quinta-feira, 17 de junho de 2010

IV PERIGRI - Testemunho III

Ele ressuscitou ao terceiro dia, ao terceiro dia, também, chegamos á Mãe.

E assim foi, no terceiro dia, a caminhar com o Ele para a Mãe chegámos a Fátima.

Foram dias com muita alegria, boa disposição, algumas bolhas e acima de tudo muita Oração.

No primeiro dia, como costumo dizer, foi o dia para preparar o físico e o espírito para os dois restantes.

Tentei carregar Cristo, nos meus 30 minutos de “Direito de Antena” que tinha com Ele, que acabou por ser cerca de 3 horas, mas efectivamente foi Ele que me carregou, e me deu energia para os dias seguintes.

Falei com Ele, sobre quem sou, que Ele já bem me conhece! Mas falei com Ele mais sobre a minha Família: meus pais, irmãs, cunhados e acima de tudo para o novo elemento da minha família, a Beatriz - a minha sobrinha de dois meses.

No final do primeiro dia, o meu balanço foi positivo: poucas dores musculares, muita boa disposição e algum sono pelas poucas horas dormidas no dia anterior...

Um segundo dia, com a Oração num lugar original, parecia que estávamos num coreto, seguida de um café com efeito revitalizante anti-sono...

E lá partimos para a segunda etapa rumo à Mãe.

Neste dia, aproveitei para pensar nas pessoas que me são próximas. Logo após a partida pensei num casal amigo, muito próximo, ao qual enviei a seguinte mensagem: “Hoje na caminhada estou a pensar nas famílias. Desejo para a vossa (M. e E.) sejam felizes. Beijos e Abraços”.

Nunca pensei que a minha mensagem fizesse a M. chorar, porque só queria demonstrar o carinho que tinha por ela, por estar a passar alguns problemas familiares, por isso, renovo o meu pedido: “Quero que sejas feliz...”. Desculpa o efeito que a minha mensagem inicial teve em ti...

Aproveitei ainda para conversar com o meu NOVO amigo, sobre o Carmo e sobre a sua opção de entrar para a Ordem, sobre o que o movia, sobre Ele... Força Carlos, apoio-te sem qualquer restrição e fica combinado que um dia vou a Avessadas para tomarmos um café e para conhecer o Santuário do Menino Jesus de Praga.

Durante a nossa estadia no Centro Comunitário da Ilha, durante a Oração, coube a mim dar a resposta. Acedi com alegria, porque uma Peregrinação faz-se em comunidade, por isso partilhei um momento que se passou comigo:

“Quando caminhava e se aproximavam os camiões era impedido de andar em frente ou, por vezes, retardavam o meu passo vigorante, lembrei-me dos problemas que todos temos no nosso dia-a-dia, porque pensei nesses monstros da estrada como se fossem obstáculos na estrada da vida”

Que todos nós e nossos familiares nos levantemos e lutemos contra os obstáculos que encontramos no caminho da vida...

Estávamos a algumas horas de chegar à Mãe, a cerca de 5 pensava eu, que viriam a ser só 4 horas e 20 minutos...

Tive a sorte de receber da mão do Frei João, (Frei Bolhas), o cajado do Carmo Jovem, que me acompanhou durante quase todo o dia (literalmente – este símbolo só descansou quando chegou a Fátima).

Este cajado foi anunciando a minha passagem pelos outros grupos de peregrinos, com uma cadência certa e algumas vezes um pouco mais sonora amparando-me.

Como estava a caminhar afastado e á frente do restante grupo, fui aproveitando para pensar um pouco em mim, já que nos outros dias pensei mais nos outros...

Durante o último dia de caminhada, aconteceram-me dois episódios que me tocaram muito.

O 1.º momento marcante:

Quando caminhava, uma senhora perguntou, “Qual é a força que o move e o faz caminhar com tanto vigor? Será que pode dispensar-me alguma dessa energia?” A esta senhora, só respondi, que “neste cajado carrego a minha família (pais, irmãs, cunhados, Beatriz), Ana, pais e irmã da Ana, Ricardo e Raquel. São eles que me dão força para seguir em frente até Fátima.

E foi mesmo isso, até que a pessoa que chorou com a minha mensagem do 2.º dia de Peregrinação, telefonou a perguntar onde andava, eu respondi, “Faltam 4 km’s, serão por ti M. e pelo E., para que sejam felizes”, escusado dizer que o resto da conversa do outro lado do telemóvel, já era uma conversa melancólica com lágrimas a escorrerem pelas faces apesar da tentativa de disfarce para que não percebesse.

O 2.º momento marcante, foi quando após a “n” (n.º de vezes indeterminado) passagem por mim de um Volkswagen Preto, uma menina ou senhora (não sei), comentou “Andai sempre alegres” à qual retorqui, mostrando a mensagem da minha T-shirt “Alegrai-vos”. E assim andei, os poucos últimos km’s até à rotunda dos peregrinos.

Nos dois últimos km’s, olhava para trás, não para ver se estava ainda mais longe dos meus colegas, mas para ver se alguém andava por perto, porque gostaria de terminar aquela fase um pouco diferente dos dias anteriores, porque queria ter companhia, para além d’ Ele.

E assim foi, abrandei um pouco, a João e Carlos aceleraram e chegámos os três juntos de mão dada, em sinal de união, de amizade, de missão cumprida...

Um obrigado especial para a João, não como organizou este grupo, mas por uma vez mais (como no ano anterior) chegarmos os dois juntos...

Desta vez só tinha o meu pai na “meta”, ao qual dei um beijo, e que nos acompanhou sempre com a voz amiga e preocupada se necessitávamos de alguma coisa (bolacha, água, fruta ou algo mais...), e ao Zé um abraço de agradecimento que prestou o mesmo serviço de apoio.

Depois da tradicional entrada em grupo, unido pelo mesmo propósito, no Santuário e de termos estado cada um com a Cruz das Irmãs do Carmelo de Coimbra (que tratem e acolham bem a nossa Raquel), fomos almoçar para restabelecer energias para as nossas orações nocturnas no Santuário.

Pela primeira vez assisti ao terço (às 21:30 horas) no Santuário e seguidamente á Procissão das Velas (que só tinha visto através da televisão)...

Cada luzinha (vela) acesa, para mim considerei cada esperança que o seu portador tinha, e a minha vela tinha o mesmo significado.

Se houve alguma actividade que mais me tenha marcado a vida, esta foi a mais marcante.

Quatro dias de retiro do quotidiano da vida...

... onde pensei e pedi para mim, minha família e pessoas mais chegadas.

... onde tomei algumas decisões, espero eu acertadas.

... onde convivi com outros e dei mais de mim aos outros.

... onde tentei dar algumas mensagens de incentivo a outros peregrinos.

... onde falei com Ele a caminho da Mãe.

Obrigado Maria...

De 3 a 6 de Junho, caminhei com Ele e com um grupo especial para a Mãe.

Peço desculpa se me alonguei em demasia, mas foi o que consegui resumir dos meus pensamentos de 4 dias em comunidade, em grupo, em família…

Saudações Carmelitas.

Marco Branco - Aveiro

quarta-feira, 16 de junho de 2010

IV PERIGRI - Testemunho II



Olá Carmo Jovem, esta IV Peregri foi para mim a primeira, a primeira Peregri e a primeira peregrinação a pé. E desde já vos posso dizer que quero repetir a experiência, quero voltar a viver em comunidade “religiosa nómada”, porque no fundo foi isso que fizemos durante o tempo de peregrinação.
É certo que nenhum se consagrou devidamente a Deus (excepto os Freis João e Marco), mas o coração, esse sim foi consagrado ao Senhor durante este tempo de peregrinação. Consagrámos o nosso coração a Deus da seguinte forma: a carminhar para Ele, levando-O a tiracolo, deixando que Ele nos carregasse ao colo nos momentos mais difíceis e amando próximo como a nós mesmos.
Fazer uma peregrinação assim não custa, porque quando me sentia mais em baixo, havia sempre um bom cireneu pronto para me ajudar a levar a minha cruz. Por isso posso dizer que agradeço ao Senhor as minhas bolhas e as minhas dores porque assim, no sofrimento, fiz grandes amizades que me irão acompanhar por todo o sempre. Estou certo que Ele me deu essas amizades de bom grado e que não me irá tirá-las, porque as pôs no meu caminho como quem põe almofadas no caminho do amado para que ele não magoe os pés. Com tantos carinhos que Ele me proporcionou, nunca tive a tentação de desistir nesta peregri. Tenho como certo que a Mãe muito intercedeu por mim junto do Senhor.
A espiga, que me foi entregue e da qual fui encarregue de fazer chegar ao santuário de Fátima, para mim foi símbolo daquilo que Deus vai fazendo na vida de cada um de nós, isto é, a minha espiga chegou ao Santuário sem uma parte do caule e com outra quase a soltar-se. Digo que a espiga foi símbolo da obra de Deus em cada um nós porque Ele vai retirando em cada um o que está a mais e vai-nos moldando para que alcancemos o tamanho e a forma certos para entrar no Seu reino. Por outro lado, posso dizer que a espiga era símbolo da cruz que carreguei durante a peregrinação, o cajado é um sinal mais evidente dessa cruz pelo seu peso, mas a espiga que esteve encarregue a mim todo o tempo era mais simbólica desse peso que todos aceitámos carregar ao seguir a Cristo.
A vontade de largar a preocupação da espiga surgiu, tal como na vida nos surge a tentação de largar a cruz, para mim não passou de uma tentação, de facto larguei a minha espiga e coloquei-a durante uma parte do percurso na carrinha, mas depressa me apercebi que era eu quem tinha que levar a cruz e não tornar a cruz do meu próximo ainda mais pesada. O bom cireneu nunca se recusou em socorrer-me e em transportar a cruz por mim.
Por falar em bom cireneu, foi muito bom ver como a cruz de cada um se ia tornando cada vez mais leve à medida que nos íamos conhecendo e entrando em comunhão cada vez mais perfeita. Posso dizer que durante a peregrinação nos fomos tornando uma família bastante unida em que cada um respeitava o seu próximo e sabia quando é que devia ajudá-lo a suportar a sua cruz.
Por vezes, pergunto-me: porque é que será que não olhámos mais para o Evangelho e não tomámos a Cristo por exemplo de imitação obrigatória? A Palavra de Deus é um manual de vida em Amor, como é possível haja tanta gente que ainda não percebeu? O “Frei Bolhas” dizia na homilia da Eucaristia de quinta-feira de Corpo de Deus, que o Pão e o Vinho são um excelente exemplo da verdadeira comunhão, a cada um, como grão ou como uva que era, foi sendo retirado o farelo ou o cangaço, para poder chegar ao Pão e ao Vinho que tanto delicia ao Senhor, ou seja cada um como unidade passa por grandes sofrimentos e transformações para poder chegar ao amor verdadeiro, que se encontra na verdadeira comunhão com Cristo e com todo o povo de Deus. O caminho foi feito de obstáculos que cada um foi transpondo ao seu ritmo, e todos perceberam que a alegria vem depois da cruz, sem o sofrimento nunca conseguiríamos dar valor à verdadeira felicidade. No entanto, posso dizer que fui muito feliz enquanto transportava a minha cruz. Por isso digo que a alegria também está no caminho, basta olhar para ela com olhos de ver.
Na primeira etapa do caminho cada um de nós pode transportar Cristo consigo e falar com Ele, neste tempo muito Lhe pedi e muito Ele me deu, do leque de graças que Ele me concedeu posso dizer que me deu a entender que não era eu que o carregava mas sim Ele que me levava ao colo.
No impulso do agora podemos muito bem deixar-nos tomar pela tristeza, mas não nos esqueçamos que Ele ressuscitou três dias após a morte, morte que ofereceu ao Pai em troca da nossa absolvição, por isso alegremo-nos mesmo que Cristo ainda não tenha ressuscitado na nossa vida, Ele prometeu que iria ressuscitar para salvar o mundo (“descida da cruz”).

João Carlos
Rosém

terça-feira, 15 de junho de 2010

CRONICAZ de uma Perigri, letra B

Beatriz

A Beatriz é pequenina. É um bebé de quase dois meses. É filha do Pedro e da Susana, ambos do Carmo Jovem. São um casal com o Carmo no coração. Há outros casais, namorados e noivos. Eles são casal e família. A Beatriz escreveu a biografia do Venerável Eugénio Maria do Menino Jesus, que inspirou e protegeu a nossa peregrinação. E depois recebeu também ela uma faixa do Carmo Jovem, porque no seu pequenino coração vive o amor que ama o Carmo. E o Carmo Jovem ama a Beatriz. Na Eucaristia do fim da peregrinação recebeu a imposição do Escapulário do Carmo, porque Nossa Senhora a ama muito e como ao Menino Jesus a protege de todos os perigos.

Tão pequenina e já peregrina. É isso que somos quando vimos ao mundo: peregrinos do Alto

Bênção do peregrino

Foi em Aveiro, no Carmo. Por questões de poupança foi o lugar escolhido para a concentração, apresentação e bênção dos peregrinos. Estávamos todos, menos os que tendo de trabalhar só caminharam um ou dois dias.

O momento foi simples, sentido e demorado. A Irmã Lúcia mandou uma carta aos jovens via Carmelo de Coimbra. E a Raquel mandou outra muito sentida. E uma carta dela é uma carta dela: pronta a ser escutada em silêncio. E foi.

Finda a carta recolhemos ao chão dos quartos. (A mim coube-me o chão da sacristia e não foi das noites mais mal dormidas!)

Estamos agradecidos à Comunidade pelo acolhimento.

Bolhas

Ah! As bolhas! Como são belas as bolhas. Nem todos as fazem nos pés, mas alguns cristos não lhes escapam! Duas ou três bolhas por jornada é o meu salário. Primeiro é um sinalzinho. Depois o roce vai aumentando. Depois um pique e uma dorzita. Por fim parece que todo o pé está empapado de bolhas. Não está, impossível que esteja. Mas o incómodo da sensação faz crer que sim.

Alguns peregrinos são tão perfeitos que o caminho nem a prenda das bolhas lhes dá! Valha-me Deus, que a mim sempre me consola com muitas. E este ano mais que nos outros.

Se tirarmos os imprevistos, a sessão do fura-bolhas é a mais cómica de quantas sucedem numa Peregri. Eu não perco uma, e também dou os pés para o sacrifício.

Se os há que a si próprios se furam e se curam, outros peregrinos recorrem à bondade alheia. Não há especialistas pelo meio, mas sensibilidades. Por exemplo, existem «As Bolhas de Fátima»: acredite quem quiser. As Bolhas de Fátima são tratadas e curadas duma maneira diferentemente das demais.

O truque é furar, esvaziar e meter lá dentro betadine. O resto cura com o descanso e o (pouco) sono.

(É certo que há quem recomende não furar a bolha; mas eu não sei como se poderá caminhar no dia seguinte — embora já o tenha visto fazer!)

domingo, 13 de junho de 2010

IV PERIGRI - Testemunho I


NÓS SOMOS IGREJA PEREGRINA

Viva jovens carmelitas,
a razão deste texto deve-se à amizade. Ela é um campo sem fronteiras.
Ser PEREGRIS é estar sempre em caminho, isto é, num peregrinar constante para dar resposta aos novos sinais dos tempos.
A peregrinação é sinal da condição dos discípulos de Cristo neste mundo e ocupa sempre um lugar importante na vida do cristão. Ao longo da história, a Igreja pôs-se em caminho para celebrar a sua fé.
A nossa IV PEREGRIFATI eu sentia como um processo de conversão e anseio de intimidade com Deus tendo o Espírito Santo como guia do nosso caminho, que segue as pegadas de Cristo.
A Igreja, sendo na sua essência peregrina, vai realizando a sua identidade na nossa pequena comunidade do CARMO JOVEM através do anúncio do reino. A missão da Igreja responsabiliza-nos a cada um de nós, os quais estamos chamados a realizá-la segundo o ministério que nos é confiado no seu interior, pois “é impelida pelo Espírito Santo a cooperar para que o desígnio de Deus, que fez de Cristo o princípio de salvação para todo o mundo, se realize totalmente”.
Hoje para sermos PEREGRIS no mundo, precisamos de estar atentos aos novos sinais dos tempos, que são a indiferença religiosa, a perda de uma ética e a necessidade que tem a família humana de salvação.
Todos nós somos chamados a tempo inteiro a dar testemunho da nossa identidade cristã fazendo de um modo particular a opção pelos pobres e pela promoção humana. Nós como PEREGRIS assumimo-nos “como instrumento (…) como luz do mundo e sal da terra”.
O meu olhar do PEREGRI ao longo do caminho procurou reconhecer a paixão de Cristo, que passa pelas casas de todos os que sofrem: os sem trabalho, aqueles que encaram o futuro com temor crescente, os sequestrados, esperados ainda com ansiedade e aflição, os que foram vitimas de violência absurda e sem piedade.
Passou ainda pela casa dos idosos, privados de energia e postos de parte, em solidão, passa pela casa dos que esperam justiça sem conseguir obtê-la, de todos os que, por qualquer motivo, tiveram de abandonar a pátria sem conseguir encontrar uma nova ou sentir-se acolhidos, que talvez nem tenham casa e contudo estão perto de nós. O mistério da cruz que abracei convosco com a ajuda do Espírito Santo nesta peregrinação renovou-se em todos aqueles que se sentem excluídos e que a nossa sociedade olha como tal, como os handicapés ou os que optam por vias de libertação que são soluções de morte: toxicodependentes, desadaptados, encarcerados, etc.
Amigos PEREGRIS, não sei se estou acordado ou se estou a sonhar. Sei que me encontro completamente às escuras, enquanto que um lento e doloroso PEREGRINAR me faz crer que estou no meio de vós e me leva a dizer como a nossa Santa Madre Teresa de Jesus:

Ó Senhor e verdadeiro Deus meu! Quem não Vos conhece, não Vos ama (14ª Excl.). Tudo vem da vossa mão: sede sempre (F 5, 17). Seja bendito para sempre, que tanto dá e tão pouco Lhe dou eu (V 39, 6).
Um abraço fraterno

Frei Marco Caldas
Braga

sábado, 12 de junho de 2010

CRONICAZ de uma Perigri, letra A

CRÓNICAZ,
QUER DIZER, de A a Z


ÁGUA
Como é boa a irmã água! Como bom é Deus que a criou! Sem ela não chegaríamos ao fim de cada etapa. Cada peregrino bebe muita água. E nem todos suam tanto quanto eu. Também a vemos por fora, pois passamos por rios, ribeiros, ribeirinhos e fontes. Também há poluição, mas ou o cansaço ou a noite quase a não deixa ver.
Como é bela a criação! E a água a correr! Também a água corre para um fim. E o correr da água é uma inspiração para o peregrino. O peregrino não tem de correr, mas como a água corre, corre, corre para o fim. Não pode não correr, corre sempre. E mesmo quando regressa a casa a peregrinação continua, a corrida é sem parar. Até chegar ao Fim, o Ómega, que é o princípio, o Alfa.
Como é boa a água que corre!

ANTES

A peregrinação começa antes de começar. Há a peregrinação do caminho e a do desejo. Esta começa quando começa. Nuns o desejo desperta quando terminam a anterior, noutros pouco antes de se fazerem ao caminho.
Existe uma longa série de conselhos para quem vai peregrinar. São quase todos físicos, dizem quase todos respeito à roupa, cremes, calçado, mochilas, óculos, meias. Pouco se fala do espiritual. Mas também há quem ligue. E cada vez mais nos vamos preparando melhor espiritualmente. Há ganhos nisso, ninguém duvide. O antes é tão importante como os dias de caminho.

ÂNIMO

Andar sem ânimo é como viver sem alma. Uma peregrinação sem ânimo é como um corpo sem alma. Caminha-se mas não se anda, não se cresce. Em muitos quilómetros o ânimo passa por muitas fazes: a vontade de sair, correr, caminhar e ir sempre em frente, a euforia do que se vai conquistando, a ânsia de continuar, a fraqueza e vontade de desistir, a dúvida e o desânimo.
O peregrino passa por muitos estados de ânimo: pela secura do deserto e pela doçura da planície, pelo vento forte e pela carícia da brisa suave, pela montanha íngreme e quase impossível e pela descida aos precipícios infernais, pelo calor tórrido, o tempo seco, o frio da manhã, a ausência dos pios dos passarinhos e o ladrar dos cães que assustam, pelo combate com os monstros de ferro, com milhares de monstros de ferro que são os camiões tir! Aqui falta uma palavra de apoio, ali é um companheiro que não se cala, aqui dá vontade de rezar, ali tudo é dor e tortura.
Ânimo e desânimo. Caminhar, parar. Porque vim? Porque continuo a sofrer? Porque não páro? Para tudo, e para uma peregrinação também, é preciso uma determinada determinação. Sem ela não se chega lá.

«A PROVA DA SANTIDADE É CARMINHAR SEMPRE.»

É a frase de despedida da IV Peregri. É do P. Eugénio Maria. É para nos recordar que a peregrinação não acaba. Que se não caminhamos para algum santuário — o emprego a tanto obriga! —, podemos sempre, essa é a verdade, peregrinar ao santuário interior onde só mora A beleza e santidade de Deus. Podemos carminhar sempre, que a carminhada ao interior está sempre a começar, sempre de bem em melhor.
A santidade não é uma conquista como quem ergue uma taça e bebe um gole d’água. Mas carminhar sem desistir. Há sempre caminho para quem quer subir à perfeição.

Caros Peregris 2010, e outros interessados...



Contra muitas expectativas, chegamos, TODAS AS ETAPAS, bem antes das horas esperadas, senão vejamos:

1.º Etapa: Mira – Alhadas (25 Km em 4:45 Horas)
Cumpriu-se a um ritmo de corrida de fundo, onde os elementos de apoio, pouco trabalho tiveram, por exemplo: não foi montado o “acampamento” de descanso nem para comermos qualquer tipo de alimento, porque, aí sim, os carros de apoio foram incansáveis durante o caminho: Queres água? Queres Fruta? Queres Bolachas? Só faltou, por exemplo, queres uma sandes de leitão? (Nota: porque não uma casa de banho ambulante, até dava jeito, pelo menos para as meninas e senhoras, porque pelos homens…)
Tanta vontade de carminhar sem paragens que chegamos antes das 11 horas ao local de almoço… provavelmente a cozinheira ainda estava na cama, a dormitar.
Tanto tempo poupado que aproveitou-se para descansar e fugir do calor que já apertava.
Depois do almoço, e de termos verificado que era hora de partirmos, pusemo-nos à estrada, juntamente com a Madrinha, que entretanto foi ao nosso encontro com a sua Cara-metade, a um ritmo mais lento, (temos de respeitar a Madrinha, já não tem 36 anos – média de idades do grupo).
Demorou mais tempo o caminho até ao Centro Comunitário de Alhadas (demoramos hora e meia), por irmos com uma média bastante baixa em comparação com a que vínhamos a fazer, por respeito para com a Madrinha.
Tivemos tempo de sobra, até para ir à Farmácia comprar um medicamento que um Peregri tinha com validade já ultrapassada…

2.ª Etapa: Gala – Barrocão (37,8 Km num total de 6 Horas, cerca de 6,3 km/Hora)
Nova maratona, com alegria.
NOVAMENTE chegamos antes do tempo previsto (somos um espectáculo), aproveitou-se para conversar e preparar as mesas para o almoço que estaria quase a chegar.
Depois de abastecer os nossos motores com o combustível (Frango de Churrasco, Sumos, Águas, Chás de Cevada e Iogurtes), tivemos tempo para um merecido descanso! Cerca de duas horas para dormir a sesta, relaxar músculos, pôr a conversa em dia ou simplesmente para ouvir música.
Iniciámos a segunda parte do dia, até ao Barrocão, durante a qual rezamos o nosso Terço (Mistérios Dolorosos).
Chegamos ao Barrocão, com uma média de estrada de 6,3 km por hora!!!!!!!!!!!!!!!! Isto é que é vontade de carminhar!

3.ª Etapa: Barrocão – Fátima (25,5 Km em 3:50 Horas, cerca de 6,65 Km/ Hora)
Mais uma etapa, provavelmente a mais dura, pelas suas subidas e descidas.
Iniciada à 7:10, tendo como única paragem, e esta sim obrigatória, junto à N.ª Sr.ª de Fátima que foi colocada ali, por ser um dos caminhos que os peregrinos fazem. Depois de 15 minutos parados, para rezar e tirar uma foto, reiniciamos a carminhada, tendo só parado na rotunda dos peregrinos.

Conclusão:
Na minha modesta opinião, e da pouca experiência que tenho, (2.ª Peregrinação), foi sem dúvida uma excelente perigrifati. Sem grandes contratempos, sem discussões rodeada de um ambiente de paz, alegria e companheirismo...
Talvez por termos chegado sempre antes do tempo previsto houve tempo para descansar, orar e conviver!
Por isso, dou os meus parabéns à organização (apesar do curto espaço de tempo com que foi organizada!) e restantes perigris por a tornarem única!
Posso já confirmar em 85% a minha inscrição para o próximo ano!

Beijos e Abraços

Marco Branco I Aveiro

DOMINGO XI DO TEMPO COMUM

Naquele tempo, um fariseu convidou Jesus para comer com ele. Jesus entrou em casa do fariseu e tomou lugar à mesa. Então, uma mulher – uma pecadora que vivia na cidade – ao saber que Ele estava à mesa em casa do fariseu, trouxe um vaso de alabastro com perfume; pôs-se atrás de Jesus e, chorando muito, banhava-Lhe os pés com as lágrimas e enxugava-Lhos com os cabelos, beijava-os e ungia-os com o perfume. Ao ver isto, o fariseu que tinha convidado Jesus pensou consigo: «Se este homem fosse profeta, saberia que a mulher que O toca é uma pecadora». Jesus tomou a palavra e disse-lhe: «Simão, tenho uma coisa a dizer-te». Ele respondeu: «Fala, Mestre». Jesus continuou: «Certo credor tinha dois devedores: um devia-lhe quinhentos denários e o outro cinquenta. Como não tinham com que pagar, perdoou a ambos. Qual deles ficará mais seu amigo?». Respondeu Simão: «Aquele – suponho eu – a quem mais perdoou». Disse-lhe Jesus: «Julgaste bem». E voltando-Se para a mulher, disse a Simão: «Vês esta mulher? Entrei em tua casa e não Me deste água para os pés; mas ela banhou-Me os pés com as lágrimas e enxugou-os com os cabelos. Não Me deste o ósculo; mas ela, desde que entrei, não cessou de beijar-Me os pés. Não Me derramaste óleo na cabeça; mas ela ungiu-Me os pés com perfume. Por isso te digo: São-lhe perdoados os seus muitos pecados, porque muito amou; mas aquele a quem pouco se perdoa, pouco ama». Depois disse à mulher: «Os teus pecados estão perdoados». Então os convivas começaram a dizer entre si: «Quem é este homem, que até perdoa os pecados?». Mas Jesus disse à mulher: «A tua fé te salvou. Vai em paz». [Lc 7, 36-50]

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Enquanto isso...

Enquanto o Carmo Jovem chegava a Fátima, chegava também a Compostela, no coração dos nossos noviços Dany e Ricardo. É bom saber que sim. Obrigado.

Acolhimento - Convento de Carmo Aveiro

terça-feira, 8 de junho de 2010

Mira - Alhadas

O NOSSO PASTOR POR QUATRO DIAS P. PEDRO LOURENÇO FERREIRA, PROVINCIAL OCD

Homem, amigo e padre

Decorria o ano de 1950 quando Emília Lourenço, casada com Joaquim Ferreira, residentes nas Fontes, freguesia de Cortes, Leiria, foi consultada pelo médico. Este sentenciou: tem um temor; precisa urgentemente de ser operada. Como mulher sensata prontamente lhe respondeu: «Aqui ninguém mexe!».

Passados os nove meses, a 5 de Abril de 1951, dá à luz um menino ao quem puseram o nome de Pedro Lourenço Ferreira. Foi o último de 7 filhos. Em 1962 entra no seminário dos Carmelitas Descalços em Viana do Castelo e em 1967 dá início ao Noviciado em Avessadas, onde fez a profissão solene em 1968.

Em seguida fez os estudos eclesiásticos no Porto e ao mesmo tempo os estudos de música no Conservatório, onde concluiu os cursos gerais de Educação Musical, Acústica e História da Música, Composição e Piano. De 1973 a 1975 fez a especialização em Liturgia no Instituto de Liturgia S. Anselmo em Roma. No dia 13 de Junho de 1976 foi ordenado Sacerdote no Carmelo de S. José, em Fátima.

Desde Outubro de 1978 integra o Secretariado Nacional de Liturgia como vogal do mesmo, onde tem prestado vários serviços. Em 1990 a Conferência Episcopal Portuguesa criou o Centro Nacional de Pastoral Litúrgica e nomeou-o primeiro director. No dia 17 de Novembro de 1994 foi nomeado secretário da Comissão Episcopal de Liturgia (cargo que vem repetindo) e director do Secretariado Nacional de Liturgia. Em 1998 foi eleito membro do Secretariado da Associação Europeia dos Secretários Nacionais de Liturgia.

Leccionou a disciplina de Liturgia no Instituto de Ciências Humanas e Teológicas do Porto nos anos lectivos de 1985-1987. Têm orientado cursos, proferido várias conferências no âmbito da pastoral litúrgica e nos últimos anos é professor de Liturgia do ano propedêutico no seminário de Leiria.

Na Ordem dos Carmelitas Descalços exerceu os ofícios de superior na comunidade de Fátima (1981-1984 e 1996-1999), no Convento de Avessadas (1984-1987). Foi Mestre de Noviços e Director do Mensageiro do Menino Jesus de Praga (1993-1994). Director das Edições Carmelo (2002-2005). Foi Superior Provincial dos Carmelitas em Portugal nos triénios de 1987-1990 e 1990-1993 e 1999-2002 e 2005-2008. No último capitulo, em 2008, foi de novo eleito Provincial, cargo que exercerá até 2011, até ver!

A construção do Centro Internacional Mariano – Domus Carmeli –, em Fátima, foi mais uma das boas obras que com pulso firme “comandou” e consegui levar a bom termo. Agora falta colocar em marcha a segunda fase!

Excelente comunicador, conferencista e pregador. Conseguiu este especial reconhecimento pouco tempo depois da sua ordenação num sermão na festa da Senhora do Monte. Tinha-lhe dito o seu pai que para ser bom pregador «tinha que fazer chorar as velhas». Ainda a pregação ia a meio e já as pobres senhoras se derretiam em lágrimas. Cá de trás o seu Pai dava-lhe sinal de que ele estava a ter sucesso.

Outras histórias tenho ouvido acerca do seu pai: Conseguiu que o homem bebesse Coca-Cola, e levou-o à Ilha da Madeira… Certo dia, pararam numa área de serviço e resolveram “molhar a palavra”. Uma das filas para o bar parecia interminável, daí que atalharam pelo self service, mas neste nem sinal dum vinhito! O mais parecido era mesmo a Coca-Cola: o homem lá a bebeu. No final disse-lhe: «— filho, não voltes a parar aqui. Se o vinho não presta, as pessoas não hão-de ser grande coisa!»

Era sonho do Ti Joaquim ir à Madeira, porém havia o medo de andar de avião. A solução encontrada foi dizer-lhe que já era possível ir à Madeira de comboio… o homem lá se convenceu e convenceu os amigos que ia à Madeira de comboio! Tudo foi bem até à estação de S. Apolónio, mas quando reconheceu a Portela… ficou mudo e mudo entrou no avião! Na tentativa de quebrar o gelo o P. Pedro pediu uma garrafa de tinto. Quando a hospedeira apresentou a dita, o homem solta a expressão: «— Aqui também há disto?!»

O P. Pedro é um homem com horizontes bem definidos e atento à evolução. Foi ele que deu abertura ao domínio na Internet www.carmelitas.pt e www.liturgia.pt. Aprendeu a custo próprio a linguagem de programação web e durante muito tempo foi o webmaster destes sites. O PDA, GPS e um bom computador são ferramentas de trabalho que não dispensa.

Homem de Deus e por Ele abençoado, é um sinal da Sua presença no nosso meio. É amigo, alegre e sempre pronto a ajudar. Bem merece a oração dos jovens carmelitas. Obrigado, P. Pedro.

Delfim Machado