terça-feira, 7 de dezembro de 2010

XVI CaRminhada - Braga - 11 DEZ´10

Vem também tu por este caRminho!

Marca a tua pegada

na Gotinha do Carmo Jovem!




sábado, 4 de dezembro de 2010

DOMINGO II DO ADVENTO


Naqueles dias, apareceu João Baptista a pregar no deserto da Judeia, dizendo: «Arrependei-vos, porque está perto o reino dos Céus». Foi dele que o profeta Isaías falou, ao dizer: «Uma voz clama no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas’». João tinha uma veste tecida com pêlos de camelo e uma cintura de cabedal à volta dos rins. O seu alimento eram gafanhotos e mel silvestre. Acorria a ele gente de Jerusalém, de toda a Judeia e de toda a região do Jordão; e eram baptizados por ele no rio Jordão, confessando os seus pecados. Ao ver muitos fariseus e saduceus que vinham ao seu baptismo, disse-lhes: «Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira que está para vir? Praticai acções que se conformem ao arrependimento que manifestais. Não penseis que basta dizer: ‘Abraão é o nosso pai’, porque eu vos digo: Deus pode suscitar, destas pedras, filhos de Abraão. O machado já está posto à raiz das árvores. Por isso, toda a árvore que não dá fruto será cortada e lançada ao fogo. Eu baptizo-vos com água, para vos levar ao arrependimento. Mas Aquele que vem depois de mim é mais forte do que eu e não sou digno de levar as suas sandálias. Ele baptizar-vos-á no Espírito Santo e no fogo. Tem a pá na sua mão: há-de limpar a eira e recolher o trigo no celeiro. Mas a palha, queimá-la-á num fogo que não se apaga». [Mt 3, 1-12]

XVII HOREB-Sinfonia em Ré Maior














Mais notícias sobre as caçarolas:

XVII HOREB - As caçarolas cantam, tocam e rezam!


No passado fim-de-semana, 27/28Nov’10, decorreu na Casa da Sagrada Família da Praia de Mira mais um HOREB. Já lá vão dezassete anos de encontros anuais dos Jovens Carmelitas.
“O Senhor anda entre as caçarolas!”
Este era o lema deste XVIII encontro de jovens Carmelitas que mais uma vez se encontraram para aprender, conviver, rezar e, desta vez, para cantar…cantar muito (rezando)!
Éramos vinte e oito vindos de várias terras (Alhadas, Avessadas, Aveiro, Caíde de Rei, Moinhos da Gândara, Viana do Castelo e Ávila), todos com datas de nascimento do Séc. XVI, (tal como a nossa anfitriã: Santa Teresa de Jesus).
Sim, este ano tivemos um encontro especialmente diferente dos outros em que participei, visto que foi um HOREB musical. Aprofundámos conhecimentos sobre Santa Teresa de Jesus através de pequenos excertos de seus escritos, que reflectimos cantando.
Cantámos, cantámos, cantámos, tocámos também!
Sim, que alguns houve (Rui, Zé, Bruno, Maria, Cristiana e pouco mais!) que perceberam as explicações da pauta do nosso maestro: Frei João Rego. Durante o fim de semana fomos orientados musicalmente por este jovem, como nós, que após ter experienciado o seu dom musical ensinando alunos, decidiu entregar-se á Família (Ordem) Carmelita e trabalha agora, espalhando/ensinando o Evangelho acompanhado pela sua música. Trabalho árduo, pelo menos connosco: muito transpirou Frei João para que conseguíssemos apanhar o tom!! O tom não sei se o apanhámos todos, mas a mensagem, essa entrou, penetrou, tal como chuva que cai em terra seca e ansiosa de água: tal como disse Santa Teresa, a forma mais fácil, mais perfeita de rezar!
Pois, mas, afinal, para que levámos nós as caçarolas? Não fazíamos ideia, mas para alguma coisa deviam servir! Eu, inexperiente, como não acreditei, e não levei nenhuma. Por fim bem me arrependi, poderia ter dado um excelente concerto!!
As panelas seriam um ponto de partida para um dos grandes ensinamentos de Santa Teresa: Deus está em todo o lado, em todos os trabalhos, em todos os afazeres, desde que desempenhados com dignidade, respeito e amor! Também entre as panelas! Entre os livros! Entre o trânsito! A todos os lugares em que estivermos Ele chega sempre antes de nós!
E muito embora a linguagem que Deus mais ouve seja a do amor silencioso (S. João da Cruz), nós alternámos momentos de grande silêncio com momentos de grande algazarra musical com as nossas caçarolas, tachos, panelas e tudo o que fizesse barulho naquele momento! Mas sempre no ritmo da música! E deixem-me dizer que o Rei das Panelas foi o Frei João! Não é esse, é o Frei João, mas o Costa! Pois, o do costume!
Foram quase dois dias muito bem vividos, em oração, em convívio, em reflexão, em trocas mútuas de olhares, desabafos, segredos, fé (que pode ser muito jovem e inexperiente), mas vai dizendo presente quando é desafiada pelos nossos exemplos Carmelitas, neste caso, Santa Teresa de Jesus.
Antes do almoço de Domingo tivemos a nossa missa, a do primeiro Domingo do Advento, abrilhantada pela liturgia quase toda cantada (grande Rui, grande Frei Daniel)! A homília foi…foi…à moda do Frei João Costa! Falou, falou, falou, a missa durou mais de duas horas!! Pronto, a verdade é que quem falou fomos nós! Mas acho que falámos bem, não acham?

Quem nos surpreendeu a todos (mais uma vez) foi a nossa madrinha, a D. Alice! Nos minutos que lhe foram concedidos para falar (de caçarola em punho), entregou ao Carmo Jovem a cruz referente ao ano da sua entrada no Carmelo Secular, dizendo que muitos conhecimentos adquiriu durante toda sua vida, mas que foi no Carmo que se sentiu livre, livre para O amar! Espero que o seu exemplo de dádiva e amor seja para nós exemplo a seguir!
Depois do delicioso almoço, acompanhado por alguns familiares e amigos que já se tinham juntado a nós para a Eucaristia, partimos, uns com mais pressa do que outros!
Alguns com a lágrima no olho, outros a olharem para trás, outros a combinarem o próximo encontro, lá viemos cada um para sua casa, com o Carmo Jovem no coração!

Não se esqueçam, dia 11 em Braga!


[Ricardo Caçarola, Somos Um, Moinhos da Gândara]

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Santa Teresa de Jesus - Cap.7

VII

TERESA E SEU PAI

Alonso de Cepeda e D. Teresa de Ahumada, pai e filha – tinha esta o apelido da mãe por ser de mais fidalguia, de mais alta linhagem que o do pai, consoante o costume da época, podem bem ser apresentados como modelos de mútua dedicação.


À semelhança de David e Jónatas, a alma deste pai extremoso parecia como que conglutinada com a da filha e, por sua vez, a desta com a do pai. Por aqui nos é permitido avaliar o sacrifício que fez Teresa ao abandonar o lar para seguir a vida religiosa e, bem assim, a violência que teve de fazer D. Alonso ao seu coração paternal, cheio de ternura, para consentir e deixar sair de casa a filha tão amada. Igualmente se não pode imaginar o que sentiria D. Alonso ao ver a sua Teresa desenganada dos médicos e irremediavelmente perdida. Mas Deus, rico em misericórdia, como diz a Escritura, que tinha os olhos postos em Teresa, acudiu na sua bondade infinita à filha e ao pai. Passada aquela terrível crise cardíaca, que a levaria à beira do sepulcro aberto – só era capaz, naqueles dias, de mexer um dedo da mão direita, nota Santa Teresa –, começou a melhorar, ainda que muito lentamente, e tal como estava, com grande custo, se fez transportar ao convento da Encarnação. A que esperavam morta a todo o momento para lhe fazerem o funeral, quis Deus que a recebessem viva, mas sem forças nenhumas e ainda entrevada, em consequência do ataque geral de paralisia.


Ora bem; com a filha doente no mosteiro, é fácil conjecturar o que faria D. Alonso. Queria vê-la sempre que a Regra o permitisse. A tradição conventual aponta o primeiro dos locutórios à entrada do mosteiro, como o escolhido por Santa Teresa e seu pai para suas entrevistas. Lá está aquele santo velho à espera da filha no locutório. Lá ao longe, do outro lado das grades de ferro, fechadas a ferrolho, ouvem-se no mosteiro ruídos como de quem abre e fecha portas. Passam alguns minutos e, na penumbra da sala, sente-se alguém; correm-se as cortinas e aparece Teresa que, sem poder andar, desce ao locutório para ver seu pai amparada por duas religiosas enfermeiras.


Um sorriso, misto de dor e resignação, aflora-lhe aos lábios. Com grande esforço consegue a doente sentar-se. Retiram então as religiosas e ficam a sós pai e filha. É esta a única consolação que tem neste mundo aquele santo velho: ver e conversar com Teresa, que é o raio de sol que alumia e aquece o inverno da sua velhice. Conta esta a seu pai as lentas melhoras que começa a experimentar, à medida que lhe abrandam as dores. Depois falam da vaidade das coisas do mundo, de Deus, da oração... Porque Teresa, durante a sua longa enfermidade, tem feito notáveis progressos na virtude, e já quer saber da sua alma. Andava tão resignada nos seus sofrimentos e tudo suportava com tanta paciência que, como ela própria confessa na sua autobiografia, de bom grado ficaria sempre assim, doente, entrevada mesmo, se tal fosse a vontade do Senhor. Muito concorrera para este estado de alma a leitura de Job, em dois livros, de S. Gregório, que ainda guardam com toda a veneração as Carmelitas Descalças de S. José de Ávila. Por isso, as conversas com seu pai no locutório da Encarnação sempre recaíam em assuntos espirituais. D. Alonso ouvia-a embevecido, principalmente quando ela lhe falava da oração mental, do modo de a fazer, da sua importância e excelência, e dos frutos que colhe a alma do seu frequente exercício. Então é que D. Alonso via um mundo novo; e esse mundo, cheio de luz, era-lhe descortinado agora, ao pôr do sol da sua vida, pela mágica palavra da sua filha Carmelita.


Onde aprenderia Teresa, pensaria D. Alonso, todas estas coisas tão belas? Quem lhe mostraria a ela esse mundo de sonho e de maravilha da oração, porta do palácio da santidade? Um dia quis Teresa satisfazer a curiosidade de seu pai, e revelou-lhe que tinha bebido as águas cristalinas dessa ciência nas páginas de um livro de ouro que em boa hora lhe emprestara seu tio D. Pedro de Cepeda, quando da sua passagem por Hortigosa. O tal livro, que tanto bem fez à alma de Teresa, outro não é senão o Terceiro Abecedário, escrito em espanhol pelo franciscano Francisco de Osuna, tesouro precioso que guardam igualmente as Descalças de S. José. Quando D. Alonso sai da Encarnação e sobe a ladeira íngreme da cidade, entrando pela porta do Carmo, traz quase sempre um embrulho nas mãos... São livros que lhe vai emprestando sua filha para o iniciar na prática da meditação.


Convém fixar este trecho da vida preciosa de Santa Teresa. D. Alonso aparece-nos agora convertido em discípulo de sua filha. É ele a primeira criatura a quem ela confiou o segredo da oração mental. Seja aqui dito de passagem que Santa Teresa, apesar de ser mulher doente – sofrera toda a vida fortes dores de cabeça –, nunca, durante 21 anos, deixou de fazer todos os dias oração mental, cuja importância, no caminho da perfeição, recomendava com grande eloquência a seu pai, já no fim da sua vida.


Reconheçamos já em Teresa de Ahumada uma qualidade admirável, digna de nota, que a caracteriza. Desde criança revelou-se sempre apóstola; tinha até alma apostólica: em pequenina, levou Rodrigo, seu irmão, a abandonar com ela a casa dos pais para se dirigirem a terra de Mouros, a fim de serem mortos por amor de Cristo; volvidos alguns anos, convenceu outro seu irmão, António, a que desprezasse a vaidade do mundo e fosse para frade; em Becedas soube insinuar-se na alma dum sacerdote, de maneira a que mudasse de vida e se aproximasse mais de Deus; e agora, mesmo alquebrada pela doença, não descansa até conseguir catequizar seu próprio pai na prática da meditação. Era notável e natural, como se vê, em Teresa, o poder de proselitismo que atraía suavemente para a prática da virtude os que tinham a dita de a ouvir.


*


Teresa continuou enferma e entrevada durante quase três anos, edificando a todos com a sua paciência, que era tão grande que, como ela própria confessa na sua humildade, se admirava de si mesma. Mas, de um dia para o outro, Teresa melhora inesperadamente. Já não está entrevada; já faz uso de todos os seus membros; já assiste todos os dias ao coro com as outras religiosas. Dir-se-ia até que parece mais ágil, mais forte do que antes de sentir o mal de coração. As manifestações de alegria de D. Teresa de Ahumada e o metal da sua voz ressoam agora nos corredores, por toda a parte, no mosteiro da Encarnação. A filha de D. Alonso volta a ser a alegria da comunidade.


Que é que aconteceu? Teresa encomendara-se com todo o fervor e confiança ao glorioso Patriarca S. José, a quem todos os anos costumava mandar fazer uma festa, à sua custa, na Encarnação. E S. José fez o milagre. É isto o que nos conta a Santa na primeira parte do capítulo VI, tecendo o elogio do castíssimo Esposo de Maria, página de ouro esta que é o melhor que se tem escrito sobre S. José, com excepção dos dois discursos de Bossuet. Curada miraculosamente Teresa, o seu coração de mulher jovem e prendada – andava por volta dos seus 27 ou 28 anos –, torna de novo a palpitar como outrora e ainda mais fortemente, sob o burel de freira carmelita, no ardor da mocidade. Tem ânsias de amizade, de dedicações, de carinho, porque a vida, debelada a doença, parece abrir-se-lhe agora, como uma rosa... Gasta frequentemente longas horas no locutório, em conversas que facilmente podia evitar, atraindo com os seus olhos negros, profundos, que lhe brilham no rosto como dois luzeiros, e com o encanto do seu sorriso leal e franco, mesmo por entre as grades de ferro, gente de todas as classes sociais da cidade que lhe fora berço. Teresa era alguém no mosteiro da Encarnação pelas suas qualidades de mulher extraordinária e Ávila só agora começa a aperceber-se disso.


Jesus, porém, que queria fosse para Ele, só para Ele, o coração desta mulher cheia de encantos e atractivos, quis sair-lhe ao encontro, ferindo-lhe o próprio coração com golpe certeiro. D. Alonso, pai extremoso de Teresa de Ahumada, adoecera subitamente e para nunca mais se erguer. Celebra-se o Natal de 1544. Alegria e hinos de júbilo nos templos e nas ruas; tristeza e lágrimas na casa de D. Alonso. Jaz este venerável ancião no seu leito, rodeado por Lourenço de Cepeda, pároco de Villanueva del Aceral, seu dedicado irmão, de seu genro, D. Martinho de Gusmão Barrientos, e de seus filhos. Entre eles está, dominando sua emoção, Teresa, chamada com urgência da Encarnação.


O moribundo manifesta vontade de fazer testamento e pronuncia, pela última vez perante o notário, o nome de Teresa, sua filha querida, que nomeia sua testamenteira. Silêncio angustioso e prolongado. No rosto dos circunstantes há lágrimas a rolar pelas faces. Tudo acaba neste mundo – diz com voz apagada D. Alonso, que já está, no limiar da eternidade –; só uma coisa, nos fica: servir a Deus. E fazendo um supremo esforço, insiste em querer recitar o “Credo”: Creio em Deus Pai, Todo-Poderoso, Criador do Céu e da terra, e em Jesus Cristo... Já não pode mais; apaga-se-lhe por completo a voz; olha para o Céu onde está a verdadeira vida, como dirá ao mundo mais tarde sua filha, Santa Teresa. Fecham-se-lhe suavemente os olhos; um frio estranho, acompanhado de suor, espalha-se-lhe pelo corpo todo... Já acabou. Faleceu D. Alonso de Cepeda na paz do Senhor. É o dia 26 de Dezembro de 1544, ao cair da tarde.


Todos ajoelham e rezam em volta do cadáver. As orações de Teresa, dos familiares e criados acompanham seu espírito imortal na sua ascensão ao Céu, onde Deus lhe reserva o eterno galardão.

[Jaime Gil Diez, Santa Teresa, Edições Carmelo]

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

XVI CaRminhada - Braga - 11 DEZ´10

ASPECTOS A TER EM ATENÇÃO:

* As Carminhadas são abertas a todos os jovens;

* Acolhimento às 9h00, na Igreja do Carmo (Braga);

* A Carminhadas é de curta/média distância, e termina após a Eucaristia;

* Eucaristia às 17h00 na Igreja do Carmo;

* O almoço será partilhado, devendo cada participante trazer de casa.

* Procura levar calçado confortável e já usado; roupa conveniente (um impermeável, guarda-chuva…);

* Haverá um carro-vassoura para transporte de mochilas e dos mais cansados, mas a maior honra

dos condutores é chegar sem passageiros;

* Carminha ligeiro de equipagem: Nem tudo é necessário para carminhar!

* Quem já participou noutras Carminhadas e tem a faixa “Levamos o Carmo (jovem) no Coração”,

deve levá-la.

CONFIRMAÇÃO

A confirmação de participação na Carminhada deverá ser efectuada até ao dia 8 de Dezembro para:

domingo, 28 de novembro de 2010

BOAS-VINDAS – XVII HOREB


“O senhor anda entre as caçarolas”
(Santa Teresa de Jesus; Fundações 5:8)


Caros caçaroletas, muito bem-vindos ao XVII HOREB do Carmo Jovem.


Obrigada por terem vindo! Obrigada por trazerem as vossas caçarolas!


Este é o nosso primeiro encontro do Ano Pastoral. Já lá vão uns meses, desde que nos despedimos nos acampakis, uns lavados em lágrimas, outros em babetes de ervilhas, mas todos com a certeza de que, apesar dos filhos de Santa Teresa serem de terras distantes entre si, a amizade jamais os separará. Os bons amigos permanecem sempre, apesar das distâncias.


Foi o dom da amizade que nos juntou e Santa Teresa de Jesus, que nos acompanhará durante este Ano Pastoral, será a nossa amiga de eleição.


Ela irá sempre na linha da frente para nos mostrar o CaRminho. Ela não é de caRminhos tortuosos, corta sempre a direito, independentemente das dificuldades.


Este HOREB será muito especial:


Especial porque tu vieste e porque trouxeste a tua caçarola;


Especial porque temos connosco três frades carmelitas em tempos que dizem difíceis em vocações religiosas: o Frei João Rego, o Frei João Costa e o Frei Daniel;


Especial porque a música animará o nosso fim-de-semana e poderemos levá-la connosco para onde quer que vamos;


Especial porque podemos celebrar a inauguração da primeira fundação da Ordem Carmelita Descalça juntos, foi em 28 de Novembro de 1568, em Duruelo, uma pequena povoação espanhola.


Especial porque vamos entrar no tempo do Advento juntos, entre guitarras e caçarolas, como verdadeiros amigos fortes de Deus.

Especial ainda porque vamos conhecer um pouco melhor a nossa amiga de eleição, Santa Teresa Caçarola de Jesus.

Temos a certeza de que, uma vez mais, vai valer a pena ter madrugado para aqui estar;

Vai valer a pena ter feito quilómetros e ter deixado as PSP's e PC's em casa;

Porque vale sempre a pena, quando a caçarola não é pequena!


Bem-vindos e que este Horeb seja mais uma vez inesquecível!

[Maria João Caçarola]


28/NOV/1568 - DIA DA FUNDAÇÃO DA ORDEM DO CARMO


No dia 28 de Novembro de 1568, primeiro domingo do Advento, na celebração da Eucaristia, presidida pelo Provincial, fez-se a inauguração oficial do primeiro convento de Carmelitas Descalços.
No livro de profissões encontra-se em primeiro lugar a de nosso pai S. João da Cruz, que diz: «Eu, Frei João da Cruz faço profissão e prometo obediência, castidade e pobreza a Deus Nosso Senhor e à Virgem Maria, Nossa Senhora, e ao reverendo padre frei João Baptista, geral da Ordem, segundo a Regra primitiva, isto é, sem mitigação, até à morte».
Aquela semente pequenina que S. João da Cruz semeou em Duruelo, cresceu e desenvolveu-se. Hoje é uma grande família estendida pelo mundo inteiro, à qual pertencemos também. Peçamos ao Senhor a graça de servir sempre o reino de Deus tal como nos ensinou nosso pai S. João da Cruz e como ele, seremos no mundo, nós também, sinais vivos de Deus.



Leitura do Livro das Fundações escrito pela Santa Madre Teresa de Jesus 
Saímos de manhã para Duruelo, mas como não sabíamos o caminho perdendo-nos. E, sendo o lugar pouco conhecido, ninguém sabia dar indicações precisas.
Quando entrámos na casa, estava de tal maneira que não nos atrevemos a ficar ali naquela noite. Tinha um portal razoável, uma sala, um sótão e uma pequena cozinha. Pensei que do portal podia fazer-se a igreja, o sótão servia bem para o coro e a sala para dormir.
As minhas companheiras diziam – me: «Madre, não há com certeza, homem, por santo seja, que resista a viver nesta casa».
Mas frei João da Cruz, concordava com a pobreza da casa para convento. Combinámos, pois, que o padre frei João da cruz fosse acomodar a casa para poderem entrar. Tardou pouco o arranjo da casa, porque ainda que se quisesse fazer muito, não havia dinheiro.
No primeiro domingo do Advento deste ano de 1568 celebrou-se a primeira Missa naquele pequeno portal de Belém. Chamo-lhe assim, porque não creio que fosse melhor que o presépio.
Os quartos tinham feno por cama, porque o lugar era muito frio, e pedras por cabeceira. Muitas vezes, depois de rezarem levavam muita neve nos hábitos que neles caía pelos buracos do telhado.
Iam pregar a muitos lugares próximos dali, o que me deixou muito contente. Iam descalços e com muita neve e frio; porque no princípio, não usavam calçado, como mais tarde lhes mandaram.
Em tão pouco tempo, alcançaram tanta estima das pessoas, que nunca lhes faltava alimentos, pois traziam – lhes mais do que o necessário. Isto foi para mim grande consolo, quando o soube.
Praza ao Senhor fazê-los perseverar no caminho que agora começaram.
[Livro Música Calada]

sábado, 27 de novembro de 2010

DOMINGO I DO ADVENTO


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Como aconteceu nos dias de Noé, assim sucederá na vinda do Filho do homem. Nos dias que precederam o dilúvio, comiam e bebiam, casavam e davam em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca; e não deram por nada, até que veio o dilúvio, que a todos levou. Assim será também na vinda do Filho do homem. Então, de dois que estiverem no campo, um será tomado e outro deixado; de duas mulheres que estiverem a moer com a mó, uma será tomada e outra deixada. Portanto, vigiai, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor. Compreendei isto: se o dono da casa soubesse a que horas da noite viria o ladrão, estaria vigilante e não deixaria arrombar a sua casa. Por isso, estai vós também preparados, porque na hora em que menos pensais, virá o Filho do homem. [Mt 24, 37-44]

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Santa Teresa de Jesus - Cap.6

VI

ESTA FILHA NÃO É PARA IR JÁ A ENTERRAR


Volvidos alguns dias, Teresa veste o hábito de noviça carmelita no mosteiro de Nossa Senhora da Encarnação de Ávila, em 2 de Novembro de 1536, isto é, com vinte e um anos de idade.


É dia de Fiéis defuntos. Ao longe, lá na cidade, ouve-se dobrar a finados, mas o convento da Encarnação, esse está em festa. Festeja-se a tomada de hábito da filha de D. Alonso, D. Teresa de Ahumada. Pela encosta, da banda norte em direcção à ponte sobre o Ajates, vem descendo, com a alma em alvoroço, um grupo compacto de pessoas. É D. Alonso, alguns dos seus familiares, diversos parentes e meia dúzia de jovens amigas da jovem. Querem assistir à cerimónia que breve vai começar. Já estão todos colados às grades de ferro do coro baixo das religiosas, com os olhos bem arregalados. Ouvem-se vozes e melodias como de anjos em revoada... São as freiras carmelitas que vêm pelos corredores do mosteiro em duas fileiras, envergando suas magníficas capas brancas, como em dias de grande solenidade, e com os rostos velados, a cantar hinos litúrgicos... Uma rapariga, de olhos negros e penetrantes, dizia, toda enlevada, que parecia ser aquilo uma visão do Céu... No extremo do cortejo, vestida de branco, como uma noiva no dia das suas bodas, vem Teresa, ladeada pela Superiora da Comunidade e pela mestra das noviças. Mostra o rosto sereno, um tanto ou quanto transfigurado pela emoção interior, com um sorriso doce e suave, mal disfarçado, a florir-lhe nos lábios, sinal certo da alegria que lhe vai na alma. Cantadas as últimas estrofes do hino litúrgico, ajoelha Teresa aos pés da sua Superiora, que já está sentada no meio do coro, e dá logo início à cerimónia da tomada de hábito. O momento é empolgante, especialmente para D. Alonso; vê sua filha com o hábito da SS. Virgem do Carmo... Fosse viva sua mãe, que tanto a estremecia! – murmura, enquanto enxuga furtivamente algumas lágrimas. Finda a cerimónia, todos querem cumprimentar e dar os parabéns a Teresa e a seu pai. Há festa e alegria nos corredores e locutórios do mosteiro. D. Alonso, que tem os olhos postos na que é o enlevo da sua existência, não quer faltar a sua filha com coisa alguma neste dia, que lhe ficará para sempre memorável; e assim, consoante a tradição conventual, faz ao mosteiro a oferta de velas da melhor cera, e oferece às freiras, companheiras de Teresa, novos véus.


*

Diz Santa Teresa15 que, vestido o hábito, experimentou uma tal alegria e contentamento, que lhe durava ainda na data em que escrevia. E não admira que assim fosse porque tomara o estado religioso que, como ela própria diz, é o mais seguro.


Animada destes sentimentos, encetara Teresa o seu ano de noviciado. Alguma coisa teve de sofrer da parte do inimigo comum das almas, além das saudades do pai, que lhe ralavam a alma. Mas tudo suportara com admirável fortaleza de espírito, considerando-se feliz na casa do Senhor.


As horas do dia eram consagradas à aprendizagem da vida monástica sob a direcção da mestra de noviças: exercício da oração, leitura espiritual, conferências, ensaios de canto e cerimónias, etc. Quantas vezes gastava ela em varrer os corredores e dependências do convento o tempo precioso que outrora ocupava em banalidades e frívolas conversas!


Não satisfeita com as penitências que a Regra Carmelita impõe às religiosas, não era raro ir, com licença da madre Mestra, ao quintal do mosteiro, pelo lusco-fusco, apanhar alguns espinheiros, dos mais bravos, para mortificar a carne no recanto da sua cela. Até chegou a dormir mais de uma vez, servindo-lhe de travesseiro uma tábua. Assim satisfazia Teresa, no noviciado, à Divina Justiça pelas faltas que, na sua humildade, considerava grandes pecados. Daqui lhe nascia chamar-se pecadora, avultar sempre suas culpas, tornar-se amiga e devota dos santos que, em vida, foram grandes pecadores, como Maria Madalena, Santo Agostinho, etc. É isto o perfume da verdadeira humildade, que se nota e nos prende, lendo os escritos desta mulher extraordinária.


E assim, orando, treinando-se na prática das virtudes religiosas e fazendo penitência por ofensas graves que nunca cometera, chegou ao termo do ano de noviciado, fazendo a sua profissão na Ordem das Carmelitas da Antiga Observância a 3 de Novembro de 1537.


Façamos um apanhado da obra espiritual realizada por Teresa no Castelo Interior da sua alma, neste breve lapso de tempo da sua vida e chegaremos à conclusão de que representa um verdadeiro renascimento espiritual. Nunca uma mulher começou a trilhar o caminho da virtude com tanta coragem como Teresa de Ahumada no convento da Encarnação, depois de feitos os desposórios com o Divino Esposo.


O ritmo de vida religiosa que segue a nova professa é impecável. Peregrina dum ideal, o da sua santificação, logo se torna notável entre as freiras do Carmo pelo seu fervor, pela observância rigorosa da Regra. Um belo dia, porém, tem necessariamente de quebrar esse ritmo. Teresa não aparece no coro... É que se não sente nada bem; parece atacada de grave doença; jaz sobre o leito sem movimento algum, mãos hirtas, olhos fechados, pálida, dando quase a impressão de que já não existe...


Entram apressadamente no convento os médicos; o pai da enferma, esse, fica à porta, impaciente, nervoso, à espera do resultado da consulta médica. As freiras agitam-se no corredor do mosteiro. Ora entram, ora saem do quarto de Teresa, levando e trazendo medicamentos, pensos, quanto é preciso.


– Sua filha, dizem os clínicos a D. Alonso ao saírem da Encarnação, é vítima dum forte ataque de coração. Urge tirá-la quanto antes o mais cedo possível do convento, para se submeter a um tratamento que de forma alguma se lhe pode dar lá dentro. Talvez uma curandeira célebre da terra seja capaz de lhe restituir a saúde.


Está dito. D. Alonso não hesita. Não se poupará a despesas nem a sacrifícios para salvar a vida da sua filha; e começa já a tomar as devidas providências para Teresa abandonar o claustro e para encontrar a mulher prodigiosa.


Seguindo o conselho do médico assistente, deixa passar uns dias até Teresa dar acordo de si e melhorar um bocado. Ele próprio quer acompanhá-la com alguns dos seus criados. Mas, para sua consolação espiritual, irá também com eles a grande amiga de Teresa, D. Joana Juárez. A jornada tem de ser feita a cavalo, único meio de transporte que, neste tempo (segundo quartel do século XVI) permitem aqueles terrenos montanhosos.


A enferma já está mais aliviada; e um belo dia põe-se a caminho, atravessando a ponte sobre o Adaja, rumo ao poente. A famigerada curandeira reside a 75 quilómetros de distância, mais ou menos, na vila de Becedas, embrenhada na Serra de Gredos, entre Ávila e Salamanca.


O itinerário que seguem os nossos viandantes foi previamente marcado assim: Hortigosa, Castellanos de la Cañada e Becedas. O frio por aquelas paragens, no mês de Dezembro, é de rachar. D. Alonso, que segue quase sempre à beirinha da mula que transporta Teresa, pergunta-lhe a todo o momento se está melhor, recomendando-lhe que se agasalhe bem.


Ao cair da tarde do mesmo dia, chegam a Hortigosa, onde mora D. Pedro de Cepeda, tio da enferma e irmão de D. Alonso. Aqui descansam alguns dias. D. Pedro que, como já foi dito, vivia enfronhado, desde que enviuvara, na leitura de livros de ascética e mística, dá à sobrinha alguns livros espirituais que mui salutar influência conseguiram exercer no espírito de Teresa. Mal podia supor aquele homem austero e penitente que sua sobrinha, amiga agora dos bons livros, havia de chegar a ser, no rolar dos tempos, a Doutora Mística da Igreja universal.


Numa boa jornada percorreram os nossos viandantes a distância que vai de Hortigosa até Castellanos. Neste lugar da serra eram esperados por D. Maria de Cepeda e seu marido, D. Martinho Barrientos, que se desfizeram em delicadezas e atenções para com Teresa. Aqui foram informados de que esta só podia iniciar o seu tratamento em Becedas na entrada da primavera. Estava-se então no começo do inverno... Ninguém contava com isto. Por isso, no intuito de não voltar a Ávila para não ter que fazer outra viagem, resolveu D. Alonso que Teresa ficasse lá, o que foi motivo de alegria para o casal Cepeda-Barrientos, porque tanto D. Maria como D. Martinho lhe eram muito dedicados.


E assim Teresa demorou-se em Castellanos, na companhia dos seus irmãos, cerca de três meses, sendo atendida, agasalhada e mimoseada por todos.


Ela, porém, que tinha entrado na Ordem Carmelita para tratar a sério da sua santificação, soube aproveitar aquele tempo precioso para continuar a trabalhar na construção do edifício da sua perfeição, purificando-se na dor, porque a doença seguia o seu curso... Quando se sentia um tanto aliviada, consagrava-se à oração e às leituras piedosas.


Chegou assim a primavera de 1538, vestida sempre de flores, viços e perfumes, anunciando aos mortais o ressurgir da natureza.


Um lindo dia de sol escolheu Teresa para fazer, embora com bastante dificuldade, a jornada entre Castellanos e Becedas, acompanhada agora de sua irmã D. Maria de Cepeda. Com que ilusão procuraria D. Alonso aqui e além, por toda a parte, aquela mulher prodigiosa que realizava curas extraordinárias! Só ela e mais ninguém, foi-lhe dito, era capaz de restituir a saúde à sua filha doente. Mas note-se, aquela famigerada curandeira não era parecida em coisa alguma com aquelas criaturas, impropriamente chamadas mulheres de virtude, dos nossos dias. Por isso, recorria a ela nesta aflição o pai de Santa Teresa. Além do mais, aquela época, que alguns historiadores denominam teológica, fiscalizada pela Inquisição, não teria suportado essa casta de mulheres no meio do povo cristão.


Feito o devido exame terapêutico, Teresa submeteu-se à tal curandeira. Purgantes diários, drogas esquisitas e medicinas caseiras de toda a espécie, por ela própria preparadas no seu casebre com ervas raras das quais só ela conhecia as virtudes curativas: eis as receitas que dera aquela médica a Teresa de Ahumada, para lhe debelar a doença do coração. Três longos meses cumpriu à risca a filha de D. Alonso as prescrições médicas daquela curandeira: tudo em vão. Teresa ia de mal a pior.


Não só as crises eram quase diárias e mais fortes, como todo o seu organismo ia sendo atingido, sobretudo os pulmões. Por isso D. Alonso, todo desapontado e sem quaisquer esperanças de salvar a filha, resolveu regressar com ela a Ávila. Ao menos – dizia – que morra na sua terra e na sua casa.


Mal chegou à cidade, agravou-se tanto a doença cardíaca, que Teresa ficou quatro dias privada dos sentidos, tal qual como um cadáver que jaz no leito da morte...


Como não dava acordo de si, alguém mandou cavar-lhe a sepultura no mosteiro da Encarnação, recomendando ao mesmo tempo que tudo estivesse pronto para o funeral... É que toda a gente a dava por morta e era de parecer que se enterrasse.


Só ao pai extremoso, escreve o P. Ribera, um dos mais ilustres biógrafos da Santa, não lhe consentia o coração levar a enterrar aquela filha, e dizia, opondo-se resolutamente ao comum sentir de amigos e familiares: Esta filha não é para ir já a enterrar17.


Desta vez, como se vê, somos forçados a afirmar que foi o amor de pai quem salvou a filha querida.


É que Deus reservava Teresa para grandes coisas.


[Jaime Gil Diez, Santa Teresa, Edições Carmelo]