domingo, 14 de março de 2010

O nosso pastor por um dia

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P. Carlos Manuel Gonçalves .
O Padre Carlos Manuel Gonçalves, foi o pastor do Carmo Jovem por um dia. No dia 13 de Março estivemos em Viana do Castelo na I Noite Escura.
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Pediram-me para vos apresentar o Padre Carlos… ou melhor, o Frei Carlos, como gosta que o tratem!
Uma tarefa que, para mim, tem tanto de difícil como prazeirosa…
Para quem já teve a oportunidade de ouvir o Frei Carlos numa das suas autênticas e ruidosas gargalhadas, não precisa de mais apresentações: ele é mesmo assim, um homem genuinamente feliz!
Para os que ainda não tiveram o prazer de ter visto as suas vidas cruzadas com a dele, faço uma sucinta apresentação que seguramente ficará muito aquém da riqueza deste homem de Deus.
Nascido há quase 57 anos no Distrito de Bragança é aos 10 anos de idade que surgem na vida do Frei Carlos, aquilo a que tomei a liberdade de designar como “os improváveis”.
Explico: “improváveis” porque nada faria prever o rumo que os acontecimentos na vida do Frei Carlos acabaram por tomar. E não pensem que esta “improbabilidade” aconteceu apenas uma vez… não, esta é mesmo uma característica da vida deste Frade Carmelita!
Num tempo em que estudar era privilégio de poucos (recordem que nasceu a meados da década de 50 do século passado!) o pequeno Carlos vê cumprir-se o sonho de prosseguir os estudos ao ser alvo de uma casual (!?) interpelação do seu Pároco: “Tenho aqui uma carta de uns Frades Carmelitas a solicitar que lhes indique o nome de meninos que queiram ir para o seminário. Queres ir?”. Carlos não pensa duas vezes, mesmo não tendo pensado nunca em ser Padre, vê nesta carta a possibilidade de cumprir o seu sonho: estudar! Com apenas 10 anos e sem nunca ter saído da terra que o vira nascer, pega na mala (certamente maior do que ele!) e deixa para traz as mulheres da sua vida: 3 irmãs e sua mãe. Seu pai acompanhou-o até Viana, numa longa viagem de quase 2 dias (estávamos ainda longe do tempo das auto-estradas).
No seminário de Viana, Carlos era 1 entre 120 meninos: bom rapaz, inteligente e de trato fácil. Passados 7 anos de estudos do antigo liceu, Carlos é confrontado com a necessidade de tomar uma decisão: entrar no Noviciado. Ele que nunca havia pensado em ser Religioso e muito menos Padre, tem que decidir-se…
Mais um “improvável”: já em férias de Verão e sem uma decisão tomada recebe uma carta de um colega que lhe faz a difícil pergunta: “Vais para o Noviciado?”. Carlos uma vez mais resolve seguir em frente num caminho que não teria retorno: ei-lo a caminho de Fátima onde faria o Noviciado. Uma decisão que desapontou os seus pais que haviam sonhada para o seu único filho homem um caminho bem diferente: a advocacia. Mas Deus, tem destas coisas…
Tempos de crescimento, repletos de “noites escuras”, onde os amigos e companheiros de caminhada (quase todos, ainda hoje, seus Irmãos Carmelitas) assumem um papel decisivo no amadurecimento da sua vocação, até aí quase inexistente.
Quando Portugal vivia o entusiasmo de uma liberdade reconquistada (a revolução de 1974) Carlos estudava Teologia na cidade do Porto; curso que viria a concluir em Salamanca.
Depois de uma longa caminhada de amadurecimento intelectual e espiritual, o Carlos faz os seus votos definitivos no seio da Família Carmelita, corria o ano de 1978, em Avessadas; Comunidade que passaria a integrar.
Frade! O Carlos queria simplesmente ser Frade! Mas Deus que sempre estivera oculto nos seus “improváveis” pede-lhe agora um novo serviço aos Irmãos no seio da Sua Igreja: o ministério sacerdotal. Como sempre e, até hoje, o Frei Carlos tem uma única resposta: “Aqui estou, Senhor, enviai-me!”.
No então Seminário de Viana, foi formador durante 6 anos. Simultaneamente dava aulas de Religião e Moral na Escola Secundária de Santa Maria Maior em Viana, onde, pelo seu testemunho de vida, sempre perpassado de uma alegria contagiante, marcou uma geração de jovens que ainda hoje o recordam com saudade.
Em 1987 é-lhe pedido que integre a Comunidade dos Carmelitas no Porto e o Frei Carlos, só tem um remédio: fazer as malas e partir!
É nesta cidade que ingressa na Faculdade de Psicologia, onde viria a fazer um percurso académico digno de nota. Um novo “improvável”: nada faria prever que conseguiria ingressar no curso que ele achava que fortemente iria enriquecer o seu trabalho enquanto formador. Já com 33 anos, licenciado, era 1 entre os 120 candidatos a uma só vaga! Mas, Deus que trabalha nos “improváveis”, mais uma vez fez o seu trabalho e o Frei Carlos fez o curso, enriquecendo-se e enriquecendo o meio académico com o seu testemunho livre e feliz de quem sabe que colocou a sua confiança atracada em porto seguro!
Vinte anos volvidos, o Frei Carlos regressa à Comunidade de Viana, mantendo a docência na Faculdade de Psicologia do Porto, assumindo a direcção do GAF (instituição com 16 anos de idade e da qual é fundador), trabalhando na Pastoral Familiar e servindo todo o povo de Deus que dele se aproxima para mais facilmente trilhar os caminhos de Deus.
Em 32 anos de consagração religiosa e 30 anos de sacerdócio Ministerial, O Frei Carlos tem servido a Igreja de Jesus Cristo o melhor que pode e sabe.
Este é o Frei Carlos!
Um homem de pequena estatura, mas grande como ser humano! Um homem repleto de muitas qualidades mas também alguns defeitos… Sim, porque se não fossem os seus defeitos, que teria Deus para fazer neste seu Padre?
Por isso, deixo no vosso coração um pequeno pedido:
- Em Ano Sacerdotal, rezai pelos vossos Padres, pelo Frei Carlos e por todos os outros que vos ajudam a crescer. Pedi para eles a fortaleza de coração e em cada dia, o renovado Dom da Fidelidade!

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[Julieta Palma I Viana do Castelo]
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Oração pelos Sacerdotes

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Senhor Jesus, nesta noite quero colocar diante de Ti, todos os Teus Padres:
Sim, todos!
Aqueles que conheço
e que me tem ajudado a conhecer-Te melhor
e aqueles que nunca vi e que, espalhados pelo mundo,
são sinal da Tua presença entre os Homens.
Peço-Te para eles a santidade.
Peço-Te que eles amem profundamente o seu sacrifício
e que o vivam com amor.
Peço-Te para eles a obediência, o espírito de desprendimento,
uma inalterável e límpida castidade,
e também a abnegação, a humildade, a
doçura, o zelo, a dedicação.
Peço-Te que nenhuma alma se aproxime deles
sem que fiquem a amar-Te mais.
Concede à Tua Igreja, Padres a transbordar de Ti,
Padres que Te saibam irradiar,
Padres que saibam dar-Te a nós,
Padres levedados na oração.
Dá-nos, Senhor,
Padres de joelhos rijos, que saibam estar na Tua presença,
Padres que saibam adorar, implorar, expiar;
Padres que não tenham outra meta
a não ser o Teu tabernáculo.
Ah, quase me esquecia:
faz com que mereçamos ter Padres assim!
Assim seja!

Abbé Pierre

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Abbé Pierre [1912 - 2007]
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. Henri Antoine Groués, mais conhecido como Abbé Pierre nasceu em Lyon a 5 de Agosto de 1912 e faleceu em Paris a 22 de Janeiro de 2007. Em 1931 ingressa na Ordem dos Capuchinhos, saindo, por motivos de saúde, em 1938. Admitido no clero de uma diocese francesa, ainda em 1938, é ordenado sacerdote, tornando-se vigário da Catedral de Grenoble.
O seu trabalho destacou-se quando prestou assistência durante a Segunda Guerra Mundial dedicando-se a salvar os perseguidos pelo nazismo. Combateu pela Resistência Francesa onde organizou um grupo de combate, foi preso, fugiu e refugiou-se na Argélia. Com o fim da Guerra, foi eleito deputado, mas, em 1951, abandonou a Assembleia Nacional Francesa, por não aceitar uma lei que julgava injusta.
A partir daí dedicou-se com exclusividade ao Movimento Emaús, que fundou logo após o fim da Guerra, e que hoje está presente em mais de quarenta países. A ideia do Movimento veio-lhe quando viu tantos pobres no seio duma França tão rica! Um dia, o Abbé Pierre acolheu em sua casa George, assassino, ex-preso, que já se havia tentado suicidar, e disse-lhe: "Não tenho nada para lhe oferecer. Mas você quer ajudar-me na construção de casas para pessoas sem-abrigo?". Assim começou o Movimento Emaús. O carisma do Movimento acredita na força da partilha e por isso é ajuda aos sem-abrigo, aos pobres e marginalizados em geral. As práticas deste Movimento visam um trabalho de recuperação e reutilização daquilo que é lançado fora, que adquirem para o seu próprio sustento, e também ajudam quem se encontra em condições piores.
Em 1957 participou na fundação da Associação Mundial de Luta Contra Fome (Ascofam) e ainda em diversos congressos e reuniões internacionais a favor do bem estar dos excluídos. Sua popularidade é imensa na França, onde é também conhecido como o "Papa dos pobres".
É um profeta dos nossos dias. Morreu com 94 anos de idade no ano de 2007.
O seu lema foi: «Viver é aprender a amar».
Para Abbé Pierre "as coisas essenciais na vida não se escolhem. Não fazemos mais do que dizer sim ou não ao possível que nos é dado. É como um veleiro. Se não puxarmos pela driça para que a vela se desenrole, o vento não pode nada. Desenrolei a vela. E quando o vento soprou encontrei-me a bordo... Em seguida tive de aprender a manobrar o leme."
"A minha mensagem? Há uma só, que é um grito: 'Partilhai! Dai! Estendei a mão aos outros! Guardai sempre uma vidraça quebrada nos vossos universos bem almofadados para ouvir as lamentações que vêm do exterior"
"O Eterno é Amor. Eis o primeiro fundamento da minha fé.
O segundo fundamento da minha fé é a certeza de ser amado.
E o terceiro fundamento é a certeza de que essa misteriosa liberdade que há em nós não tem outra razão de ser senão a de nos tornar capazes de responder com amor ao Amor."
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[Margarida Arriscado I Viana do Castelo]

sábado, 13 de março de 2010

terça-feira, 9 de março de 2010

I Noite Escura - 13|Março|2010

Deus absconditus

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onde estás, Deus libertador .

que nos perguntam por ti e não te vemos?

. Deus escondido, onde estás?

. Devemos procurar-te entre os destroços,

. a cinza e as mãos cortadas como canas verdes,

. ou à frente das batalhas,

. entre os que caminham como o vento

. e as folhas das plantas, sensíveis à luz,

. entre os que vão de cabeça alta e regressam

. da servidão do saco e do tijolo

. os que acordados vêm,

. os pés recentemente desatados,

. a língua solta?

. Deus escondido, onde moras?

. devemos procurar-te entre as que fizeram o êxodo

. e começaram a amar,

. os que morrendo a si já ressuscitam

. os que rompem as muralhas da pele e pedem água?

. devemos procurar-te naqueles que sobem à montanha

. para molhar as mãos de luz e transfigurar-se?

. na solidão dos montes apalparei a tua face?

. na limpidez dos rios e a palavra

. com que fizeste o mundo verei a tua mão correndo?

. onde devemos esperar-te, Deus da surpresa

. e como nós trânsfuga?

. Deus dos que não têm voz nem barcos

. para na albufeira olhar a alma

. a crescer como a sombra dos pinheiros

. anoitece a alma e o rio,

. Deus gratuito, onde estás?

. devemos procurar-te na poesia e no canto,

. no amor e na beleza,

. na barraca e no lixo?

. onde apareces, Deus amigo dos pobres,

. onde te acharemos, Deus libertador?

. [José Augusto Mourão - In O Nome e a Forma, ed. Pedra Angular] .

domingo, 7 de março de 2010

I Noite Escura - 13'Março'2010

Abbé Pierre (1912 – 2007)

«Viver é aprender a amar.»

FOTOS - IV ENTREFITAS - VIANA DO CASTELO 27|FEV|10

Crónica do IV Entrefitas

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No passado dia 27 de Fevereiro, sábado, o Convento do Carmo de Viana do Castelo acolheu-nos para o IV Entrefitas. O filme escolhido foi o “Dúvida” com o tema “Ele veio a ti para poderes ir a Ele” do Padre António de Lisboa (1195-1231).
. Assim, esta sessão iniciou-se com o Luís, de Braga, a ler a biografia de Santo António que com os sues dotes de oratória passava a mensagem de Cristo a um povo inteiro.
. De seguida, passou-se ao visionamento do filme que contava com Meryl Streep, Philip Seymour Hoffman e Amy Adams nos principais papéis. O filme relata a dúvida persistente da Irmã Aloysius em relação às acções do Padre Flynn e que vai dividir a comunidade com consequências visíveis. A luta entre a modernidade e o conservadorismo está patente ao longo de todo o filme.
. No final, foi aberto um espaço de debate sobre o filme em causa, no qual obtivemos a opinião do Padre Maciel, passando seguidamente ao chá quentinho e à partilha que nos esperava.
. A mensagem passada durante o filme mostra-nos que a dúvida é tão forte quanto a certeza.
E tu, ainda tens dúvida?
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[Isabel Gonçalves-Braga]
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sábado, 6 de março de 2010

terça-feira, 2 de março de 2010

I Noite Escura - 13'Março'2010

As mulheres são os lugares recuados

em que as mãos descobrem os filhos.

São lugares fundos, luminosos por dentro,

habitados por extensões espirituais,

porções parasitárias de semelhança

que se mantêm amarradas por ataduras

viscerais e que um dia, violentamente,

são entregues à luz.

poema: José Rui Teixeira

escultura: Karin Somers

Abbé Pierre (1912 – 2007)

«Viver é aprender a amar.»

I Noite Escura - sessão de poesia

13 de Março - Viana do Castelo - 21 horas

Com a presença do poeta José Rui Teixeira (apresentação da obra Diáspora)

VEM E TRAZ UM AMIGO!!!

O nosso pastor por um dia

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P. Joaquim da Rocha Maciel
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O padre Joaquim da Rocha Maciel, foi o pastor do Carmo Jovem por um dia. No dia 27 de Fevereiro estivemos em Viana do Castelo na IV Entrefitas.
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Joaquim da Rocha Maciel, nasceu a 21 de Setembro de 1935, em Souto de Vilar, Freguesia de Durrães, Concelho de Barcelos, Distrito de Braga. É filho de Manuel da Costa Maciel e Rosa da Rocha Alves Quintela, e tem quatro irmãos, dos quais dois já se encontram na morada eterna.
Entrou para o Seminário do Verbo Divino, em Guimarães, em 1952 e, dois anos mais tarde, esteve no mesmo Seminário em Fátima. É em 1959 que entra no Seminário do Carmo de Viana do Castelo e, três meses depois, inicia o noviciado na Ordem do Carmo, em Larrea, Espanha. Continuará em Espanha nos anos sequentes, fazendo a Profissão Temporária em Marquina, a 17 de Outubro de 1960 e a Profissão Solene no Carmelo de Begoña, Bilbao, a 11 de Março de 1966. Um ano depois, também em Bilbao, no Seminário Maior Dério, é ordenado sacerdote no dia 18 de Março.
Tendo passado por vários conventos, Porto, Paços de Arco, Fátima, Aveiro e Avessadas, vive hoje na comunidade de Viana do Castelo. É um sacerdote caracterizado pela sua jovialidade e, entre os vários serviços que exerce, incorpora o Projecto Espaço T, instituição que visa a recuperação e apoio a pessoas vítimas de dependências, da qual foi um dos impulsionadores e é actualmente Presidente da Mesa da Assembleia Geral. Aliás, ao longo da sua vida de sacerdote, temos visto o Pe Maciel a apoiar a juventude, sobretudo a que muitas vezes é estigmatizada e posta de lado na nossa sociedade, coadjuvando núcleos de ajuda a estas pessoas.
Neste IV ENTREFITAS, o Carmo Jovem, que leva o Carmo no Coração, adopta o Pe Maciel como seu Pastor por um dia. Louvemos e apresentemos ao Senhor o seu sacerdócio!

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Viagem Apostólica Bento XVI a Portugal

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. CONTIGO CAMINHAMOS NA ESPERANÇA
. SABEDORIA E MISSÃO .

. O cartaz, o tema e o logótipo da viagem do Papa Bento XVI a Portugal, que decorre de 11 a 14 de Maio

.LISBOA, FÁTIMA, PORTO - 11 · 14 MAIO

LISBOA, DIA 11

. 11:00 CHEGADA AO AEROPORTO

. 18:15 EUCARISTIA PRAÇA DO COMÉRCIO

DIA 12

. 10:00 ENCONTRO / CULTURA CENTRO CULTURAL DE BELÉM

FÁTIMA, DIA 12

. 18:00 VÉSPERAS / ANO SACERDOTAL IGREJA DA SANTÍSSIMA TRINDADE

.DIA 13

. 10:00 EUCARISTIA SANTUÁRIO DE FÁTIMA

. 17:00 ENCONTRO / PASTORAL SOCIAL IGREJA DA SANTÍSSIMA TRINDADE

.PORTO, DIA 14

. 10:15 EUCARISTIA AVENIDA DOS ALIADOS

. 13:30 DESPEDIDA NO AEROPORTO

MAIS INFORMAÇÕES: http://www.bentoxviportugal.pt/

sábado, 27 de fevereiro de 2010

SANTO ANTÓNIO

SANTO ANTÓNIO (de Lisboa)
[1195-1231]
Padre António de Lisboa, entre nós conhecido por Santo António, nasceu em 1195, em Lisboa. Filho da fidalga D. Teresa Tavera e de Martins de Bulhões, recebeu no batismo o nome de Fernando Martins de Bulhões. Viviam em casa própria no bairro da Sé. Fernando frequentou a escola da Sé e até aos 15 anos viveu com os pais e com uma irmã de nome Maria. Aos 20 anos professou nos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho em Lisboa, no Mosteiro de São Vicente de Fora. Nesta ordem monástica prosseguirá os seus estudos teológicos. Rumou a Coimbra ao mosteiro de Santa Cruz, onde tinha à sua disposição a melhor biblioteca monacal do País. Segundo os seus biógrafos, Santo António terá lido muito, e não foi por acaso que se tornaria pregador. O mundo cristão vivia intensamente a época das Cruzadas. A chamada «guerra santa» desencadeada contra o Islão. De Oriente a Ocidente os exércitos batalham, e neste turbilhão surgem novas formas de espiritualidade. Em 1209 Francisco de Assis (S. Francisco) abandona o conforto e luxo da casa paterna, para, com outros companheiros, se recolher numa pequena comunidade, dando origem a uma nova reflexão sobre a vivência do Evangelho. É a aproximação à Natureza, à vida simples e à redescoberta da dignidade da pobreza preconizada pelos primeiros cristãos. Em Janeiro de 1220 são degolados em Marrocos, pelos muçulmanos, cindo frades menores (franciscanos) e todo o mundo cristão sofre um enorme abalado. Por cá o nosso futuro Santo António, já ordenado padre, decide mudar de Ordem religiosa e também ele passa a envergar o hábito dos franciscanos. É nesta ocasião que muda o nome de baptismo de Fernando para António e vai viver com outros frades no ermitério de Santo Antão (ou António) dos Olivais. Em meados de 1220 chegam, com grande pompa religiosa, ao convento de Santa Cruz de Coimbra, as relíquias dos mártires de Marrocos e esse acontecimento vai ser decisivo no rumo da vida de Santo António. Parte para Marrocos, sentindo também ele que é chamado a participar na conversão dos chamados infiéis. Porém adoece gravemente e não podendo cumprir aquilo a que se propunha, teve de embarcar de regresso a Lisboa. Só que o barco é apanhado numa tempestade e o Santo vê o seu itinerário alterado ao sabor de uma vontade superior. Acaba por aportar à Sicília num período de grandes conflitos armados nessa região. Em Maio de 1221 os franciscanos vão reunir-se no chamado Capítulo Geral da Ordem, onde Santo António está presente. Findo aquele período de reflexão, como que um noviciado, os frades franciscanos são chamados à cidade de Forlì para serem ordenados e Santo António é escolhido para fazer a conferência espiritual. E começa a falar. Ninguém até ali percebera até que ponto ele era conhecedor das Escrituras e como a sua fé e os seus dotes oratórios eram invulgares. Pelo que se sabe quando começou a falar imediatamente cativou os outros frades e a sua vida seria a partir daquele dia de pregador da palavra de Cristo. Percorrerá diversas regiões da actual Itália, entre 1223 e 1225. Quando S. Francisco morre, em 1226, Santo António vai viver para Pádua. Aqui vai começar por fazer sermões dominicais, mas as suas palavras tão cheias de alegorias eram de tal modo acessíveis ao povo, que passam palavra e cada vez mais se junta gente nas igrejas para o ouvir. Da igreja passa para os adros para conter as multidões que não param de engrossar. Dos adros passa a falar em campo aberto e é escutado por mais de 30 mil pessoas. Sentindo-se doente, o santo pediu que o levassem para Pádua onde queria morrer, mas foi na trajectória, num pequeno convento de Clarissas, em Arcela, que Santo António «emigrou felizmente para as mansões dos espíritos celestes». Era o dia 13 de Junho de 1231. Foi canonizado, em 1232, ainda se não completara um ano sobre a sua morte. Caso único na história da Igreja Católica, já que nem São Francisco de Assis teve tal privilégio. O seu sumptuoso sepulcro, em mármore verde em Pádua, na igreja de Santo António é o tributo do povo que o amou e é muito mais do que um lugar de peregrinação e de oração. Através dos séculos, a sua fama espalhou-se por todos os continentes. No dia 13 de Junho de cada ano, Lisboa e Pádua comemoram igualmente a passagem por este mundo de um português que pregou a fé e morreu em Pádua. Como todos os santos é universal.
[Filipe Madureira - Avessadas]