especialmente sobre o vosso povo israelita,

o triunfo da realeza eucarística do filho de David,

o Pão vivo que desceu do céu ao vosso seio virginal.

Ámen.

.

PADRE HERMANN COHEN

PADRE HERMANN COHEN

[1820 - 1871]

Hermann Cohen nasceu em Hamburgo, oriundo de uma família judaica alemã, da tribo de Levi, no dia 10 de Novembro de 1820. Cohen em hebraico significa sacerdote! Os pais possuíam uma fortuna considerável, mercê dos negócios paternos. O pai, David Abraham Cohen, e a mãe, Rosalía Benjamín, sempre propiciaram a Hermann uma nobre e cuidada educação. Para isso inscreveram-no no melhor colégio de então, maioritariamente frequentado por crianças protestantes. Aos quatro anos descobriu o piano, vindo a tornar-se num artista consumado, discípulo predilecto do famosíssimo Franz Liszt. Aos doze anos foi nomeado professor no Conservatório de Música. Liszt apresentou-o à escritora George Sand que passou a apreciá-lo e lhe costumava chamar «little Puzzi». Era de facto o retrato do progressista da época. Viveu durante muito tempo imerso na frivolidade dessa sociedade brilhante, criativa no aspecto artístico, boémia e anticristã, que acrescentaram a sua vaidade, a sede de êxito e elogios e a satisfação dos mais pequenos caprichos. Aos 27 anos foi inesperadamente convidado por um amigo príncipe a dirigir o coro da Igreja de Santa Valéria de Paris, entretanto demolida, durante o Mês de Maio de 1847. Foi o princípio da sua conversão. Quando o sacerdote dava a bênção do Santíssimo, o judeu Hermann, desapercebido de qualquer fé, experimentou: «uma estranha emoção… a emoção era grata e forte e sentia um alívio desconhecido». Sentia-se abençoado sabendo não merecer ser incluído. E assim durante dias seguidos. A emoção jamais o largou. Passou a frequentar as missas dominicais daquela igreja. Hermann buscara a felicidade por cidades, mares e reinos sem a achar, e acabara de encontrá-la sem a procurar. Na cidade alemã de Sem onde teve de ir repentinamente dar um concerto abandonou tudo o que o impedia de ser cristão: à hora da Missa entrou sem vergonha na igreja paroquial, e «à saída já era cristão», sem ainda ser baptizado. Uma amiga, a Duquesa de Rauzan, em quem confiou, apresentou-o ao Padre Legrand que o instruiu e baptizou na Capela de Nossa Senhora de Sião, a 28 de Agosto de 1847, dia em que a Igreja celebra a festa do grande converso Santo Agostinho. Foi confirmado pelo bispo de Paris, D. Affre, a 3 de Dezembro de 1847. Entrevista-se com o Santo Cura d’Ars a quem expõe a ideia da Adoração Nocturna. O Santo anima-o a prosseguir e profetiza que sua mãe se converterá ao cristianismo; Hermann tudo faz para o conseguir mas sem êxito. Contudo, ela baptizar-se-á pouco antes de morrer. Logo depois, juntamente com o sr. Aznaréz um antigo embaixador espanhol e o conde Raimundo de Cuers, capitão de fragata, criou a Adoração Nocturna sob a supervisão do Vigário Geral de Paris, Mons. De la Bouillerie. Na primeira noite estiveram presentes apenas os três, na segunda 19 pessoas e faltaram 4 inscritos. Mas a obra haveria de crescer e espalhar-se por 50 dioceses. Depois de dificuldades várias entrou na Ordem do Carmo. Entrou no Noviciado da Ordem, no Carmo de Le Broussey, perto de Bordéus, o único que existia em França. Recebeu o hábito no dia 6 de Outubro de 1849, tomando o nome de Frei Agostinho Maria do Santíssimo Sacramento. Um ano e um dia depois fez a sua Profissão Religiosa. Como sacerdote Carmelita dedicou-se às fundações de conventos carmelitas em França, à pregação por toda a França, Inglaterra, Irlanda, Itália, Alemanha, Bélgica, Luxemburgo e Suíça, à expansão da Adoração Nocturna. Falava com gosto do mistério inefável da Eucaristia, do seu amor pela Virgem Maria, e submetia-se sempre à vontade de Deus. Viveu para amar e fazer amar a Eucaristia! Os ventos mudam. Em 1868 o santo pianista, o mais popular Carmelita Descalço, amado e aclamado em França, é perseguido de cidade em cidade, porque é alemão. Em Novembro de 1870 foi enviado pelos superiores para a Prússia como capelão dos prisoneiros de guerra franceses. Foi a sua última missão. Nos inícios de Janeiro, ao assistir a dois soldados contraiu a varíola de que veio a morrer poucos dias depois. No dia 19 de Janeiro de 1871, confessou-se, renovou os votos e comungou pela última vez, permanecendo bastante tempo em contemplação e acção de graças. E cantou em voz alta oTe Deum, o Magnificat, a Salve Regina e o De Profundis. Caiu na cama, com muitíssimo esforço, suspirando: «E agora, Deus meu, em tuas mãos entrego o meu Espírito». Foram as suas últimas palavras. Na manhã do dia 20 de Janeiro de 1871, fez um pequeno movimento e, alguns minutos depois, deixa de existir na terra. Dormia agora terna e eternamente nos braços de Deus… Conforme era seu desejo, foi enterrado na Igreja de Santa Eduige, em Berlim, onde ainda hoje jazem os restos mortais.
Cristiane Macedo I Coimbra
Verónica Parente I Viana do Castelo