quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Testemunho V - 4campaki: ao ritmo da semifusa



Olá…
Estou a escrever o meu testemunho para que possam acompanhar como foi aquela semana para mim no Acampáki.
Quando me inscrevi, não sabia o que iria para lá fazer, só conhecia o espaço e poucas pessoas, foi como se fosse para um lugar misterioso que nunca sabemos o que se pode encontrar. A verdade é que esse lugar me surpreendeu e muito, é como se aprendêssemos e vivêssemos o que nunca vivemos antes deixando as nossas coisas diárias para trás, como uma experiencia nova.
Eu aprendi a dormir numa tenda porque nunca tinha dormido; a ouvir a natureza, quando rezávamos as orações; a contemplar as estrelas e tudo à nossa volta até chegamos a ver várias estrelas cadentes; a ouvir Deus e rezar de manha e a noite o que eu raramente faço, talvez por preguiça; fazer novas amizades e preservar as mais antigas; ajudarmos uns aos outros quando eles mais precisavam e nas tarefas que nos eram propostas; as aulas com os professores que vinham de fora, para nos contar um pouco da sua vida; a conhecer o nosso espírito okapi, que no fundo é isso que o acampamento quer mostrar; as horas de silencio para pararmos e pensarmos um pouco; as horas de convívio entre todas principalmente as refeições; a jogar futebol e eu não aprecio. Sobretudo gostei imenso da Clarminhada não é que eu me tivesse comportado como devia, porque fui a última a chegar mas porque queria agradecer as pessoas que me ajudaram nessa noite e que principalmente porque me disseram para nunca desistir e para pensar que já estávamos quase a chegar.
Gostei imenso do Acampáki e espero para o ano voltar, tenho pena de não ter ficado a semana toda, mas não podia. Tenho a certeza que qualquer pessoa que fosse iria gostar.

Beijos da Fiúza :D

Sara Fiúza, Ponte de Lima
Aldeia de S. Rafael Kalinowski

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

AcampAula - Ao encontro do nosso Clown



No terceiro dia de 4campáki (dia 3 de Agosto), pelas 10 horas da manhã, deu-se início à segunda aula da semana que, como de costume, teve lugar na nossa Universidade (onde tomamos como bancos as mantas, como paredes as árvores e com tecto o céu).
Para surpresa de todos a professora desse dia seria a nossa amiga Ana Lúcia, que prometia transformar uma conversa entre amigos num momento rico de partilha de vivências e experiências.
A Ana Lúcia falou-nos deste último ano mais profundamente, pois afirma que durante o mesmo “visitou lugares que desconhecia” nela mesma e nos outros, salientando um exercício que já havia sido feito numa oração da noite, que consistia em entrar, passear e meditar num jardim interior que poderia ser habitado ou não e no qual poderíamos recriar memórias ou simplesmente procurar a nossa voz interior e assim encontrar a paz.
A Ana estabeleceu assim uma ligação entre a sua aprendizagem espiritual através do teatro e a sua aprendizagem espiritual como jovem carmelita. Relatou-nos um pouco da sua jornada no Carmo Jovem iniciada há 5 anos, participando no Acampáki apenas há 3, mas afirma convicta que já nem põe em causa participar ou não nesta actividade pois precisa de se afastar dos ruídos do mundo para poder ouvir o que é interior e o exterior.
Iniciámos assim uma viagem às acções, aos momentos e pensamentos que conduziram a nossa professora ao lugar interior e exterior em que se encontra hoje. Falou-nos da importância dos seus pais (que considera como melhores amigos), no seu crescimento como pessoa, desde o momento em que interpretava a personagem de Carochinha na sua primeira peça nos tempos de Infantário, passando pela escolha da área a seguir no 10º ano (no qual, ainda que com receio do mundo incerto das artes, escolheu Humanidades), até ao fim do 12º ano em que, com a ajuda de uma encenadora residente em Lousada, despertou a paixão pelas artes (canto, escrita e teatro).
Continuando a nossa visita, entrámos nas recordações (bastante vivas) do 1º ano de Licenciatura em Teatro, no qual a professora, afirma, teve de assimilar muita informação em diferentes disciplinas teóricas e práticas regendo-se por palavras-chave. Embora assuma que todas as disciplinas foram muito importantes, a que mais fascínio lhe despertou foi o Clown (uma disciplina opcional, cujo significado é “palhaço”).
Ao longo da aula fomos percebendo que o grande objectivo da disciplina era encontrar dentro dos alunos tudo o que acham ridículo neles mesmos, de modo a transmitir esse ridículo para a plateia e desencantar o riso. A Ana Lúcia confessou-nos que no início sentiu-se frustrada por não conseguir encontrar o que tanto procurava mas, com a sua dedicação e força de vontade, transformou-se em “Bianca, a acrobata das emoções”. Para lá das dificuldades em encontrar o seu Clown, a nossa professora aprendeu como interagir com o público, estabelecendo mais uma vez uma ligação com a Igreja (pois sendo o padre a figura central da eucaristia este também deve estabelecer contacto com a assembleia de modo a transmitir-lhe a sua mensagem).
A professora Ana Lúcia falou-nos ainda da necessidade de improvisar em palco, pois quando o público não reage à acção do Clown é necessário parar e recorrer à simplicidade (porque do vazio sai sempre alguma coisa, ainda que não sejam as reacções naturais do corpo). Havíamos assim concluído que no Teatro não podem existir preconceitos ou protecções, baseando-se na disponibilidade física e mental, na espiritualidade e na transparência.
Quando a conversa parecia dar-se por terminada surgiu uma pergunta: “Como lidar com algo superior (como a nossa religião ou a nossa personalidade) no teatro?” Foi então que a Ana Lúcia nos revelou que grande parte dos seus colegas ou são ateus ou acreditam em algo mas não sabem o que é, por essa razão sempre que tentava explicar-lhes o porquê de acreditar era criticada ou, simplesmente, não era entendida. Esta confissão comprovou que a mentalidade em relação ao Cristianismo no nosso país mudou e que a religião pode ser desvantajosa (em termos de emprego) como actriz. Assim sendo, se nos imaginarmos como uma luz que tenta transmitir a paz num meio de escuridão é certo que essa luz vai incomodar a quem não está habituado a ela.
A aula parecia estar a chegar ao fim quando a nossa professora nos propôs um exercício que todos aceitaram de bom grado. Este exercício consistia em deitarmo-nos nas mantas na posição de Alexander (pernas flectidas e distanciadas à largura das ancas e os braços estendidos ao lado do corpo), fechar os olhos e fazer silêncio no interior para ouvir o exterior (o vento que fazia os ramos dançar, as folhas a cair no chão). Após algum tempo em silêncio a Ana Lúcia fez-nos algumas perguntas cuja resposta devia ser interior (“consigo ouvir os batimentos do meu coração?”, O meu pensamento tem voz própria?”). Depois de analisarmos todos os detalhes no nosso corpo foi-nos contada uma história repartida em pequenas frases de modo a que pudéssemos recriá-la no nosso pensamento.
Durante aquele pedaço de tempo em que ali estivemos quase como desligados do nosso corpo, perdemos a noção de tempo e espaço, mas quando a voz da Ana Lúcia pediu que abríssemos os olhos e nos focássemos na primeira coisa que víssemos, o nosso corpo voltou a unir-se ao cérebro. Como não podia deixar de ser, o Frei João teve a brilhante ideia de que todos juntos criássemos uma história, cada um contribuiu com uma frase que completaria um conto cujo final tomou caminhos bastante caricatos!
Foi então que voltamos a nós próprios e entendemos que agora estávamos mais ricos, não em bens materiais mas em sabedoria, pois agora todos nós levávamos um pouco da Ana Lúcia nos nossos corações e, embora a aula já estivesse acabada, era hora de encontrar o Clown que há dentro de cada um de nós.

Maria Babo, Caíde de Rei
Aldeia de Santa Teresa de Jesus

Acampaki Júnior'10 - APRESENTAÇÃO



Olá! Eu sabía que nos voltaríamos a ver.
Estamos no segundo Acampaki Júnior. É uma alegria encontrarmo-nos todos para fazer amigos e reforçar a amizade com o Amigo.
Obrigado por teres vindo.
Estamos juntos para caminhar juntos, rezar juntos, rir juntos, aprender juntos e juntos saltarmos para a piscina. Quando estamos juntos a vida sorri e a amizade cresce. É por isso que é tão bom o Acampaki.
Há aqui amigos de sempre. Não os apresentarei, porque já conheces. Mas devo apresentar-te Pierre Berthelot. É um amigo especial. Era francês e nasceu há mais de 400 anos! Não era católico mas fez-se católico. Tinha nove irmãos, eram pobres apesar do pai ser médico da marinha francesa. O menino Pierre era um reguila, guicho, se quiseres. Começou a seguir o pai e acabou cientista, cosmógrafo mais propriamente. Primeiro do rei de França, depois do rei de Portugal. O melhor da sua vida viveu-o na Índia. Ali foi combatente bravo e cientista à séria. A sua vida cruzou-se um dia com um Carmelita e o cientista e guerreiro acabou sacerdote no convento do Carmo de Goa. Ali conheceu Frei Redento, que fora capitão da marinha portuguesa. Deram-se bem, foram amigos. Estimavam-se muito. Se fosse hoje dir-se-ia que onde estivesse um estaria o outro. Acabaram mártires ao serviço de Portugal e da fé católica.
De Pierre Berthlot, ou melhor, de Frei Dionísio da Natividade, é a frase que preside ao nosso segundo Acampaki: «Sou feliz mesmo que não me compreendam!»
Ora aqui está um grande homem! Imaginas quantas contradições ele sofreu? Quantos mares e quantos ventos o combateram? Quantas fragatas inimigas o enfrentaram?
Quantos inimigos o ameaçaram?
Pois, venham as oposições e as dificuldades que o nosso carmelita diz que sempre seria feliz apesar de incompreendido. Ele sempre soube seguir Jesus, que mais precisaria? — Por isso era feliz!
Depois de Pierre quero falar-te de Teresa.
Viveu um pouco antes de Pierre e era espanhola. Nasceu nobre e era belíssima e inteligente. Era tão bela que fazia parar o trânsito de Madrid! (E não havia no mundo de então cidade como Madrid!) Bem sei que Madrid do séc XVI não é a New York actual, mas as mulheres daquele tempo eram bem belas! E Teresa mais que ninguém era mulher para encantar reis e rainhas, nobres e plebeus e até os cães! E a Deus! Sim, a Deus!
Deus enamorou-se dela, mostrou-lhe o quanto era seu amigo! Mostrou- lhe o que dois grandes amigos podem fazer juntos! Teresa agradeceu a amizade de Jesus e com Ele e por Ele dedicou-se a fazer amigos de orar, amigos cujo gozo fosse rezar! Já imaginaste? Uma mulher de oração! Uma mulher capaz de encantar e atrair por que rezava!
Ó que mulher e amiga foi Santa Teresa de Jesus!
Noutra página do Guião poderás ler mais sobre ela; e ao longo das nossas orações poderás escutar algumas palavras dela.
Olá, amigas! Olá, amigos!
Desejo-vos um belo Acampáki, cheio de amizade.
Com belos amigos, como Pierre, Teresa, João. É belo ter amigos, pois são quem nos ajuda a atravessar o Inverno!
Que Jesus, Teresa e Pierre sejam felizes connosco!
Oh! Como é belo ter amigos!

Frei João Costa
Pastoral Juvenil do Carmo

Testemunho IV - O meu primeiro Acampaki



Acampaki. O nome até parece fatela. Convidaram-me a ir, hesitei, mas depois de algum esforço por parte dos meus familiares, acabei por aceitar. E hoje, dou graças a Deus por ter aceite. Tive medo de não me dar bem no meio de pessoas desconhecidas, visto que só conhecia o meu Padrinho e a Maria João. Mas, correu tudo bem, e não demorou muito.
Ali, no meio do nada, mas perto de tudo, passei das melhores semanas de que tenho memória. Ali, todos juntos, fomos um só. Mesmo diferentes, unimo-nos e formámos um animal esquisito chamado Okapi. Todos juntos, sorrimos, demos umas valentes gargalhadas, aprendemos, ouvimos, rezámos. Juntos, partilhámos momentos. Ali, construi amizades, que espero, sinceramente, que nunca tenham fim. A Laura, a tímida. O Bruno, o carente. O Rafael, o calado. A Betinha, a talentosa. O Luís, o meu AI. O Tiago, o mergulhador. A Joana, a bem-disposta. A Nandinha, a chorona. A Ana Lúcia, a actriz. A Catarina, a afilhada do meu padrinho. E a Maria de Babo, a minha irmã.
Ali, fui eu própria sem receios, diverti-me, comi ervilhas e fui muito feliz. Lembro-me de todos os momentos, os mais altos e os mais baixos, a cumplicidade de alguns olhares e a forma em como nos demos todos bem.
Esta, é uma semana pequena, que se torna grande com a intensidade em como a vivemos. Partilhamos histórias e emoções, sentimentos e palavras. Nunca irei esquecer em como ali me senti bem, ao ponto de nem querer vir embora. Para o ano, tenho que lá voltar. E nem quero saber se me vão obrigar a comer dez ervilhas novamente ou se vão passar a semana a chamar-me de jornalista!
Eu vou, e sei que Ele acompanhar-me-á. Obrigado por tudo! Esta, é uma experiência única, a qual recomendo a qualquer um!

Diana Oliveira, Aveiro
Aldeia de S. João da Cruz

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Pedro Berthelot


Pedro Berthelot
Beato Dionísio da Natividade
[1600-1639]

Vou apresentar-vos Pierre Berthlot. Também é conhecido por Frei Dionísio da Natividade, ou Bem-aventurado Dionísio da Natividade. É um santo, portanto. E carmelita.
Pierre é francês. Nasceu virado para o mar, em Honfleur, Normandia, no dia 12 de Dezembro de 1600. Foi o primeiro de dez irmãos! A sua mãe chamou-se Fleurie Morin e seu pai Pierre Bertlot. O pai era médico da marinha francesa. Eram pobres. Mas pelo menos nos sonhos Pierre era grande!
Pierre nasceu protestante calvinista e sem que se saiba a data virá a converter-se em católico.
Era ainda muito adolescente quando começou a embarcar e aprender os segredos do mar. Adolescente ainda embarcou num belo veleiro chamado Aigle, acompanhado por seu pai, e alcançou a licença de piloto numa viagem à Terra Nova. Completou a sua formação marítima navegando durante sete anos noutros navios, sob vigilância de seu pai.
Aos 19 anos saiu na nau Esperança rumo à Índia como cosmógrafo, mas virá a ascender ao almirantado ao serviço do rei de França. Dois anos depois o Esperança foi aprisionado e destruído pelos holandeses. Salvo do desastre Pierre Berthlot passou por Massakar, chegou ao porto de Malaca e pôs-se ao serviço da coroa portuguesa.
e Portugal, para estudar quantos países descobrem e visitam. Como recordação daquelas viagens e prova fidedigna da sua grande perícia e valor, é o testemunha da sua obra preciosa Tabulae maritimae, que se conserva no Museu Britânico de Londres.
Tomou parte em vários combates e sofreu muito durante a travessia, mas o jovem e valente marinheiro chegou completamente ileso. Durante o tempo da travessia demonstrou todas as suas qualidades, como sejam a seriedade e responsabilidade, ao ponto do capitão do navio o nomear primeiro piloto do navio, quando era ainda um jovem sem experiência.
Quando se encontrava em Goa conheceu e tornou-se amigo do Padre Filipe da Santíssima Trindade, carmelita, que o encaminhou para a Ordem do Carmo. Encorajou-o a abandonar tudo e a vestir o hábito de Carmelita. E é o que faz em 25 de Dezembro de 1636 quando professa os votos religiosos com o nome de Frei Dionísio da Natividade, nome com que hoje é conhecido.
Dois anos depois, em 24 de Agosto de 1638, o antigo cientista foi ordenado sacerdote. Os superiores sentem-no preparado, tanto em virtudes como em ciência. Entrega-se completamente ao apostolado entre os nativos. Foi um modelo de todas as virtudes.
Tendo morrido o sultão Iskandar Muda, do reino de Achem, o Vice-rei Pedro da Silva enviou ao seu sucessor Iskandar Thani, uma embaixada de bons ofícios formada por 3 navios e capitaneada por Frei Dionísio que se fez acompanhar pelo português Frei Redento da Cruz, um antigo e alegre capitão da marinha portuguesa. Dando cumprimento à sua missão o embaixador Francisco de Sousa e a embaixada foram travados pelos holandeses, que lhe deram combate e depois prosseguiram a sua rota.
Chegaram a Achén em 25 de Outubro de 1638. Aqui morreram mártires no dia 29 de Novembro de 1638.
O Papa Leão XIII beatificou-o juntamente com Frei Redento da Cruz em 10 de Junho de 1900. A sua festa litúrgica celebra-se a 29 de Novembro, unida com o seu companheiro de sempre, irmão no Carmo Descalço e no martírio, Bem-aventurado Redento da Cruz.

Sónia Ferraz
Caíde de Rei

Testemunho III - 4campaki: redescoberta



«Se me Roubarem Não Me Roubarão o meu Refúgio: A Oração.»
O Acampaki é o meu refugio… lá encontro mais intimamente o meu melhor amigo, lá no 4Acampaki não tive barreiras para chegar até Ele; é maravilhoso o meu tecto ser o céu e as paredes serem as árvores, sinto uma enorme PAZ interior, uma liberdade…
Descrevo esta semana como uma procura de algo… uma procura que consegui fazer, pois tinha a Família okapi; sim, nós durante aquela semana partilhamos experiências, emoções, risos, lágrimas… Família okapi é uma comunidade, que tem como único objectivo ir de encontro a Ele, aprendermos com Ele.
Em poucas palavras o 4Acampaki foi: redescoberta.


Joana Costa, Viana do Castelo
Aldeia de S. Rafael Kalinowski

Saudação aos Acampakids'10



Olá!
Sê muito bem-vindo ao AcampAAki Júnior’10! Temos muito gosto que tenhas vindo acampakir connosco.
Alguns dizem que são poucos dias, mas não sei se já tinhas reparado: o acampaki já começou há uns tempos, quando te puseste a prepará-lo. Pensar em todas as coisas que devias trazer, os amigos que ias rever ou conhecer, a decoração da aldeia, as experiências que vamos viver juntos…
Este é um lugar onde tudo à tua volta é natureza: repara nos montes que nos cercam, a mata, o riacho que corre lá em baixo, a água translúcida da piscina, as árvores e as plantas, a vinha, os pássaros e, quem sabe, porque em outros anos pareceu por aí, um ouriço-cacheiro. À noite, repara no céu, de tão perto que estamos dele, vê-se uma imensidão de estrelas!
Não tenhas dúvidas, num lugar assim vais fazer muitas descobertas!
Vais descobrir que, no dia-a-dia, entre tarefas, diversão e oração se destaca um grande Amigo. Alguém que nos acompanha em tudo e que, muitas vezes, passa desapercebido. Nestes dias, aprende a senti-Lo. Senti Lo na natureza, senti-Lo no amigo que se senta ao teu lado, no que faz parte da tua equipa de tarefas ou da caça ao tesouro, naquele que, ao início nem o gramavas muito, mas foste percebendo que até é fixe.
Não desperdices nem um pedaço deste acampaaki, porque no fim, tenho certeza, vais ter pena porque já será hora de levantar as tendas. Por isso, aproveita-o ao máximo! O jornal de parede para partilhares as tuas vivências (nem que seja num rabisco); a piscina, o campo de futebol, o relvado para conviver e divertir-te; as tarefas para cresceres e sentires que o acampaaki correu bem porque tu também contribuíste; o amigo invisível, escrevendo-lhe e fazendo-lhe surpresas (mas sem nunca revelares a tua identidade); os momentos de oração, que como a nossa mãe Santa Teresa de Jesus nos ensinou, são encontros e diálogos de amizade com um Amigo que nos ama.
Mas já chega de conversa! Vamos a ele!
Vamos Acampakir!
Bom acampAAki Júnior’10!
João Brito,
ultimamente mais conhecida por Cucas

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Testemunho II - 4campaki



Olá, meus queridos Okapis,
Bem, estou aqui para partilhar o meu testemunho sobre o nosso 4campki.
Adorei passar esta semana convosco e adorei conhecer-vos a todos. As partes do 4campaki que mais gostei foram da nossa clarminhada, das nossas horas de silêncio, onde aí aprendi a escutar a Deus e a Natureza tal como ela é, as horas de piscina ( é claro), e sobretudo adorei conhecer a Betinha a quem mando muitos beijinhos, o Luís, a Nandinha a cozinheira de serviço (mãezinha) e todos os que me ajudaram a crescer com gotinha do Carmo.
Gostava de vos falar das minhas horas de silêncio, pois eu detestava, mas agora já não passo sem elas, porquê? Porque faz-me muito bem ouvir a Natureza, ouvir a Deus, o que até aí não conseguia, até porque eu andava muito stressada e com o 4campaki aprendi a acalmar a reflectir sobre os problemas, não agir de cabeça quente. Enfim, adorei o 4campaki.!!!!
Até para o ano, e aprendam a escutar a Natureza!!
A vossa Okapi querida

Catarina Costa, Amarante
Aldeia de Santa Teresa de Jesus

Nosso pastor por quatro e oito dias


Frei João Costa
Nosso pastor por muitos dias

Apresento-vos o Frei João!
Não vou aborrecer-vos com a mudez das datas nem com a descrição enfadonha de percursos académicos. Até porque o Frei João, é muito mais que tudo isso… Conhecê-lo é certamente uma tarefa desafiante e compensadora!
Nascido para o mundo numa pequena aldeia do concelho de Amarante há 43 anos, é cerca de um mês depois que é integrado pelo Baptismo na grande família dos Filhos de Deus. Membro de uma família cristã comprometida na fé, o João é o mais velho de cinco irmãos.
Aos 10 anos, o filho mais velho da família Costa, sem sonhar com a história da família que o precedeu, vai dar cumprimento a um sonho do seu avô materno e, pela mão de sua mãe vai para o Seminário… o Seminário mais perto de casa (a mãe não queria perder de vista a sua cria!)- Avessadas, então Seminário Menor da Ordem dos Padres Carmelitas.
Um pequeno parêntesis para vos contar que o avô Manuel havia sonhado ter um filho padre. Mas Deus tem os seus desígnios e eis que este homem é pai de 2 meninas! Um sonho adiado… Sim, simplesmente adiado: o seu neto mais velho iria concretizar este sonho!
Dizem que sempre gostou de andar no Seminário, ainda que um dia tenha teimado ficar em casa recusando para lá voltar. Mas, graças ao jeitinho convincente que só as mães têm, o Joãozito lá se vê de regresso ao Seminário… só até terminar o ano lectivo, pensava ele!
E porque Deus trabalha no segredo do coração humano, o João consagrou a sua vida ao Senhor, no seio da Família Carmelita há 24 anos. Mas, Deus pediu-lhe mais e o Frei João, como sempre, disse “Sim”, abraçando o Sacerdócio Ministerial há 16 anos.
Nestes 24 anos de consagração religiosa, passou por diversas comunidades: Braga, Avessadas, Aveiro e por último Viana do Castelo, onde serve a Comunidade como Prior.
Trabalhador incansável, o Frei João tem dado a vida por muita gente e por muitos projectos: quem não conhece o seu valioso contributo na reconstrução do Convento de Aveiro, o empenho e alegria com que levou em frente o Mensageiro do Menino Jesus de Praga e a sua dedicação quase paternal à Pastoral Juvenil da Ordem Carmelita em Portugal conhecida por todos como Carmo Jovem?
O João é, sem dúvida um religioso generoso, determinado e persistente! Atento aos ensinamentos de S. Paulo, o Frei João, “insiste, a propósito e a despropósito”…
Um frade disponível cujo horizonte só termina em Deus e por isso nunca se deixa abater pelo cansaço… sabe que na vida há um tempo para tudo e por isso faz a sua sementeira seguro de que Deus cuidará e a seu tempo os frutos hão-de surgir! Em ano de Campeonato do Mundo de Futebol, quem não ouviu falar de uma táctica de jogo que denominam como “toca e foge”? Pois é, o Frei João é um pouco assim na relação que estabelece com aqueles cuja história de vida se vai cruzando com a dele. Um homem que se faz presente e desaparece!... Mas, à semelhança dos jogadores que usam esta táctica, o Frei João mantém-se atento à jogada e quando vê que a sua presença é necessária ei-lo de novo com uma palavra amiga, provocadora e sempre intencionalizada! Tal como na vida, nada acontece por acaso quando o Frei João age: mesmo quando parece desatento e descontraído, o João sabe sempre por que toma esta e não aquela atitude. Quantos de vós não sentiram já esta presença do Frei João? Eu diria que é uma verdadeira presença amiga: atenta, generosa e sobretudo libertadora porque não intrusiva!
O Frei João é um homem discreto, não gosta de ser protagonista, prefere o trabalho de bastidores: escondido mas imprescindível. Tem consciência que em todo o seu trabalho, mesmo quando parece o actor principal, é Deus que ocupa o lugar de destaque, é Ele que faz a obra! Como diz o João, “eu estou para servir”!
Este é o Frei João!
Um jovem religioso, que nutre um profundo amor pelo Carmo e pela sua espiritualidade. Um homem que percebeu que “quem a Deus tem nada lhe falta” e que por isso “só Deus basta”!
Por certo, muitos de vós conhecer-lhe-ão muitas outras facetas. Acredito porém que todas elas não serão mais do que pequenas parcelas que dão corpo a um ser humano muito especial e que tenho a certeza ser um Homem de Deus!
Dai graças a Deus pelo dom da sua vida e da sua vocação! Pedi ao Senhor que o faça dócil à Sua vontade para que pelo exercício do seu ministério vós possais ver as vossas vidas mais enriquecidas pela presença de Deus!
Julieta Palma
19 de Julho de 2010
Memória litúrgica da Mãe da Divina Graça

Testemunho I - Nunca vou esquecer o meu primeiro Acampáki


Esta semana foi uma verdadeira semana de descoberta para mim pois era o meu primeiro Acampáki. Não sabia o que ia encontrar e para traz deixava a minha casa, o computador, a televisão, amigos e família: tudo aquilo em que sou viciada!
Quando lá cheguei encontrei um verdadeiro lugar de amor, amizade, oração e divertimento.
Lá tudo era marcante: as nossas paredes eram árvores, o nosso tecto era o céu; tínhamos a imensidão toda para a nossa descoberta.
No início eu era muito caladinha e pouco falava, mas acabei por ver que todos éramos um só e assim passei a barreira da timidez. E juntei-me ao espírito okapi. Afinal, tal como este animal nós juntámos as nossas virtudes e tornámo-nos só um, com um objectivo de nos encontrarmos com a natureza e falarmos com Deus. Ao longo do dia moviamo-nos com os mesmos objectivos, éramos e somos uma verdadeira família okapi.
Eu adorei este 4campáki: a minha mochila foi bem cheia para aí, mas para casa voltou abarrotar. Comigo trouxe novas amizades, experiências novas, momentos de oração, momentos de diversão, momentos de partilha, entre muitos outros, razão pela qual nunca vou esquecer o meu primeiro Acampáki e todos os que lá encontrei.

Laura Pereira, Deão, Viana do Castelo
Aldeia de S. Rafael Kalinowski

Crónica do Acamapki, o segundo Acampaki Júnior


PARA O ANO PODEMOS CHORAR MAIS?


Cogitar
As coisas são como são. Todos sabemos disso.
E para que as coisas sejam e marchem bem é necessário muita marcha prévia, muito suor e alguma imaginação. Estava posto o escriba com estas e outros serenas cogitações, quando o assento à beira Lima plantado estremeceu porque, dizia o lado de lá do telefone, junto à porta da Quinta do Menino Jesus de Praga de Deão se encontravam já alguns acampaakids. A hora era a certa, o que não se esperava é que os kids de mais perto fossem os primeiros a chegar. Afinal os vizinhos da igreja chegam já a Missa foi começada! Mas era verdade, elas estavam lá e era preciso abrir-lhes a porta.
(O Acampaaki Júnior tinha efectivamente começado. Porém, por razão certa, costumamos nós dizer que ele começa muito antes mesmo de nele nos inscrevermos…) Estamos em Acampaaki! Ala, vamos!

Chegada
A Coordenação lá foi para Deão, eu fiquei pelo Convento nesses dias deserto de frades. As últimas tralhas estavam carregadas, por isso a partida foi rápida. E rápida foi também a viagem. Apesar de tudo, surpresa à chegada!
Ao chegar estavam à espera quase todos os acampaakids, os de longe e os de perto. Aberta a porta daquele quase-paraíso terreal a primeira tarefa foi a montagem das tendas por aldeias. Acabada a tarefa os monitores orientaram-se para preparar o jantar com as pequenas partilhas trazidas, os kids atiraram-se vorazmente à água. A piscina revelou-se quente como quente estava o dia rodeado de fogueiras, aqui e além no horizonte. Apesar do quente da água permanecia ainda um restinho de gelo frio que acabaria por desvanecer-se com o suave avançar das horas.
O jantar foi, como serão todos os outros, debaixo da ramada, num cantinho duma leira. A tarde foi-se indo e caiu a noite. Desceu o sol, subiram as estrelas. Nasceram as luzes e fomos caindo na real. Afinal, existem regras e necessidades para cumprir. Não se pode andar sempre a nadar ou a jogar às cartas. É preciso pôr a mesa, levantar e lavar os pratos, recolher as toalhas, limpar a cozinha, deixar tudo em ordem.
Para surpresa de uns e de outros e talvez de todos, tudo se fez. As raparigas com jeito e os rapazes à procura dele.
Entretanto, caída a noite refresca-se o ambiente. O Santuário de Nossa Senhora do Acampáki está pronto e a Universidade também. Pelas dez da noite iniciámos a subida da pequena encosta que nos introduz no sabor do saber e na fragância da oração. Nas mãos vão lanternas que nos avisam das irregularidades do caminho.


Apresentação
Na apresentação do primeiro Júnior cada um houve de desunhar-se para fazer uma caricatura sua. E de explicá-la. A grande maioria não quer repetir a façanha e se são levados a fazê-lo é só para que abram ainda mais as janelas. A verdadeira prova porém obrigar-nos-á a reescrever uma canção à escolha cuja letra espelhe preferências, defeitos, virtudes, proveniência.
(Silêncio, a hora que segue é para criativos!)
Quinze minutos depois começou a chuva de estrelas. E houve quem sentado no chão do jardim de eucaliptos visse estrelas cadentes. Eu vi e todos vimos estrelas, mais relutantes umas que outras, apresentando-se despojadas e verdadeiras. Estava lá tudo da vida de cada um, estava lá todo o Acampaaki Júnior que ainda só está a começar. A enganosa temperatura descera bastante. Mas ali ficámos por um bom par de horas. Já era muito tarde quando descemos do monte depois das canções, apresentações, regras e orações. Era tarde, bastante tarde, mas a noite parece que não vai ficar por aqui. À medida que nos aproximámos das aldeias o sono espanta-se e estalam as traquinices. Nada de maior, porém. Quando as luzes se apagam os pimpolhos estão já metidos nas tendas. Sim nas tendas, mas pouco convencidos de que devem dormir. E não dormirão tão cedo. Um risinho aqui, um espirro ali, além um cochicho, um chichi incomodativo, outro inoportuno, mais um – este rebelde! -, e outro inesperado e surpreendente, levaram a que a noite se estendesse pela madrugada fora. Nada feito. Houve monitores que não dormiram. Mas o dia será mais longo do que certamente esperarão. Esperem, pois.
Este foi o primeiro dia. Um dia em cheio. «Procurai ser simpáticos com todos», foram as últimas palavras de S. Teresa que levámos no coração ao entrar nas tendas.

Novo dia, segundo dia
Estava dito que o Acampaaki tem regras. E tem. Tem de ter. Por isso, acontecesse o que acontecesse à hora combinada soou a cabra. Soou a cabra? Sim, soou mas parece que ninguém ouviu! Ai não, então que soe novamente. Que soe aqui e ali, nesta e naquela aldeia, nesta e naquela tenda, e na outra e na seguinte até á última. Quem isto ler fique sabendo que não havia ali revancha alguma, mas espírito acampaaki. É preciso levantar rápido passar às abluções matinais e dali ao pequeno-almoço e deste para o Santuário e do louvor ao Senhor para a Universidade. Sim, leitor, você sabe isso, mas os acampaakids não. Ou não sabem ou não querem saber. Por isso quase ninguém se levanta. Vai daí mais uma investida dos monitores pelas aldeias, armados de espírito querrilheiro como quem vem para a todos desassossegar. Alcançado o efeito desejado tudo começa a entrar nos eixos previstos.
Objectivo conseguido, vitória alcançada. Para o lado do todos, claro.


Sou feliz mesmo que não me compreendam

Quando todos estão prontos começa a ascensão para o Santuário, para a oração da manhã subordinada ao tema: «Eu posso falar a Deus como se fala a um amigo.» E subimos.
Cá em baixo, na cozinha, ficou a Salomé e a Céu. Serão as nossas acampacozinheiras. Estamos em boas mãos e melhores corações!
Como é sabido entre os da tribo jovem o Ano Sacerdotal foi vivido com intensidade e oração pelos sacerdotes. Cada uma das nossas actividades a entregamos a um sacerdote santo que nos iluminou desde o passado e sempre rezamos por um sacerdote do presente – normalmente o pastor da localidade onde se realizava a actividade.
Vai daí o padroeiro do Acampaaki é o Pe. Pierre Berthlot – Bem-aventurado Dionísio da Natividade, carmelita e protomártir descalço. O nosso pastor por três dias foi o Frei João, por Pode não haver muita consistência, que a net já se sabe como é, mas quem garante garante e pronto. A frase inspiradora do Júnior é mesmo essa: «Sou feliz mesmo que não me compreendam.» Será o nosso lema todo o Acampaaki. quem rezámos.
Alguma luminária garante ter lido a frase em epígrafe numa de tantas biografias do Padroeiro aparecidas na net. Logo depois de subir ao monte rezamos. Depois passamos para a Universidade que fica paredes meias com o Santuário. Só há que mudar o mobiliário, digo as mantas. E a mudança tem de ser rápida porque a Marta Vieito e a Luciana Parente, Equipa Prexistências, do GAF - Gabinete Social de Atendimento à Família, de Viana do Castelo, já chegaram. Em pouco tempo foram também elas metidas no espírito acampaaki e em menos tempo ainda todos nós já estamos na Prexistências. Enquanto o sol esfrega um olho o grupo dos acampaakids fica dividido em dois, cada um entregue à maestria de uma das técnicas. Inicia-se aqui uma maratona de mais de duas horas apoiada numa adaptação do Jogo da Glória que levará a falar e a passar informação sobre dependências, drogas, prevenção, família, escola, grupos de pertença, substâncias, efeitos, ajudas, amigos e adrenalina.
Quando o jogo termina, não termina, porque dum lado e outro os miúdos querem continuar. Por fim termina e descemos mesmo a tempo de estender a toalha na mesa, colocar os pratos e almoçar.

O almoço é prolongado. Passada a hora do almoço não há tempo para descansar: as vozes erguem-se, as excitações e correrias aumentam. Há pinturas, orações e canções. É o Jogo da Caça ao Tesouro, que durou todo o tempo da digestão. Terminado o jogo alguém, perspicaz e ladino, descobre o tesouro merecido: bombons e chocolates da Sofia. Ó que bom, que rica antecâmera para a piscina.

A doce piscina foi curta. O que é bom termina rápido. É sempre curto o tempo da piscina, sobretudo se a água está quentinha. A custo os kids lá saem para uma chuveirada e preparação para o jantar.

A noite foi livre, para aliviar a pressão.
Por fim chega a hora da oração da noite, porque convém não desistir de rezar, como ensina a Mestra: «Àqueles que rezam eu gostaria de pedir que não desistam.» Terminada a oração o João Pestana desceu rápido ao Acampaaki e cobriu-o com o seu manto, pois estamos todos muito cansados.
Mas a coisa não vai ficar por aqui.

Surpresa!
Não, não fica por aqui. Os Monitores entendem fazer vigília. Não querem ser acordados por tudo e por nada, nem desrespeitados por uns pirralhos a sair da casca. Estou com eles. Um pouco antes das três da madrugada desperto e junto-me a eles. E às três em ponto acordamos todo o acampamento: Tudo fora das tendas que vamos passear! Foram obedecidos com rapidez e sem hesitações. Dez minutos depois estávamos a caminho com as faixas à volta do pescoço, mais cajado e cruz. Fomos dar uma volta pela aldeia de Deão, o suficiente para rezar o Terço que terminará no Santuário de Nossa Senhora do Acampáki. O regresso ao saco-cama será rápido, não há tempo de sono a perder.

Outro dia, terceiro dia


O dia acordou rápido, porque o Acampaaki está a terminar. Ainda há pouco nos víramos e é por essa razão que as caras estão fechadas como quem ameaça. Mas a ameaça fica só por aí. Superadas as rotinas matinais o grupo sai do acampamento em direcção à Capela de Nossa Senhor do Crasto. Nem duas horas de caminho. Afinal os acampaakids não caminham ou sobem, eles voam! Por isso em menos que nada ei-los a descansar à sombra das árvores do bosque que rodeia a Capela. Seguidamente o grupo separa-se, meninas para um lado e meninos para o outro. Abre-se o guião: as meninas lêem a biografia da Raquel, os meninos a do Ricardo. Há quem os conheça a um e a outro e a ambos. E quem não os conheça. Logo depois, até mesmo quem não os conhece escreve-lhes uma carta. Um acampaakid, uma carta.
As cartas não estão ainda acabadas quando chega o Frei João com a equipa da cozinha trazendo o merecido almoço. Espalhamo-nos pelas mesas e com ordem todos recebem um panado no pão; ou um pão com panado tal é o tamanho deste! Também há salada. Um peregrino da Senhora do Crasto almoça por ali e sem dizer água vai vai ao bar e traz uma garrafa de vinho verde branco fresco que oferece ao Frei João. Para que conste, ele não se faz rogado.
Ficou-se um pouco por ali, a deixar escorrer o tempo e o calor. Pouco tempo depois houve tempo de por os pés ao caminho e descer o monte pela outra vertente e alcançar Deão desde Deocriste.
Chegámos mesmo a tempo de preparar o Sarau da Noite e logo que possível saltamos para piscina.
E está escrito quase tudo sobre este dia, faltando, porém, o Sarau.

O Sarau
Não se pode abandonar um instante esta gente, porque te tramam logo. Ora não é que querendo abandonar o Acampaaki para ir dormir a Viana – O dia seguinte é o Dia do Senhor e há que rezar missas em tempo de férias de frades! – ia, dizia, o Frei João a abandonar o acampamento quando é delicadamente impelido a ficar. Fica. Afinal, sem saber, o sketch de cada aldeia tem por tema o Frei João e até há um que lhe quer bater. Não se sabe bem porquê, mas pronto. Quando é chamado ao palco dá-se a graça: desce convencido que vai lutar, mas quando ali chega todos fogem! O homem é mesmo um perigo!
Terminou o sarau com muita graça, a mesma com que começara e meara. O apresentador tinha muita graça. O Mimo também. Parabéns.
Cai o pano sobre o dia. Cai o pano? Não, não cai. Falta ainda dizer que os monitores dão um bónus ao pessoal: quem quiser pode ir à piscina depois da oração. Quem dormia despertou. E sobe-se ao Santuário «todos em direcção ao tesouro» da oração.
Depois que se apossam do tesouro saltam todos ao mar, digo à piscina. Alguém julgou que tinham frio? Enganou-se, se tinham ninguém o disse.
Fiéis, à hora marcada todos abandonam a piscina. Amanhã vamos levantar cedo. Esse era o compromisso.

Mais um dia, quarto dia

É Domingo. É o dia mais triste, apesar de ser dia do Senhor. A manhã é passada em limpezas e outras delicadezas, porque à tarde é preciso receber os pais e abrir as portas ao 4campaki. Rapidamente – havia por ali profissionais? – o Acampaaki ficou limpo e fresco. Passou-se à segunda fase: preparar a Eucaristia. Às 10:30 começamos uma bela e looooonga Eucaristia com cânticos e orações, partilhas e intervenções de todos.
Como é costume o Frei João falou pouco, mas falou substancialmente.
(Ai que o dia se esvai, e parece que falta o ar!)
O almoço partilhado é festivo e regado a água, a limonada e lágrimas. Quem lhes abriu as portas foi o André seguido das raparigas. Os acampaakids não comem ou pouco comem. Estão com saudades e perdem o apetite. A doença é bem conhecida e está bem documentada. Os pais comem, os monitores também e o Frei João idem. Assim é que é. Terminado o almoço há tempo para um cafezinho, um descanso e um pequeno relaxe que não pode ser muito demorado porque as tendas estão por desmontar e não tarde chega os Seniores. Ala, pois.

Pão de lágrimas
De facto os acampaakis comeram pouco, mas isso já é mais assunto de família que de Acampaaki e monitores. Todos compreendemos, enfim. Entretanto, as lágrimas muito acrescentaram a piscina e esse parece ter sido o alimento deles.
Por fim, já não há tendas na leira e as aldeias de tão desertas parecem o Portugal profundo. Os carros já roncam, mas quem é que os mete no carro. Onde estão eles? Estão junto à Capela do Menino Jesus. Choram, abraçam-se, trocam mensagens e moradas. Na verdade não sei que coisa tenha o Acampaaki que os põe assim. Até pais há com a lágrima no cantinho do olho. Talvez seja vontade de que o espírito perdure, ou a certeza do seu contrário.
A ver vamos, e que Deus nos abençoe, que sejamos felizes mesmo que não nos compreendam. Ámen. E que a Senhora do Acampaaki nos abençoe e guarde sob o seu manto.

Agradecimentos

Dizem que a regra que ora impera é a de não formatar os agradecimentos para que brotem puros e espontâneos como as águas frescas dos montes. Seja.
Aqui ficam os nossos agradecimentos aos acampaakis e aos pais, aos monitores e professores, à Ordem e ao Carmo de Viana, e a quem tudo fez para que fôssemos felizes no paraíso terreal da Quinta do Menino Jesus de Praga.
Para a Salomé e a Céu fica a fatia maior das lágrimas, orações e bênçãos. Afinal, no Acampaaki, podemos passar sem professores e sem piscina, sem orações e sem sol, mas nunca jamais passaríamos bem sem as suas sopas de cenoura e ervilhas, sem as verduras que nos tonificam e fazem crescer. Muito obrigado: para o ano podemos chorar mais, com ou sem babete?


Frei João Costa

sábado, 14 de agosto de 2010

ASSUNÇÃO DA VIRGEM SANTA MARIA

Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em direcção a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio. Isabel ficou cheia do Espírito Santo e exclamou em alta voz: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor? Na verdade, logo que chegou aos meus ouvidos a voz da tua saudação, o menino exultou de alegria no meu seio. Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor». Maria disse então: «A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da sua serva: de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas: Santo é o seu nome. A sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que O temem. Manifestou o poder do seu braço e dispersou os soberbos. Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes. Aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia, como tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à sua descendência para sempre». Maria ficou junto de Isabel cerca de três meses e depois regressou a sua casa. [Lc 1, 39-56]

sábado, 7 de agosto de 2010

DOMINGO XIX DO TEMPO COMUM

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: Tende os rins cingidos e as lâmpadas acesas. Sede como homens que esperam o seu senhor ao voltar do casamento, para lhe abrirem logo a porta, quando chegar e bater. Felizes esses servos, que o senhor, ao chegar, encontrar vigilantes. Em verdade vos digo: cingir-se-á e mandará que se sentem à mesa e, passando diante deles, os servirá. Se vier à meia-noite ou de madrugada, felizes serão se assim os encontrar. Compreendei isto: se o dono da casa soubesse a que hora viria o ladrão, não o deixaria arrombar a sua casa. Estai vós também preparados, porque na hora em que não pensais virá o Filho do homem». [Lc 12, 35-40]

domingo, 1 de agosto de 2010

Oração do 4campaKi

Pai! Senhor de tudo o que existe, nós queremos carminhar para Vós! Queremos acampar convosco! Amparados pela vossa graça, Vos glorificamos sem cessar. Infundi em nós a confiança absoluta de que sois nosso Pai e que sempre conduzis a barca da nossa existência. Acendei em nossos corações o fogo sagrado do vosso Amor e para benefício da Igreja e da Humanidade aumentai a fecundidade da Vinha do Carmo. Abençoai os nossos sacerdotes, religiosos e religiosas. Abençoai os jovens em formação prestes a consagrar-se. Abençoai os jovens que estudam a sua vocação. Abençoai os jovens casais, os adolescentes e jovens. Abençoai os nossos avós, pais e irmãos. Todos juntos, queremos ser flores deste belo jardim. Acompanhai-nos no carminho deste dia (noite). Acompanhai-nos no Acampáki da nossa vida. Que a Virgem Maria, nossa mãe e Senhora do Carmo, sacrário vivo e delicadeza do vosso terno amor, nos conceda a alegria do seu olhar, e ampare a firmeza do nosso seguimento. Que Jesus, nosso Acampáki, viva em nossas vidas a fim de que aumente em nós a fidelidade e o amor. Queremos continuar a seguir Jesus como amigos fortes seus! E queremos pedir-lhe: Ó Jesus, acampáki, no meu coração. Que a minha vida, animada pelo Espírito Santo, seja para todos um viva chama de amor. Assim, com ternura e em humildade e confiança, glorificaremos a Santíssima Trindade que delicadamente mora em nossos corações. Amén.

sábado, 31 de julho de 2010

DOMINGO XVIII DO TEMPO COMUM

Naquele tempo, alguém, do meio da multidão, disse a Jesus: «Mestre, diz a meu irmão que reparta a herança comigo». Jesus respondeu-lhe: «Amigo, quem Me fez juiz ou árbitro das vossas partilhas?». Depois disse aos presentes: «Vede bem, guardai-vos de toda a avareza: a vida de uma pessoa não depende da abundância dos seus bens». E disse-lhes esta parábola: «O campo dum homem rico tinha produzido excelente colheita. Ele pensou consigo: ‘Que hei-de fazer, pois não tenho onde guardar a minha colheita? Vou fazer assim: Deitarei abaixo os meus celeiros para construir outros maiores, onde guardarei todo o meu trigo e os meus bens. Então poderei dizer a mim mesmo: Minha alma, tens muitos bens em depósito para longos anos. Descansa, come, bebe, regala-te’. Mas Deus respondeu-lhe: ‘Insensato! Esta noite terás de entregar a tua alma. O que preparaste, para quem será?’. Assim acontece a quem acumula para si, em vez de se tornar rico aos olhos de Deus». [Lc 12, 13-21]