sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Acampáki Júnior- 31. VII. 2009

O dia amanheceu e nas aldeias soaram as buzinas para acordar os dorminhocos que não queriam sair do quentinho dos sacos-cama. Mas tinha que ser, pois o dia prometia, pleno de sol e campeões.
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Notas finais III – O azul continua por Deão

Mais um belo acordar... o azul continua por Deão...
Restabelecidas as forças com o pequeno-almoço, dirigimo-nos ao Santuário para agradecer o dom da vida e rezar pelos sacerdotes, no dia de S. João Maria Vianney. E, nesta terça-feira, depois dum arranque mais caseiro, começaram as aulas no AAAcampáki: o início foi inovador. Tivemos na nossa Sala de Aulas alguém que se dedica à actividade política. Uns estavam cépticos, a política não lhes diz muito; outros, estavam ansiosos, a política faz parte das suas vidas, sendo alguns dos aaacampákis membros das jotas partidárias. Entretanto, chegou o professor, o Eng.º César Brito, membro da Conselho Nacional do PSD e habitual colaborador do Instituto de Formação Política do Partido. Ao longo de duas horas conversou connosco, dando-nos testemunho da sua vida político-partidária e da sua forma de ver a política e a democracia. Respondeu também às nossas perguntas e pequenas provocações de alguns Jotinhas (cf. crónica da conferência: http://carmojovem.blogspot.com/2009/08/politica-com-paixao.html). Falou-nos de forma simples e aberta, sem tabus. E partiu já depois do dia ter ultrapassado o meridiano sem almoçar connosco. Era dia de Reunião do Conselho Nacional do PSD, em Lisboa (Aquela famosa reunião que aprovaria as listas dos Deputados e o Programa Eleitoral das Legislativas). Havia, portanto, uma longa viagem para fazer. Disse-nos que ia com mais energia para este seu trabalho. E nós ficámos felizes com o testemunho que nos deu. A tarde e o início da noite foram livres. A piscina, as cartas para o Amigo Secreto e as conversas marcaram estes tempos. Tempo sem tempo, tempo livre e sem organização, sem pressão, tempo para saborear sons de pássaros e o casamento do azul do céu com o da piscina. A noite, essa sim, foi especial. Como todos os anos havia na manga uma noite radical: a escolha foi a Adoração ao Santíssimo. E foi a noite toda... Iniciámo-la após termos rezado as Vésperas. A partir da meia-noite, em grupos de três adorámos o Amigo. Fizemo-lo na Capela do Menino Jesus de Praga, belamente decorada com simplicidade e onde estava montada a Sua tenda! Tenda onde Ele nos ia recebendo. E, para cada um dos aaacampákis, havia uma proposta: dentro de um envelope personalizado cada um tinha um CD com música espiritual, que poderia ouvir e orações para rezar durante a sua hora de adoração. E fomos acordando (ninguém sabia a que horas faria a adoração: Amigo, Jesus espera por ti!, diziam-nos.), uns noite dentro, outros já o sol queria sorrir... e foi belo, muito belo e muito intenso e significativo. Estivemos mais perto do Amigo... A manhã de quarta-feira voltou a sorrir. Mas uns sorriam com sono e outros com vontade de dormir. Mas cabe aqui a verdade para se dizer que cada um acordou livremente, sem gaitas nem trombones. A manhã seguiu livre para podermos reparar as forças e colocar o sono em dia. Apenas se respeitaram as tarefas mais imediatas para que tudo corresse bem: quem é que chegada a hora não quereria almoçar? A tarde marcou a primeira saída do retiro da Quinta do Menino Jesus: fomos levar o balde à tasca. E o balde já não saía do acampamento desde o ano anterior como o Gil bem sabe e pode testemunhar!!! Por isso, fomos todos (cada Aldeia com o seu belo balde!!! Um balde belamente decorado para a ocasião.) dar um curto passeio pela aldeia e o destino foi a “tasca” junto à Igreja Paroquial. Uns suspiravam por um café!!! Outros ficaram-se pelo gelado, antes do regresso a casa! Não sabemos bem, mas deve ter parecido bem estranho verem-nos caminhar com quatro belos baldes na mão pelas ruas de Deão! A noite foi de cinema, porque não há melhor para adormecer os aaacampákis e predispô-los para uma noite tranquila. Tranquila é um jeito aaacampáki de falar, porque, de facto, nunca se viram, noites tão frias em Agosto como as que passámos. O filme foi “Em Busca da Felicidade”. É um filme muito belo e interessante, que alguns não viram, pois não Frei João?

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

A política com paixão!

A vida das Comunidades Religiosas da Igreja é das coisas mais marxistas que conheço!
Professor: Eng.º César Brito (PSD) Secretário: Diogo Bessa, 18 anos, Aldeia de São João da Cruz Começaram as aulas do AAAcampáki. Foi pelas 10:00h da manhã de 4 de Agosto de 2009. O tema abordado foi “A Política com Paixão”. Para nos falar sobre o assunto, disponibilizou-se o político César Augusto Lima Mendes Vaz de Brito. O Eng.º César Brito começou por nos contar como nasceu o seu interesse pela política, referindo que este se iniciou na Década de 80 nas eleições para as Associações de Estudantes, uma vez que estas se viviam de maneira entusiástica, já que a Democracia em Portugal era uma realidade recente, sendo estas eleições patrocinadas por vários “Jotas” como JSD, JCP e JS. Referiu ainda que, aos 18 anos, movido por esta paixão de fazer política, leu aquele que por muitos é considerado o maior filósofo de sempre, Karl Marx, para descobrir em qual ideologia política se “encaixava”. Apesar de já ter uma grande carreira política, o Eng.º César Brito ainda se considera um “Jovem Político”. (E que até há pouco tempo estava no estaleiro!) Contou-nos que foi membro da JSD de Viana do Castelo, membro da Assembleia Municipal durante 13 anos, Vereador da Câmara Municipal, e que faz parte do Instituto de Formação Política da Distrital do PSD de Viana do Castelo e é também Membro do Conselho Nacional do Partido. Após ter feito uma pequena resenha da sua vida, aconselhou todos os jovens que se interessam pela política a lerem “Política para um Jovem”, de Fernando Savater. Iniciado o “debate político” para se abordarem alguns assuntos da política nacional, confrontado com uma questão acerca do Bloco Central e ainda sobre a Oposição, o Eng.º César Brito referiu que a ideia do Bloco Central, nos dias que correm, não é uma opção viável e ainda que a Oposição em Portugal está aquém das expectativas, afirmando ainda que o BE representa a típica oposição, que é bom ter partidos assim na oposição, mas quando chega a altura de governar “abandonam o barco”. Questionado sobre se considerava a líder do PSD, Manuela Ferreira Leite, a figura ideal para governar o país, referiu que tinha sido mandatário da Candidatura de Pedro Passos Coelho, no distrito de Viana do Castelo para as eleições da escolha do líder do Partido. Referiu ainda que a vida política ocupa muito do tempo de uma pessoa activa nesta actividade, exemplificando com o seu caso citou a sua esposa: “Como a política nos uniu, não quero que seja ela a separar-nos”. Quando confrontado com a menor participação dos jovens na vida política que tem vindo a aumentar, o Eng.º César Brito admitiu que a vida política partidária é cada vez menos apelativa para os jovens, uma vez que estes se movem por causas e a falta destas provoca o aumento deste desinteresse, referindo ainda que a solução para este problema é a credibilidade, que também tem vindo a diminuir na democracia actual. Fez, depois, o elogio da credibilidade fazendo notar que a sociedade precisa de eleitos que a representem, e que estes tenham um substrato profissional e ético que sustente a sua participação cívica e política. «Nenhum país precisa de políticos profissionais, não são esses os desejáveis», afirmou. Finalmente, o diálogo chegou a um dos temas mais controversos em Portugal, a EDUCAÇÃO, que, para o Eng.º César Brito, apesar do papel importante que detém na consciência política e cívica da sociedade, está cada vez mais degradada e que ficou muito aquém no programa eleitoral do Partido Socialista. Na sua opinião, não é apenas através da tecnologia que se conseguirá melhorar, mas com ajuda dos professores, uma classe que cada vez mais está de costas voltadas para este Governo e, em especial, para a Ministra da Educação. Outro dos temas abordados foi o défice de pensamento e criatividade com o qual nos deparamos actualmente nos políticos/partidos. O Eng.º César Brito destacou que, paradoxalmente, este défice é a porta de entrada de cada vez mais jovens deputados no Parlamento. São muitos os jovens sem experiência, sem contributo social e sem história, que pululam pelo mundo politiquês, sem uma vida de serviço à causa pública, esperando a sua vez para aceder aos holofotes. E frisou ainda o outro lado: que muitos dos actuais actores políticos de maior criatividade e credibilidade são evitantes, refugiando-se nos seus gabinetes e fecham-se para actividade cívica. Como não podia deixar de ser, chegou-se ao tema das relações entre a IGREJA E O ESTADO. O político convidado referiu que defendia um Estado Laico, mas admitiu que a Igreja tem um papel fundamental na sociedade actual, uma vez que ajuda aqueles que mais necessitam, ao contrário da maioria das Organizações/Pessoas que cada vez mais são pouco solidários e cada vez mais materialistas, esquecendo tudo que é racional e espiritual. Aproveitou ainda para dizer que a Igreja juntamente com a Bombeiros Voluntários são as organizações mais Marxistas que conhece. Concluído o “Debate Político”, aproveitou para nos aconselhar um grande amigo seu, Luís Braga, coordenador da Amnistia Internacional em Viana do Castelo para uma futura Conferência. Deixou ainda um conselho para todos os jovens presentes: tudo na vida tem de ser feito com PAIXÃO, mas também com RACIONALIDADE e obediência à consciência própria.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Testemunho I - Uma semana no céu…

O Acampáki… O tema deste AAAcampáki era «Dai-me um lugar no vosso coração», eu dei um lugar no meu coração a ELE, aos amigos e Ele acampou no meu coração! O Acampáki é um acampamento jovem, carmelita cheio de abraços fortes, cheios de ternura, alegria, onde encontramos os amigos e o Amigo que levamos no coração. Estive no Acampáki do dia 2 a 9 de Agosto. Estive com Deus e com os amigos. Hoje, partilho o vivido com o coração a transbordar de alegria. As actividades foram muitas e diversificadas, durante a semana conheci este grande amor de Deus, aproximei-me e uni-me a ELE; o amor foi e será a palavra-chave deste carminho que vou fazendo com o Carmo jovem, a minha grande família na fé; é delicioso estar perto de Deus e dos Amigos. A semana correu bem, o que mais adorei foi a hora de silêncio, momento em que faço o balanço do meu dia, e encontro-me. A adoração eucarística, durante a noite toda, foi um dos pontos altos do AAAcampáki, a música, o conto, as leituras… tudo me falava da presença de Deus nas nossas vidas, fui acolhida no seu Amor e este amor dá-me oportunidade de mudar e até de conhecer as verdades que se cruzam no meu carminho. Tal como os amigos «professores» que estiveram connosco e muito nos transmitiram, exemplos de vida, de força de coragem. O que mais me tocou foi o Bento Amaral, o seu testemunho de vida tocou-me muito… O AAAcampáki foi maravilhoso, uma semana que não se esquece. Deixo escritas algumas frases que fui recebendo dos Amigos e que me ajudam a lutar durante todo o ano e a não desistir, agradeço a Deus por todas estas pessoas: - “mas eu quero vir se tu vieres, porque és uma miúda a quem não se dá muito valor, mas tens uma alma grande”. - “Onde tu estás eu também estou”. - “sei que me aprecias, mas eu aprecio-te mais, mesmo que tu não saibas”. -“ Gramo bué o teu sorriso…” - “ …e lembra-te que as pessoas que gostam de ti não vão deixar de gostar, porque é impossível, esse teu dom natural cativa e prende as pessoas.” -“ és uma excelente pessoa, ainda que penses que não…” -“ tens um espírito fixe” Foi mais uma semana que nunca irei esquecer, porque é com isto que se cresce. Andemos para a frente… Por último deixo um grande obrigada… Sei que durante a semana também cometi alguns erros, mas conheço um ser humano extraordinário, que me ampara e consegue apesar de eu a magoar, consegue perdoar, nunca vi ninguém assim, esta pessoa chama-se Verónica Parente; ela ajuda-me muito neste carminho, orienta os meus passos, um dia escreveu-me mais ou menos assim: «entrego-te este pequenito passarinho de madeira, pequenito tal como tu, que tal como ele ganhes asas e consigas voar, cresce e parte… voa pequenito pássaro e sê feliz!» Durante esta semana, fui muitas vezes este passarinho que tentou voar e muitas vezes caiu, mas encontrei sempre alguém que me levantou… não devia ter caído mas é ao errar que se aprende. Vero, eu aprendi e aprendo muito contigo. São 8 ou 9 anos de história em que cresci a teu lado, agora e para sempre, nunca te irei perder, ficarás para sempre neste pequeno coração! Deixo também uma palavra para o Ricardo, tem força, dá um lugar a Deus no teu coração; segue o teu carminho, e leva-nos a todos no teu coração. Tu já estás no nosso….
Joana Costa, 17 anos Aldeia de Isidoro Bakanja, Viana do Castelo

Notas Finais II – entrando pelo carminho....

A primeira noite passou... o sol brilhava. Acordámos felizes e cheios de energia, apesar das dores de costas. Após o pequeno-almoço dirigimo-nos para o Santuário e rezamos. Orámos em especial pelo Frei Marco de S. Teresa do Menino Jesus que fazia neste dia a Profissão Solene. E partíamos para a actividade seguinte: a Caça ao Tesouro! Pintámos os rostos de mil cores (parecíamos guerreiros!!!) e em braçadas pela piscina, em correria pela quinta, em oração pelo Santuário… tudo foi feito alegria, entre gritos de guerra e surpresas no caminho… Quem venceu? Respostas criativas (que é como quem diz inventadas à pressa entre risos...) foram surgindo. Quem venceu?
Depois do esforço, seguiu-se o almoço... Foi o ataque aos petiscos da Nandinha!!! A tarde seguiu serena na preparação da actividade da noite: o sarau! E chegou a hora de silêncio.... menos temida, porque mais conhecida...
A actividade foi iniciada pelo Jorge que nos leu um poema de José Tolentino Mendonça, intitulado “Oração pelas férias” onde se pedia solenemente o silêncio: “Dá-nos,
depois de tantas palavras
o dom do silêncio
que purifica e recria.” Prosseguiu-se a introdução à hora de silêncio com a apresentação do livro oferecido para este AAAcampáki: “Isidoro Bakanja: Negro, puro e mártir” da autoria de Frei João Costa. A nossa diseur, Ana Lúcia, leu os dois poemas presentes no livro e avançou cada um para o seu recanto de silêncio, ouvindo as melodias da natureza. Depois do silêncio, a frescura da piscina na partilha dos sorrisos... e mesmo quem não queria mergulhou!!! Ao cair da noite, reunimos todos perto da capela do Menino Jesus de Praga para no sarau apresentarmos as nossas aldeias e respectivos santos e dramatizarmos cenas alusivas à vida do Apóstolo São Paulo. Criatividade não faltou. Ao findar deste capítulo subíamos de novo à montanha e em silêncio avivávamos a nossa história de amizade com o Amigo.

Acampaki Júnior - 30. VII. 2009

O dia tão esperado era chegado, a Quinta de Deão tinha sido transformada para o “melhor acampamento Carmelita do mundo” (assim o intitulariam os que estavam prestes a chegar). Os telefonemas sucediam-se uns aos outros, pois eram muitos (quase todos) os que vinham pela primeira vez a este lugar perdido no alto do monte e parecia difícil encontrá-lo.
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terça-feira, 11 de agosto de 2009

Pode chegar-se sem coração ao fim do mundo?

Tinha tudo para desistir, mas não desistiu! Formadores: Engenheiro Bento Amaral e Maria do Carmo
Secretário: Gil Gonçalves, 18 anos, Aldeia de São João da Cruz
Bento Amaral é um homem de 40 anos. Um dia, em 1994, teve um acidente na praia, o que mudou completamente a sua vida. Ficou tetraplégico até aos dias de hoje. Tudo parecia perdido. Apesar do seu estado, Bento nunca desistiu e lutou sempre para concretizar os seus sonhos. Na altura do acidente, era finalista de Engenharia Alimentar e apesar do seu estado, conseguiu concluir o Curso e foi para Bordéus onde se especializou em vinhos. Bento sofreu uma enorme evolução que nem os médicos esperavam. Hoje, tem uma notável amplitude de gestos podendo até virar páginas de jornais, comer sozinho e segurar em copos. Apesar disto, ainda está muito dependente, sendo necessário virá-lo na cama pelo menos três vezes por noite porque não se consegue virar sozinho. Não é autónomo. Devido a esta evolução, pôde dedicar-se ao desporto adaptado. Ainda que o desporto seja hoje secundário na sua vida, Bento ficou nos primeiros lugares em vários campeonatos mundiais de vela, o que o animou a participar nos Jogos Para-Olímpicos de Pequim em 2008. Mas não ficou tão bem classificado quanto um Campeão Mundial esperaria: 9.º lugar. A sua participação levou a que fosse condecorado pelo Presidente da República Cavaco Silva. (Embora, pessoalmente, ele alegue que a causa da condecoração é o seu exemplo de vida; e com ele é o que também nós ficaremos a crer.) Sete anos depois do acidente encontrou-se com Deus. Hoje, apesar de pequenino e limitado, é um grande Apóstolo! Também se destaca profissionalmente. Actualmente, é Professor Universitário na Escola de Biotecnologia da Universidade Católica no Porto e enólogo Chefe de Serviço de Prova do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto, onde é Responsável pela Câmara de Provadores. Está onde nunca nos seus melhores dias de juventude chegou possível alcançar. Durante a conferência, afirmou que normalmente, quando acontece este tipo de acidentes, as pessoas costumam questionar-se sobre “Porquê eu?”. Não foi assim consigo. Um dia, ainda no início da recuperação, viu na televisão um documentário sobre a libertação dum campo de concentração na ex-Jugoslávia e apercebeu-se que os acidentes acontecem e que ele não estava na pior situação; e que até aí nunca se perguntara: por que esteve preso aquele homem que olha da foto para mim? Quanto a infra-estruturas de apoio a deficientes, Bento afirma que Portugal é um país bem servido mas nem sempre as pessoas cumprem as regras, como por exemplo, não estacionar num lugar reservado a deficientes. Actualmente, é casado com a Maria do Carmo. Conheceram-se num grupo de oração e reflexão cristãs, já Bento era tetraplégico, porque, defendem, não é o exterior da pessoa que mais interessa numa relação mas sim o seu mundo interior, e que se ambos gostarem do outro, ambos são felizes. E, de facto, ambos se dizem muito felizes. Apesar de desde sempre ser Católico, antes do acidente, Bento não era muito praticante. Era um Católico social. Agora, convicto e comprometido, sente a ajuda de Alguém superior e acredita cada vez mais na existência de Deus. A sua fé e alegria estende-as a outros partilhando-as numa CVX, numa CFX, num grupo de reflexão para Universitários, e no voluntariado. Com esta conferência, podemos aprender que nunca devemos perder o gosto pela vida mesmo que uma coisa muito má nos aconteça. Bento, que tinha tudo para desistir de viver, continuou a lutar pelos seus sonhos e hoje é um vencedor. Destacou-se tanto a nível profissional como desportivo, sendo hoje um homem casado e um homem feliz.

Notas Finais I - Entrada no AAAcampáki

02 de Agosto: chegou o dia!!! Reunimo-nos para o AAAcampáki, o terceiro como mostra o número de tendas ou de Ás! Depois de termos o Amigo a acampar entre nós (Acampáki) e de termos alargado o espaço da nossa tenda (AAcampáki), chegou a altura de Lhe darmos um lugar no nosso coração (cf. 2 Cor 7,2). O tempo parecia sorrir e convidar: haveria mais piscina e a mata seria um bom refúgio, quer para orar quer para aprender! Parecia, dizia-se. Mas jamais voltámos a ter o tempo forte e quente do Acampáki original. E fomos chegando pouco a pouco à Quinta do Menino Jesus de Praga. É ali o nosso poiso. Entre a tardinha de Domingo e a manhã de Segunda lá estávamos: 24 jovens carmelitas! A maioria é repetente, mas também temos os caloiros, prontos a receber a praxe do primeiro Acampáki! Enquanto chegávamos uns ainda terminavam a sua festa (terminava o Acampáki Júnior), já os senadores acampákis iniciavam montagem das tendas... Esta é talvez uma das marcas do AAAcampáki: a maneira serena e calma como se começou a montagem do acampamento. Parecia que todos sabiam o seu lugar, independentemente de terem chegarado cedo ou não. As tendas voltaram a ser montadas no pomar, debaixo da sombra tranquila. S. João da Cruz recebeu mais uma vez os jovens de Caíde de Rei; S. Teresa de Jesus os de Braga; Isidoro Bakanja os de Viana do Castelo e de Coimbra (e como é querida esta aldeia ao Frei João e também ao Carmo Jovem!); S. Teresinha acolheu os jovens de Avessadas (que mereceram a distinção de constituir uma aldeia); a última, a dos Bem-aventurados Célia e Luís Martin recebeu os casais, que se juntariam a nós no fim-de-semana após uma semana de trabalho. Ainda não foi desta que os casais estiveram todo tempo connosco, mas esteve quase. Ainda assim fizeram de taxistas e mostraram-se presentes como primeiras ajudas. O jantar começou a hora incerta, mas nem isso era preocupante. Não se provaram iguarias, mas também não se deu muito trabalho à Nandinha. Estávamos ali à volta da mesa, como se não tivesse passado um ano. Faltavam alguns que as obrigações retardavam, mas nada parecia verdadeiramente surpreendente para os novatos: Aura, Bessa, Diana, Iolanda, Rafaela. Depois das iguarias vieram as primeiras regras e acertos que já não surpreendem ninguém. Tudo encaixa na perfeição. E ala para a pia dos pratos, que se faz tarde! A Apresentação foi feita no Santuário, sob o manto da noite alta. Primeiramente distribuíram-se os guiões e as faixas, e depois houve diálogo dois a dois, e de seguida em grande grupo recorrendo a uma dinâmica bem carmelita!!! Leu-se a Saudação do Responsável da Pastoral Juvenil da Ordem, onde todos ficaram a conhecer o Espírito Gato que há-de marcar os nossos dias!!! E quando já era dia 3 concluímos com a oração de Boas-vindas. Em seguida, pouco convictos, partimos para o desconforto das nossas tendas (suspirando pelos nossos colchões!), mas na alegria de nos sentirmos tão perto das estrelas, do mundo e do Amigo! Ainda ninguém sabe, mas ainda antes do silêncio cair como uma manta sobre o AAAcampáki levantar-se-á o Ronco, que, verdadeiramente só incomodará quem não adormece primeiro que ele. Aí está o Acampamento do Carmo Jovem. Vai ser um grande AAAcampáki!

Fotos - AAAcampáki - 2 a 9 de AGOSTO

domingo, 9 de agosto de 2009

XIX Domingo do Tempo Comum

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João [Jo 6, 41-51]

Naquele tempo, os judeus murmuravam de Jesus, por Ele ter dito:«Eu sou o pão que desceu do Céu».E diziam: «Não é Ele Jesus, o filho de José? Não conhecemos o seu pai e a sua mãe?Como é que Ele diz agora: ‘Eu desci do Céu’?» Jesus respondeu-lhes:«Não murmureis entre vós. Ninguém pode vir a Mim, se o Pai, que Me enviou, não o trouxer;e Eu ressuscitá-lo-ei no último dia. Está escrito no livro dos Profetas:‘Serão todos instruídos por Deus’. Todo aquele que ouve o Pai e recebe o seu ensino vem a Mim. Não porque alguém tenha visto o Pai;só Aquele que vem de junto de Deus viu o Pai. Em verdade, em verdade vos digo: Quem acredita tem a vida eterna. Eu sou o pão da vida. No deserto, os vossos pais comeram o maná e morreram. Mas este pão é o que desce do Céu para que não morra quem dele comer. Eu sou o pão vivo que desceu do Céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que Eu hei-de dar é a minha carne,que Eu darei pela vida do mundo».

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Aconteceu o Acampaki Júnior

Na Quinta do Menino Jesus de Praga, num lugar perdido do monte de Deão um grupo de acampakids teve um grande encontro com o Amigo: foi o Acampaki Júnior. Muitos não sabiam muito bem ao que vinham, umas férias com piscina…imaginavam os preguiçosos. Outros, que tinham ouvido os relatos dos acampakis mais velhos, pensavam que era tudo baile, chouriço e brincadeira. Mas quando viram que tinham que lavar a louça, limpar as casas de banho, pôr mesa, acordar com uma buzina estridente e rezar no monte, ainda tentaram ligar para os pais a ver se podiam regressar, mas era tarde de mais. Ainda bem que era tarde, porque foram dias de muita alegria, partilha, diversão e amizade, bem ao estilo de Santa Teresa de Jesus.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Isidoro Bakanja

“Beato Isidoro Bakanja: Negro, puro e mártir” é o título de uma pequena biografia, de Frei João Costa, que relata, de uma forma simples, a vida de Isidoro Bakanja, jovem zairense, que nasceu nos finais do século XIX e morreu mártir no início do século XX. A vida de Isidoro foi, de facto, um fogo encantador e surpreendente. Este jovem pagão fez-se cristão numa Missão trapista, do Congo Belga. Desde o seu baptismo, este menino do silêncio deu um testemunho radical do que é viver sendo cristão. Foi mártir por amor a Cristo, em união a Maria, permanecendo fiel ao Escapulário que lhe havia sido imposto no dia em que entrou na Igreja. Não foi um pregador, mas a sua vida foi “um lugar para os outros”. Assim, ele tornou-se, no dizer de João Paulo II, um catequista pela caridade, fraternidade, diálogo e perdão.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Saudação aos gatos!

Olá!
Alegro-me muito que estejas no AAAcampáki a ler estas letras! Julgo que no ritmo das nossas vidas jovens do Carmo já entrou este gosto de nos encontrarmos a meio do Verão, para saborearmos a amizade que nos laça em Jesus. Sejamos bem-vindos, montemos as nossas tendas, façamos AAAcampáki. Quanto mais amigos, mais aaacampákis. Vivamos pois com força e sofreguidão este tempo de amizade, que nos há-de aquecer a esperança durante o Inverno! Saúdo particularmente os que ouviram dizer que o Acampáki era assim ou assim e assim e decidiram vir partilhar connosco o espírito acampáki neste AAAcampáki. O terceiro. Bem-vindo a quem vem pela primeira vez para a nossa tenda. (Quem veio ao primeiro talvez se tenha enganado. Quem veio ao segundo pode ter vindo provar que não se enganou no primeiro. Quem vem ao terceiro gostou!) Saúdo, claro, todos os outros com redobrada alegria: Mas como poderíamos nós sobreviver sem amigos, digo, sem Acampáki? Bem-vindos, pois, todos e todas! Este vai ser um Acampáki diferente. Estamos mais crescidos, a organização está diferente, nós estamos mais amigos, chegou gente nova e até já fizemos um Júnior. Existem novos sonhos: estamos a crescer e isso vê-se. Existem novos caminhos e beleza em segui-los; existem novos projectos e vontade em abraçá-los. Óptimo. Vamos em frente. Em todos os caminhos de bem o Amigo caminha connosco para, no fim da jornada, repousar connosco. Este ano, plantamos as nossas tendas em torno do lema: Dai-me um lugar no vosso coração. Bonita frase, mais uma vez. Mas apetece perguntar: Como andas de coração? Como anda o nosso coração: cheio ou vazio? A abarrotar ou desarrumado? Arejado ou com cheiro a mofo? Frio e áspero? Fofo e quente? Cansado e colesterado? Ágil e fresco? Quantos posters lá meteste? Quantos amigos lá tens? Quanta quincalharia lá guardas? Quantos concertos, DVD, perfumes, preocupações, sebentas, filmes, anéis, ténis, testes? Quanta coisa lá guardaste que, afinal, não faz falta e nem deveria lá estar? Quantos projectos abraçaste, se um basta? Quantos assuntos guardaste, se um é suficiente? Quantas palavras, sonhos, desafios, incertezas, telemóveis, mp3, e tantos outros gadgets e fios se enredam em ti e não te trazem serenidade nem sossego, antes ocupam o espaço e a disponibilidade que inviabilizam a atenção, o cuidado e o carinho devido ao Amigo? (Estás tão cheio de nada!) Não sentes que Ele te pede um lugar no coração? Será que Ele pode entrar? Será que O vamos deixar entrar? Será que ao entrar Ele se sentirá bem? Estou certo que sim, mas talvez pudesse sentir-se melhor. Proponho-te um exercício vamos cuidar de preparar o coração para o Amigo! Vamos cuidar de que ele possa entrar e descansar na tenda do nosso coração! Vamos dar-lhe um lugar, que Ele vem cansado do caminho e quer descansar junto dum coração amigo, recostar-se um pouco, descansar os olhos, reclinar a cabeça, refazer-se da refrega? (O teu coração é a toca em que ele quer ficar!) Porventura, reparaste já que Aquele que não coube nos Céus é quem nos pede morada? Aquele cuja glória excede os inlimites do Céu, aceita uma nesga da tua tenda? Que Aquele para quem o Céu foi criado te pede um lugar na tua tenda estreita e desarrumada? Vá lá: Por onde andas e em que pensas, se não pensas que a tua tenda é também para Ele? Vá. Vamos arrumar o AAAcampáki e arranjar-Lhe todos um lugar, porque Ele o quer no nosso coração! O espírito gato é isto mesmo. É a simpatia do olhar, o garbo de andar, o sossego de estar, a sabedoria do encolher para Ele entrar e ficar connosco. Vais ver que dormes e ronronas melhor aos pés Dele! Mesmo que durmas o teu coração vigia, e antes que os passos Dele cheguem tu te levantas, mias feliz, esticas os músculos da alma, agitas a cauda e vais rodear-Lhe as pernas. Depois, saltas-Lhe para o colo e deixas que te faça festas. (Boas festas!) Uma palavra para a Nandinha: Obrigado, gata, por teres vindo! Contigo somos uns aaacampákis um pouco melhores. Uma palavra para o Ricardo: Se não vieres não nos fazes falta, mas precisamos de ti onde estejas, porque onde estás precisas de estar. E por esse teu Acampáki também passa o Amigo. E aí estás bem, porque és feliz com Ele! Uma palavra para o Jorge: Obrigado, Coordenador; precisávamos dum assim e o Amigo lá sabe porquê. Uma palavra para ti, aaacampáki: O AAAcampáki é nosso, meu e teu e de todos. O AAAcampáki somos nós. Cuida deste monte onde crescem flores, passeiam gatos e gatas e o Amigo aprecia passear e repousar. Constrói, disfruta e deixa Deus entrar na tua própria casa! Aos gatos e às gatas do AAAcampáki: miau! A bênção. Frei João Costa Responsável da Pastoral Juvenil OCD

domingo, 2 de agosto de 2009

Já começou... AAAcampaki

XVIII Domingo do Tempo Comum

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João [Jo 6, 24-35]
Naquele tempo,quando a multidão viu que nem Jesus nem os seus discípulos estavam à beira do lago, subiram todos para as barcas e foram para Cafarnaum, à procura de Jesus. Ao encontrá-l’O no outro lado do mar, disseram-Lhe:«Mestre, quando chegaste aqui?»Jesus respondeu-lhes:«Em verdade, em verdade vos digo:vós procurais-Me, não porque vistes milagres, mas porque comestes dos pães e ficastes saciados.Trabalhai, não tanto pela comida que se perde, mas pelo alimento que dura até à vida eterna e que o Filho do homem vos dará. A Ele é que o Pai, o próprio Deus, marcou com o seu selo».Disseram-Lhe então:«Que devemos nós fazer para praticar as obras de Deus?»Respondeu-lhes Jesus:«A obra de Deus consiste em acreditar n’Aquele que Ele enviou».Disseram-Lhe eles:«Que milagres fazes Tu, para que nós vejamos e acreditemos em Ti? Que obra realizas? No deserto os nossos pais comeram o maná,conforme está escrito:‘Deu-lhes a comer um pão que veio do céu’».Jesus respondeu-lhes:«Em verdade, em verdade vos digo: Não foi Moisés que vos deu o pão do Céu;meu Pai é que vos dá o verdadeiro pão do Céu.O pão de Deus é o que desce do Céupara dar a vida ao mundo».Disseram-Lhe eles:«Senhor, dá-nos sempre desse pão».Jesus respondeu-lhes:«Eu sou o pão da vida:quem vem a Mim nunca mais terá fome,quem acredita em Mim nunca mais terá sede».