quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

PreCaRminhada...

Rumo à XVIII Carminhada: Vila Praia de Âncora.
19|FEV|2011
Quem prepara carminha, pelo menos, duas vezes!
Uma já está! Na outra, virás tu também!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

sábado, 15 de janeiro de 2011

DOMINGO II DO TEMPO COMUM


Naquele tempo, João Baptista viu Jesus, que vinha ao seu encontro, e exclamou: «Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. É d’Ele que eu dizia: ‘Depois de mim vem um homem, que passou à minha frente, porque era antes de mim’. Eu não O conhecia, mas foi para Ele Se manifestar a Israel que eu vim baptizar na água». João deu mais este testemunho: «Eu vi o Espírito Santo descer do Céu como uma pomba e permanecer sobre Ele. Eu não O conhecia, mas quem me enviou na baptizar na água é que me disse: ‘Aquele sobre quem vires o Espírito Santo descer e permanecer é que baptiza no Espírito Santo’. Ora, eu vi e dou testemunho de que Ele é o Filho de Deus». [Jo 1, 29-34]

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

II Noite Escura 22|JAN|2011


poema: João Manuel Ribeiro
fotografia: Marta Nunes

Logo português, texto castelhano

As próximas JMJ estão quase à porta. Até que lá cheguemos há muito trabalho por fazer. Por exemplo o logo da Juventude Carmelita Ibérica. A notícia diz-nos respeito, porque o trabalho é do Tiago Gonçalves, da Equipa Coordenadora do Carrmo Jovem.
Parabéns, Tiago.

Segue o texto explicativo em castelhano; é par air preparando o encontro internacional. Segue: Este año la Jornada Mundial de la Juventud nos convoca en Madrid a una fiesta de Iglesia, a un foro de jóvenes cristianos de todo el mundo, de todas las familias y movimientos religiosos. El Carmelo participaremos, compartiendo nuestra espiritualidad, la palabra de Teresa de Jesús, y de Juan de la Cruz, Teresita y otras figuras del Carmelo. Y en el marco de estas jornadas celebraremos nuestro I Encuentro Teresiano Internacional.
El logo del Carmelo Joven quiere expresar esta doble dimensión: participamos de la Jornada con toda la Iglesia, y lo hacemos desde nuestras raíces, con el estilo que recibimos de Teresa y Juan.
Por eso acogemos el Logo de la JMJ Madrid 2011 y lo hacemos nuestro, lo reinterpretamos: combinamos los colores de la JMJ con el del hábito del Carmelo, y con los tonos de España y Portugal. Y ahora la corona de María se hace también Monte Carmelo, presidido por la cruz, acompañado por esas tres estrellas que en nuestro escudo sugieren diversos significados.
El trazo multicolor del logo evoca la diversidad de los que formamos el Carmelo: entre todos vamos construyendo esta familia, y nos acercamos a Jesús a través de María, la que enseña a guardar y meditar las palabras de Él en el corazón.. Para que desde el interior nazca el gozo y la fraternidad.
Para hacer este logo, convocamos un concurso. Entre todas las propuestas elegimos este diseño de Tiago Gonçalves, del Carmo Jovem portugués. Comenzamos así este año en que el Carmelo Joven Ibérico queremos acoger a los jóvenes del Carmelo de todo el mundo.

REPENSAR JUNTOS A PASTORAL DA IGREJA EM PORTUGAL

Apresentação

A Conferência Episcopal Portuguesa decidiu promover um caminho para “repensar a pastoral da Igreja em Portugal”, de modo a adequá-la melhor ao mandato recebido de Jesus e às circunstâncias actuais. Como ponto de partida, foi elaborado o documento “Formação para a missão – formação na missão”. Nele se aponta este objectivo: “encontrar uma compreensão comum a todas as Igrejas de Portugal dos caminhos da missão e enunciar prioridades de opções e dinâmicas de acção com as quais todas as Dioceses se comprometam”. E refere-se como método a leitura dos “sinais dos tempos”, segundo a perspectiva do Concílio Vaticano II (cf. GS 4 e 11).

O presente instrumento de trabalho dá continuidade prática ao citado documento, que indica: “Temos todos de perscrutar o Espírito, para na autenticidade do que somos, merecermos o futuro que Deus quer e nos dará”. Daí a oração que deve marcar e inspirar este esforço eclesial: “Ensinai-nos, Senhor, o vosso caminho e caminharemos na verdade. Dirigi a vossa Igreja em Portugal, para que honre e testemunhe o vosso Nome” (cf. Sl 86,11).

Neste esforço para repensar a pastoral, pretende-se envolver num caminho sinodal, em comunhão e colaboração, a nível diocesano e nacional, os múltiplos agentes pastorais (bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas, movimentos, associações de fiéis e outras obras eclesiais). Assim, o itinerário percorrerá várias etapas, como se dirá mais abaixo. Não de trata de realizar um sínodo nacional mas tão só adoptar o espírito e o estilo sinodal.

O método com o qual se começa é o discernimento pastoral. Trata-se de um processo de observação, análise e perscrutação dos sinais de Deus na realidade da vida da Sociedade e da Igreja. Em termos paulinos, procura-se “discernir qual é a vontade de Deus: o que é bom, o que lhe é agradável, o que é perfeito”, em ordem a determinar o caminho e os modos de a Igreja em Portugal cumprir de modo mais frutuoso a sua missão. Este processo, conduzido na atenção e docilidade ao Espírito Santo, requer previamente da parte de todos os que nele se envolvam a disponibilidade para se deixar “transformar, adquirindo uma nova mentalidade” (cf. Rm 12,2).

Neste caminho eclesial, procura-se atingir os seguintes objectivos específicos:

Chegar à consciência clara do que realmente move a Igreja na acção pastoral e à convicção de que sem uma confiança firme e a comunhão profunda com Cristo e em Cristo nada se pode fazer (cf. Jo 15,5). Discernir os sinais de Deus na sociedade actual, como apelos e luz que permite à Igreja vislumbrar o horizonte para o qual se deve orientar. Identificar e acolher a ajuda actual de Deus, com a qual abre à Igreja novos caminhos ou possibilidades inovadoras em ordem à sua missão pastoral.

I. Itinerário sinodal proposto
Para pôr em andamento este processo, propõe-se a todos os pastores das dioceses e aos dirigentes e responsáveis das variadas expressões da Igreja em Portugal a prática da comunhão e da colaboração eclesial em ordem à identificação das linhas comuns de acção pastoral. Elas não porão em causa o caminho e as legítimas opções de cada diocese ou organismo eclesial mas deverão inspirá-las e constituir o horizonte comum de referência.

Mediante o trabalho de discernimento pastoral, à luz do Evangelho e na atenção e docilidade ao Espírito, procuramos identificar progressivamente o caminho por onde ir e as prioridades a assumir, sabendo que não deixaremos cair os esforços habituais, mas colocamos o empenho principal nos novos caminhos...

Para essa caminhada, propomos os seguintes passos:

1. A Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) aprecia a presente proposta e instrumento de trabalho, apresentado pelo grupo promotor representativo das Dioceses e outras instâncias eclesiais em ordem a lançar a dinâmica da procura e do discernimento pastoral. Sendo aprovado, torna-o público para se pôr em prática. (Abril de 2010)

2. Nas Jornadas Pastorais do Episcopado, a CEP começa o processo de “repensar juntos a pastoral da Igreja em Portugal”, revendo experiências e ouvindo o contributo de peritos em teologia e pastoral e de figuras da sociedade civil e da cultura. (Junho de 2010)

3. Durante vários meses, nas Dioceses (conselhos pastorais ou outras instâncias), nas conferências ou direcções nacionais dos institutos de vida consagrada e dos movimentos e associações de fiéis far-se-á o trabalho de discernimento pastoral, conforme se propõe mais adiante. (Julho de 2010 a Março de 2011)

4. Depois, o resultado deste trabalho, com os vários contributos diocesanos e nacionais, é recolhido e sintetizado no Gabinete de Estudos pastorais da CEP. (Abril de 2011)

5. As conclusões recolhidas são depois reflectidas pelo grupo representativo das dioceses, congregações e movimentos. O resultado final será entregue à CEP. (Maio de 2011)

6. Nas jornadas pastorais, estudam-se as formas de pôr em prática as orientações comuns nas Diocese e nas diferentes instâncias da Igreja. (Jornadas Pastorais do Episcopado, Junho de 2011)

7. A CEP define as orientações pastorais comuns para a Igreja em Portugal. (Assembleia Plenária, Novembro de 2011)

8. Três anos depois (2014), pelos meios julgados oportunos, a CEP avaliará o caminho pastoral feito e os seus frutos, e, se assim o entender, definirá a sua continuidade.

II. Proposta para o discernimento pastoral (instrumento de reflexão)

1. Traços da situação actual
No Concílio Vaticano II, a Igreja reviu-se nas palavras de S. João (1 Jo 1, 2-3), nas quais declara que os apóstolos e toda a comunidade dos cristãos viviam em comunhão com Deus e com Seu Filho Jesus Cristo e deseja que os destinatários da sua carta pudessem também viver em comunhão com e como eles (cf. DV 1). Por esta comunhão com e em Deus, que é amor, a Igreja torna‑se “o sacramento, ou sinal, e o instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o género humano” (LG 1).

Todavia, a incarnação desta comunhão na vida e missão da Igreja em Portugal encontra dificuldades e resistências várias, que entravam o testemunho do Evangelho na sociedade e o serviço espiritual aos homens. A Igreja – nas suas múltiplas dioceses, congregações religiosas, movimentos, novas comunidades, associações de fiéis – vive dispersa em inúmeras actividades, encontros, jornadas, congressos, instituições... que parecem não ter ligação entre si nem dar aquela vitalidade e inovação significativa na vida dos cristãos, nem irradiar sinais de esperança na sociedade em que vivemos. Há nela muitas instituições sociais, meios de comunicação social, instituições de ensino e assistência... mas parecem ficar no seu âmbito próprio, sem serem vistas e reconhecidas, e nem elas mesmas parecem sentir-se e agir como membros diferenciados de um só corpo, a Igreja. As cartas, notas, mensagens e outros documentos pastorais da Conferência Episcopal têm algum impacto no momento em que são publicados, mas depois são esquecidos, não chegando a dar os frutos desejados. O processo de catequese, sobretudo na infância e adolescência, foi recentemente renovado e alargado, mas observa-se que, a não ser numa pequena percentagem, acaba por não gerar cristãos vivos e empenhados. Por outro lado, no que se refere aos jovens e aos adultos, não se têm conseguido grandes avanços na formação sólida da fé de modo a acompanhar os diferentes momentos da vida das pessoas. Que falta?

Ao mesmo tempo que se nota decréscimo em vários aspectos na Igreja em Portugal, também há sinais novos. Mencionamos alguns, a título de exemplo, para que se descubram outros: na sequência do sopro conciliar do Espírito, a vida da Igreja e dos cristãos tornou-se mais simples e fraterna, desenvolveu-se bastante a participação laical, quer no interior das comunidades cristãs quer mesmo nalgumas causas (solidariedade em causas emergentes, defesa da vida, afirmação da família constituída por um homem e uma mulher unidos pelo casamento...), apareceram ou cresceram significativamente novos movimentos, comunidades e associações de fiéis, com propostas inovadoras de evangelização, de vida comunitária e de testemunho da fé no mundo... Não será, através destes sinais, que o Espírito Santo nos indica o caminho?

Vivemos, na Europa e também em Portugal, numa sociedade cada vez mais secularizada e, por vezes, secularista, abafando ou denegrindo o valor e a influência pessoal e social da religião, da fé cristã e da Igreja. Conforme a palavra de Deus proclamada pelo profeta, pode dizer-se que as pessoas escolheram confiar no homem e contar somente com a força humana, “afastando o seu coração do Senhor” (Jer 17, 5). Ao mesmo tempo, há sinais evidentes de que persistem nos corações humanos os anseios pela espiritualidade e pela comunhão com o mistério divino. E percebe-se o desafio à Igreja de saber comunicar o Evangelho de modo atractivo como “palavra que dá vida” e “vida em abundância”, e de fazer propostas cativantes que possibilitem matar a sede a quem procura saciar as inquietações do seu espírito pela comunhão com Deus.

Toda esta mudança social e cultural e a diminuição da relevância da Igreja constituem um apelo a todos os seus membros, para sermos, como escreveu João Paulo II, “mais humildes e vigilantes na nossa adesão ao Evangelho” (NMI 6). A Igreja em Portugal é assim chamada a viver em atitude de serviço generoso e a ser fermento pela autenticidade das suas propostas e do seu testemunho. Diz alguém: “O mundo é de quem o ama e sabe melhor prová-lo”.

2. Três aspectos para uma “nova maneira de ser Igreja”
Analisando a situação da Igreja em Portugal, nos seus múltiplos membros e actividades, e as circunstâncias sociais e culturais do nosso povo, parecem emergir três questões cuja resposta pode indicar o caminho para as prioridades da acção pastoral. São elas: a exigência da formação cristã, para sermos melhores fiéis e darmos testemunho do Evangelho; o empenho criativo, ardente e frutuoso na nova evangelização, com um modo cristão e eclesial novo de estar e agir no mundo; a reorganização das comunidades cristãs, que passa pela descoberta de novas formas de exercício do ministério sacerdotal e a implementação da diversidade de ministérios eclesiais.

Estas possíveis linhas comuns de acção pastoral deverão ser confirmadas ou eventualmente alteradas, após o processo de discernimento pastoral. Através dele, somos convidados a acolher o mesmo convite que o Espírito disse ao vidente do Apocalipse, quando lhe apresentou o retrato das Igrejas da Ásia Menor (Ap 2-3): trata-se de dar ouvidos ao que o Espírito hoje diz às Igrejas que estão em Portugal (cf. Ap 2, 7.11.17, etc.). Na observação, escuta e discernimento do caminho a seguir, não podemos deixar de atender à recomendação do apóstolo Paulo: “Não apagueis o Espírito. Não desprezeis as profecias. Examinai tudo, guardai o que é bom” (1 Ts 5, 19-21).

3. Questões para o discernimento pastoral
Neste caminho sinodal, procuramos fazer um discernimento em profundidade, identificando os sinais, a luz e a voz do Espírito. A Igreja em Portugal, através dos seus múltiplos responsáveis, é chamada a deixar-se interpelar e a tomar consciência de si mesma e das convicções que a movem, examinando se vive realmente o Evangelho de Jesus Cristo e se está a corresponder aos seus apelos.

Apontam-se duas grandes questões para o discernimento: uma sobre a leitura de fé dos sinais de Deus na sociedade e outra sobre os sinais e indicadores do Espírito Santo na própria vida da Igreja. As respostas deverão ser recolhidas e remetidas ao Secretariado da Conferência Episcopal.

Igreja em Portugal, “que vês na noite” da sociedade em que vives (cf. Is 21, 11)? Quais os sinais de Deus e os desafios para a tua missão? O que verdadeiramente precisam as pessoas de hoje, a nível espiritual e humano, e o que podes tu oferecer-lhes?

Igreja em Portugal, que indicações ou rumores do Espírito encontras hoje em ti (experiências, carismas, dinamismos existentes...) a apontar‑te o estilo de vida cristã e a “nova maneira de ser Igreja” adequada aos tempos de hoje? Que caminhos pastorais te assinalam os sinais e os dons do Espírito para viveres e testemunhares o Evangelho de Cristo?

4. Leituras de apoio a este itinerário de renovação pastoral
Para além dos textos base (desde a Sagrada Escritura ao Concílio Vaticano II…), destacamos: – Exortação Apostólica pós-sinodal «Ecclesia in Europa» de João Paulo II, 2003; Carta Apostólica «Novo Millennio Ineunte» de João Paulo II, 2001; Papa Bento XVI em Portugal – Discursos, homilias e saudações, 2010; Servidores da Alegria, Cardeal Walter Kasper, 2009...

Documento aprovado na Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa

Fátima, 14 de Abril de 2010

domingo, 9 de janeiro de 2011

II Noite Escura 22|JAN|2011


Ao som das caçarolas: SENTEI-ME À SOMBRA.


SENTEI-ME À SOMBRA
Sentei-me à sombra de Quem desejava,
Oh, que sombra tão celestial!
Oh, que sombra tão celestial!

S. Teresa
(Meditação sobre o Cântico dos Cânticos 5, 1; Cant 2, 3)

sábado, 8 de janeiro de 2011

DOMINGO: Baptismo do Senhor


Naquele tempo, Jesus chegou da Galileia e veio ter com João Baptista ao Jordão, para ser baptizado por ele. Mas João opunha-se, dizendo: «Eu é que preciso de ser baptizado por Ti e Tu vens ter comigo?». Jesus respondeu-lhe: «Deixa por agora; convém que assim cumpramos toda a justiça». João deixou então que Ele Se aproximasse. Logo que Jesus foi baptizado, saiu da água. Então, abriram-se os céus e Jesus viu o Espírito de Deus descer como uma pomba e pousar sobre Ele. E uma voz vinda do céu dizia: «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência». [Mt 3, 13-17]

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Santa Teresa de Jesus, a história continua...

XI

O TRIUNFO DA MADRE TERESA

No próprio dia da inauguração do convento das Descalças de S. José, a Madre Teresa houve de recolher, por obediência, à Encarnação. As quatro descalças ficaram sós, mas não abandonadas, porque a Reformadora as acompanhava sempre em espírito.
Ávila começa a viver, a agitar-se em volta do novo convento. A cidade em peso abala-se ao saber da inauguração, considerando o convento da Madre Teresa inconveniente mesmo à vida religiosa dos avilenses. Nunca a solução dum assunto prendeu tanto a atenção e interessou a cidade dos santos e dos cavalheiros como este do mosteiro fundado por D. Teresa de Ahumada. Dir-se-ia que estava em jogo para os avilenses a vida da nação...
No dia seguinte ao da inauguração, por volta das três horas da tarde, quando as Descalças estavam bem sossegadas nas suas celas, ocupadas nos trabalhos manuais, bate à porta do convento o regedor Carvajal que, aproximando-se da roda, intima as freiras com brados e por modos violentos a saírem imediatamente da clausura... porque o Conselho da cidade tinha resolvido suprimir o mosteiro da Madre Teresa.
Não se pode dizer o que sentiram neste transe difícil as quatro noviças, mas todas responderam de dentro que só sairiam quando as tirasse quem lá as meteu.
O regedor, fulo, ardendo em ira, volta à sala do Conselho. Novas discussões e novas deliberações. Não havia meio de se chegar a um acordo. Como resolver, então, o caso do qual dependia o sossego da cidade? Alguém propõe o alvitre, que logo foi aceite, de consultar as forças vivas de Ávila, clero, povo e fidalguia numa magna assembleia.
Com efeito, no domingo 30 de Agosto, pelas 3 horas da tarde, reúne a mencionada assembleia geral para decidir da aceitação ou destruição do convento da Madre Teresa.
Já vão chegando as autoridades civis, alcaide, regedor, oficiais de justiça, etc. O clero, tanto regular como secular, tinha também luzida representação, como o Vigário Geral da diocese, cónegos, o Rev. Dr. Gaspar Daza, alguns franciscanos, dominicanos, jesuítas. Nobres e fidalgos de Ávila quiseram também fazer acto de presença.
A sala de sessões regurgita de povo pertencente a todas as camadas sociais. Abre a sessão o Sr. Vigário Geral, que, em nome do Prelado, se limita a ler o Breve Pontifício chegado de Roma para a fundação, e imediatamente retira da sala. Começam logo as calorosas discussões.
A opinião mais forte, entre clérigos e seculares, é pela destruição do convento da Madre Teresa, não tendo força o Breve Pontifício – alegava-se –, por isso que se não observaram algumas condições... O povo, que não via com bons olhos a nova fundação de Descalças, concorda plenamente.
Nesta altura, quando as pessoas amigas da Reformadora viam a causa perdida, levanta-se para falar, fazendo sinal de silêncio aos assistentes, um grande teólogo da Ordem de S. Domingos, companheiro de armas daquele Frei Pedro Ibañez que aprovara com entusiasmo o espírito da Santa Madre e o projecto da Reforma da Ordem Carmelita. É Frei Domingo Bañez.
Toda a gente, na sala, volve os olhos para o jovem teólogo dominicano. Fala como só ele sabe falar: com aprumo, energia e precisão teológica.
– Não pode tomar-se assim – diz – de ânimo leve, uma resolução destas... acabar com um convento. Trata-se da supressão dum mosteiro aprovado já pelo Santo Padre e pelo Sr. Bispo de Ávila. Ponderem, também, os meus senhores –acrescenta – que esta obra é indubitavelmente destinada à maior glória de Deus e que a Madre Teresa tem muito bom espírito, pretendendo apenas com isto salvar e aperfeiçoar almas. A solução deste caso tão momentoso é, como se vê, da exclusiva alçada do Prelado, visto tratar-se dum assunto eclesiástico. É a ele e só a ele que incumbe resolver o caso, não a nós nem ao Conselho desta ilustre cidade.
Assim, em síntese, falou este eminente homem de ciência, tido e havido como alguém nos meios cultos de Ávila. E não admira, pois foi dos mais insignes teólogos do seu tempo. Aquelas palavras calaram fundo no ânimo da assembleia e podem ser até consideradas como uma mensagem do Céu, pois extinguiram completamente o fogo da luta acesa contra o convento das Descalças de S. José. Os assistentes entreolhavam-se admirados.
Triunfara, portanto, em toda a linha a Madre Teresa.
Quando, de novo, se levanta para falar o regedor Carvajal, já não é para pedir a supressão do convento de S. José, mas sim, para que se informe pormenorizadamente o Prelado da diocese do resultado da assembleia.
Assim terminara, com a vitória estrondosa da Madre Teresa, aquele memorável consistório avilense dessa tarde de domingo, 30 de Agosto de 1562.


[Jaime Gil Diez, Santa Teresa, Edições Carmelo]





sábado, 1 de janeiro de 2011

DOMINGO: EPIFANIA DO SENHOR


Tinha Jesus nascido em Belém da Judeia, nos dias do rei Herodes, quando chegaram a Jerusalém uns Magos vindos do Oriente. «Onde está – perguntaram eles – o rei dos judeus que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O». Ao ouvir tal notícia, o rei Herodes ficou perturbado e, com ele, toda a cidade de Jerusalém. Reuniu todos os príncipes dos sacerdotes e escribas do povo e perguntou-lhes onde devia nascer o Messias. Eles responderam: «Em Belém da Judeia, porque assim está escrito pelo Profeta: ‘Tu, Belém, terra de Judá, não és de modo nenhum a menor entre as principais cidades de Judá, pois de ti sairá um chefe, que será o Pastor de Israel, meu povo’». Então Herodes mandou chamar secretamente os Magos e pediu-lhes informações precisas sobre o tempo em que lhes tinha aparecido a estrela. Depois enviou-os a Belém e disse-lhes: «Ide informar-vos cuidadosamente acerca do Menino; e, quando O encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-l’O». Ouvido o rei, puseram-se a caminho. E eis que a estrela que tinham visto no Oriente seguia à sua frente e parou sobre o lugar onde estava o Menino. Ao ver a estrela, sentiram grande alegria. Entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e, prostrando-se diante d’Ele, adoraram-n’O. Depois, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes: ouro, incenso e mirra. E, avisados em sonhos para não voltarem à presença de Herodes, regressaram à sua terra por outro caminho. [Mt 2, 1-12 ]