domingo, 14 de novembro de 2010

XVI HOREB - 27-28 | NOV | 10 - Traz a tua caçarola!

O Senhor anda entre as caçarolas.

Por isso, anda...
E traz a tua!



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14 de Novembro - Festa de todos os Santos Carmelitas



 Dos Escritos de Santa Teresa de Jesus

 Todos os que trazemos este hábito sagrado do Carmo somos chamados à oração e contemplação, porque este foi nosso princípio, desta casta, daqueles santos Padres do Monte Carmelo, que buscavam este tesouro, esta preciosa Margarita.


Lembremo-nos dos santos Padres nossos antepassados. Bem sabemos como, por aquele caminho de pobreza e humildade, gozam de Deus.

Oiço algumas vezes dizer que nos princípios das Ordens Religiosas, como eram os alicerces, fazia o Senhor maiores mercês àqueles santos nossos antepassados. E assim é, mas sempre nos havíamos de considerar alicerce dos que vierem depois. Porque, se agora nós que vivemos, não tivéssemos perdido o fervor dos nossos antepassados e se os que viessem após nós fizessem outro tanto, sempre estaria firme o edifício. Que me aproveita a mim que os santos passados tenham sido assim, se depois sou tão ruim que, com meus maus costumes, deixo estragos no edifício? Porque, é claro: os que vão chegando não se recordam tanto dos que há muitos anos morreram como dos que estão vendo. É engraçado que eu atribua o mal ao facto de não ser das primeiras e não veja a diferença que há entre a minha vida e virtude e as daqueles a quem Deus fazia tantas mercês.


Se vir que a sua Ordem em algo vai decaindo, procure ser pedra capaz de tornar a levantar o edifício, que para isso o Senhor dará ajuda. Por amor de Nosso Senhor lhes peço: lembrem-se quão depressa tudo se acaba, e da mercê que nosso Senhor nos fez trazendo-nos a esta Ordem. Mas ponham sempre os olhos na casta de onde vimos, naqueles Santos Profetas. Quantos santos temos no céu que trouxeram este hábito!

Tenhamos a santa presunção, com a ajuda de Deus, de ser como eles. Pouco durará a batalha e o fim será eterno.


sábado, 13 de novembro de 2010

DOMINGO XXXIII DO TEMPO COMUM

Naquele tempo, comentavam alguns que o templo estava ornado com belas pedras e piedosas ofertas. Jesus disse-lhes: «Dias virão em que, de tudo o que estais a ver, não ficará pedra sobre pedra: tudo será destruído». Eles perguntaram-Lhe: «Mestre, quando sucederá isto? Que sinal haverá de que está para acontecer?». Jesus respondeu: «Tende cuidado; não vos deixeis enganar, pois muitos virão em meu nome e dirão: ‘Sou eu’; e ainda: ‘O tempo está próximo’. Não os sigais. Quando ouvirdes falar de guerras e revoltas, não vos alarmeis: é preciso que estas coisas aconteçam primeiro, mas não será logo o fim». Disse-lhes ainda: «Há-de erguer-se povo contra povo e reino contra reino. Haverá grandes terramotos e, em diversos lugares, fomes e epidemias. Haverá fenómenos espantosos e grandes sinais no céu. Mas antes de tudo isto, deitar-vos-ão as mãos e hão-de perseguir-vos, entregando-vos às sinagogas e às prisões, conduzindo-vos à presença de reis e governadores, por causa do meu nome. Assim tereis ocasião de dar testemunho. Tende presente em vossos corações que não deveis preparar a vossa defesa. Eu vos darei língua e sabedoria a que nenhum dos vossos adversários poderá resistir ou contradizer. Sereis entregues até pelos vossos pais, irmãos, parentes e amigos. Causarão a morte a alguns de vós e todos vos odiarão por causa do meu nome; mas nenhum cabelo da vossa cabeça se perderá. Pela vossa perseverança salvareis as vossas almas». [Lc 21, 5-19]

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Santa Teresa de Jesus - Cap.4


IV


ROSAS E ESPINHOS

Andava Teresa entusiasmada com o seu primo a planear, talvez, o que nunca se havia de realizar. Mas Deus, por detrás dos bastidores, punha-lhe alguns espinhos nos agros caminhos da vida para se não apegar demasiado às criaturas. Ia completar 14 anos quando lhe morreu a mãe, em Gotarrendura, perto de Ávila. Não se sabe ao certo quando faleceu, mas parece que foi depois do dia 24 de Novembro de 1528, pois nesta data encontramos assinado o seu último testamento. D. Beatriz morreu ainda muito nova, com 33 anos (1495-1528). Casara em 1509 com D. Alonso aos 14 anos e contava 20 quando nasceu Santa Teresa. Deus Nosso Senhor abençoou a união matrimonial de D. Alonso de Cepeda e D. Beatriz Dávila e Ahumada com nove filhos, que souberam educar no santo temor de Deus.


Não é fácil imaginar como ficaria esmagado o coração de Teresa com este primeiro golpe que lhe vibrara a Divina Providência. Não assistiu ela à morte da mãe, mas, quando chegou a casa a triste nova do falecimento e, sobretudo, ao ver ao longe o fúnebre cortejo que trazia para Ávila a urna com os restos mortais da sua querida mãe, rompeu a chorar, debulhada em pranto, abraçada aos irmãos que a não podiam consolar. Teresa, naquela idade, compreendia já muito bem o tesouro que acabava de perder.


No próprio dia em que D. Beatriz descia à sepultura, teve Teresa um gesto notável que nos revela quanto era terna e filial a devoção que votava a Nossa Senhora. Como já não tinha mãe na terra, foi procurar outra no Céu. Vestindo luto pesado, rolando-lhe as lágrimas pelas faces pálidas, sai Teresa de casa pelo lusco-fusco. Toma a direcção do antigo bairro judeu, atravessa a ponte sobre o Adaja, que, rumorejando por entre ervas, parece gemer e chorar com ela; entra na vetusta ermida de S. Lázaro, extramuros, onde era venerada uma imagem de Nossa Senhora da Caridade. Caindo de joelhos aos pés da SS. Virgem pediu-lhe, como ela própria conta na sua autobiografia, com todas as veras da sua alma, fosse dali em diante sua mãe, pois que só ela podia substituir a que tinha partido para nunca mais voltar. Feita com tanta sinceridade, Nossa Senhora atendeu a sua súplica. Maria sempre amparou e protegeu Santa Teresa de Jesus, por vezes até visivelmente, no decurso da sua vida. Reza a tradição que Teresa e Rodrigo foram também encomendar-se a esta imagem de Nossa Senhora antes de partirem para o martírio. Hoje, esta imagem é venerada na Catedral de Ávila.


Teresa vai crescendo; quinze, dezasseis primaveras floridas. Agora já é uma donzela, cheia de encantos, figura marcante da sociedade avilesa. Vai-se apagando no seu espírito a triste lembrança da mãe já morta. Para agradar perde todos os dias bastante tempo, tratando das suas mãos pequenas e finas, do seu vestuário, do cabelo, mostrando, sem malícia, sua formosura (ela própria confessa que não queria que alguém ofendesse a Deus por sua causa), pelas ruas mais movimentadas e pelos salões mais frequentados pela sociedade, passatempos estes e vaidades que mais tarde chorará com amargura. Nesta altura, quando a formosa filha de D. Alonso andava toda virada para as coisas deste mundo, Deus fez-lhe sentir outros espinhos no caminho da vida, pondo-lhe diante dos olhos a instabilidade das coisas transitórias e perecíveis da terra. D. Maria de Cepeda, sua irmã mais velha, filha de D. Alonso e da sua primeira mulher, D. Catarina del Peso y Henao, abandona agora o lar paterno, depois de ter casado (1531) com D. Martinho Gusmão Barrientos, indo fixar residência longe da família, em Castellanos de la Cañada, pequena povoação de uma dúzia de fogos, na raia de Ávila com a província de Salamanca. Nova separação e lágrimas no lar de D. Alonso.


Já não lhe ouvirá Teresa os conselhos tão prudentes, tão discretos, quando conversava com o primo, às ocultas do extremoso pai.


Sem a vigilância amorável de D. Maria, compreende-se que Teresa arranjasse mais facilmente encontros com o seu parente, mas note-se que estes encontros nunca foram além de passatempos de boa conversa, como diz a própria Santa. Além do mais, temos o testemunho de todos os seus biógrafos e confessores. Todos eles são unânimes em afirmar que a ponderação exagerada que Teresa faz das suas faltas, de forma alguma significa pecado grave, que ela não cometera nunca, mas apenas o risco de nele cair, caso tivesse continuado com esses passatempos. O que é certo é que D. Alonso, homem austero, quis acabar com eles de uma vez por todas, suprimindo energicamente a ocasião. E assim, no dia 13 de Julho de 1531, internou sua filha no convento das Agostinhas da Graça em Ávila, como educanda, recomendando muito encarecidamente à Superiora do Colégio que Teresa não recebesse visitas, nem se carteasse, nem sequer com os próprios parentes. Dezasseis anos tinha Teresa quando foi para o convento da Graça completar sua formação moral e religiosa. Os oito primeiros dias passou-os a filha de D. Alonso bastante aborrecida e amuada, mas logo o convívio das companheiras (era casa de formação para meninas da melhor sociedade avilesa), os exercícios escolares, a vida regrada e metódica que tem para cada hora do dia sua ocupação especial, fizeram desaparecer as saudades. As novas impressões, com o correr do tempo, foram apagando a lembrança do primo e desfazendo a sua ilusão. Deus queria que o coração de Teresa só Lhe pertencesse.


Um dia, D. Maria Briceño, senhora de grandes virtudes e prefeita das pensionistas, falou, na sua conferência semanal, sobre a vocação religiosa, fazendo a história do que se passara com ela própria. Pôs em evidência aquela freira agostinha, diante dos olhos das colegiais que a ouviam atentamente, o poder e a influência das boas leituras no ânimo da gente nova, pois foi lendo no Evangelho aquelas palavras muitos são os chamados e poucos os escolhidos que ela, se convenceu plenamente da vaidade da vida humana e dos perigos que as almas correm no mundo. Foram para o meu espírito – dizia D. Maria Briceño – como um raio de sol que me fez compreender a instabilidade das coisas transitórias e contingentes deste mundo. É fácil calcular como esta narrativa, feita com aquela eloquência que D. Maria sabia imprimir às suas explicações, faria renascer no espírito de Teresa as ideias e lembranças da primeira infância. Convém notar que daqui em diante voltou a ser amiga dos bons livros e de conversas santas; mas confessa com toda a ingenuidade a própria Santa Teresa que, naquela altura, era inimiga figadal da vida religiosa e que de forma alguma desejava ser freira.


Outros espinhos encontrou ainda Teresa nesta quadra da sua vida e mais um duro golpe lhe vibrou no coração a Divina Providência, golpe esse que acabou por convencê-la da instabilidade das coisas deste mundo. Queremos referir-nos à partida para a América, no Outono de 1535, do seu irmão querido, Rodrigo, companheiro e confidente dos seus sonhos e segredos de infância.


Primeiro, é sua mãe que desce à sepultura, quando mais precisava do seu amparo; depois, é D. Maria de Cepeda, sua irmã mais velha, que abandona o lar paterno para ir viver com seu marido longe de Ávila; agora é Rodrigo que embarca em Sevilha rumo ao Novo Mundo, como já o tinham feito os outros irmãos da Santa. Com receio de nunca mais voltar à Pátria, Rodrigo quis nomear Teresa herdeira de todos os seus bens.


Diz o autor do livro Os irmãos de Santa Teresa na América que eles, em cujas veias fervia sangue de guerreiros, escreveram páginas gloriosas na conquista da América, notabilizando-se especialmente pela sua bravura e coragem na batalha de Iñaquito, no Equador (1546).




[Jaime Gil Diez, Santa Teresa, Edições Carmelo]




quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Hino oficial - JMJ 2011 -

Dos Homens e dos Deuses

Basílica da Sagrada Família

A Sagrada Família não trabalha só o prodígio da altura. Nestes tempos, como dizia Pierre Bordieu, tão afunilados numa desvitalizante miséria simbólica temos aqui o dinâmico esplendor do símbolo. Gaudí, «o arquiteto de Deus» como lhe chamam, idealizou a “sua” Sagrada Família com base no número 12, o número da Jerusalém terrestre, mas também o da Jerusalém do Alto (leia-se a impressiva descrição feita no capítulo 21 do Apocalipse). Gaudí não partiu de soluções pré-existentes, nem repetiu manuais. A sua arquitetura não tem apenas uma sensibilidade ao espiritual, tem a estrutura de uma visão e a profundidade de uma experiência mística. Gaudí mostra a grande Arte como oração intensíssima. E mostra amplamente aquilo que talvez já tínhamos esquecido: os homens do século XXI sabem ainda construir e amar catedrais. [José Tolentino Mendonça]
Fonte: SNPC

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

XVI HOREB - 27-28 | NOV | 10


Diz STOP!!! 
ao teu dia-a-dia 


 Abre a porta da tua Vida 
 à Amizade 
 à Oração 
 à Música 
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sábado, 6 de novembro de 2010

DOMINGO XXXII DO TEMPO COMUM

Naquele tempo, aproximaram-se de Jesus alguns saduceus – que negam a ressurreição – e começaram a interrogá-l’O. Disse-lhes Jesus: Os filhos deste mundo casam-se e dão-se em casamento. Mas aqueles que forem dignos de tomar parte na vida futura e na ressurreição dos mortos, nem se casam nem se dão em casamento. Na verdade, já não podem morrer, pois são como os Anjos, e, porque nasceram da ressurreição, são filhos de Deus. E que os mortos ressuscitam, até Moisés o deu a entender no episódio da sarça ardente, quando chama ao Senhor ‘o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacob’. Não é um Deus de mortos, mas de vivos, porque para Ele todos estão vivos». [Lc 20, 27.34-38]

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Santa Teresa de Jesus - Cap.3

III
PASSATEMPOS E DEVANEIOS


A Espanha atingira, no segundo quartel do século XVI, o apogeu da sua grandeza. O sol não se punha nunca nos domínios do jovem Imperador Carlos V. Todas as cidades espanholas vibravam de entusiasmo pelas descobertas e conquistas recentemente realizadas por destemidos navegadores e guerreiros nas Índias Ocidentais. Os espanhóis sonhavam então com a América, como os portugueses com o Brasil. Ávila, terra de cavaleiros e de cruzados, ia na vanguarda.
Nas suas ruas só se ouvia o ruído das esporas e o estrídulo retinir dos ferros. Era a passagem da flor da mocidade que partia alegremente, em ânsia de aventura, para Flandres ou para o Novo Mundo.
A literatura castelhana estava também imbuída dessas ideias. Nos serões de inverno, em volta da braseira consoladora, nas bibliotecas e em toda a parte, o povo espanhol lia romances de aventuras, contos guerreiros e narrativas interessantes de cavaleiros andantes. D. Beatriz, esposa de D. Alonso, lia-os também em sua casa, quer para se distrair, quer para procurar alívio para as suas mágoas. Um dia, passaram esses livros pelas mãos de Teresa e Rodrigo. E, com que embevecimento, com que avidez os folhearam! Como traziam gravuras de guerras, quadros de fidalgos cavaleiros, de mancebos garbosos e atilados que (como conta um historiador daquela época)5 , timbravam em ostentar, no boné, uma pena rara de ave para assim atrair os olhares de damas formosíssimas, que se enfeitavam requintadamente, Teresa começou a entusiasmar-se... e, o que é ainda pior, quis imitá-las.
Já não desce ao jardim a brincar com Rodrigo aos eremitas; já não repete, fitando o Céu: Para sempre, para sempre. Agora a gentil menina tem doze anos, doze primaveras floridas, e mudou de hábitos. Gosta demasiado de se mirar ao espelho, de tratar das suas lindas mãos, do seu penteado, dos seus vestidos, e usa perfumes, tal e qual como as meninas da sua posição social.
Ontem Teresa sonhava com o martírio ou com a vida religiosa, eremítica, num convento de rigorosa observância. Hoje, ao ver a vida entreabrir-se-lhe como uma flor que desabrocha, deseja agradar, atrair, ser admirada, quando vai passando aos domingos, depois da missa paroquial, acompanhada dos seus irmãos, junto à Porta do Alcázar, ponto de reunião e sítio de encontro dos rapazes e das meninas que hoje chamaríamos “da moda”.
Teria feito já Teresa a sua primeira comunhão? Não se sabe ao certo, mas parece que não.
A Santa nada diz sobre este pormenor importante da sua vida, na autobiografia admirável, modelo de sinceridade e de humildade, que nos legou. Os seus biógrafos, que são tantos e tão ilustres, dentro e fora da Ordem Carmelita, também não se deram ao trabalho de remexer em arquivos e velhos manuscritos para saberem, com toda a certeza, o dia – o dia maior na vida do cristão – em que Jesus entrara pela primeira vez na alma de Teresa.
Por este tempo, operou-se uma grande transformação no seu espírito e abandonou os seus primeiros sonhos.
Muito concorreu para isso a conversa diária com uma sua parente da mesma idade, um tanto leviana, que entrava e saía, quando bem lhe parecia, na residência de D. Alonso, hoje transformada em convento de Carmelitas Descalços. Foi esta malfadada parente quem a iniciou nos segredos dos devaneios femininos. Andavam sempre juntas e nunca se fartavam de conversas; tanto isto dava nas vistas da família, que D. Beatriz teve de as repreender por mais de uma vez, chamando sua filha à ordem. Teresa, porém, era esperta de mais e sabia muito bem como encontrar oportunidade de bisbilhotar com a sua amiga às ocultas da mãe.
E não foi só esta quem desviou Teresa do bom caminho encetado na sua infância; colaborou também decisivamente nesta obra um primo dela, filho de D. Francisco Sanches de Cepeda, que morava paredes meias. Como havia passagem pelo interior das casas, era contínuo o ensejo de se encontrarem. Conversavam à porta, no jardim, na sala de jantar, em todos os cantos. Nada receava D. Alonso desta amizade, porque, tanto ela como ele, tinham recebido aprimorada educação cristã e eram tementes a Deus; por isso, o pai de Teresa permitia o convívio, muito embora o não encarasse com bons olhos.
O primo sentia-se fortemente atraído pelo encanto de Teresa, inteligente e formosa que, com a sua graça, animava todos os jogos e conversas.
Teresa tem já 13 anos e não lhe escapa ser ela o enlevo do lar e o ídolo de irmãos e primos. Vê-se jovem, prendada, festejada por todos os que têm a dita de com ela tratar. O tal primo que a procura, esse não sabe sair da beirinha dela. Agora já falam a sós, na penumbra da sala de visitas, onde estão reunidos alguns membros da família, debilmente alumiados por uma luz mortiça. O primo não é capaz de esconder que gosta de Teresa e esta, por sua vez, sente o coração fugir-lhe. E parece – nota um biógrafo – que chegaram a pensar na realização dum sonho dourado ao pé do altar-mor da freguesia de S. João.


[Jaime Gil Diez, Santa Teresa, Edições Carmelo]

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

XVI HOREB - 27-28 | NOV | 10 - Vem também!


Santa Teresa de Jesus...
Encontro com amigos fortes de Deus...
Tocar…cantar…partilhar…rir…orar


SÁBADO
Chegada
9H – Abertura
10H – Chamar a música
12H30 – Almoço partilhado
15H – Música no coração
19H – Música calada
20H – Jantar
21H – Night Music

DOMINGO
8H30 - Sons do Carmelo
9H – Pequeno almoço
9H30 – Ensaio
11H – Eucaristia
Foto de família
13H- Almoço

Trazer:
Saco-cama;
farnel para o almoço de sábado;
higiene pessoal;
roupa quente;
instrumentos de música (se tocas algum);
boa disposição;
faixa do Carmo Jovem.

Inscrição (preço final apurado):
22,50 euros
carmojovem@gmail.com
ma.jo.bri@hotmail.com
(Maria João 967209808)

sábado, 30 de outubro de 2010

DOMINGO XXXI DO TEMPO COMUM


Naquele tempo, Jesus entrou em Jericó e começou a atravessar a cidade. Vivia ali um homem rico chamado Zaqueu, que era chefe de publicanos. Procurava ver quem era Jesus, mas, devido à multidão, não podia vê-l’O, porque era de pequena estatura. Então correu mais à frente e subiu a um sicómoro, para ver Jesus, que havia de passar por ali. Quando Jesus chegou ao local, olhou para cima e disse-lhe: «Zaqueu, desce depressa, que Eu hoje devo ficar em tua casa». Ele desceu rapidamente e recebeu Jesus com alegria. Ao verem isto, todos murmuravam, dizendo: «Foi hospedar-Se em casa dum pecador». Entretanto, Zaqueu apresentou-se ao Senhor, dizendo: «Senhor, vou dar aos pobres metade dos meus bens e, se causei qualquer prejuízo a alguém, restituirei quatro vezes mais». Disse-lhe Jesus: «Hoje entrou a salvação nesta casa, porque Zaqueu também é filho de Abraão. Com efeito, o Filho do homem veio procurar e salvar o que estava perdido». [Lc 19, 1-10]

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Santa Teresa de Jesus - Cap.2



II Ensaiando os primeiros passos

O período da primeira infância, ao que parece, passou – se normalmente, pelo menos sem enfermidades graves.
Seus pais que eram virtuosos e tementes a Deus (é este o elogio que lhes faz sua filha) empenharam – se em dar-lhe uma educação aprimorada, solidamente piedosa, aproveitando a inclinação da criança para a virtude. Ontem como hoje, as famílias cristãs costumavam fazer os seus serões de inverno; num desses, talvez em 1521, deu-se um acontecimento notável, verdadeiramente digno de registo, que caracteriza bem a filha de D. Alonso de Cepada e o poder de sugestão que poder ter na gente moça a leitura de um livro.
Noite fria de inverno. O vento sopra forte, gelado, nas janelas e sacadas da casa de moradia do casal Cepeda-Ahumada. D. Beatriz estava toda entregue aos trabalhos normais. O marido punha em dia as contas, enquanto Teresa e Rodrigo, um dos seus nove irmãos, quatro anos mais velho do que ela, passavam os olhos pelas lindas gravuras do Flos Sanctorum, e soletravam como podiam aquele livro. Agora era um santo anacoreta que fazia vida comum com as feras no deserto ou vivia no tronco dum carvalho, como o carmelita Simão Stock; logo uma viagem, espelho de pureza, como Santa Inês; a seguir um mártir que é decapitado em defesa da fé e, dum momento para o outro, troca esta vida pela eterna, entrando no gozo eterno do Céu… Embevecidos com a leitura, acontecia, não raro, ficarem longo tempo a dizer para sempre, para sempre, para sempre… De olhos fitos no Céu… Os pais entreolhavam-se admirados.
Um dia estas duas crianças desapareceram da casa paterna.
Onde estariam Teresa e Rodrigo?
Ninguém sabia deles. Não estavam no palácio de Nunes Vela, padrinho da menina; também não se encontravam na residência dos primos, filhos de D. Francisco, que moravam paredes meias; nem andavam na rua. Que era feito deles? Ninguém o sabia.
As horas decorriam no lar paterno numa ansiedade torturante.
Nisto bate á porta o tio da Santa, irmão do pai; vem a cavalo, ofegante, com o peito a arfar, e traz consigo os pequeninos que se tinham perdido. Tinha – os encontrado do outro lado das muralhas da cidade, no sítio chamado Quatro Postes, na parte noroeste, mais além da ponte sobre o Adaja. Interrogados pelo Pai, logo responde com desassombro a pequena Teresa, mais esperta, que tinham saído ao romper do dia pelas traseiras da casa para irem morrer ás mãos dos mouros, em Marrocos, defendendo a religião de Cristo… É este o fruto da leitura da vida dos santos em almas bem formadas.
Aos sete anos Teresa quis ser mártir e ainda consegui conquistar seu irmão para que também o fosse.
Mais tarde, dirá a Santa na sua autobiografia, empenhada sempre em esconder virtudes e mostrar defeitos, que não realizara esta proeza por amor de Deus, mas apenas para comprar barato a felicidade do Céu e ir logo ver Jesus para sempre, para sempre, para sempre. Conquanto assim seja, não deixa de ser este notável episódio da sua infância uma das mais belas manifestações do amor divino no coração humano.
Murcha a flor da primeira ilusão, Teresa não desanima. Começa a sonhar com a vida dos eremitas, toda silêncio e austeridade, entre os penedos dum deserto; e assim, desce agora todos os dias ao jardim da casa, conduzindo pela mão Rodrigo que teima em só querer brincar com Teresa.
Está o jardim muito bem tratado; é o próprio chefe da família, D. Alonso de Cepeda, amigo sempre de flores e de livros, que olha por ele.
No pomar, junto á cerca, encontramos diariamente, á tarde, antes ou depois do lanche, Teresa e Rodrigo a brincar. Andam entusiasmados a construir ermidinhas, que logo se desmoronam, quando a aragem que acaricia as árvores é um bocadinho mais forte. A pequerrucha, muito engraçadinha, arvora-se em mestra-de-obras, enquanto seu irmãozito lhe traz toda a classe de material de construção: pedrinhas, palhas, areia. Raramente conseguem pôr o telhado ao minúsculo edifício eremítico.
Quando, nos dias abafados em que não corria ponta de ar, a diminuta contrução se mantinha, muito a custo, em pé, faziam Teresa e Rodrigo algazarra e grande festa. Radiantes de alegria pelo triunfo, convidavam o pai, a mãe, os criados todos da casa para virem apreciar os primores do seu trabalho.
- Isto que é? – perguntavam – qual o motivo de tamanha vozearia?
- É que andamos a brincar, Rodrigo e eu, como se fossemos eremitas – acudia Teresa. – Como já não podemos ser mártires, vamos agora tentar ser anacoretas.
Não nos deve admirar esta resposta da filhinha de D. Alonso. É ainda o salutar influxo das boas leituras no espírito de Teresa e Rodrigo, que em breve desaparecerá, abafado por outras leituras muito diferentes.

[Jaime Gil Diez, Santa Teresa, Edições Carmelo]

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Cristianismo não é coisa fácil que se consiga a dormir. Ser cristão é empenhar-se profundamente, até às últimas consequências, na construção do Reino de Deus. É fazê-lo crescer em toda a parte, a toda a hora, em casa, na escola, no emprego, no convívio, em toda a parte onde estivermos e pudermos chegar. Como o Filho de Deus o fez, encarnado em Jesus Cristo, vivendo connosco o nosso drama. Ele não nos libertou comodamente. Da mesma maneira, o havemos de fazer aos nossos irmãos.

D. Manuel Clemente, bispo do Porto