quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Basílica da Sagrada Família

A Sagrada Família não trabalha só o prodígio da altura. Nestes tempos, como dizia Pierre Bordieu, tão afunilados numa desvitalizante miséria simbólica temos aqui o dinâmico esplendor do símbolo. Gaudí, «o arquiteto de Deus» como lhe chamam, idealizou a “sua” Sagrada Família com base no número 12, o número da Jerusalém terrestre, mas também o da Jerusalém do Alto (leia-se a impressiva descrição feita no capítulo 21 do Apocalipse). Gaudí não partiu de soluções pré-existentes, nem repetiu manuais. A sua arquitetura não tem apenas uma sensibilidade ao espiritual, tem a estrutura de uma visão e a profundidade de uma experiência mística. Gaudí mostra a grande Arte como oração intensíssima. E mostra amplamente aquilo que talvez já tínhamos esquecido: os homens do século XXI sabem ainda construir e amar catedrais. [José Tolentino Mendonça]
Fonte: SNPC

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

XVI HOREB - 27-28 | NOV | 10


Diz STOP!!! 
ao teu dia-a-dia 


 Abre a porta da tua Vida 
 à Amizade 
 à Oração 
 à Música 
 e descobre que “O Senhor anda entre as caçarolas.”
Inscreve-te! Aqui

carmojovem@gmail.com

sábado, 6 de novembro de 2010

DOMINGO XXXII DO TEMPO COMUM

Naquele tempo, aproximaram-se de Jesus alguns saduceus – que negam a ressurreição – e começaram a interrogá-l’O. Disse-lhes Jesus: Os filhos deste mundo casam-se e dão-se em casamento. Mas aqueles que forem dignos de tomar parte na vida futura e na ressurreição dos mortos, nem se casam nem se dão em casamento. Na verdade, já não podem morrer, pois são como os Anjos, e, porque nasceram da ressurreição, são filhos de Deus. E que os mortos ressuscitam, até Moisés o deu a entender no episódio da sarça ardente, quando chama ao Senhor ‘o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacob’. Não é um Deus de mortos, mas de vivos, porque para Ele todos estão vivos». [Lc 20, 27.34-38]

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Santa Teresa de Jesus - Cap.3

III
PASSATEMPOS E DEVANEIOS


A Espanha atingira, no segundo quartel do século XVI, o apogeu da sua grandeza. O sol não se punha nunca nos domínios do jovem Imperador Carlos V. Todas as cidades espanholas vibravam de entusiasmo pelas descobertas e conquistas recentemente realizadas por destemidos navegadores e guerreiros nas Índias Ocidentais. Os espanhóis sonhavam então com a América, como os portugueses com o Brasil. Ávila, terra de cavaleiros e de cruzados, ia na vanguarda.
Nas suas ruas só se ouvia o ruído das esporas e o estrídulo retinir dos ferros. Era a passagem da flor da mocidade que partia alegremente, em ânsia de aventura, para Flandres ou para o Novo Mundo.
A literatura castelhana estava também imbuída dessas ideias. Nos serões de inverno, em volta da braseira consoladora, nas bibliotecas e em toda a parte, o povo espanhol lia romances de aventuras, contos guerreiros e narrativas interessantes de cavaleiros andantes. D. Beatriz, esposa de D. Alonso, lia-os também em sua casa, quer para se distrair, quer para procurar alívio para as suas mágoas. Um dia, passaram esses livros pelas mãos de Teresa e Rodrigo. E, com que embevecimento, com que avidez os folhearam! Como traziam gravuras de guerras, quadros de fidalgos cavaleiros, de mancebos garbosos e atilados que (como conta um historiador daquela época)5 , timbravam em ostentar, no boné, uma pena rara de ave para assim atrair os olhares de damas formosíssimas, que se enfeitavam requintadamente, Teresa começou a entusiasmar-se... e, o que é ainda pior, quis imitá-las.
Já não desce ao jardim a brincar com Rodrigo aos eremitas; já não repete, fitando o Céu: Para sempre, para sempre. Agora a gentil menina tem doze anos, doze primaveras floridas, e mudou de hábitos. Gosta demasiado de se mirar ao espelho, de tratar das suas lindas mãos, do seu penteado, dos seus vestidos, e usa perfumes, tal e qual como as meninas da sua posição social.
Ontem Teresa sonhava com o martírio ou com a vida religiosa, eremítica, num convento de rigorosa observância. Hoje, ao ver a vida entreabrir-se-lhe como uma flor que desabrocha, deseja agradar, atrair, ser admirada, quando vai passando aos domingos, depois da missa paroquial, acompanhada dos seus irmãos, junto à Porta do Alcázar, ponto de reunião e sítio de encontro dos rapazes e das meninas que hoje chamaríamos “da moda”.
Teria feito já Teresa a sua primeira comunhão? Não se sabe ao certo, mas parece que não.
A Santa nada diz sobre este pormenor importante da sua vida, na autobiografia admirável, modelo de sinceridade e de humildade, que nos legou. Os seus biógrafos, que são tantos e tão ilustres, dentro e fora da Ordem Carmelita, também não se deram ao trabalho de remexer em arquivos e velhos manuscritos para saberem, com toda a certeza, o dia – o dia maior na vida do cristão – em que Jesus entrara pela primeira vez na alma de Teresa.
Por este tempo, operou-se uma grande transformação no seu espírito e abandonou os seus primeiros sonhos.
Muito concorreu para isso a conversa diária com uma sua parente da mesma idade, um tanto leviana, que entrava e saía, quando bem lhe parecia, na residência de D. Alonso, hoje transformada em convento de Carmelitas Descalços. Foi esta malfadada parente quem a iniciou nos segredos dos devaneios femininos. Andavam sempre juntas e nunca se fartavam de conversas; tanto isto dava nas vistas da família, que D. Beatriz teve de as repreender por mais de uma vez, chamando sua filha à ordem. Teresa, porém, era esperta de mais e sabia muito bem como encontrar oportunidade de bisbilhotar com a sua amiga às ocultas da mãe.
E não foi só esta quem desviou Teresa do bom caminho encetado na sua infância; colaborou também decisivamente nesta obra um primo dela, filho de D. Francisco Sanches de Cepeda, que morava paredes meias. Como havia passagem pelo interior das casas, era contínuo o ensejo de se encontrarem. Conversavam à porta, no jardim, na sala de jantar, em todos os cantos. Nada receava D. Alonso desta amizade, porque, tanto ela como ele, tinham recebido aprimorada educação cristã e eram tementes a Deus; por isso, o pai de Teresa permitia o convívio, muito embora o não encarasse com bons olhos.
O primo sentia-se fortemente atraído pelo encanto de Teresa, inteligente e formosa que, com a sua graça, animava todos os jogos e conversas.
Teresa tem já 13 anos e não lhe escapa ser ela o enlevo do lar e o ídolo de irmãos e primos. Vê-se jovem, prendada, festejada por todos os que têm a dita de com ela tratar. O tal primo que a procura, esse não sabe sair da beirinha dela. Agora já falam a sós, na penumbra da sala de visitas, onde estão reunidos alguns membros da família, debilmente alumiados por uma luz mortiça. O primo não é capaz de esconder que gosta de Teresa e esta, por sua vez, sente o coração fugir-lhe. E parece – nota um biógrafo – que chegaram a pensar na realização dum sonho dourado ao pé do altar-mor da freguesia de S. João.


[Jaime Gil Diez, Santa Teresa, Edições Carmelo]

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

XVI HOREB - 27-28 | NOV | 10 - Vem também!


Santa Teresa de Jesus...
Encontro com amigos fortes de Deus...
Tocar…cantar…partilhar…rir…orar


SÁBADO
Chegada
9H – Abertura
10H – Chamar a música
12H30 – Almoço partilhado
15H – Música no coração
19H – Música calada
20H – Jantar
21H – Night Music

DOMINGO
8H30 - Sons do Carmelo
9H – Pequeno almoço
9H30 – Ensaio
11H – Eucaristia
Foto de família
13H- Almoço

Trazer:
Saco-cama;
farnel para o almoço de sábado;
higiene pessoal;
roupa quente;
instrumentos de música (se tocas algum);
boa disposição;
faixa do Carmo Jovem.

Inscrição (preço final apurado):
22,50 euros
carmojovem@gmail.com
ma.jo.bri@hotmail.com
(Maria João 967209808)

sábado, 30 de outubro de 2010

DOMINGO XXXI DO TEMPO COMUM


Naquele tempo, Jesus entrou em Jericó e começou a atravessar a cidade. Vivia ali um homem rico chamado Zaqueu, que era chefe de publicanos. Procurava ver quem era Jesus, mas, devido à multidão, não podia vê-l’O, porque era de pequena estatura. Então correu mais à frente e subiu a um sicómoro, para ver Jesus, que havia de passar por ali. Quando Jesus chegou ao local, olhou para cima e disse-lhe: «Zaqueu, desce depressa, que Eu hoje devo ficar em tua casa». Ele desceu rapidamente e recebeu Jesus com alegria. Ao verem isto, todos murmuravam, dizendo: «Foi hospedar-Se em casa dum pecador». Entretanto, Zaqueu apresentou-se ao Senhor, dizendo: «Senhor, vou dar aos pobres metade dos meus bens e, se causei qualquer prejuízo a alguém, restituirei quatro vezes mais». Disse-lhe Jesus: «Hoje entrou a salvação nesta casa, porque Zaqueu também é filho de Abraão. Com efeito, o Filho do homem veio procurar e salvar o que estava perdido». [Lc 19, 1-10]

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Santa Teresa de Jesus - Cap.2



II Ensaiando os primeiros passos

O período da primeira infância, ao que parece, passou – se normalmente, pelo menos sem enfermidades graves.
Seus pais que eram virtuosos e tementes a Deus (é este o elogio que lhes faz sua filha) empenharam – se em dar-lhe uma educação aprimorada, solidamente piedosa, aproveitando a inclinação da criança para a virtude. Ontem como hoje, as famílias cristãs costumavam fazer os seus serões de inverno; num desses, talvez em 1521, deu-se um acontecimento notável, verdadeiramente digno de registo, que caracteriza bem a filha de D. Alonso de Cepada e o poder de sugestão que poder ter na gente moça a leitura de um livro.
Noite fria de inverno. O vento sopra forte, gelado, nas janelas e sacadas da casa de moradia do casal Cepeda-Ahumada. D. Beatriz estava toda entregue aos trabalhos normais. O marido punha em dia as contas, enquanto Teresa e Rodrigo, um dos seus nove irmãos, quatro anos mais velho do que ela, passavam os olhos pelas lindas gravuras do Flos Sanctorum, e soletravam como podiam aquele livro. Agora era um santo anacoreta que fazia vida comum com as feras no deserto ou vivia no tronco dum carvalho, como o carmelita Simão Stock; logo uma viagem, espelho de pureza, como Santa Inês; a seguir um mártir que é decapitado em defesa da fé e, dum momento para o outro, troca esta vida pela eterna, entrando no gozo eterno do Céu… Embevecidos com a leitura, acontecia, não raro, ficarem longo tempo a dizer para sempre, para sempre, para sempre… De olhos fitos no Céu… Os pais entreolhavam-se admirados.
Um dia estas duas crianças desapareceram da casa paterna.
Onde estariam Teresa e Rodrigo?
Ninguém sabia deles. Não estavam no palácio de Nunes Vela, padrinho da menina; também não se encontravam na residência dos primos, filhos de D. Francisco, que moravam paredes meias; nem andavam na rua. Que era feito deles? Ninguém o sabia.
As horas decorriam no lar paterno numa ansiedade torturante.
Nisto bate á porta o tio da Santa, irmão do pai; vem a cavalo, ofegante, com o peito a arfar, e traz consigo os pequeninos que se tinham perdido. Tinha – os encontrado do outro lado das muralhas da cidade, no sítio chamado Quatro Postes, na parte noroeste, mais além da ponte sobre o Adaja. Interrogados pelo Pai, logo responde com desassombro a pequena Teresa, mais esperta, que tinham saído ao romper do dia pelas traseiras da casa para irem morrer ás mãos dos mouros, em Marrocos, defendendo a religião de Cristo… É este o fruto da leitura da vida dos santos em almas bem formadas.
Aos sete anos Teresa quis ser mártir e ainda consegui conquistar seu irmão para que também o fosse.
Mais tarde, dirá a Santa na sua autobiografia, empenhada sempre em esconder virtudes e mostrar defeitos, que não realizara esta proeza por amor de Deus, mas apenas para comprar barato a felicidade do Céu e ir logo ver Jesus para sempre, para sempre, para sempre. Conquanto assim seja, não deixa de ser este notável episódio da sua infância uma das mais belas manifestações do amor divino no coração humano.
Murcha a flor da primeira ilusão, Teresa não desanima. Começa a sonhar com a vida dos eremitas, toda silêncio e austeridade, entre os penedos dum deserto; e assim, desce agora todos os dias ao jardim da casa, conduzindo pela mão Rodrigo que teima em só querer brincar com Teresa.
Está o jardim muito bem tratado; é o próprio chefe da família, D. Alonso de Cepeda, amigo sempre de flores e de livros, que olha por ele.
No pomar, junto á cerca, encontramos diariamente, á tarde, antes ou depois do lanche, Teresa e Rodrigo a brincar. Andam entusiasmados a construir ermidinhas, que logo se desmoronam, quando a aragem que acaricia as árvores é um bocadinho mais forte. A pequerrucha, muito engraçadinha, arvora-se em mestra-de-obras, enquanto seu irmãozito lhe traz toda a classe de material de construção: pedrinhas, palhas, areia. Raramente conseguem pôr o telhado ao minúsculo edifício eremítico.
Quando, nos dias abafados em que não corria ponta de ar, a diminuta contrução se mantinha, muito a custo, em pé, faziam Teresa e Rodrigo algazarra e grande festa. Radiantes de alegria pelo triunfo, convidavam o pai, a mãe, os criados todos da casa para virem apreciar os primores do seu trabalho.
- Isto que é? – perguntavam – qual o motivo de tamanha vozearia?
- É que andamos a brincar, Rodrigo e eu, como se fossemos eremitas – acudia Teresa. – Como já não podemos ser mártires, vamos agora tentar ser anacoretas.
Não nos deve admirar esta resposta da filhinha de D. Alonso. É ainda o salutar influxo das boas leituras no espírito de Teresa e Rodrigo, que em breve desaparecerá, abafado por outras leituras muito diferentes.

[Jaime Gil Diez, Santa Teresa, Edições Carmelo]

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Cristianismo não é coisa fácil que se consiga a dormir. Ser cristão é empenhar-se profundamente, até às últimas consequências, na construção do Reino de Deus. É fazê-lo crescer em toda a parte, a toda a hora, em casa, na escola, no emprego, no convívio, em toda a parte onde estivermos e pudermos chegar. Como o Filho de Deus o fez, encarnado em Jesus Cristo, vivendo connosco o nosso drama. Ele não nos libertou comodamente. Da mesma maneira, o havemos de fazer aos nossos irmãos.

D. Manuel Clemente, bispo do Porto

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

"No greater love" ganha prémio do Festival Religion Today

O documentário “No greater love”, realizado em 2009 pelo inglês Michael Whyte, venceu o prémio principal do Festival de cinema Religion Today, realizado entre 8 e 21 de outubro em Itália.

O filme, que perscruta o dia-a-dia de um convento de religiosas carmelitas, constitui, segundo o júri, uma «mensagem poderosa» para quem vive em sociedades que lutam «contra a possibilidade da sabedoria e do amor de Deus».

Fonte: SNPC

XVI HOREB - 27-28 | NOV | 10

27-28/NOV/2010
Prai de Mira
Inscrção: 31 euros

Inscreve-te até 19 de Novembro:
carmojovem@gmail.com

domingo, 24 de outubro de 2010

XVI HOREB - 27-28 | NOV | 10 - Uma presença amiga!


27-28/NOV/2010
Praia de Mira

Inscreve-te:

Mensagem de Bento XVI - Dia Mundial das Missões



A construção da comunhão eclesial é a chave da missão


Prezados irmãos e irmãs!

Com a celebração do Dia Missionário Mundial, o mês de Outubro oferece às Comunidades diocesanas e paroquiais, aos Institutos de Vida Consagrada, aos Movimentos Eclesiais, a todo o Povo de Deus, a ocasião para renovar o compromisso de anunciar o Evangelho e dar às actividades pastorais um ímpeto missionário mais amplo. Este encontro anual convida-nos a viver intensamente os percursos litúrgicos e catequéticos, caritativos e culturais, mediante os quais Jesus Cristo nos convoca à mesa da sua Palavra e da Eucaristia, para saborear o dom da sua Presença, formar-nos na sua escola e viver cada vez mais conscientemente unidos a Ele, Mestre e Senhor. É Ele mesmo quem nos diz: "Aquele que me ama será amado por meu Pai: Eu amá-lo-ei e manifestar-me-ei a ele" (Jo 14, 21). Só a partir deste encontro com o Amor de Deus, que muda a existência, podemos viver em comunhão com Ele e entre nós, e oferecer aos irmãos um testemunho credível, explicando a razão da nossa esperança (cf. 1 Pd 3, 15). Uma fé adulta, capaz de se confiar totalmente a Deus com atitude filial, alimentada pela oração, pela meditação da Palavra de Deus e pelo estudo das verdades da fé, é uma condição para poder promover um novo humanismo, fundamentado no Evangelho de Jesus.

Além disso, em Outubro, em muitos países retomam-se as várias actividades eclesiais depois da pausa de Verão, e a Igreja convida-nos a aprender de Maria, mediante a oração do Santo Rosário, a contemplar o desígnio de amor do Pai sobre a humanidade, para a amar como Ele a ama. Não é porventura este o sentido da missão?

Com efeito, o Pai chama-nos a ser filhos amados no seu Filho, o Amado, e a reconhecer-nos todos irmãos naquele que é Dom de Salvação para a humanidade dividida pela discórdia e pelo pecado, e Revelador do verdadeiro Rosto daquele Deus que "amou de tal modo o mundo, que lhe deu o seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna" (Jo 3, 16).

"Queremos ver Jesus" (Jo 12, 21), é o pedido que, no Evangelho de João, alguns gregos que chegaram a Jerusalém para a peregrinação pascal, dirigem ao Apóstolo Filipe. Ele ressoa também no nosso coração neste mês de Outubro, que nos recorda como o compromisso do anúncio evangélico compete a toda a Igreja, "missionária por sua própria natureza" (Ad gentes, 2), convidando-nos a tornarmo-nos promotores da novidade de vida, feita de relacionamentos autênticos, em comunidades fundadas no Evangelho. Numa sociedade multiétnica que experimenta cada vez mais formas preocupantes de solidão e de indiferença, os cristãos devem aprender a oferecer sinais de esperança e a tornar-se irmãos universais, cultivando os grandes ideais que transformam a história e, sem falsas ilusões nem medos inúteis, comprometer-se para fazer com que o planeta seja a casa de todos os povos.

Como os peregrinos gregos de há dois mil anos, também os homens do nosso tempo, talvez nem sempre conscientemente, pedem aos crentes não só que "falem" de Jesus, mas que "façam ver" Jesus, façam resplandecer o Rosto do Redentor em cada ângulo da terra diante das gerações do novo milénio e sobretudo diante dos jovens de cada continente, destinatários privilegiados e agentes do anúncio evangélico. Eles devem sentir que os cristãos levam a Palavra de Cristo porque Ele é a Verdade, porque n'Ele encontraram o sentido, a verdade para a sua vida.

Estas considerações remetem para o mandamento missionário que todos os baptizados e a Igreja inteira receberam, mas que não se pode realizar de maneira credível sem uma profunda conversão pessoal, comunitária e pastoral. De facto, a consciência da chamada a anunciar o Evangelho estimula não só cada fiel individualmente, mas todas as Comunidades diocesanas e paroquiais a uma renovação integral e a abrir-se cada vez mais à cooperação missionária entre as Igrejas, para promover o anúncio do Evangelho no coração de cada pessoa, de cada povo, cultura, raça, nacionalidade, em todas as latitudes. Esta consciência alimenta-se através da obra de Sacerdotes Fidei Donum, de Consagrados, de Catequistas, de Leigos missionários, numa busca constante de promover a comunhão eclesial, de modo que também o fenómeno da "interculturalidade" possa integrar-se num modelo de unidade, no qual o Evangelho seja fermento de liberdade e de progresso, fonte de fraternidade, de humildade e de paz (cf. Ad gentes, 8). De facto, a Igreja "é em Cristo como que sacramento, ou seja, sinal e instrumento da união íntima com Deus e da unidade de todo o género humano" (Lumen gentium, 1).

A comunhão eclesial nasce do encontro com o Filho de Deus, Jesus Cristo que, no anúncio da Igreja, alcança os homens e cria comunhão com Ele próprio e por conseguinte, com o Pai e com o Espírito Santo (cf. 1 Jo 1, 3). Cristo estabelece a nova relação entre o homem e Deus. "É Ele quem nos revela "que Deus é caridade" (1 Jo 4, 8) e, ao mesmo tempo, nos ensina que a lei fundamental da perfeição humana e, portanto, da transformação do mundo, é o mandamento novo do amor. Assim, aos que crêem no amor divino dá-lhes a certeza de que abrir o caminho do amor a todos os homens e instaurar a fraternidade universal não são coisas vãs" (Gaudium et spes, 38).

A Igreja torna-se "comunhão" a partir da Eucaristia, na qual Cristo, presente no pão e no vinho, com o seu sacrifício de amor edifica a Igreja como seu corpo, unindo-nos ao Deus uno e trino e entre nós (cf. 1 Cor 10, 16ss). Na Exortação apostólica Sacramentum caritatis escrevi: "não podemos reservar para nós o amor que celebramos neste sacramento: por sua natureza, pede para ser comunicado a todos. Aquilo de que o mundo tem necessidade é do amor de Deus, é de encontrar Cristo e acreditar n'Ele" (n. 84). Por esta razão a Eucaristia não é só fonte e ápice da vida da Igreja, mas também da sua missão: "Uma Igreja autenticamente eucarística é uma Igreja missionária" (Ibid.), capaz de levar todos à comunhão com Deus, anunciando com convicção: "o que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que também vós tenhais comunhão connosco" (1 Jo 1, 3).

Caríssimos, neste Dia Missionário Mundial no qual o olhar do coração se dilata sobre os imensos espaços da missão, sintamo-nos todos protagonistas do compromisso da Igreja de anunciar o Evangelho. O estímulo missionário foi sempre sinal de vitalidade para as nossas Igrejas (cf. Carta enc. Redemptoris missio, 2) e a sua cooperação é testemunho singular de unidade, de fraternidade e de solidariedade, que nos torna críveis anunciadores do Amor que salva!

Por conseguinte, renovo a todos o convite à oração e, não obstante as dificuldades económicas, ao compromisso da ajuda fraterna e concreta em apoio das jovens Igrejas. Este gesto de amor e de partilha, que o serviço precioso das Pontifícias Obras Missionárias, à qual manifesto a minha gratidão, providenciará à distribuição, apoiará a formação de sacerdotes, seminaristas e catequistas nas terras de missão mais distantes e encorajará as jovens comunidades eclesiais.

Na conclusão da mensagem anual para o Dia Missionário Mundial, desejo expressar, com particular afecto, o meu reconhecimento aos missionários e às missionárias, que testemunham nos lugares mais distantes e difíceis, muitas vezes com a vida, o advento do Reino de Deus. A eles, que representam as vanguardas do anúncio do Evangelho, vai a amizade, a proximidade e o apoio de cada crente. "Deus (que) ama quem doa com alegria" (2 Cor 9, 7) os encha de fervor espiritual e de alegria profunda.

Como o "sim" de Maria, cada resposta generosa da Comunidade eclesial ao convite divino ao amor dos irmãos suscitará uma nova maternidade apostólica e eclesial (cf. Gl 4, 4.19.26), que deixando-se surpreender pelo mistério de Deus amor, o qual "ao chegar a plenitude dos tempos, enviou o Seu Filho, nascido de mulher" (Gl 4, 4), dará confiança e audácia a novos apóstolos. Esta resposta tornará todos os crentes capazes de ser "jubilosos na esperança" (Rm 12, 12) ao realizar o projecto de Deus, que deseja "que todo o género humano constitua um só Povo de Deus, se congregue num só Corpo de Cristo, e se edifique num só templo do Espírito Santo" (Ad gentes, 7).

Vaticano, 6 de Fevereiro de 2010.

BENEDICTUS PP. XVI

sábado, 23 de outubro de 2010

DOMINGO XXX DO TEMPO COMUM


Naquele tempo, Jesus disse a seguinte parábola para alguns que se consideravam justos e desprezavam os outros: «Dois homens subiram ao templo para orar; um era fariseu e o outro publicano. O fariseu, de pé, orava assim: ‘Meu Deus, dou-Vos graças por não ser como os outros homens, que são ladrões, injustos e adúlteros, nem como este publicano. Jejuo duas vezes por semana e pago o dízimo de todos os meus rendimentos’. O publicano ficou a distância e nem sequer se atrevia a erguer os olhos ao Céu; mas batia no peito e dizia: ‘Meu Deus, tende compaixão de mim, que sou pecador’. Eu vos digo que este desceu justificado para sua casa e o outro não. Porque todo aquele que se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado». [Lc 18, 9-14]

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Santa Teresa de Jesus - Cap.1


I Entrada na vida

A maior mulher da humanidade, depois da Santíssima Virgem, no dizer de Bossuet, teve por berço Ávila, na Espanha, capital da província do seu nome, cidade dos cavaleiros e dos Santos como é Denominada na história.
Colocada, como um ninho de águias, a mil metros de altitude sobre o nível do mar, não se compreende como um clima tão frio fosse capaz de produzir um coração tão abrasado como o de Santa Teresa, que é também conhecida na Santa Igreja pelo Serafim do Carmelo, ou Doutora Seráfica.
Não se sabe, ao certo, que população tinha Ávila nos dias de Santa Teresa, mas o que é certo é que foi uma das cidades espanholas que mais concorreu com os seus filhos, com os seus cavaleiros e com os seus cruzados para o triunfo do imperador Carlos Ⅴ em Flandres e na América, por aqueles dias descoberta e cobiçada.
Hoje, Ávila é uma estância de veraneio para fidalgos madrilenos, não contando mais de 30.000 habitantes.
O turista que a visita sente – se atraído pelos seus encantos históricos, por aquelas elegantes moradias brasonadas, por aquelas ruas solitárias, e inebria – se daquele ambiente espiritual místico-teresianao, em que a alma se sente bem. Aqui nasceu Santa Teresa, em 28 de Março de 1515, isto é, no próprio dia em que a ordem Carmelita, que ela vinha reformar e ilustrar, celebra a festa litúrgica de S. Bertoldo, Restaurador do Carmo. Foram seus pais D.Alonso de Cepeda e D. Beatriz Dávila de Ahumada, casada com este em segundas núpcias, ambos ricos, fidalgos e cristãos de gema.
Na freguesia de S. João daquela cidade, mostra-se ainda aos curiosos a pia baptismal onde, segundo a tradição, foi regenerada nas águas do Baptismo, a 4 de Abril, a nossa Santa. Exerceram na cerimónia o múnus de padrinhos D. Francisco Nunes Vela, cavaleiro de capa e espada, e D. Maria de Águia, filha do regedor daquela cidade. Nunca os sinos da paróquia de S. João repicaram mais alegres e festivos, porque até à data nenhum avilense deu à cidade de Ávila maior renome.
Nota um biógrafo de Santa Teresa que, quando o cortejo regressava ao palácio dos padrinhos, ouvia – se distintamente o bimbalhar do sino conventual do mosteiro da Encarnação. Era precisamente o dia da inauguração. Teresa, no decorrer dos anos, torná-lo-ia célebre.

[Jaime Gil Diez, Santa Teresa, Edições Carmelo]