sábado, 11 de setembro de 2010

DOMINGO XXIV DO TEMPO COMUM

Naquele tempo, os publicanos e os pecadores aproximavam-se todos de Jesus, para O ouvirem. Mas os fariseus e os escribas murmuravam entre si, dizendo: «Este homem acolhe os pecadores e come com eles». Jesus disse-lhes então a seguinte parábola: «Quem de vós, que possua cem ovelhas e tenha perdido uma delas, não deixa as outras noventa e nove no deserto, para ir à procura da que anda perdida, até a encontrar? Quando a encontra, põe-na alegremente aos ombros e, ao chegar a casa, chama os amigos e vizinhos e diz-lhes: ‘Alegrai-vos comigo, porque encontrei a minha ovelha perdida’. Eu vos digo: Assim haverá mais alegria no Céu por um só pecador que se arrependa, do que por noventa e nove justos, que não precisam de arrependimento. Ou então, qual é a mulher que, possuindo dez dracmas e tendo perdido uma, não acende uma lâmpada, varre a casa e procura cuidadosamente a moeda até a encontrar? Quando a encontra, chama as amigas e vizinhas e diz-lhes: ‘Alegrai-vos comigo, porque encontrei a dracma perdida’. Eu vos digo: Assim haverá alegria entre os Anjos de Deus por um só pecador que se arrependa». [Lc 15, 1-10]

sábado, 4 de setembro de 2010

DOMINGO XXIII DO TEMPO COMUM

Naquele tempo, seguia Jesus uma grande multidão. Jesus voltou-Se e disse-lhes: «Se alguém vem ter comigo, e não Me preferir ao pai, à mãe, à esposa, aos filhos, aos irmãos, às irmãs e até à própria vida, não pode ser meu discípulo. Quem não toma a sua cruz para Me seguir, não pode ser meu discípulo. Quem de vós, desejando construir uma torre, não se senta primeiro a calcular a despesa, para ver se tem com que terminá-la? Não suceda que, depois de assentar os alicerces, se mostre incapaz de a concluir e todos os que olharem comecem a fazer troça, dizendo: ‘Esse homem começou a edificar, mas não foi capaz de concluir’. E qual é o rei que parte para a guerra contra outro rei e não se senta primeiro a considerar se é capaz de se opor, com dez mil soldados, àquele que vem contra ele com vinte mil? Aliás, enquanto o outro ainda está longe, manda-lhe uma delegação a pedir as condições de paz. Assim, quem de entre vós não renunciar a todos os seus bens, não pode ser meu discípulo». [Lc 14, 25-33]

Profissão do Frei Ricardo e Frei Dany


Porque levamos o Carmo no coração, hoje o nosso coração rejubila com a Ordem. É que o Frei Ricardo e o Frei Dany Oliveira celebram a sua profissão simples.
Muitas felicidades aos dois noviços!
A nossa Gotinha louva o Senhor pelo novo passo que assumis e reza por vós!

sábado, 28 de agosto de 2010

DOMINGO XXII DO TEMPO COMUM

Naquele tempo, Jesus entrou, num sábado, em casa de um dos principais fariseus para tomar uma refeição. Todos O observavam. Ao notar como os convidados escolhiam os primeiros lugares, Jesus disse-lhes esta parábola: «Quando fores convidado para um banquete nupcial, não tomes o primeiro lugar. Pode acontecer que tenha sido convidado alguém mais importante do que tu; então, aquele que vos convidou a ambos, terá que te dizer: ‘Dá o lugar a este’; e ficarás depois envergonhado, se tiveres de ocupar o último lugar. Por isso, quando fores convidado, vai sentar-te no último lugar; e quando vier aquele que te convidou, dirá: ‘Amigo, sobe mais para cima’; ficarás então honrado aos olhos dos outros convidados. Quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado». Jesus disse ainda a quem O tinha convidado: «Quando ofereceres um almoço ou um jantar, não convides os teus amigos nem os teus irmãos, nem os teus parentes nem os teus vizinhos ricos, não seja que eles por sua vez te convidem e assim serás retribuído. Mas quando ofereceres um banquete, convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos; e serás feliz por eles não terem com que retribuir-te: ser-te-á retribuído na ressurreição dos justos. [Lc 14, 1.7-14]

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Guilherme de Faria

Tu não és senão o que és em verdade, e a verdade é somente o que tu és perante Deus.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Queridos amigos carmelitas do Acampaki júnior


JM+JT


Queridos amigos carmelitas do Acampaki júnior,
Jesus, esteja presente em vossos corações!

1. Recebi notícias da vossa fé. Recebi belas palavras de amizade, palavras que nascem de corações jovens carmelitas. Jovens carmelitas, que carminham a meu lado, orientados por quem «sabemos que nos ama»! Obrigada pelo vosso carminho que se cruza no meu carminho espiritual.

…(e notícias da Raquel? Ela não escreve? Não responde às cartas que enviamos? Nós colocamos nos envelopes as nossas moradas…uh!)

2. Pois bem amigos, aqui vos envio notícias da minha fé…
Eu, Raquel, ando como o bom Deus quer. Quem me vê no Carmelo, quem conhece um pouco da minha história na história do Carmo, diz que, num hoje, ando ainda mais feliz! É verdade. Ando ainda mais feliz no Carmelo de Santa Teresa em Coimbra, a descobrir o que é a vocação de uma carmelita. (quantos horizontes ainda por descobrir!)
Carminho entregue nas mãos de Deus. Comparo o Carmelo a uma grande colmeia. Todas as abelhas trabalham pela unificação da Sua morada. Assim é no Carmelo. Somos células vivas, prisioneiras no Amor de Deus. (eis como me vejo, como vejo cada uma das minhas irmãs na comunidade onde me encontro.)
No Carmelo, o que mais voa é o tempo. Quando me encontro envolvida num determinado ofício, eis que a voz de Deus (o sino) me convida a entrar «mais adentro». Aprendi com São João da Cruz que: «no silêncio e na esperança está a minha paz!». E quando sou eu a tocar o sino a voz de Deus ecoa um pouco rouca… mesmo assim, o tempo no Carmelo é único. Não troco esta minha morada por nada!

3. No meio de todo este tempo, no tempo em que tudo Amo, em que tudo se faz amar, encontro outro tempo. Encontro um tempo para vos abraçar e acarinhar. Não sois vós, «filhos» da minha primeira herança? Este tempo também vos pertence. Neste tempo são horas de amar. São horas para amar! Penso em vós, acarinho-vos n´Ele.
Alguns de vós, nas cartas que me enviaram, faziam referencia à alegria que reinava por poderdes participar no Acampaki. Alegro-me com a vossa alegria. O quanto, a mim, me dava também ânimo organizar o Acampaki com os meus dois irmãos, Frei João e Frei Ricardo. (meses de reuniões, leitura, risos, choros, pc, contactos, estrada, compras… maravilhosas aventuras quando o amor é Amado!)
A nossa prioridade era acolher e integrar bem cada jovem que chegava até nós. Bendito seja Deus!
Mas… tudo tem o seu tempo, no tempo de Deus! Num hoje, organizo de outra forma, entrego a minha vida nas mãos de Deus junto à Cruz acompanhada pelo silêncio da "Senhora da capa branca", Maria nossa mãe!

(E para quando o regresso ao Acampaki?)
4. O regresso ao Acampaki, será desde o Carmelo de Coimbra. Acamparei na "tenda do encontro" com cada um de vós a meu lado. Será um CarmeliKampi. Que vos parece?

5. Quanto a cada um de vós, é tempo de serdes verdadeiros jovens carmelitas. Que sejais nas vossas jovens vidas: «casa que Deus edifica» [1 Cor 3,9]. O Acampaki não termina ao sair do portão da Quinta do Menino Jesus de Praga, em Deão. Continua na vossa vida. Enchei de alegria os vossos corações e continuai a saltar, a gritar, a carminhar com o Carmo Jovem nas estradas da vida, "mochai" muito… mas, não esqueçais que Ele quer continuar a acampar em vós. Esquecereis vós o vosso melhor amigo? Não esqueçais deste também.

É tempo de acolherdes este tempo, o vosso tempo, no tempo de Deus! Esse tempo tem que ser bem consumido. Não tenhais medo de arriscar, de serdes radicais em Deus e por Deus. Fazei bom uso d´Ele. «Carminhai enquanto tendes luz» [Jo 12, 2-5]. Ainda aí estais? Ide… Carminhai.

6. E como não sei dizer melhor, aqui fica um espaço em branco para que possais escrever todos os elogios que mereceis. (uns por terem sido aventureiros e terem aceite o convite para participar. Outros por terem trabalhado arduamente na realização desta actividade)

7. Que o Deus da esperança, nos carminhos da vida, seja para sempre louvado.

É tudo, no tudo!
«Só Deus Basta!»


Carmelo de Coimbra, 24. VIII.' 10
Dia da Reforma do Carmelo Teresiano

Testemunho VII - 4campaki, onde se aprende e onde se ensina

Olá!
Sou um dos muitos Acampakis, sou diferente de todos mas no fundo igual a todos. Este foi o meu primeiro Acampaki e logo à partida me apercebi de que embora fossemos todos diferentes acabávamos por nos completar justificando assim a escolha do espírito Okapi para o acampamento.
Este não é um acampamento normal, é um acampamento onde partilhamos experiências de vida, onde conhecemos montes de pessoas de vários sítios do país, onde se aprende e onde se ensina. No acampamento aprendemos a lavar a loiça, a varrer o chão, a lavar panelas e até a jogar à sueca. Ensinamos as pessoas a aceitarem-se como são e mostramos às pessoas que cada um é como é mas todos temos o nosso valor e é isso que nos torna únicos. É um acampamento muito rico em experiências, existia um local do acampamento apropriado para a partilha de experiências, esse local era a universidade (o local onde tínhamos as aulas com os professores vindos de vários sítios e que exerciam várias profissões). As pessoas são todas simpáticas e muito afáveis, sempre prontas a ajudar e sempre com uma palavra de apoio e motivação para nos dar.
Gostei muito do acampamento e quero repetir para o ano. Fui para o acampamento como um rapaz normal e vim de lá como um rapaz cheio de experiências para partilhar e com muita força para superar as adversidades do dia-a-dia e com muitos amigos para me apoiarem. Sem dúvida que eu podia não ter ido ao Acampaki e ter continuado a dormir na minha cama, mas eu não seria a mesma pessoa.

Bruno Araújo, Viana do Castelo

Aldeia de S. Rafael Kalinowski

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Testemunho VI - A simplicidade em mudar


Olá a todos!
Devo dizer-vos que, embora tente, não conseguirei expressar em simples palavras mudas e caladas tudo o que uma semana de Acampáki significou e sempre significará para mim, mas prometo dar o meu melhor para explicar que acampáki é muito mais que uma semana no meio de um monte longe de tudo (como muitos dizem).
Embora este tenha sido o quarto Acampáki, foi o primeiro em que participei e certamente não será o último. Pois não me importo se me chamam “maluca” ou “desinteressante”, não quero saber se sou esquecida ou apagada das futilidades da sociedade; Vou encontrar-me com ELE , vou conviver com aqueles que partilham a mesma vontade de LHE doar todos os dias, que mais poderia querer.
Durante uma semana aprendi a rezar de uma forma que me deixa inexplicavelmente feliz; aprendi a dar valor ao que tenho e a não ter medo de o partilhar (por muito pequeno que seja); explorei o espírito Okapi através das nossas diferenças e virtudes para que nos tornássemos num só; encontrei o meu verdadeiro refúgio incondicional: a oração.
Foram dias cansativos, não há dúvida disso (acordar cedo, sentar em cima de bolotas, tentar não adormecer na clarminhada, dormir num palco), mas tudo isto foi superado sempre com um sorriso na cara, com uma canção nos lábios e, claro, com a ajuda de todos os okampákis (sei que a Nandinha não clarminhou connosco fisicamente, mas esteve sempre no nosso pensamento). Ultrapassamos o sono, o frio, a vontade de desistir, até ultrapassamos gatos mortos; e não me venham com desculpas porque eu tenho bem a certeza que Ele riu, cantou e, quando era necessário, levou-nos ao colo para que não desistíssemos.
Em fim, o Acampáki é uma janela sempre aberta e convido-vos a olharem por essa janela, atravessarem a janela; eu encontrei a mais pura das felicidades, a PAZ interior e exterior que há tanto procurava, amizades indescritíveis e a simplicidade de cada dia, de cada emoção que deve ser vivida e partilhada como um presente para nós próprios e para todos os que nos rodeiam. Por isso, pensem em tudo o que mudou nas vossas vidas nesta semana e imaginem tudo o que poderá mudar se levarmos sempre a gotinha do Carmo Jovem bem perto de nós todos os dias.

Maria Babo, Caíde de Rei
Aldeia de Santa Teresa

domingo, 22 de agosto de 2010

Raquel, Feliz Aniversário!


Raquel, hoje sabemos que acompanhas a nossa Gotinha desde a vida de oração no Carmelo.
No dia do teu aniversário, damos graças a Deus pela tua vida, por toda a dedicação incondicional ao Carmo Jovem ao longo de quase 16 anos e pela tua vocação na Ordem.
Um fortíssimo abraço dos Jovens que levam o Carmo [Jovem e a Raquel] no coração!
FELIZ ANIVERSÁRIO!

sábado, 21 de agosto de 2010

Crónica do 4campáki


Sem o 4campaki não seríamos a mesma coisa!


Uma crónica impõe-se qualquer que tenha sido a epopeia navegada. Eis, pois, a do 4campaki. Porém, mais que o cronicar clássico aqui se abrirão janelas sobre parcelas da vida do quarto Acampáki que durou oito dias mas promete perdurar por um ano. Aqui nos contamos, porque como disse uma 4campaki: «Esta é uma experiência única que recomendo a qualquer um!»

4campaki
4campaki lê-se Acampaki e quer dizer quarto acampamento dos Jovens Carmelitas. Foi há quatro anos que começamos. Parece pouco mas não é tão pouco assim.
No 4campaki éramos dezasseis jovens contando com a Nandinha que teima e bem em chamar-se jovem carmelita. O número decresceu para quase metade. Se deixou pena o abaixamento das inscrições, também deu para compreender as impossibilidades. E também há quem diga: «Na minha agenda faz parte o Acampaki, não o dispenso nem por nada!»
Metade do grupo tem entre quinze e dezoito anos, a outra parte é mais velha e experiente. Juntos faremos uma boa caminhada.
Os mais velhos não esperam surpresas, os mais novos sim. E talvez sejam estes quem mais perto está da verdade.

Clarminhada
O que é uma clarminhada? É seguir em frente, sem medo. De noite. É deixar cair o sol, abraçar a lua e abandonar a segurança do acampamento recusando o repouso da tenda. É afoitar-se ao caminho, numa noite quente, acompanhado por amigos, confiar nos coordenadores, seguir a Estrela Polar. E acreditar que havemos de chegar, mesmo que seja em último lugar.
Havemos de chegar? É o que veremos. Já veremos se chegaremos.
Na noite do dia 4, Quarta-feira, depois da cozinha arrumada e posto o acampamento em sossego subimos ao Santuário. Estávamos todos artilhados com faixa do Movimento, o cajado e a Cruz das carminhadas. Connosco subiu a Nandinha, que depois descerá porque não há acampamento sem sentinela.
No Santuário desdobramos as páginas do Guião e rezamos uma pequena vigília que concluiu com a Imposição do Escapulário do Carmo. Partimos logo depois que a Mãe nos abraçou.
Ao longe e ao perto vêm-se incêndios que nos assustam e avermelham os medos que a noite traz no ventre. Partimos em direcção ao mar. Chegaremos cinco horas depois, uns cansados e outros muito cansados. Mas chegamos todos. O caminho já nosso conhecido não tinha dificuldades de maior, a não ser os 20kms de distância.
Chegamos. Chegamos todos. Nada há que pague uma praia livre a receber-nos e uma imensidão de mar a conversar connosco. De repente, tudo era imenso: o sono, os quilómetros andados, o mar, o céu, as estrelas. E nós, pequeninos, quase vencidos pelo sono, rezámos o terço em honra dessa Virgem que se vestiu com a cor do Céu e é Estrela do mar!
Depois dormimos duas horas em palco, sim em palco, no que deve ter sido a peça mais surrealista que alguma vez se viu, até porque a plateia nada viu porque não havia ninguém para ver senão o nosso dormir.
Confissão
Chega a Sexta-feira chegam as confissões. O momento vai sendo preparado com ligeiros e oportunos momentos de catequese. Chegada a hora, depois duma pequenina celebração comum, três sacerdotes espalham-se pelo monte. E os acampakis, já familiarizados com eles, vão aproximando-se ou de um ou de outro. Só há uma regra: cada um se confessa ao seu gosto e ao seu ritmo. (E é na intimidade duma confissão que descobrimos que o Rafael não é baptizado!)
Era meia tarde dum Agosto quente. Ouvir cânticos no Santuário e ver pés jovens cruzando o monte como quem regressa a casa do Pai é do mais bonito que há. Que não terminem as confissões no Acampáki!
Incêndios
O insulto maior é ver montes a arder. Noite e dia fomos assistindo a repetidos incêndios que irrompiam nos montes como se houvera uma mão, mais nefasta que providencial, que ia ceifando a natureza que nos regala.
Para nós Deão é um resquício de Paraíso. Essa é a ironia e insulto: ir ao Paraíso e dali ver que tudo à volta arde. Se é verdade que todo o fogo tem algo de purificador, a maior verdade é que nada víamos purificado, antes mais e mais triste, mais e mais esventrado e negado pela força destruidora de lume tão grande!
Jogos
Quem não gosta de jogar? Para que o tédio não plante a sua tenda entre as nossas recorremos aos jogos de grupo. O futebol não pode falhar, e a Portuguesa cantada por todos! (De fazer lembrar os grandes palcos onde joga a Selecção!). A equipa dos galifões contratou o Anelka branco, mas levou uma abada!
A Caça ao Tesouro valeu mesmo a pena. E no fim houve mesmo tesouro. Em poucos minutos a Quinta virou ilha e oceano, viram-se piratas e tugas corajosos a combatê-los. E quando o barco foi ao fundo houve de saltar-se para as águas e buscar os tesouros.
Os saraus também não falham. E quem disse que éramos um deserto de artistas? Não somos. Em cada jovem acampaki há um actor escondido. Diz quem viu que se passaram horas bem passadas a preparar apresentações que nos fizeram rir até às lágrimas.
Até houve torneio de sueca ganho por uma equipa que nunca tinha jogado, mas que, por telefone recorreu a treinadores estrangeiros – as mães! Verdade seja dita: foram tão bem treinados que no último jogo fizeram três arrenúncias sem que os adversários se apercebessem. E ganharam! É obra ou sorte de principiantes!
Oração
A oração é uma das melhores fatias do 4campaki. Logo pela manhã, ao despertar, sobe-se para junto de quem nos espera: Nossa Senhora do 4campaki. Desde a primeira hora que a Mãe tem um Santuário na encosta do monte. Mal ficaríamos se a não visitássemos, quer pela manhã, quer para a oração de Vésperas (uma hora já muito depois do anoitecer!)
No 4campaki a oração da manhã é sempre um pouco sonolenta. Mas a verdade é que com ou sem sono os filhos são sempre belos para a Mãe. Também no 4campaki sempre que nos abeiramos da Mãe ela se mostra mais Mãe e Mãe feliz.
As orações mais belas são as de Vésperas, as tais que rezámos quando a noite já vai grávida da madrugada. São momentos especiais, fortes, poderosos. Um foco sobre as nossas cabeças sublinha o espaço sagrado da oração, as árvores aspiram-nos para o alto, o alto acolhe-nos num regaço cheio de estrelas. No nosso Santuário entra o vento e o calor, o cão que ladra e a cigarra que canta, entra o silêncio e a festa popular que, algures, corre na margem duma estrada.
Os momentos de oração são tão belos, que ninguém os perde. E que importa se alguém adormece. Deus não é Pai? Como deve sorrir ao ver-nos assim, criaturinhas no meio dum monte a rezar!
Este ano rezámos especialmente com S. Rafael Kalinowski, mais anjo que homem, que em seu tempo conduziu milhares de jovens pelos caminhos de Deus e da oração, e que na provação foi reconhecido como intercessor das necessidades dos companheiros junto de Deus!
E rezámos com Teresa de Jesus, mestra sábia e prudente, que, dia a dia e hora a hora, nos animava com palavras que animam: «São felizes as vidas que se consumirem ao serviço da Igreja»; «Quem não deixa de caminhar, mesmo que tarde, chega ao fim.»; «Oração e maneiras sofisticadas não combinam!».
Teresa sabe do que fala. Por isso a trouxemos connosco, para aprender mais dela. Ela, por sua vez, alegre e feliz, com estes pequenitos filhos seus, prometeu continuar a caminhar connosco.
Pais
Ah, pois! Afinal, sim. Sim, oito dias depois damo-nos conta que ainda existem pais e irmãos e outros amigos, e uma cozinha e cama confortáveis em nossa casa.
O Acampáki não corta laços, antes laça os laços já laçados. Por isso é sempre bom ver que o Acampáki acaba, que acaba um experiência de vida em grupo, uma experiência enriquecedora que há-de dar frutos.
É sempre bom saber que fora círculo paterno os filhos comem sopa, cenoura e ervilhas, atum e repolho, põem e levantam a mesa, sabem onde se colocam os talheres e sacodem a toalha, lavam a loiça e passam a esfregona, cuidam do acampamento e da tenda. Tudo coisas para vida.
É sempre bom saber que fora do ninho paterno os filhos sobrevivem à privação da net e da televisão, da consola e telemóvel.
Não há dia no Acampáki em que não rezemos pelos pais e familiares. Mas de tão presentes parecem ausentes, por isso no finzinho, as saudades são uma surpresa tão grande que é imensamente difícil conciliar a vontade do regresso a casa com o desejo (impossível de realizar!) de prolongar os dias do Acampáki.
Piscina
A piscina é o mel na ponta da ratoeira. Quem não gosta de piscina? Todos, todos gostamos. E ao contrário do ano passado, este ano ela foi bem gostosa. O calor foi intenso, não choveu, nem de noite houve frio, pelo que saltar para a piscina era um regalo. Mergulhar e diluir-se na água sabia a recompensa.
As horas de piscina não eram muitas, não. A sagrada hora da digestão tem de ser respeitada. A da oração e a do silêncio também. A hora das aulas, das refeições e outros momentos comuns também nos privaram do frescor da piscina. Restam poucas horas, mas as poucas que restavam foram bem aproveitadas. E como havia menos acampakis restava mais piscina para quem veio.
Sabe bem a piscina com o calor. Fazer bombas e mergulhos. Refrescar a estoliada pele é do melhor que há.
As horas de piscina foram poucas, mas alguns aproveitaram-nas tão bem que julguei que sairiam da água feitos rãs!
Professores
É um clássico dos nossos acampamentos. Quatro das manhãs foram dedicadas a escutar alguns mestres, de áreas várias, para ir ao encontro dos diferentes gostos e interesses.
Assim recebemos o Luís Correia com a Célia e o filho João Manuel. Depois vieram a Ana Lúcia que estava no acampamento, o João Regueiras e o Fernando Ferrão.
O Luís foi o segundo Coordenador do Movimento e trouxe-nos um baú com muitas memórias para contar. Eram memórias de jovem carmelita, inquieto e preocupado com o futuro, dedicado à oração e aos amigos, ao acolitado e ao futebol. A Universidade chamou-o para Faro e separou-o da sua comunidade, mas quando regressou encontrou-se com o Carmo Jovem. Entrou e acabou Coordenador – «com menos actividades nacionais!», diz. A vida foi-o encaminhando por esta ladeira. Entretanto, conheceu a Célia, namorou a Célia e apresentou-lhe o Carmo Jovem. Por cá andaram enamorados, noivos e casados. Depois nasceu o João Manuel. Hoje, em palavras da actual Coordenadora, a João, são um casal gotinha, quer dizer, carmelita, jovem carmelita.
O Lilo falou mais de duas horas. Não houve tempo para ir à piscina, mas foi muito refrescante navegar nas suas memórias, beber das suas palavras, recebê-lo em nossa casa e sentir que ele estava na sua. Falou-nos de oração, de como reza pessoalmente e como casal, e como o João Manuel, de quase dois anos, também reza. Bem, rezar não sabemos, mas sabemos que gostosamente rasga as folhas da Liturgia das Horas enquanto os pais rezam!
Das muitas palavras do Lilo ficaram-me estas: – «Não tenhais medo! Não tenhais medo de dizer que sois católicos!» E depois falou-nos como na sua vida se tem apresentado como carmelita e homem de fé, nos mais variados contextos de trabalho e lazer.
Como não podemos dizer tudo acerca do Luis, falemos da Ana Lúcia. A Bianca supriu um professor convidado que não pôde fazer-se presente. Ela prefere ficar calada a falar, precisa de descansar mais que ensinar. Posta, porém, perante o desafio aceitou. E foi assim que a sua foi uma aula diferente. Despertou para a nobre arte do teatro como Carochinha, aos seis anos. Depois não saiu mais do palco. O primeiro ano da Licenciatura de Teatro foi uma coisa dura, diferente, um embate e um combate. Ali ninguém pergunta por cartões e identidades. Mas as coisas contam, e da religião ninguém fala porque poucos sabem e assumem que existe. Durante este ano viu-se no deserto, desamparada, desejosa de acampar com Ele e connosco. Foi um ano académico rico, atafulhado de saber e informação, de riqueza e descobertas. Mais que nunca iniciou a aventura da interioridade, donde tudo provém.
Na Escola baptizaram-na de Bianca. E foi assim que passou à segunda parte da aula. Propôs-nos o sugestivo e maneirinho Exercício de Alexander, que, pouco a pouco, nos levou lá para dentro, para o mundo de cada um. Quando despertámos – e não foi bem um despertar, mas um regresso – todos tínhamos feito uma viagem, mais longa ou mais curta, sem termos saído das mantas estendidas na Mata do 4campaki.
No dia de aulas da Ana Lúcia – Bianca, acrobata das emoções – também não houve piscina.
O terceiro professor a chegar à nossa Universidade foi o actor e encenador João Regueiras. Depois de muitos anos a fazer de tinta, prefere agora ser pintor. Digo, encenador. E foi pelos desdobramentos da metáfora que ele nos levou. Também nos fez percorrer os caminhos dos mais de 25 acampamentos com a juventude jesuíta (dois por ano!) e levou-nos ainda para as suas salas de aula do Colégio das Caldinhas. O João reza e respira teatro, o teatro que aprendeu com o pai e ensinou aos filhos. Não sendo uma arte de fazer rica a gente pobre, também daí não demoveu os rebentos, porque o teatro seguirá fazendo falta para elevar os valores à altura dos faróis marítimos para guiarem as rotas da convivência comunitária. Existem os GPS, não existem? Sim é verdade, mas ainda assim não se dispensará o farol que avisa a proximidade da costa.
A conversa de tão iluminada também não deu lugar à piscina.
O quarto professor foi o Fernando Ferrão, da Rádio Altominho. Tudo começou há 24 anos quando foi convidado de emergência a pôr discos a rodar, porque… porque tinha muitos discos! As suas palavras levaram-nos pela história da Rádio em Portugal e ao lugar da mesma no contexto da comunidade nacional. Também nos falou do espaço da política e da religião nas ondas da rádio.
Esta foi a aula mais curta, porque nesse dia a Volta a Portugal em Bicicleta chegava a Viana do Castelo e o Fernando tinha de coordenar a emissão.
Foram quatro professores em quatro manhãs diferentes, que emprestaram um colorido vivo aos nossos dias de acampamento. Ficou-nos a convicção de que há muita riqueza para partilhar e que a partilha é tanto mais bela quanto mais as bocas estão famintas. Foi o caso. É opinião comum dos 4campakis que depois de cada aula deveríamos poder saltar para a piscina, como depois da quarta aula. Mas, como calar quem nos sacia com as palavras de fogo que nos traz a paixão pela arte que (re)apresentam?
Refeições
O que é mais importante num Acampáki? Oração? Silêncio? Clarminhada? Aulas? Viola? Jornal de Parede? Saraus? Karaoke?
Não, nada disso. Um Acampáki começa a construir-se pela defesa, e a nossa defesa está na cozinha, entre as panelas.
No fim, com a mochila às costas, o carro pronto a arrancar e a memória cheia de experiências novas, cada um de nós salienta este ou aquele aspecto. Promete a pés juntos que virá ao próximo se no plano constar as actividades que gosta. E a Coordenação respeitará todos os caprichos, porque quer que todos venham. Mas o que não pode mesmo faltar no Acampáki é a cozinheira. É pela Nandinha que sempre começamos os nossos acampamentos. Se nos falta a Nadinha dos Rojões, como sobreviveríamos nós? Por isso, venha o que vier, Nandinha, para o ano estás cá, porque o Senhor também anda entre as panelas e nós queremos provar ao menos uma sopita feita por ti!
Silêncio
O 4campáki tem a Rádio Lima, ou Ondas do Lima, não percebi bem. Tem discos pedidos e entrevistas. Este ano entrevistou em directo por telefone um ouvinte francês!
A coisa funciona mais como certas rádios que põem o CD a rodar e já está. E com isso faz barulho e dançar as uvas. Já não está mal.
E cala-se. Sim, cala-se. Cala-se durante a hora de silêncio. Durante a bendita Hora de Silêncio. Durante essa hora ouvimos a rádio da natureza, comungamos com os seus sons, deixamos que tudo venha ao nosso encontro sem nada a espantar-nos.
Durante uma hora o ruído do 4campamento morre. Os 4campákis dispersam-se pela relva com um livro na mão que a Coordenação sempre tem o cuidado de oferecer. (Este ano foi nosso privilégio ler a crónica da IV Peregrifati, da autoria do António Branco.) Também há quem não leia, que apenas contemple, que se expanda bem para lá dos limites do horizonte.
A hora do silêncio é das horas mais amadas do 4campaki. Também não terminará para o ano, porque, afinal, o silêncio encontra-nos e cura-nos!
Fim
Podíamos sobreviver sem Acampáki? Poder podíamos, mas não era a mesma coisa. Por isso aqui ficam agradecimentos à João e ao Tiago, à Nandinha e ao Carmo de Viana, aos professores, acampákis e aos pais, ao Ricardo e à Paula, à Maria da Luz, a quem sonha e ajuda a tornar possíveis realidades como estas.
Deus vos abençoe.

Frei João Okapi


DOMINGO XXI DO TEMPO COMUM

Naquele tempo, Jesus dirigia-Se para Jerusalém e ensinava nas cidades e aldeias por onde passava. Alguém Lhe perguntou: «Senhor, são poucos os que se salvam?». Ele respondeu: «Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, porque Eu vos digo que muitos tentarão entrar sem o conseguir. Uma vez que o dono da casa se levante e feche a porta, vós ficareis fora e batereis à porta, dizendo: ‘Abre-nos, senhor’; mas ele responder-vos-á: ‘Não sei donde sois’. Então começareis a dizer: ‘Comemos e bebemos contigo e tu ensinaste nas nossas praças’. Mas ele responderá: ‘Repito que não sei donde sois. Afastai-vos de mim, todos os que praticais a iniquidade’. Aí haverá choro e ranger de dentes, quando virdes no reino de Deus Abraão, Isaac e Jacob e todos os Profetas, e vós a serdes postos fora. Hão-de vir do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul, e sentar-se-ão à mesa no reino de Deus. Há últimos que serão dos primeiros e primeiros que serão dos últimos». [Lc 13, 22-30]

AcampAula - Um Casal Gotinha


Foi com muito agrado nosso e simpatia, que recebemos na manhã do dia 3-8-2010 (Segunda – Feira), um belo casal, com um rebento ainda mais belo, oriundos do Marco de Canaveses. Como é certo, nós, Acampakis, estávamos muito ansiosos com o que eles teriam para nos contar, a expectativa era grande mas sabíamos que este jovem casal nos iria presentear com a simplicidade que tão bem caracteriza o nosso movimento.
E assim foi! Luís, mais conhecido entre os amigos por Lilo, é o mais velho de quatro irmãos, confessa sempre ter estabelecido uma boa relação com a família que também manteve uma grande ligação ao convento do Menino Jesus de Praga e consequentemente à Ordem. Passou dois anos da sua vida nos Açores, onde fez a Primeira Comunhão.
Confessa que sempre foi traquina e teimoso. Mais tarde, na catequese integrou no grupo de acólitos, entre os 12 e os 18 anos.
Antes de ingressar na faculdade entrou no GOT (Grupo de Oração Teresiana) e no SH’MA, Luís afirma que estes grupos o marcaram muito, tanto que acaba por nos confessar que sentiu muito a falta dos mesmos durante os três anos em que esteve no Algarve a tirar o bacharelato no curso de Hotelaria. De regresso a Avessadas, começa a trabalhar e viu o tempo para as actividades ligadas ao jovens a ser diminuto.
Relativamente ao seu percurso no Carmo Jovem, Lilo descreve-o com bastante emoção e atrevemo-nos mesmo a dizer “Paixão”. Este entrou para o Movimento no ano de 1996, desde então, a “gotinha” que traz dentro de si, nunca mais desapareceu. O seu primeiro encontro no Carmo Jovem foi no Sameiro, em Braga, onde se voltou a integrar inteiramente, a este tipo de actividades, assumiu a coordenação do Movimento durante dois anos salientando um marco importante desta época, as Jornadas Mundiais da Juventude, em Roma (primeira experiência como responsável). Do mesmo modo perspectivar que este foi, sem dúvida, um dos momentos mais importantes da sua vida, pois para além de ter conhecido gente de todo o mundo e das trocas de objectos entre as pessoas, a vigília com João Paulo II foi muito emotiva. De igual modo trouxe consigo alguns objectos que o marcaram durante o seu percurso no Carmo Jovem, nomeadamente uma pandeireta que recorda com bastante alegria, numa história de angariação de dinheiro para as Jornadas Mundiais da Juventude, em Roma; a primeira faixa do Movimento; o livro com as 10 vigílias dos 10 encontros nacionais e simplesmente um pin com a nossa gotinha.
Neste momento, a vida não permite que Lilo continue a participar activamente nas actividades do Carmo Jovem, mesmo assim afirma ser um Carmelita, mas diz que nem sempre o consegue, assim sendo diz-se “Carmelita Imperfeito”, mas nunca deixa de participar na vida carmelita. Nunca nega a sua fé e devoção e transporta esse pensamento para o dia-a-dia tanto com os seus alunos como com o filho.
Célia, sua esposa, esteve atenta a tudo o que Lilo falou, mostrando uma expressão afirmativa a tudo o que ele ia dizendo e completando tudo o que o marido ia relatando. Era também notório nos seus olhos a emoção ao falar no nosso movimento e na vida carmelita.
Betinha e Luís, Braga
Aldeia de S. João da Cruz