segunda-feira, 28 de junho de 2010

CRONICAZ de um Perigri, letra R





RAQUEL
Chamávamos-lhe Verónica. Tem agora outro nome, Raquel. Há quem sublinhe muito a sua falta e de facto as coisas no Carmo Jovem são diferentes sem ela. Mas mais que nunca ela nos ajuda a caminhar, mesmo se fisicamente já não caminha connosco. E se há em relação a ela algum sentimento comum é o de que seja feliz e nos dê testemunho dessa fidelidade.




RICARDO
Faz-nos falta como a Raquel. Mas o que todos querem é vê-los fiéis e felizes. E se forem felizes nós seremos fiéis! Sempre lembrados nas nossas orações sabemos que não nos esquecem, e é também por eles que nós caminhamos. Andavam sempre juntos, agora aprecem ainda mais juntos.

CRONICAZ de um Perigri, letra Q





«QUERO VER A DEUS.»
Não é essa a ânsia que faz correr os peregrinos? É. E é essa ânsia que nos fará viver o próximo ano e depois regressar ao caminho. É isso que queremos.


CRONICAZ de um Perigri, letra P





PAIS
As três peregrinações anteriores tiraram-nos de casa no Dia da Mãe. Era sempre uma pena. Aliás, é sempre uma pena não trazer os pais. A alguns custa mesmo muito. Mas nunca são esquecidos. Eles, os irmãos, os amigos, os que nos ajudam, os colegas. Desta vez trouxemos com particular afecto os pais da Raquel.


PALMAS
À chegada somos todos heróis. Todos merecemos palmas. Só um de nós passou pelo carro de apoio e nele não deve ter ido mais meio quilómetro. Todos as merecemos, portanto.
Conforme a tradição a última etapa termina na Rotunda do Peregrino. Depois dum refresco e das palmas e abraços que todos merecemos, de t-shirt bem posta, lá vamos em direcção à Capelinha onde encerramos a Peregrinação. Palmas, pois, para todos. Para o ano há mais palmas.



PÉS
Há quem julgue que o segredo são os pés, mas julgo não o serem. Mas são como um baluarte inexpugnável. São os pés que se firmam nos caminhos, são eles que nos levam, que nos fazem voar. Levam o peso todo em cima, sofrem todo o calor do alcatrão. São quem mais sofre, julgo eu. São também quem mais reza. São mesmo crucificados, por isso merecem todos os cuidados e atenções.

sábado, 26 de junho de 2010

DOMINGO XIII DO TEMPO COMUM

Aproximando-se os dias de Jesus ser levado deste mundo, Ele tomou a decisão de Se dirigir a Jerusalém e mandou mensageiros à sua frente. Estes puseram-se a caminho e entraram numa povoação de samaritanos, a fim de Lhe prepararem hospedagem. Mas aquela gente não O quis receber, porque ia a caminho de Jerusalém. Vendo isto, os discípulos Tiago e João disseram a Jesus: «Senhor, queres que mandemos descer fogo do céu que os destrua?». Mas Jesus voltou-Se e repreendeu-os. E seguiram para outra povoação. Pelo caminho, alguém disse a Jesus: «Seguir-Te-ei para onde quer que fores». Jesus respondeu-lhe: «As raposas têm as suas tocas e as aves do céu os seus ninhos; mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça». Depois disse a outro: «Segue-Me». Ele respondeu: «Senhor, deixa-me ir primeiro sepultar meu pai». Disse-lhe Jesus: «Deixa que os mortos sepultem os seus mortos; tu, vai anunciar o reino de Deus». Disse-Lhe ainda outro: «Seguir-Te-ei, Senhor; mas deixa-me ir primeiro despedir-me da minha família». Jesus respondeu-lhe: «Quem tiver lançado as mãos ao arado e olhar para trás não serve para o reino de Deus». [Lc 9, 51-62]

sexta-feira, 25 de junho de 2010

CRONICAZ de um Perigri, letra O





«O ESPÍRITO SANTO NÃO NOS ABANDONA.»
Foi a frase que presidiu ao quarto dia. Visto que peregrinar não é fácil, é sempre bom ter consciência de que a nossa força não somos nós. De que em nós vive Quem nunca nos abandona. De que sempre podemos recorrer a Ele. Há horas difíceis? Há. O Espírito do Ressuscitado é de fortaleza e está sempre connosco para que não paremos de caminhar o caminho da perfeição. E assim foi.



ORAÇÃO
É uma das marcas da Peregri. Ainda o dia não é dia, quer dizer, não é luz, já nós estamos levantados e de malas e maletas aviadas e com corda nos sapatos. Mas não começamos a andar sem rezar. À noite, o mesmo. Quando tudo está refrescado e pronto, antes do descanso, damos tempo à oração em grupo. Ninguém falta.
As horas de solidão também são muitas. São muitas as horas em que caminhamos sozinhos. São horas boas de introspecção. Horas que todos gostamos. O que se reza cada um sabe. Uns rezam rezando, outros caminhando, alguns cantando. Cada um fala ao seu jeito, sei que assim é pelos testemunhos esparsos e discretos que surgem ora aqui ora ali.
Mas a peregrinação é toda ela uma oração. Peregrinar é rezar. Outra forma de rezar. Dos pés à cabeça tudo reza. Sim, as bolhas também ajudam a rezar. Sim, não criar bolhas é ainda rezar. Os montes e ribeiros, as searas e os passarinhos, as gentes e os automóveis, os caminhos, as estradas, o calor e o frio, o silêncio e o ruído, o nascer e o pôr do sol são rezar, ajudam a rezar.
Quando vamos alegres, cantamos; quando vamos cansados, rezamos. Sei de quem para vencer a dureza do caminho reza. Sei de quem rezou e chegou ao fim sem perceber. A oração adianta o caminho e apressa as horas, ou retarda o tempo aos que vão frescos e gostam de caminhar. A oração é como o paladar. Sim rezamos, que para isto é a oração: para que nasçam mais obras, mais ânimo para o caminho.

CRONICAZ de um Perigri, letra N





NUNO
(Vai perdoar-nos que chamemos assim, simplesmente Nuno!) Dele se pode dizer o que os Evangelhos dizem da Virgem Maria: «Guarda tudo no seu coração». Este ano falou um poucochinho mais. Já há apostas: a que mais votos leva diz que é por ter vindo visitar-nos ao AAAcampáki.


CRONICAZ de um Perigri, letra M




MADRINHA
Só temos uma. Não queremos outra. É sábia, é espiritual. É simples, disponível, Carmelita, enfim. Nela se cumpre o Evangelho. Muitas palavras do Evangelho lhe caem bem. Tantas medita, que, quem por ela passa, algo de bondoso pode colher nem que seja um singelo copo de água fresca.
Ela que já não é nova a mim me contou que no fim lhe tocou o melhor vinho, como em Caná da Galileia. Se assim é e se o bom vinho é o Carmo Jovem, deixe que lhe diga: ó responsabilidade que acaba de nos lançar para os ombros!
As raparigas dizem que se dorme bem em casa da Madrinha. Não duvido. Ao que depois elas caminham!
Estou certo que o exemplo move. O seu exemplo de mulher toca as nossas mulheres e a mim também.

MARGARIDA E INÊS
São o futuro. Uma é Marta, outra Maria. Uma contemplativa, outra activa. São meninas de nove e onze anos. A Gotinha tem futuro. Já vestiram a camisola e levaram a faixa para casa. Já querem saber quando serão convocadas de novo. Sê-lo-ão, sê-lo-ão. Queremos que venham, precisamos que venham. Agora que trazem a Gotinha no coração, queremos que aprendam a carminhar connosco.



MARIA
É para a casa dela que caminhamos, é à escola dela que vamos. Porque sabemos que a Mãe nos quer ele para nos levar ao Pai.
E o regresso diz bem aonde acabamos de chegar, donde acabamos de zarpar.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

CRONICAZ de um Perigri, letra L



LIXO
É uma das presenças mais presentes no caminho dos peregrinos. É impressionante o lixo que os próprios fazem. Somos um lixo de país. Eu também contribuí com uma tampinha que me caiu na subida de Santa Catarina. Não a apanhei porque não pude, julguei que morria e não quis atrapalhar quem comigo caminhava. Penitencio-me por isso. São os tais erros ou defeitos que todos temos.
A verdade é que o caminho cheio de plásticos velhos é muito feio. Não ajuda nada a carminhar. Não se passou isso connosco. No fundo do carro do António Branco estavam todas as garrafas que bebemos, e na carrinha do Zé todas as tampinhas (as garrafas punha-as ele zelosamente nos plasticões).
A peregrinação tem de ser completa. Para quando uma peregrinação da beleza que não fira nem suje a natureza?






LÚCIA, IRMÃ
Quem diria? Gosta mesmo de nós. Não perde uma para caminhar connosco. Quanto lhe agradecemos! O Carmo Jovem também gosta muito dela. E então, desde que ela se deixou fotografar com o nosso lenço e o nosso pin, ainda mais!
Sabedora da nossa Peregri, fez-se presente com uma Carta que o Carmelo de Coimbra delicadamente nos escreveu. Foi uma carta bem longa que escutamos em silêncio. Por ser tão longa não foi logo bem digerida, mas vamos dá-la a todos para que todos a leiam e re-escutem a mensagem e lhes custe menos o carminhar.
Muito obrigado, Irmã Lúcia.


CRONICAZ de um Perigri, letra G




GOTINHA
O Carmo Jovem é uma pequena Gotinha no oceano. Sabemos isso e não é isso que nos assusta. Somos tão pequeninos que os primeiros raios de luz do dia nos secam como se seca o orvalho da manhã. Mas depois reverdecemos, vem a noite e ressurgimos. Refrescamo-nos. E eis-nos a caminho. Em quinze anos de história já vi a Gotinha renascer muitas vezes. E em Fátima ela renasceu mais uma vez. Mais uma vez me alegrei. O bom Deus ama a Gotinha e por isso a renova e com ela as nossas forças.
Mais uma vez eu vi a Gotinha renascer. A crescer.


terça-feira, 22 de junho de 2010

CRONICAZ de um Perigri, letra F




FAIXA
A faixa do Carmo Jovem é inseparável do look dos peregris. Não é que seja grande coisa, é um sinalzinho que nos identifica. Caminhemos à frente ou atrás, separados ou em conjunto, somos Carmo Jovem. É entregue na Bênção do Peregrino e deve ser guardada e defendida não só durante mas também depois da peregrinação. Bem à vista ela fala o que somos. Somos gente com coração que ama o Carmo em Movimento. A faixa diz isso e mais, e é verdade. É verdade que há movimento: muito de pés, mas muito mais no interior.
A Beatriz também recebeu uma, mas já reclamou uma faixa mesmo, não um lençol. A ver vamos.



FAMÍLIA
Deve ser do caminho ou então das dores. O caminho distende-nos, mas não nos separa. As dores doem-nos e todos se condoem. O caminho é duro, mas é sempre menos duro para alguém que tem uma réstia de força para ajudar os mais fracos ou desanimados. Somos uma família. Há algo que nos une. O António Branco é o mais velho do plantel. Tem filhos entre os peregrinos e até uma neta. No fim, ele diz sem vergonha que para onde olha vê um filho e que os não distingue. Os da casa não são menos que os de fora. Somos todos filhos, somos todos família. É isso que se sente, é este calor que conforta, cura e anima. É esta a marca do Carmo Jovem, e tanto assim é que não se esqueceram os ausentes, os que não puderam vir, os que tomaram outro rumo, os que nos foram encomendados. E por uns dias os laços apertaram ainda mais.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

CRONICAZ de um Perigri, letra E


ERROS Há erros há. Como em tudo que mete homem ou mulher. Uns custam mais que outros, mas ainda assim são raros; ou melhor foram raros nesta peregrinação. Ninguém está isento deles, é claro. Mas tudo se perdoa com um abraço ou um sorriso. Tudo se esquece, porque o importante é chegar ao fim. Na próxima peregrinação só quero quem erre, porque os que não erram são anjos e andam a voar…



ESPIGA
Junho é o mês das searas. Bonito foi vê-las sobretudo dum lado e outro da Estrada da Guia. Muitas estavam já colhidas, as restantes loiras. Como iniciámos a Peregrinação em dia do Corpo de Deus a cada um de nós foi-nos entregue um espiga. Tinha uma particularidade: não tinha grão. E tinha um objectivo: depô-la aos pés da Mãe. Se não tinha grão ficou-nos uma intenção: cuidá-la e chegar com ela ao Santuário, deixá-la simbolicamente em nome de cada um, e visto que grão não tinha todos desejávamos que a nossa vida se enchesse, a fim de que vazia não a depuséssemos junto da Mãe. E assim foi. E assim se fez.



ESPÍRITO SANTO
Ao longo do Ano as nossas actividades sempre foram patrocinadas por um sacerdote já canonizado ou em vias, e sempre fomos rezando pelo do lugar. Quem nos deu a frase para a quarta Peregri foi o Ven. Eugénio Maria do Menino Jesus, Carmelita Descalço francês, falecido na década de sessenta do século passado. Escreveu ele: «O Espírito Santo alegra-se de estar connosco», o que em linguajar se lê: «O Espírito Santo alegra-se de carminhar connosco». E estava dito. E de facto o Espírito Santo andou sempre connosco, e tanto andou que sempre chegámos com mais duma hora de antecedência às respectivas metas. É caso para dizer: o Espírito Santo dá-te asas. E é que dá mesmo!

EUGÉNIO MARIA
O Venerável Eugénio Maria do Menino Jesus, sacerdote carmelita francês, 1894 – 1967, foi o padroeiro da nossa peregrinação. Pouco conhecido em Portugal já ouvi dizer que é um grande santo. Pois é, eu sei. Conheceu o Carmo e a ele se entregou depois de ler São João da Cruz. Viveu entregue à graça de Deus. E ensinou a viver só para Deus, totalmente aberto a Deus. Foi bem escolhido como modelo de confiança.




«EU QUERO O ABSOLUTO.»
Esta foi a frase inspiradora do terceiro dia da nossa peregrinação. É do Venerável Eugénio Maria. Ser peregrino é isso: não lhe chegar o quotidiano, o habitual. Querer o Absoluto obriga a sair de si e da sua família, obriga a abrir para Deus, o único absoluto que sacia a sede de quem ousa ter mais sede que a sede dos dias habituais. Eu quero, nós queremos o Absoluto e nada menos que o Absoluto nos consola!


CRONICAZ de um Perigri, letra D



DEPOIS
Depois recomeçamos. É o regresso ao quotidiano. É como colocar as peças no tabuleiro. No caso de alguns é começar a pensar na organização da próxima. Na cabeça de todos é já buscar um buraquinho de tempo e de sensibilidade para continuar a peregrinar. Depois? Depois é tempo de não se desistir de se ser peregrino, humilde peregrino.



DESISTÊNCIAS
Não houve. O que é uma alegria. Todos chegámos. E em primeiro! Conta-se, porém, a história de certo peregrino do Carmo Jovem que passou pelo carro. E quando o digníssimo traseiro se encontrava já bem refastelado, o nosso cronista Fernão Lopes registou em sua crónica: «Fulano de tal desistiu!» E o pobre ao ver-se perpetuado na história como um frraquinho logo saltou do veículo, que, ao que parece, nem chegou a suster a marcha convenientemente. E recomeçou a marcha. Porém, ainda assim faltou ao assustado peregrino ir da Rotunda Norte à Rotunda Sul, para completar o caminho que andou de boleia! Fica para o ano.



DESPEDIDA
A despedida é sempre o mais difícil. Durante quatro dias o caminho da peregrinação gera dores e afeições que se nos colam à alma e que tardam ou jamais desaparecem. Nascem ali uns laços que laçam como se fossemos família. Por isso tanto custam a deslaçar. Deve ser assim em todos os grupos. Mas no Carmo Jovem não deve, é mesmo! A despedida é sempre tão longa, tão longa como uma Missa do Frei João. É o que dizem!

sábado, 19 de junho de 2010

IV PERIGRI - Testemunho IV



Peregrinar sob o olhar de Deus e da Virgem Maria.


Como é bom chegar, ter certeza de um novo recomeçar.
Agora com algo mais, um sinal carregado de experiências vividas.
O caminho faz-se por Amor num Acreditar, onde se deve agradecer o chão que beijamos a cada passo.
Só descendo à nossa humildade carmelita de peregrinos é que conseguimos valorizar e contemplar as coisas mais simples e belas da vida. Sim, porque só o Amor consegue ver que “para subirmos temos que descer e descendo é que conseguimos subir” !
Quero agradecer nesta peregrinação a honra que nos foi concebida, no dia do Corpo de Deus, de poder andar e deixarmo-nos levar por Ele, como bem lembrou o João Carlos, não somos nós que O levamos, é Ele que nos leva !
Também é motivo de especial referência a presença sempre em comunhão das nossas Irmãs Carmelitas, que andaram, rezaram e partilharam todos os momentos desta nossa peregrinação. Sempre bem visíveis na Cruz e na faixa com os seus nomes e dizeres, que transportamos com muito carinho, respeito e Amor, por onde quer que andássemos. Durante a peregrinação, algumas pessoas perguntaram se a Cruz não era pesada, se não estava cansado de a carregar sempre na mesma posição.
Respondi que todos temos uma Cruz para transportar, umas mais pesadas do que outras. Aprendi que a nossa Cruz é sempre mais leve quando ajudamos alguém a carregar a sua Cruz !
Depois de chegarmos a Fátima o descanso merecido estava à nossa espera, mas não consegui ficar quieto, algo me chamava…
Tive que ir ao Santuário, comecei na Capelinha das Aparições. Depois fui à Basílica onde estive também pouco tempo. Havia algo que me puxava, não era ali que queria estar. Ao sair, senti então a força do íman, caminhei pausadamente pelo recinto, sempre a olha-Lo…
Cheguei, coloquei-me debaixo, encostei a minha mão e olhei para cima, o céu estava azul com algumas nuvens a correrem, o que me deu a sensação que Cristo no alto da sua Cruz rodou e olhou para baixo ! Ali estava eu, tão pequeno, senti-me uma gotinha infinitamente pequena a contemplar… a insignificância que somos perante algo tão grandioso !
Chorei…
Fiquei preenchido por Ele !
Uma peregrinação serve para darmo-nos conta que sem Ele, nada somos e nada valemos, é Ele que a cada passo nos encoraja e enche de Amor. Nos faz Acreditar que somos capazes de enfrentar o caminho de cabeça erguida, de estender o nosso sorriso e a nossa mão ao nosso irmão que caminha connosco. De levarmos no coração aqueles que nos acompanham em oração. De nos deixarmos carregar nos momentos mais difíceis.

Obrigado meu Deus !

P.s. – A Madre superiora Maria Emília da Imaculada Conceição, do Carmelo de Coimbra, disse-me que estariam sempre connosco nas suas orações e que a Irmã Lúcia também nos iria acompanhar. Foi verdade, pude senti-lo na carta que escreveram em seu nome, com alguns pensamentos e orações que ela teve. E foi ainda mais intenso em sua casa, mais precisamente no poço do Arneiro onde o Anjo apareceu pela 2ª vez a ensinar os pastorinhos a rezar. Estavam duas lindas meninas que connosco rezaram sentadinhas em cima do poço, foi depois de rezar a oração final que a Cruz Carmelita que esteve sempre calmamente encostada ao Anjo, balançou e caiu. Um sopro forte foi o seu causador, para mim, mais um sinal da sua presença entre nós, como que a dizer que estava Feliz por estarmos a rezar…

Ide em Paz, caminhai para Deus. “Não tenhais medo de entregar tudo ao Tudo”.

Tony, Coimbra

DOMINGO XII DO TEMPO COMUM

Um dia, Jesus orava sozinho, estando com Ele apenas os discípulos. Então perguntou-lhes: «Quem dizem as multidões que Eu sou?». Eles responderam: «Uns, dizem que és João Baptista; outros, que és Elias; e outros, que és um dos antigos profetas que ressuscitou». Disse-lhes Jesus: «E vós, quem dizeis que Eu sou?». Pedro tomou a palavra e respondeu: «És o Messias de Deus». Ele, porém, proibiu-lhes severamente de o dizerem fosse a quem fosse e acrescentou: «O Filho do homem tem de sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos príncipes dos sacerdotes e pelos escribas; tem de ser morto e ressuscitar ao terceiro dia». Depois, dirigindo-Se a todos, disse: «Se alguém quiser vir comigo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz todos os dias e siga-Me. Pois quem quiser salvar a sua vida, há-de perdê-la; mas quem perder a sua vida por minha causa, salvá-la-á». [Lc 9, 18-24]

sexta-feira, 18 de junho de 2010

CRONICAZ de uma Perigri, letra C




CAMINHO
O caminho é o que nos leva, como é óbvio. Ele já lá está quando chegamos, ele por lá fica quando o calcamos e avançamos. Nada de novo aí.
O Caminho de Aveiro, chamemos-lhe assim, é aquele que percorremos. Na grande maioria seguimos a berma da Nacional 109. Se nuns sítios ela é generosa e larga, noutros é estreita e facilita o convívio com o trânsito. O trânsito é um desafio a juntar aos desafios do caminho. Um heroísmo a juntar ao da decisão de peregrinar.
Não sei o que goste mais, se das rectas se das curvas. Se das descidas, se das subidas. Parece-me que das subidas e das rectas. As subidas são sem dúvida o melhor caminho de se fazer. Sobe-se melhor do que se desce. Mas é óbvio, depois do Barracão tanto se desce que tarde ou cedo teremos de subir. E por isso lá está a longa subida de S. Catarina para nos testar a força dos motores.
Dizem que a maior das rectas da Tocha tem 22 Km. Talvez seja. Tanta lonjura assusta: parece que nunca acaba, mas acaba. É preciso coragem e seguir em frente. O Norte ainda não tem um caminho demarcado que afaste os peregrinos das bermas das estradas. Mas já merecíamos um caminho demarcado e cuidado, que nos tirasse de tantos riscos e que nos animasse a andar ainda mais.

CAMIÕES
Os camiões são uns campeões: são os nossos com companheiros mais presentes, nunca nos largam. Já agora: Sabe o que mais faz um camionista quando conduz: fala ao telemóvel! Aquilo, de facto, parece que não é difícil de conduzir, por isso eles falam tanto ao telefone. Vai daí quando se cruzam com os peregrinos raramente se desviam. A estrada é deles, a berma é nossa. Mas é muito fácil que eles invadam o que é nosso e façam valer o estatuto. Por isso, o melhor é ir atento ao monte e à moita, porque o mais certo é termos de saltar para lá.
E quando se caminha em silêncio, concentrado, talvez até rezando, ou numa meditação qualquer quer seja, uma que seja, sobre a vida ou as árvores, ou o que seja, pronto, chega de mansinho um camião e descarrega-te uma apitadela, que, se ainda não saltaste, é desta que saltas para as silvas!
E pronto, enquanto não nos derem um caminho do peregrino como deve ser, todas as Peregris vão ser sempre difíceis e muito arriscadas.


CONDUTORES Os condutores são imprescindíveis numa peregrinação. São eles que levam os carros de apoio. Um carro de apoio faz muitas coisas: leva água, sumos e fruta, uma pequena farmácia, colchões e mochilas, guiões e prendas, chocolate, alegria e ânimo, bolachas e bolachinhas para incendiar o último sopro de caminho. Recolhe um desalentado e responde às emergências. Por isso, os condutores são um pouco de tudo: aguadeiros e enfermeiros, carregadores e animadores, vendedores de banha da cobra. Os heróis são mesmo os que carminham a pé, mas caminha-se melhor sabendo que os anjos andam por ali. Por isso, os nossos parabéns e reconhecimento ao António Branco e ao Zé Henriques! Foram inexcedíveis.



CRUZ
Cada um tem a sua e nem sempre sabe levá-la. E também há quem levando a sua leve outras. Foi o caso do Tony. Carregou a sua e carregou uma que o Carmelo de S. Teresa lhe confiou. Carregou-a de Coimbra a Aveiro, de Aveiro a Mira, de Mira a Fátima. Normalmente o lugar da Cruz é à frente, desta feita foi atrás: era como uma luz que se projectava mostrando-nos o caminho, dizendo-nos onde haveríamos de por os pés. O Tony é um atleta, e como tal coube-lhe a tarefa de fechar a procissão. Fê-lo com agrado, com dignidade e saber. Ficamos muito mais dignos com a sua vivência e atitude.
Se as cruzes falassem saberíamos o que moveu cada um, mas não falaram. Mas sabemos o que disse o Tony, que «quando carregamos as cruzes dos outros as nossas ficam muito pequeninas!» Acredito que sim, sei que sim. É uma graça poder carregar a Cruz, ainda mais se ela é dos outros.
Ressalte-se ainda a grande dignidade — que todos podemos testemunhar — na maneira como o Tony a transportou: sempre na mão direita, sempre ao alto como se fora levezinha. Tiro-lhe o chapéu!
Existem também muitas cruzes nos caminhos. Embora bem menos que no verde Minho. Algumas assinalam tragédias, outras esconjuram o mau olhado da beira da porta, outras ainda assinalam a fé do nosso povo. Hoje já quase não se erguem cruzes novas de pedra, mas as que lá estão são suficientes. Assinalam a fé, pautam a nossa marcha, recordam-nos que ou por lá passamos ou passamos por lá. É esse o nosso caminho. Assim seja, assim o faremos.