domingo, 21 de agosto de 2011

Crónica alfabética do Vcampaki (II)


BÊNÇÃO 
Um Acampaki é uma bênção. No fim dum ano lectivo ou dum ano de intenso trabalho não há melhor que o sabor a pó e orações com cheiro a eucalipto para purificar o corpo e tonificar a alma.
O Acampaki é uma bênção bendita. Este também foi.
Rodeados de natureza e de silêncio bendizemos e louvamos o Criador. Rodeados de amigos e formadores bendizemos a Deus. Não houve razão para não O bendizer, para não dizer bem Dele! Deus foi por nós louvado. Saímos tão novos e tão viçosos que o nosso louvor e bendizer se renovou e se re-ergueu vigoroso para Deus.
E como não nos sentirmos nós também abençoados por Deus? Mas, oh se fomos! Claro que fomos! Ficou simbolizada na bênção final que tanto impressiona os acampakis e os pais.
Deus esteve connosco. Deus permaneça connosco. A sua mão esteve sobre nós e sobre nós permaneça. 

Até que voltemos a reunir-nos para O bendizer. 





BÍBLIA
Na Hora de Silêncio propusemos a leitura do Livro dos Salmos. O momento foi único. Cada jovem acampaki levou a sua Bíblia e depois duma breve introdução e partilha de leituras lá íamos ler Salmos.
No terceiro ou quarto dia alguém descobriu que o Papa, desde as suas férias em Castelgandolfo sugerira que os Católicos lêssemos a Bíblia em férias. Foi uma delícia este reforço. Afinal, diziam os acampakis: « – Adiantamo-nos ao Papa!»
Depois deste reforço abrimos o leque e alguns espraiaram-se pelos livros de Ester e Rute, Cântico dos Cânticos, Tobias e Qoeleth. Foi engraçado notar como os acampákis reconheceram nessas leituras similitudes com a vida contemporânea.
A explorar ainda mais no futuro.




 Bruno
O Bruno é um jovem especial. E um amigo especial. Para além de ser o nosso chef de cozinha. Que gosta de cozinha isso percebe-se logo quando se olha para ele. Mas nem nós nem ele sabíamos se conseguiria cozinhar para tantos. Mas cozinhou, apesar de nunca antes o ter feito para uma mesa tão grande. Saiu-se bem, inovou, foi criativo, deu-nos sempre sopa, e repetiu as receitas da avó. Foi um sucesso.
É matemático, inteligente e próximo de prestar provas de doutoramento. Por nós deixa a matemática e dedica-se às letras na sopa!
Abre um restaurante, Bruno! Tens queda e és amigo do coração: nunca pões demasiado sal nas comidas!
Andou discreto, mas com humor. Integrou-se por inteiro: é um dos nossos!
Se não fosse amigo forte de Deus como teria aguentado servir-nos refeições tão boas e a tantas bocas e tão famintas?

sábado, 20 de agosto de 2011

DOMINGO XXI DO TEMPO COMUM


Naquele tempo, Jesus foi para os lados de Cesareia de Filipe e perguntou aos seus discípulos: «Quem dizem os homens que é o Filho do homem?». Eles responderam: «Uns dizem que é João Baptista, outros que é Elias, outros que é Jeremias ou algum dos profetas». Jesus perguntou: «E vós, quem dizeis que Eu sou?». Então, Simão Pedro tomou a palavra e disse: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo». Jesus respondeu-lhe: «Feliz de ti, Simão, filho de Jonas, porque não foram a carne e o sangue que to revelaram, mas sim meu Pai que está nos Céus. Também Eu te digo: Tu és Pedro; sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos Céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos Céus». Então, Jesus ordenou aos discípulos que não dissessem a ninguém que Ele era o Messias. [Mt 16, 13-20]

O Papa também confessou na JMJ

Madrid, 20 ago 2011 (Ecclesia) – Bento XVI confessou hoje três jovens nos jardins de Buen Retiro, em Madrid, numa iniciativa inédita inserida na Jornada Mundial da Juventude (JMJ) 2011, que decorre até domingo.
Num dos confessionários instalados no local, onde decorre desde segunda-feira a a chamada ‘Festa do Perdão’, considerada pelo Vaticano como “acontecimento singular”.
Confessando num espaço mais reservado do que os outros, no qual foi instalada a Cruz das Jornadas, o Papa ouviu os três jovens escolhidos entre os voluntários da JMJ de Madrid.
O sacramento implica a declaração por parte do fiel dos atos considerados como pecado, o seu arrependimento, a absolvição do sacerdote ou do bispo que escuta a confissão e o cumprimento da penitência imposta pelo ministro.
A ‘Festa do perdão’ conta com 200 confessionários desenhados e construídos propositadamente para aquele que é o maior encontro juvenil católico.
Um forte dispositivo de segurança separou a comitiva papal de peregrinos e curiosos que se deslocaram desde o início da manhã a El Retiro, um dos maiores parques da capital espanhola.
Octávio Carmo

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Vamos todos aprender a conjugar

SAUDAÇÃO DO RESPONSÁVEL DA PASTORAL JUVENIL


Olá!
Sejam todas e todos bem-vindos.
Ainda nos não conhecemos. Mas tal como eu todos esperam viver aqui três belos dias no Acampakijunior, que se realiza na Casa do Menino Jesus! É para mim grande alegria poder receber tanta gente! É muito belo para mim ter de alargar o meu coração onde mais jovens amigos possam entrar!
Que bom que tenhais vindo! Fico-vos muito grato por isso.
Sei bem que estais ansiosos pelo Acampaki. Mas atenção, isto já é Acampaki! Por isso, ‘bora lá a viver o espírito Acampaki!
É chato eu sei, mas isto tem regras. Onde há gente há regras. E o Acampakijunior tem três regras que são três verbos. A saber: Juntar, animar, alegrar (a Deus). Os verbos fui roubá-los a uma amiga nossa, Teresa, Teresa de Cepeda ou Santa Teresa de Jesus. Os verbos são, pois, dela, e as ideias também.

Juntar, «juntemo-nos»
O Acampakijunior faz-se para ficarmos juntos, porque gostamos de estar juntos. Não é possível ficar alguém na tenda, outro agarrado ao telemóvel, outro a sonhar, alguém no Santuário e só um na piscina. Não, isto vale porque vamos todos a tudo. Rezamos e comemos juntos. Brincamos e saltamos juntos para a piscina. Saímos juntos e juntos entramos no Acampaki.
Não existe Acampaki a solo. Garanto que o Acampaki é belo porque tu tens boas ideias e és um/a jovem carmelita interessante e interessado/a em fazer amigos. A amizade é bela se houver amigos, e os amigos ficam juntos. Não fiques só, triste ou envergonhado. Junta-te aos outros e a todos e vamos juntos sonhar que o Acampaki pode ser semente dum mundo novo.

Animar, «animemo-nos»
Às vezes também é difícil estar onde gostamos de estar. O Acampáki tem momentos surpreendentes e outros que nos marcam por não serem tão bons. Afinal, temos de cozinhar, manter limpo as Aldeias e o Acampamento, fazer a limpeza dos balneários, descascar batatas, pôr a mesa e lavar pratos. Também rezamos, caminhamos e brincamos e fazemos teatro. Enfiam, são quase mil as tarefas que se fazem no Acampaki. E bem pode suceder que não gostemos de as fazer todas. Por isso é importante que nos juntemos e nos animemos uns aos outros. Se virmos alguém desanimado deveremos ser amigos e procurar ajudá-lo. Animar é uma boa e grata tarefa. Os amigos sabem bem animar os demais. Oxalá tu sejas assim, eu espero que tu sejas assim. Mas se estiveres triste aceita uma palavra simpática que te ajude a arrebitar de novo.

Alegrar, «alegremos a Deus»
Parece estranho que se possa alegrar a Deus, mas a verdade é que podemos. E recorrendo apenas ao sorriso e à simplicidade. Se tu estiveres bem, Deus também estará. Se sorrires, Deus sorri. Se ajudares um qualquer acampakid, Deus alegra-se pelo bem que Lhe fazes a Ele mesmo. Aqui essa é a nossa medida: o que fazemos ao kid mais pequenino é a Deus que fazemos. E o bem que fazemos alegra o coração de Deus porque acaricia o coração dos amigos que nos rodeiam.
Enfim, obrigado a todos por terem vindo, por ajudarem a construir esta pequenina comunidade da gotinha do Carmo Jovem. Obrigado pela vossa animação e alegria. Deus e a Senhora do Carmo vos abençoem,

Frei João Costa

Nasceram a Clarinha e a Madalena do Carmo Jovem

As crianças são como as flores. Naturalmente amamos mais o que sai de nós. Dizer como as flores é falar da alegria da Primavera que entra nas nossas casas e vidas quando Deus as abençoa com crianças. Assim, a meio do Vcampaki soubemos que tinah nascido a Clarinha, filha do Pedro e da Vera. Não sabemos o dia, mas quando soubermos diremos. E antes da Clarinha nasceu a Madalena, filha da Carlitos e da Célita. Desta sabemos o dia, mas agora não nos lembramos. e quando dissermos o aniversário de uma diremos da outra.
O Carmo Jovem fivou mais jovem, mais belo, mais responsável. O Carmo é jardim e alegra-se com mais estas duas flores. Impossível não sorri ao bom Deus que no-las Deus!
Parabéns às duas famílias. E desculpem o atraso.
Já sabem queremos vê-las no II Carmicoque. Será no dia 2 de Junho de 2012.
Tragam também os primitos delas!

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

SMS do Tiago Gonçalves

A JMJ de Madrid já arrancou. E o Papa já chegou. Há manifestações e contramanifestações. Entre mais de um milhão de jovens estão há gotinhas Carmelitas. Entre os 50 jovens carmelitas portugueses está o Tiago Gonçalves da Coordenação do Carmo Jove, que, ao passar a fronteira escreveu numa SMS «No preciso momento k deixo Portugal em direcção às JMJ em MAdrid, ñ deixo a minha identidade para trás e afirmo  mais do k nunca: LEVO (todo) O CARMO (JOVEM) NO CORAÇÃO. K esta pequena gota cresça «enraizada em Cristo e firme na fé». Obrigado pelo apoio. Estareis todos nas minhas orações. Abreijos.» Tiago Gonçalves. Força Tiago. Ânimo. Por aqui rezamos por ti e todos os Carmelitas que pelas calles de Madrid peregrinam com BXVI.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Crónica alfabética do Vcampaki (I)

Aldeias
O quinto Acampaki realizou-se mais uma vez aos primeiros alvoreceres de Agosto, na Casa do Menino Jesus, em Deão.
Éramos 23 acampakis, distribuídos por quatro aldeias. Como sempre. Como sempre esticámos os fios das tendas sob as árvores da Leira de Cima. As tendas foram separadas por aldeias, que tomaram o nome dos livros maiores de Santa Teresa de Jesus, nossa Mãe.
Na Aldeia do Livro da Vida posicionaram-se as três famílias de acampákis; na Aldeia das Fundações ficaram os jovens de Caíde de Rei; na do Caminho de Perfeição, as meninas de Amarante e Viana do Castelo; e os de Braga na do Castelo Interior ou Moradas.
A juntar ao curioso dos nomes cada aldeia teve de estudar em momentos vários o livro que a patrocinava.



Amigos
Amigos é o que somos. Ninguém viu anjinhos por ali e mafarricos também não. Mas gente a crescer, a crescer. A conhecer. A aprender.
Juntámo-nos porque éramos amigos fortes de Deus. E saímos mais amigos e mais fortes. Mais amigos de Deus e entre nós, de coração mais aberto e mais cheio. A causa de Deus é a nossa, e as nossas procuramos que sejam Dele.
Fomos para o Vcampaki convictos de que a amizade era a marca necessária para crescermos na fé e não desistirmos da peregrinação a que nos vamos impelindo. E assim foi.
Fomos amigos de Deus porque amigos do amigo mais pequenino que ali estava connosco. Do amigo mais pequenino que se for cruzando na nossa vida.
Creio que foi S. João Crisóstomo que disse: «Se queres que alguém se faça cristão deixa-o viver um ano em tua casa». Boa sugestão. No Vcampaki fizemos mais três jovens carmelitas: O Bruno, o Diogo e a Mariana. Para tanto bastou que vivessem o Vcampaki connosco!

domingo, 14 de agosto de 2011

Deus representa um arco-íris - Acampaula - 6 AGO'11



No sétimo dia do nosso Vcampaki, sábado, recebemos uma professora que nos veio dar uma grande lição de vida. Naquele dia, em vez de nos dirigirmos à nossa universidade, onde nos sentaríamos em cima de bolotas, aconchegámo-nos dentro de casa, uns no chão, outros em cadeiras ou sofás, pois lá fora o frio apertava e a chuva ameaçava. A nossa convidada chama-se Ana Balinha e, com apenas 30 anos, tem já uma experiência de vida grandíssima.
Tivemos o prazer de ter na nossa companhia uma rapariga bastante simples, simpática e muito bonita que pertence ao Carmo Jovem desde os seus 14 anos e que, por motivos de força maior, teve que o “abandonar”. Um abandonar escrito entre aspas, pois mesmo ausente leva o Carmo Jovem sempre no coração!
Com o intuito de partilhar connosco a sua história, contou-nos que sempre teve, desde pequena, problemas respiratórios. Problemas esses que foram sempre identificados como derivados da asma. Porém, os sinais de asma que tinha eram anormais, o que a fez visitar vários médicos até que, ao fazer exames, lhe foi detectado um tumor no pulmão esquerdo.
Com apenas 28 anos descobriu que o pulmão tinha que lhe ser retirado. Ficou devastada com a má notícia e ao partilhar tudo isto connosco disse-nos que é um momento em que “passa muita coisa pela cabeça” e que é, sem dúvida, “um despertar para muita coisa”. Ficou assustada com a ideia de viver só com um pulmão, pois até àquela data não conhecia ninguém nessa condição nem sabia que tal pudesse ser possível. Sentiu uma revolta enorme por tudo aquilo lhe estar a acontecer, pois, ela como nós, sempre pensamos que estas situaçõe limite sempre sucedem aos outros e, principalmente, às más pessoas. Foram momentos em que pensou que a vida lhe estivs a ser roubada; que o chão estava a ser-lhe retirado dos pés.
Esteve durante um mês no Hospital de São João - Porto, onde muita gente a visitava. Mas, apesar disso, sentia-se presa numa gaiola e os dias eram intermináveis. Rotulou essa parte da sua vida como sendo “uma roleta russa que gira e não sabemos onde vai parar: se na vida, se na morte; se na saúde, se na doença”.
 A operação a que foi submetida correu bem e partilhou connosco que sentiu um grande alívio ao acordar, em ver e sentir que estava viva e que estava destinada a ficar entre nós. Embora não pareça e, ao olhar para ela, ninguém diz: – «A Balinha tem uma incapacidade grande», mas como grande lutadora que provou que é, ela luta contra tal facto e tenta fazer a sua rotina normalmente. Afirma que, depois de tudo isto, a sua cabeça mudou e aconselhou-nos a nunca desistirmos das coisas, a nunca deixarmos que nos imponham limites.
Não posso deixar de afirmar que conhecemos, sem dúvida alguma, uma mulher de armas a quem propuseram uma grande batalha. Batalha essa que ela venceu combatendo com unhas e dentes. Tenho a certeza que o Carmo Jovem está orgulhoso dela, pois depois de a ouvirmos falar de uma parte tão delicada da sua vida, não podíamos ficar indiferentes!
Por entre olhares cansados e vontade de um dia mais limpo, a aula correu lindamente. Pelo menos, ninguém adormeceu. O céu abriu e tivemos a companhia da nossa professora até depois do almoço. Uma preciosa companhia. Quero, por último, desejar o melhor do mundo para a Balinha, porque depois de tudo o que passou, ela bem merece. Que seja muito feliz e consiga alcançar sempre mais e mais. Mas claro, levando o Carmo Jovem sempre no coração!
Diana Oliveira, 16 anos, Aldeia do Livro do Castelo Interior










Se voltasse atrás voltava a ir - Vcampaki



Olá!
Como sabem participei no Acampaki pela segunda vez. Passei o ano todo a dizer que queria voltar, pois gostei imenso do que tinha feito, do que vivi, do que aprendi, e sobretudo do que conheci no anterior. Este ano decidi, então, regressar para conviver com pessoas, sem ser aquelas que vejo diariamente. Fui para partilhar experiências num espaço a que raramente vou. Foi algo maravilhoso. Sem dúvida. É claro que andei mais calada. Talvez não tenha sido das melhores companhias e talvez tenha surpreendido muita gente. Mas o Acampamento foi o mesmo: gostei tanto como no ano passado, e ainda mais por ter a alegria de duas crianças no meio de nós. A Matilde e a Carolina contribuíram muito para que este acampamento tivesse sido diferente. Também me marcou muito o espírito kelb.
Desta vez fiquei a semana toda. Nunca tinha visto o sarau e muito menos participara na Eucaristia. Mas gostei muito!
Se voltasse atrás no tempo voltava a ir, e no futuro gostava de ir.
Pessoalmente acho que todos desejariam viver esta experiência, porque é com Deus.

Fiúza Kelb, Aldeia do Livro do Caminho de Perfeição.

sábado, 13 de agosto de 2011

DOMINGO XX DO TEMPO COMUM


Naquele tempo, Jesus retirou-Se para os lados de Tiro e Sidónia. Então, uma mulher cananeia, vinda daqueles arredores, começou a gritar: «Senhor, Filho de David, tem compaixão de mim. Minha filha está cruelmente atormentada por um demónio». Mas Jesus não lhe respondeu uma palavra. Os discípulos aproximaram-se e pediram-Lhe: «Atende-a, porque ela vem a gritar atrás de nós». Jesus respondeu: «Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel». Mas a mulher veio prostrar-se diante d’Ele, dizendo: «Socorre-me, Senhor». Ele respondeu: «Não é justo que se tome o pão dos filhos para o lançar aos cachorrinhos». Mas ela insistiu: «É verdade, Senhor; mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa de seus donos». Então Jesus respondeu-lhe: «Mulher, é grande a tua fé. Faça-se como desejas». E, a partir daquele momento, a sua filha ficou curada. [Mt 15, 21-28]

Poéticas do viver crente

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Mensagem amiga de um grande amigo!

Estimados fr. João, Maria João, demais responsáveis e participantes do V Akampaki, a minha saudação fraterna e amiga!

Enquanto decorre o vosso acampamento encontro-me nos arredores de Madrid, nas fraldas da Serra de Guadarrama, a participar num encontro de sacerdotes, membros do Movimento «Encontro Matrimonial», actividade com que já me tinha comprometido antes de me ser confiada esta missão de provincial. Por isso, não posso visitar-vos, como gostaria. No entanto, a intensidade e riqueza desta actividade não me tem distanciado, antes pelo contrário me tem aproximado de todos vós. Várias vezes me tendes vindo ao pensamento e rezo pelo bom andamento e sucesso de mais um encontro que marcará as vossas vidas.
Com certeza que com as vossas actividades de lazer, formação e oração estais a aprofundar a vossa relação de amizade uns com os outros e com Deus e assim saireis desta experiência com a convicção de que sois dos «Amigos fortes de Deus» que os Carmelitas Descalços, a Igreja e o Mundo de hoje mais necessitam.
Continuai a caminhar connosco! Precisamos do vosso desafio, do vosso testemunho e da frescura do vosso Sim a Deus e à Igreja.

Um abraço para todos os akampas. 
Joaquim Teixeira


CRÓNICA DUMA AULA INESPERADA! - Acampaula - 4 AGO'11

Quinta-feira, quatro de Agosto de dois mil e onze. Quinto dia do Vcampaki. São 10h da manhã.
O dia está sereno. Há sol, há pássaros a esvoaçar no céu, há lagartixas aqui e ali, fugindo desenfreadas e assustadas por entre as carumas dos pinheiros, há cheiro a terra fresca porque choveu de noite, há acampakis na Universidade do 5º Acampaki do Carmo Jovem.
Alguma curiosidade paira no ar uma vez que o convidado, segundo indicações do Guião do acampamento, é o Professor JC. Perante a sigla, os jovens acampakis gracejam se o formador será o Frei João Costa ou o próprio Jesus Cristo! Animados que estavam os petizes!
Perante o olhar fascinado e brilhante de todos, é delicadamente colocado numa espécie de trono (ou peanha) improvisado a imagem do Divino Menino Jesus de Praga, protector do espaço que a todos nos acolhe de forma tão calorosa.
O Menino ficou ali a olhar para nós. E nós para o Menino. E como de costume oferecemos-lhe a faixa do Movimento que sempre se oferece naquelas situações aos Professores. E ainda a respectiva fitinha no pulso. E depois, no final, como o costume, foi levado a todas as aldeias e apresentado a todos os acampakis… E todos os jovens acampakis ao Menino.
O olhar do Ricardo não era o menos brilhante. E era provavelmente o mais intrigado e preocupado. E tanto assim era que as palavras que lhe saíram denotaram a inquietude de ser forçado a falar, sem ser ele o chamado a falar. (Afinal de contas, os outros Professores também não surgiam devidamente identificados no Guião!)
Perante o embaraço do Ricardo misturado com a vontade de falar que notoriamente lhe embargava a voz, a assembleia de alunos desafiou Frei Ricardo de Santa Teresinha do Menino Jesus a falar-nos da sua experiência de vida e da forma como o Menino Jesus marcou e marca o seu percurso. Mas na realidade, o que queríamos perceber era a razão, o motivo, o fundamento, quiçá o click que fez lhe despertar a vontade de ingressar na Vida Religiosa, a vontade de mudar radicalmente de vida.
(O confusão gerada naquele momento de todo solene teve algo de caricato: O Frei Ricardo não era de todo para falar, pois pedira antecipadamente para não ser professor neste Acampaki. Mas a aparição do Menino Jesus impeliu-o a falar. E ele falou-nos num discurso sereno e distendido que nos apaixonou e enlevou. O que muito agradecemos, claro…)
Depois de alguma relutância em aceitar o convite, Frei Ricardo levou-nos numa viagem imaginária ao coração da Europa, especificamente à República Checa, a Praga e à Igreja carmelitana de Nossa Senhora da Vitória.
Falou três horas! Mas pareceram três minutos! Sim, três minutos porque nos deliciou com as suas palavras. Tal como um enamorado realça a beleza da sua amada, o Ricardo mostrou-nos claramente a sua paixão por Deus, por S. Teresa, por servir a Igreja a todos servindo.
No silêncio da Universidade do Acampaki aprendemos que a imagem do Menino Jesus tinha sido doada por uma família nobre aos Carmelitas Descalços de Praga, que a instalaram no oratório do seu convento recebendo homenagens especiais duas vezes por dia. Com a eclosão da Guerra dos Trinta Anos que envolveu diversas nações europeias (1618/48), as reuniões litúrgicas foram suspensas, nomeadamente porque em Novembro de 1631 as tropas de Gustavo Adolfo da Suécia tomaram as igrejas da cidade. O convento foi saqueado pelos soldados protestantes e a imagem do Menino Jesus foi escondida e ignorada por entre os escombros. Assim permaneceu até ser reencontrada em 1637, com os braços danificados. Depois de restaurada foi reentronizada e voltou a receber a devoção dos fiéis, sendo coroada pelo Bispo de Praga, em 1655, momento que é comemorado anualmente com uma Missa Solene, no dia da Ascensão.
Também em Portugal, é muito conhecida a devoção carmelita ao Divino Menino Jesus de Praga, assim o prova a existência do Convento de Avessadas a Ele dedicado há cinquenta anos!
Frei Ricardo destacou ainda o impacto que teve na sua história pessoal a visita realizada a este local, de elementos arquitectónicos simples, mas grandioso na dimensão espiritual. Salientou como este momento influenciou a sua tomada de decisão na escolha vocacional que fez. A par dele, o verdadeiro toque vocacional ocorreu com o perfume derramado sobre si próprio por Santa Teresinha do Menino Jesus aquando da peregrinação das suas relíquias a Portugal em finais de dois mil e cinco. O perfume que aumentou a chama da paixão, revolucionou a vida do Ricardo.
Frei Ricardo já servia a Igreja na sua comunidade de S. Pedro de Caíde de Rei, Lousada. Estava ligado a projectos diversos não só a nível da Igreja como também na sociedade civil. Durante a formação académica mostrou-se um líder entre os pares. Tinha uma vida profissional sólida que lhe permitia a tão desejada estabilidade. Tinha mas se calhar não tinha! E por isso se deixou apaixonar e arrebatar por uma nova filosofia de vida que lhe permitiria servir de forma mais alargada a Igreja. E foi este facto, o deixar tudo para traz, carreira, família, amigos, e entregar-se na Vida Religiosa que intrigava a assembleia que o escutava. Mas ao mesmo tempo fascinava-nos porque o que víamos e ouvíamos não era a utopia mas sim a construção passo a passo, degrau a degrau de uma nova pessoa envolvida numa nova relação de Amor, numa entrega alucinada para receber daquilo que aumenta o coração. Emocionava-me (e estou convencida que aos restantes também) a forma hesitante, porque não é fácil abrir o coração, mas ao mesmo tempo tranquila, porque sabe o que quer, com que nos contava as suas experiências. Como foi ouvindo, sentindo, experienciando os pequenos sinais, os pequenos grandes toques de Deus para a sua entrega total a Ele. Extraordinário foi perceber que a mesma capacidade de doação, de partilha, de entreajuda, que são pilares de uma relação matrimonial, estão também patentes nesta relação, só que os intervenientes não são um homem e uma mulher mas sim, neste caso, um homem que se entrega a Deus servindo a Igreja. Mas a capacidade de amar apaixonadamente e incondicionalmente são requisitos comuns a ambas as relações. Assim sendo, a opção de consagração na Vida Religiosa foi assumida de forma radical na Ordem dos Carmelitas Descalços. O Ricardo entende que ser Carmelita Descalço é uma opção de valentes, é ser testemunha de Deus no mundo que tanto anda distraído d’Ele.
À medida que construíamos no nosso imaginário a viagem realizada pelo Ricardo, fomos percebendo a necessidade de reflexão profunda para todas as decisões que todos temos de tomar na vida. Fomos percebendo como devemos estar atentos aos pequenos sinais com que Deus nos vai dando para nos chamar a Si. Fomos estimulados para O saber ouvir e aceitar, tornando-nos mensageiros da sua Palavra. Percebemos também que, à semelhança de todos nós, também os que sentem o chamamento do Senhor, são muitas vezes confrontados com dúvidas, com momentos menos bons. Porém, com perseverança, com oração, com a amizade jovem que nos une e com determinada determinação o percurso torna-se mais brando. Percebemos que, para tudo na vida, temos de estar apaixonados, pois pedras no caminho havemos sempre de encontrar muitas mas, como dizia o poeta, “guardo todas, um dia vou construir um castelo”.

Ana Margarida, Aldeia do Livro da Vida













sábado, 6 de agosto de 2011

DOMINGO XIX DO TEMPO COMUM


Depois de ter saciado a fome à multidão, Jesus obrigou os discípulos a subir para o barco e a esperá-l’O na outra margem, enquanto Ele despedia a multidão. Logo que a despediu, subiu a um monte, para orar a sós. Ao cair da tarde, estava ali sozinho. O barco ia já no meio do mar, açoitado pelas ondas, pois o vento era contrário. Na quarta vigília da noite, Jesus foi ter com eles, caminhando sobre o mar. Os discípulos, vendo-O a caminhar sobre o mar, assustaram-se, pensando que fosse um fantasma. E gritaram cheios de medo. Mas logo Jesus lhes dirigiu a palavra, dizendo: «Tende confiança. Sou Eu. Não temais». Respondeu-Lhe Pedro: «Se és Tu, Senhor, manda-me ir ter contigo sobre as águas». «Vem!» – disse Jesus. Então, Pedro desceu do barco e caminhou sobre as águas, para ir ter com Jesus. Mas, sentindo a violência do vento e começando a afundar-se, gritou: «Salva-me, Senhor!». Jesus estendeu-lhe logo a mão e segurou-o. Depois disse-lhe: «Homem de pouca fé, porque duvidaste?». Logo que subiram para o barco, o vento amainou. Então, os que estavam no barco prostraram-se diante de Jesus, e disseram-Lhe: «Tu és verdadeiramente o Filho de Deus». [Mt 14, 22-33]