quarta-feira, 16 de março de 2011

V ENTREFITAS

" O LIVRO DE ELI"


" Só vos peço que olheis para Ele"
(Santa Teresa de Jesus, Caminho 26:3)

SÁB, 19MARÇO'11 | 20h30 | Moinhos da Gândara

segunda-feira, 14 de março de 2011

Teresa, a nossa Teresa, gostava de caminhar

Caminhar está na moda e é saudável. E o mundo está sulcado de caminhos que cruzam como chicotadas a pele do planeta. Caminham os que emigram procurando melhores condições de vida; caminhamos peregrinos por diferentes motivos; caminhamos para mantermos a linha; caminhamos ao passear pelos nossos parques e cidades.
E no dia em que temos de pegar na bengala, damo-nos conta de que caminhar é aprendizagem da vida, um sinal de liberdade e todo um sofrimento ou prazer, dependendo de que lado o vejamos.
Teresa gostava de caminhar. A sua vida abre-se aos nossos olhos com o episódio infantil da escapada a terras de mouros. Um episódio real e simbólico, do Caminho que Teresa fará ao andar (viver); ao morrer (ouvem-na dizer: “já chegou a hora desejada, já é tempo de que nos vejamos, Senhor meu, já é tempo de caminhar”).
Mulher andarilha por todos os caminhos, nunca vai só. Na infância, o companheiro foi seu irmão Rodrigo; em adulta, serão seus irmãs e irmãs que lhe seguem os passos, e, finalmente, quando morre, será esse Senhor, que a Si próprio Se definiu como Caminho, quem Se vai converter para ela em companheiro de viagem – na própria viagem e meta.
Um belo dia, brotará da sua ágil pena um “Caminho”, procurando o ideal da infância, porque nos recordará, ao Carmelo, que “viemos para morrer por Cristo”, e nele nos fará a grande confidência da sua vida: que a oração é um caminho, que este caminho é a vida e que esta vida é a verdade.
A imagem teresiana de um caminho que nos aperfeiçoa e que é, ao mesmo tempo, perfeito, torna-se acessível e atractiva para os que compreendemos que a oração é esse Caminho, e que orar é viver em companhia amorosa, lado a lado com os irmãos e com Jesus, sendo este “um caminho real para o Céu”. Cada passo que damos aproxima-nos um pouco mais da meta, a de ganhar um grande tesouro: Deus. Um Deus que “basta”, um “mar de maravilhas sem fim”, “uma formosura que contém em si todas as formosuras”…
E embora este caminho tenha os seus perigos e custe caminhar, “não parar até chegar à meta (o fim da vida), aconteça o que acontecer, custe o que custar, pareça bem ou mal aos outros, ainda que morramos no empenho, ainda que nos cansemos e… ainda que o mundo se afunde”, merece a pena suportar os incómodos e peripécias que nele se encontram.
A bagagem é leve, poucas coisas são precisas: “amor de umas para com as outras, despojamento das coisas criadas (liberdade) e verdadeira humildade”. O amor é-nos necessário a todos nós que caminhamos, para atenuar os choques inevitáveis e deixar que brote a amizade. O estar apaixonados por Deus e olhar o afecto pelas coisas com distância e respeito dá-nos uma grande liberdade. E a humildade, que é a verdade, ou seja, o reconhecimento de que não somos nem melhores nem superiores aos outros. Não precisamos de muito mais na mochila. É questão de convicções, desejos e propósitos.
O caminho é longo, árduo, custoso e “quem caminha, caminhará pouco e com trabalho se não tiver bons pés e coragem e ousadia nisso mesmo”, dirá João da Cruz. E o mesmo santo sentenciará que, para chegar ao cume, “é necessário estar apaixonado por Deus”.
Ambos, como guias experimentados descrevem-nos a meta, o cume, em termos de beleza irresistível: “só Deus basta” – dirá Teresa, e João responderá: “Por toda a formosura, nunca eu me perderei senão por um não sei quê que se alcança por ventura”.
E, enquanto caminhamos (vivemos), vamos trilhando a rota do Pai-Nosso, aproximando-nos cada vez mais da última paragem, essa que na petição orante soa como “livrai-nos de todo o mal”, essa que é sinónimo de felicidade, de bem-aventurança, de felicidade, de gozo. Essa que é encontro e abraço, e descanso e festa. Essa que é “chegar a casa”.
Teresa, andarilha por todos os caminhos, a ti que seguiste o Caminho e gostavas de caminhar, concede-nos um pouco da tua coragem para seguir o Mestre como tu fizeste.
Frei Eusébio Gómez Navarro, in http://teresadejesus.carmelitas.pt/

V ENTREFITAS


" O LIVRO DE ELI"

Sinopse:

Cidades vazias, estradas cortadas, tudo à volta são marcas de uma destruição catastrófica. Sem civilização e leis, as estradas pertencem a gangues de assassinos que matam em troca de sapatos, água, ou simplesmente por prazer. ELI (Denzel Washington), guerreiro por necessidade, apenas procura paz, mas quem se atravessar no seu caminho para o atacar rapidamente vai perceber o erro que cometeu. Ele protege não a sua vida, mas a esperança de um futuro melhor; uma esperança que ele carrega e guarda à 30 anos. No entanto, há outra pessoa que compreende o poder que Eli tem, CARNEGIE (Gary Oldman), e está determinada a ficar com esse poder. Mas ninguém vai conseguir para Eli. Ele tem de manter o seu caminho para conseguir dar um futuro à Humanidade.


SÁB, 19MARÇO'11 | Moinhos da Gândara

domingo, 13 de março de 2011

V ENTREFITAS



“O LIVRO DE ELI”

Ficha Técnica:
Título original: “The Book of Eli”
País: Estados Unidos
Ano: 2010
Género: Acção/Aventura
Duração: 118min
Realização de Albert Hughes e Allen Hughes
Com interpretação de Denzel Washington, Gary Oldman e Mila Kunis, entre outros


SÁB, 19MARÇO'11 | Moinhos da Gândara

sábado, 12 de março de 2011

CarmiBicharada

 Palavras de Teresa


Quem é amigo de Deus e reza habitualmente
possui um grande bem que só na oração se encontra.
Daquilo que tenho experiência, posso dizer que,
por males que faça quem começou a ter oração, não a deixe.
E se alguém a deixar procure acolher-se à amizade do Senhor
decidindo-se a não O ofender,
porque Ele volta à amizade que tinha e a fazer as mercês que antes fazia,
e, às vezes, faz muito mais se o arrependimento o merecer.
Quem ainda não começou a rezar, por amor do Senhor lhe rogo,
não menospreze tão grande bem.
Mas ninguém reze por medo, antes por gosto.
Quem se esforçar mesmo que não seja persistente Deus lhe pagará,
porque Ele paga bem toda a amizade que Lhe temos.
Quem persevera na oração é bem pago,
porque o Amigo paga sempre.
Aliás, a meu parecer a oração é um diálogo de amigos,
em que muitas vezes ficamos a sós com Quem sabemos que nos ama.
Se vós ainda O não amais
não podeis por vós mesmas chegar a amá-Lo,
porque não é da vossa condição;
mas, ao verdes o ganhais com a Sua amizade e o muito que vos ama,
passais por esta alegria de estar muito
com Quem é tão diferente de vós.

(Vida   (Vida 8:5)
           
       1 Sentimento de estar com Deus

2 Conselho a quem já começou a ter oração
3 Deus
4 e 5 Definição de Oração
5 Relação com Deus




Envia-nos a tua resposta para:

Boa sorte!

DOMINGO I DA QUARESMA

Naquele tempo, Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto, a fim de ser tentado pelo Diabo. Jejuou quarenta dias e quarenta noites e, por fim, teve fome. O tentador aproximou-se e disse-lhe: «Se és Filho de Deus, diz a estas pedras que se transformem em pães». Jesus respondeu-lhe: «Está escrito: ‘Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus’». Então o Diabo conduziu-O à cidade santa, levou-O ao pináculo do templo e disse-Lhe: «Se és Filho de Deus, lança-Te daqui abaixo, pois está escrito: ‘Deus mandará aos seus Anjos que te recebam nas suas mãos, para que não tropeces em alguma pedra’». Respondeu-lhe Jesus: «Também está escrito: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus’». De novo o Diabo O levou consigo a um monte muito alto, mostrou-Lhe todos os reinos do mundo e a sua glória, e disse-Lhe: «Tudo isto Te darei, se, prostrado, me adorares». Respondeu-lhe Jesus: «Vai-te, Satanás, porque está escrito: ‘Adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele prestarás culto’». Então o Diabo deixou-O e aproximaram-se os Anjos e serviram-n'O. [Mt 4, 1-11]

V ENTREFITAS

... 2, 1, 0!

O V ENTREFITAS do Carmo Jovem apresenta...


"O LIVRO DE ELI"

sexta-feira, 11 de março de 2011

terça-feira, 8 de março de 2011

IV KERIT - 1-3 ABR'11 AVESSADAS


Um lugar…
Dois dias da tua vida…
Três… oportunidade para silenciar o mundo que gira à tua volta para deixar falar o que há de mais autêntico dentro de ti: Ele!

Por isso, vem e:

«Fica-te só com Ele. Que deves fazer senão amá-lo?»
(Vida 19:1)

1 ABR /Sexta - Acolhimento /22h
2 ABR /Sábado – “Fica-te só com Ele. Que deves fazer senão amá-lo?”
3 ABR /Domingo – Termina após o almoço com a enigmática Foto de Família

Inscreve-te até ao dia 24 de Março de 2011 em


domingo, 6 de março de 2011

Carmicharada

No guião da última carminhada estavam algumas charadas sobre os textos de Santa Teresa de Jesus que íamos reflectindo. Encontraste a solução? Quem quer tentar?

Palavras de Teresa

Quem reza não deveria rezar sozinho.
Eu aconselho aos que gostam de rezar – em especial ao princípio –
que procurem amigos que gostem do mesmo.
Isto é muito importante porque se ajudam uns aos outros.
Se nas conversas e amizades humanas, mesmo nas que não são boas,
se procuram amigos com quem descansar e contar os prazeres vãos,
não sei por que não se há-de promover a amizade
junto de quem verdadeiramente ama a Deus,
para que falem das suas alegrias e trabalhos:
que de tudo tem quem costuma rezar.
Porque, se é verdadeiro o gosto de se ser amigo de Sua Majestade,
não se tenha medo de vaidades por falar com Ele.
Creio que, andando com a intenção de ser amigo de rezar
quem falar disto aproveitará a si e aos que o ouvirem;
sairá mais ensinado; e até sem saber como, ensinará a seus amigos.
(Vida 7:20)

Descobre seis palavras e forma a frase chave que resume o texto de Teresa que acabaste de ler.
"_________ ___________ ___________ __________ ____________ _____________"
 
Envia-nos a tua resposta para
 
Boa sorte!

sábado, 5 de março de 2011

V ENTREFITAS



A história continua...Santa Teresa de Jesus, cap XVIII

XVIII

A REFORMA DE SANTA TERESA EM PORTUGAL

Chama-se assim a Ordem Carmelita: Ordem da Bem-aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo – remoçada no seu primitivo viço e esplendor pela Santa Madre Teresa de Jesus.


Não há sombra de dúvida que a Santa Reformadora tencionava vir a Portugal fundar seus Carmelos, tanto de Descalços como de Descalças. As cartas que recebia frequentemente de D. Teotónio de Bragança, Arcebispo de Évora e seu grande admirador, fazendo-lhe convites e apelos nesse sentido, bem como a velha amizade que votava à Princesa de Espanha, D. Maria, irmã de D. Filipe II, leva-nos a crer que só não chegou a vir porque a colhera a morte.
É fácil adivinhar como sofreria Santa Teresa, quando da guerra de Espanha contra Portugal, que teve como resultado a anexação deste reino à coroa de Castela. Há quem diga que Santa Teresa queria vir a Portugal e que desanimou ao saber do desastre de Alcácer Quibir (1578), sobre cujos mortos chorou.
Seja como for, a verdade é que Santa Teresa morreu em 1582, pensando em Portugal, porque era aqui, em terra lusa, onde pretendia vir fundar o seu primeiro mosteiro, logo que começou a expansão da Reforma Carmelita fora do território espanhol.
Se Santa Teresa, porém, não pôde vir pessoalmente a Portugal, vieram em seu nome e trazendo sua representação, seus filhos e filhas. Quer isto dizer que o amor da Santa Reformadora a Portugal o herdaram, como legado precioso, os Descalços e Descalças Carmelitas. Por isso, no célebre Capítulo da Separação, em Março de 1581, um dos assuntos tratados e resolvidos foi este: a introdução do Carmelo Teresiano em Portugal. Ainda no mesmo ano, foi destinado a Portugal, com plenos poderes de Fundador, o P. Frei Ambrósio Mariano, oriundo da Itália, homem de grande inteligência, muito sabedor e de acrisoladas virtudes, um dos Descalços primitivos mais estimados pela Santa Reformadora. Tinha tomado o hábito em Pastrana em 1575, assistindo à cerimónia Santa Teresa que assim lhe quis manifestar o seu apreço e estima.
Quando da partida do P. Ambrósio Mariano para Portugal, estava a Santa Reformadora em S. José de Ávila; e lá foi ter com ela o ilustre Descalço para se despedir e pedir-lhe a bênção e conselhos. Não veio só o Padre Mariano a Lisboa, mas acompanhado do Padre Frei Gaspar de S. Pedro, pregador insigne, e mais cinco religiosos. Em Lisboa encontraram os Descalços todo o apoio, quer da parte do rei D. Filipe, quer do Arcebispo, D. Jorge de Almeida, e dos fiéis. Em homenagem ao Monarca, grande benfeitor da Comunidade Carmelita, tomou o convento o título de S. Filipe.
Parece que o primeiro convento dos Descalços se inaugurou, em Lisboa, pelos lados da Pampulha, em Belém. Foi nomeado mestre de noviços deste convento lisbonense o Padre André da Conceição, português, natural do Algarve.
Em 1585, celebrou Capítulo a Reforma, que se reuniu em Lisboa. Vieram por essa ocasião a Portugal muitos ilustres carmelitas, entre eles S. João da Cruz. Ainda hoje, diz a tradição, nas margens verdejantes do Tejo, o sítio aprazível que escolhera o futuro Doutor da Igreja para ir contemplar a natureza ao cair da tarde.
Em 1610 tornou-se a Província Lusitana de Carmelitas Descalços de S. Filipe independente de Andaluzia e, volvidos mais alguns anos, era tão numerosa e alcançou tanto esplendor que, com licença da Santa Sé, chegou a constituir Congregação à parte, com Superior Geral próprio.
Antes da expulsão dos religiosos, 1834, tinha a Congregação Portuguesa de Carmelitas Descalços 28 conventos: 17 de frades e 11 de freiras.
Ainda hoje, volvidos mais de três séculos, vale a pena ser visitado o Deserto dos Carmelitas Descalços na Serra do Buçaco, inaugurado a 8 de Fevereiro de 1629, em virtude de um Breve do Papa Urbano VIII, que concedia ao Bispo-Conde de Coimbra licença para transferir a propriedade destas serras, pertença da Mitra, para a Ordem dos Carmelitas Descalços.
É uma preciosa relíquia do glorioso passado dos filhos de Santa Teresa em Portugal. O governo da Nação chamou a si o encargo de guardar, com todo o respeito, esta jóia como monumento nacional.
*

Não têm conta os ilustres Descalços que floresceram em virtudes e letras na Congregação Portuguesa. Vamos apenas citar alguns: o Padre Silveira, Definidor Geral da Ordem, nascido e criado em Lisboa, insigne comentarista da Sagrada Escritura; D. Manuel do Menino Jesus, Bispo de Viseu, no século XVII; D. Inácio de S. Caetano, Bispo de Penafiel e que nunca chegou a tomar posse do bispado, grande teólogo, exegeta, confessor da Rainha D. Maria I e Inquisidor Geral do Reino. Nasceu em Chaves em 31 de Julho de 1691. Nomeado Arcebispo de Tessalónica, faleceu em 29 de Novembro de 1788. Está sepultado na Basílica da Estrela. Não é menos ilustre do que estes Descalços o Padre Mestre João da Ascensão Neiva (1787-1861), cuja fama de virtudes chegou até nós. Entrou no mundo este insigne filho de Santa Teresa na freguesia de S. Romão de Neiva, concelho de Viana do Castelo, em 26 de Outubro de 1787. Tomou o hábito e fez a sua profissão no Convento de Carmelitas Descalços de Nossa Senhora dos Remédios da cidade de Lisboa. No colégio que a Ordem tinha em Braga estudou filosofia e teologia, sendo ordenado sacerdote em 1810. Sua longa vida de Carmelita pode-se dizer que foi um exemplo, “escondido, com Cristo, em Deus”, no dizer de S. Paulo. Logo os fiéis reconheceram em Fr. João uma alma de eleição, um homem todo de Deus. Desempenhou cargos importantes na Ordem, sendo Prior do convento de S. João da Cruz de Carnide, quando da expulsão dos religiosos em 1834. Os grandes talentos intelectuais deste frade Descalço, a sua memória pronta e exacta, a sua clara e profunda exposição das verdades teológicas, a sua fácil e fecunda invenção de pensamentos e de razões, bem conhecidas e até admiradas pelos seus próprios professores, quando estudante, deram-lhe depois o título de “Mestre”. O P. Mestre Neiva era conhecido em todo o Portugal e o povo português amava-o. Era pregador de primeiro plano, com nome feito, ouvido em toda a parte com agrado e admiração. A sua paixão eram as almas. Quando, em 1833, vivia entregue mais intensamente ao sagrado ministério, foi surpreendido, na sua humildade, pela nomeação de Arcebispo de Goa, Primaz do Oriente. O humilde religioso recusou-se, como outros muitos Descalços, a aceitar a nomeação, preferindo a sua vida escondida e penitente. Depois da extinção dos conventos, retirou-se para o Minho, sua terra natal, fazendo de Braga o seu quartel general de apóstolo. Então consagrou-se todo à salvação das almas e à pregação do Evangelho. Fazia-se tudo para todos a fim de todos conquistar para Deus; isto, porém, sem deixar a sua vida de oração e penitência, porque é esta a nota mais saliente deste grande Carmelita português: vivia fora do claustro, em casa do seu amigo, Cónego José Maria de Oliveira, exactamente como se vivesse dentro do claustro, com o hábito religioso, com a mesma oração, as mesmas austeridades, a mesma penitência... Esta vida de íntima união com Deus e intenso apostolado – é isto a vida carmelita reformada – viveu-a o Padre Neiva vinte e dois anos na cidade dos Arcebispos, sem recuos nem desfalecimentos. “Mortificado por diversas dores físicas e morais que ele sofria com grande paciência e afável alegria, já desfalecido do corpo, que só tinha pele e osso, mas sempre vigoroso no espírito, morto já para o mundo e vivo só para Deus, tranquilo, esperou e viu o dia da sua morte, para o qual se havia preparado sempre e proximamente se dispôs, recebendo com grande devoção os últimos sacramentos”, assim termina Monsenhor Benevento de Sousa89 a biografia deste insigne filho de Santa Teresa. Faleceu em odor de santidade, em Braga, a 16 de Março de 1861. O seu sepulcro encontra-se sempre enfeitado de luzes e flores, na Igreja do Carmo de Braga. O povo do Norte, tanto do Minho como do Douro, conservam com toda a devoção a sua imagem e a ele recorrem nas necessidades, esperando que um dia a Santa Igreja lhe conceda as honras dos altares.
Não queremos encerrar esta pequena galeria de ilustres Carmelitas Descalços sem fazer referência ao ilustre P. João José de Santa Teresa, autor do livro “Finezas de Jesus Sacramentado”, traduzido mais tarde em espanhol e italiano, bem como de dois insignes místicos, discípulos categorizados de Santa Teresa e de S. João da Cruz. É o primeiro o P. Fr. António do Espírito Santo, autor do “Directorium Misticum”, seguro compêndio de Mística em que se reduzem a método escolástico as candentes experiências interiores de Santa Teresa e de S. João da Cruz. É o segundo o P. Fr. José do Espírito Santo, homem de invulgar valor, autor de duas obras sobre assuntos místicos: “Catena Mistica Carmelitana” e “Enucleatio Misticae Theologiae” reeditada em Roma, 1927.
*

Em 1834 desaparecem as Comunidades Religiosas em Portugal. Passam-se os anos, mudam os tempos e as ideias que governam os homens e as coisas, e voltam de novo a aparecer os frades e as freiras de quase todas as Ordens Religiosas; só os filhos de Santa Teresa, portugueses, é que não tornam a aparecer no palco da vida nacional. Isto tem a sua explicação natural. Os Carmelitas Descalços ao serem civilmente extintos, como os frades das outras Ordens Monásticas, não formavam Província dependente do Superior Geral de Roma, mas – é isto o curioso e interessante –, em virtude dum privilégio especial concedido pela Santa Sé, constituíam, como já se disse, Congregação à parte, com Superior Geral próprio residente em Lisboa; isto é, nenhum Superior da Ordem tinha jurisdição em Portugal, nenhum deles era obrigado pelo seu cargo a zelar os interesses da Ordem neste país.
Felizmente, em 1927, Deus providenciou quem viesse estender a mão ao Carmelo Português. A Província Carmelitana de S. Joaquim de Navarra, das mais florescentes da Reforma90, lembrou-se, em 1927, de mandar a Portugal alguns religiosos espanhóis, que tinham trabalhado no Brasil, para verem, “in loco”, se ainda era possível reatar o fio de oiro da tradição carmelita neste país peninsular, restaurando a antiga Província de S. Filipe. A hora que passa, portanto, é de restauração para o Carmelo Português. Já surgiu, esplêndida, a aurora. A tarefa, porém, para aqueles que a ela meteram ombros, é ingente. Em 1928 encontramos já carmelitas espanhóis no Alandroal (Alentejo). Abandonada esta fundação, porque não convinha à Ordem, mudaram para a cidade de Elvas, 1929, paroquiando até hoje, a freguesia do Salvador. Depois abriram outras pequenas residências. A de Aveiro, 1930; a de Viana do Castelo, 1932; na Foz do Douro, 1936; no Funchal, 1946. Avessadas (Marco de Canaveses), 1961; Braga, 1962; Fátima, 1971; Paço de Arcos (Oeiras), 1982.
*

Instalados os Descalços em Lisboa, 1581, logo mandaram vir suas irmãs, as Descalças, como era vontade da Santa Reformadora, e pedia insistentemente o D. Teotónio de Bragança, Arcebispo de Évora. Mas as Carmelitas só chegaram à capital do Império em 24 de Dezembro de 1584, vigília do Natal. Foram escolhidas para esta fundação religiosas do Carmelo de Sevilha, fundado por Santa Teresa. A primeira Prioresa foi a Madre Maria de S. José, irmã do P. Jerónimo Graciano e filha predilecta de Santa Teresa, que já era morta. Inaugurou-se o mosteiro de Santo Alberto – assim foi denominado o primeiro Carmelo Português das Descalças – em 19 de Janeiro de 1585. A tradição fixa o convento em Santos-o-Velho.


Hoje florescem em Portugal nove Carmelos: o de Fátima, Viana do Castelo, Coimbra, Monte Estoril, Porto, Crato, Faro, Aveiro e Guarda.


[Jaime Gil Diez, Santa Teresa, Edições Carmelo]

DOMINGO IX DO TEMPO COMUM


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Nem todo aquele que Me diz ‘Senhor, Senhor’ entrará no reino dos Céus, mas só aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos Céus. Muitos Me dirão no dia do Juízo: ‘Senhor, Senhor, não foi em teu nome que profetizámos e em teu nome que expulsámos demónios e em teu nome que fizemos tantos milagres?’ Então lhes direi bem alto: ‘Nunca vos conheci. Apartai-vos de Mim, vós que praticais a iniquidade’. Todo aquele que ouve as minhas palavras e as põe em prática é como o homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, vieram as torrentes e sopraram os ventos contra aquela casa; mas ela não caiu, porque estava fundada sobre a rocha. Mas todo aquele que ouve as minhas palavras e não as põe em prática é como o homem insensato que edificou a sua casa sobre a areia. Caiu a chuva, vieram as torrentes e sopraram os ventos contra aquela casa; ela desmoronou-se e foi grande a sua ruína». [Mt 7, 21-27]