quarta-feira, 6 de agosto de 2008

AAcampaki - Só o silêncio da interioridade do coração pode entender o vivido!

«A esperança não nos deixa confundidos, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações, pelo Espírito Santo, que nos foi concedido». [Rom 5, 5]
Terminou o dia 3 de Agosto de 2008, o mês de Agosto inicia, mês escolhido pelos jovens Carmelitas para continuar a ir pelo mundo com o «Carmo no coração», após uma semana de AAcampaki! Nesta semana aprendemos a escutar e ensinamos muitas vezes os outros sem falar, para isso bastou aproximarmo-nos do Amigo e cravarmos em nós o convite: «Alarga o espaço da tua tenda». Só o silêncio da interioridade do coração pode entender o vivido!
Depois de tudo arrumado, eis-me aqui... Recordo momentos de uma semana, (re)vejo gestos de amigos, de irmãos, de Acampakis. Laços de ternura que se entrelaçam em sentimentos mútuos de partilha de um Deus que nos ama e não é indiferente. A noite cai, o dia desperta em amor que não se extingue. Este amor não se extinguiu nem se extinguirá, continuará a arder e a fervilhar a quem O deixa escutar.
Os ecos de hoje que recebo de muitos de vós balanceiam e ditam palavras de saudade! Com saudade nos despedimos uns dos outros de uma semana que a consideramos muito nossa e muito especial. Partilhamos vidas sem nos pouparmos ao sacrifício: tantas preocupações, lutas, correrias, tanto desprendimento de nós mesmos para assumir responsabilidades. E no fim, vimos que tudo era bom! Tudo isto, digam o que disserem é Amor de Deus.
Por e com amor construímos e solidificamos presenças, crescemos juntos, derrubamos barreiras da nossa existência e dos nossos pequenos mundos encerrados em si mesmos. Não esperamos recompensas, pois Ele mesmo nos deixou legado: «dai de graça o que de graça recebeste.»
Haverá Acampaki para o ano? Partiremos em novas aventuras? Deus nos acompanhará e nos lisonjeará nas sendas da «Clara noite».
O AAcampaki provocou encontro e o encontro leva à benevolência de Deus. Porque nos ama vem ao nosso encontro, encontremo-nos também com Ele em cada dia fora dos portões que nos receberam. Ele espera por ti, por mim, por quantos se deixam enamorar. Que não se extinga a «fogo que arde sem se ver»! Acreditas no diálogo da vida quotidiana, na partilha do vivido, na construção baseada na simplicidade? Eu acredito.
Um conselho de amiga vos deixo: Sede amigos e prudentes, na paciência está o alcance das vossas forças. Solidificai-vos em Deus. A Igreja é Mãe, preocupa-se com cada um de vós, permanecei ao lado dela. Que o «Espírito caracol», permaneça em vós, na carapaça da vida estendei as vossas lonas, fincai as vossas estacas… Envaidecei-vos por quanto, cada um foi e será capaz de dar. Deixai render o vosso tempo, saboreai-O com Amor e achareis curta a Sua real beleza.
Como Acampaki que fui e com «Espírito caracol» que quero firmar em mim, não o deixando desfalecer, agradeço a Deus Pai por me ter permitido passar esta semana enriquecendo com todos vós um pouco do caracol que sou.
Amigos jovens Acampakis, bem hajam!
Ao longo das semanas que precederam ao AAcampaki foram soltas frases convidando-vos! Num hoje fui rememorar e volto a firmar: Cada momento AAcampáki é uma descoberta
1. AAcampáKi é tempo encontro. Descobrir a aventura de viver o encontro com os outros e com Deus! 2. AAcampáki é tempo de piscina, jogos, lazer… Descobrir e potenciar a criatividade de maneira lúdica. 3. AAcampáki é tempo de silêncio. Descobrir o conteúdo dos símbolos e sinais cristãos, através de celebrações simples e vividas. 4. AAcampáki é tempo de trabalho. Descobrir a importância do trabalho cooperativo como meio de inculcar valores. 5. AAcampáki é tempo de oração e reflexão. Descobrir os valores evangélicos do perdão, amizade, solidariedade, simplicidade. 6. AAcampáki é tempo ganho. Descobrir que não podemos viver vazios por dentro! 7. AAcampáki é tempo de partilha. Descobrir a partilha como uma das prioridades para novos impulsos no carminhar! 8. AAcampáki é tempo de aventura na natureza! Descobrir e conhecer novas pessoas, dormir e acordar tendo a natureza ao nosso redor! 9. AAcampáki é tempo de conhecimento! Descobrir que a contemplação da obra de Deus começa por nós mesmos. 10. AAcampáki é tempo de viver experiências inesquecíveis! Descobrir que devemos confiar n´Ele. E isso é tudo. Eu recomendo! AAcampáki é tempo… De continuares a alargares o espaço da tua tenda, onde quer que estejas!

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Notas Finais II - Dias de chuva e amizade

O AAcampáki foi interessante. Foi bom, até. Atrevo-me a dizer que foi muito bom. Houve muita chuva e frio, mas apesar destes dois amigos dispensáveis os planos não se molharam nem se arrefeceram as expectativas.
Tínhamos acordado entre nós que o despertar seria feito pelas aldeias: à sua maneira, uma despertaria à vez todas as outras. Mas não chegou a ser necessário. Chegada a alvorada, poucos foram os que dormiam até às 8:30 da manhã. Seguia-se o pequeno almoço e o tempo de formação. E se o tempo deixasse ou convidasse longo viria uma horita de piscina.
Na Segunda-feira o formador foi o Frei Joaquim Teixeira. Veio elucidar-nos sobre a Regra do Carmo e de como apesar dos seus 800 anos pode ainda ser um bastão para a nossa carminhada jovem no século XXI. Foi interessante lê-la e verificar que na sua simplicidade e evangelicidade ela permanece sempre actual e com respostas sustentáveis para cada época. Também a nossa.
Algures há-de aparecer uma síntese feita pelo amanuense do dia.
Logo depois do almoço o tempo livre foi ocupado em preparar o sarau nocturno. A cada aldeia fora proposto que se apresentasse e que apresentasse o seu patrono; ou melhor, que representasse uma sua estória ou florinha. Quando chegar a noite será bem interessante verificar que apesar do pouco tempo e dos poucos recursos as estórias são sagazmente bem apresentadas. E nem todas eram fáceis de representar.
A meio da tarde chegou a temida hora de silêncio — um longo deserto com uma só companhia: um livro biográfico de S. Teresa de Jesus, da autoria do Carmelita Frei Jaime Gil Diez. A leitura recomenda-se, talvez porque seja de fácil acesso e compreensão de todo o público. As Edições Carmelo estão de parabéns pela re-edição desta obra. O elogio é sincero e vai muito mais além do agradecimento devido ao seu Director.
O Jorge Fernando introduziu bem esta actividade, com palavras que animaram os jovens leitores. Cada hora de silêncio foi sempre precedida por um breve debate que ajudava a relançar a leitura dos capítulos subsequentes. Chegados aqui, o escriba garante que houve quem concluísse a leitura do livro e não dúvida que muitos dos restantes a terminarão em casa.
Na hora da piscina entraram na água cinco marinheiros, mas deve ter sido por naufrágio: quero dizer, deve ter sido por sentido de dever! Saíram logo que puderam, pois estava frio.
O sarau foi sob o luar frio e com sucesso. Os actores actuaram e a plateia ficava dentro dos sacos-cama, quais longos chouriços. Logo que pudemos fugir fugimos do nevoeiro mas sem poupar nas palmas. Palmas mesmo mereceu a Betinha que faz o lugar e a função de apresentadora com distinção. Só ela é meio sarau. Não canta, mas encanta. Embora se deva reclamar que cante. No AAAcampáki tem de cantar pelo menos uma canção em cada sarau!
Para a Oração da Noite não chegámos a subir o monte e evitamos entrar no Santuário porque o chão estava molhado e o chão é onde abancamos. Rezamos ali, sem luar. Por fim, quando o Ricardo dá o tiro de partida todos correm para as tendas e poucos minutos depois já tudo dorme.
Estranho, men!

Terça acordou sincera: o frio continua. A manhã é fria e a tarde aquece mas permanece muito irmã da manhã. No AAcampáki não há acesso a notícias, mas ninguém precisa delas para concluir que o tempo encoberto é gémeo do do Outono.
Às 10:00 recebemos a Prof. Márcia Santos, de Aveiro, jovem mulher de 32 anos, casada e mãe da Maria de dois anos. A Márcia é uma recém-chegada ao Carmo Jovem, esta trupe tão estranha. Fala a medo da sua experiência de jovem esposa e mãe cristã, mas como somos alunos aplicados logo ela arranca e nos alarga horizontes sobre a graça da vida matrimonial e a grandeza da maternidade que ela deseja viver com fidelidade e fecundidade. Como não é modelo para ninguém — acha ela! — as suas palavras soam a verdadeiro e são ainda mais eficazes. A Márcia é uma mulher grande, mas sentada no chão isso não se nota. Vê-se que caminha apoiada em Jesus, que ama a Igreja, que defende a vida, que respira porque respira a filha. E respirará melhor o amor de Deus quantos mais filhos tiver. Algures há-de aparecer uma síntese feita pelo amanuense do dia.
Definitivamente, a Márcia é também uma grande mulher! O tempo abriu um pouco com a chegada da Márcia. Não foi preciso ter muita audácia para ir à piscina, mas ainda assim não fomos todos. A Márcia foi. Depois, partilhou connosco a mesa e da nossa alegria de comermos juntos. Como era ali a única mãe, foi lindo vê-la presidir à mesa de tantos filhos!
A tarde tornou-se amena. E serena. Era tarde livre, mas logo ficou condicionada. A noite será dura, pelo que a tarde prognosticou-se leve. Não o será. Um horroroso aaaiiiiiiiiiii gelará o AAcampáki e acordará alguns da sesta. Que sucedera? A Márcia inclinara-se para molhar a mão direita na piscina e a clavícula desceu. É a última descida duma longa série nos últimos tempos. Ao vê-la anichada vejo-a amparada pela Verónica e pelo Tiago que reza com um guarda sol nas mãos. Não há muito a fazer, senão esperar que a ambulância chegue. Sairá acompanhada pelo Ricardo e pela Betinha, dois filhos muito chegados. Mais tarde visitarei no Hospital o marido Miguel. Parece conformado, mas ninguém lhe tira a dor de saber que a mulher sofre lá dentro e ninguém lhe diz nada nem como nem quando. Regressamos a casa quando a Providência nos manda um anjo para cobrir com as suas asas o Miguel e a Márcia.
Chegámos a tempo de nos refazermos. Connosco já está a Nandinha — ou Dª Fernanda, como ela não gosta que se lhe chame. É também uma jovem mulher, conhecedora destas andanças que dispensou alguns dias das suas curtas férias para nos fazer a comida. Será uma comida maravilhosa: sem sal! Sorte a dos hipertensos! Mas como não os há, azar de todos e prevenção futura.
Recomposta a família ceámos em paz. Lá ao fundo vai fugindo a luz e mais vai recortando o Monte da Senhora do Minho que dentro de horas será por nós calcorreado.

Notas Finais I - Entrada no AAcampáki

AAcampáki quer dizer Segundo Acampáki. O primeiro foi Acampáki. No primeiro, Ele acampou entre nós; no segundo, convidou-nos a Alargar a tenda. Para alargar a tenda chegámos à Quinta do Menino Jesus de Praga, no Domingo 27 de Julho. A tarde estava algo fria e escura. Os áugures da Meteorologia não auspiciavam grande semana. Mas por que só Ele é o Sol, não nos detivemos em casa e aportamos a Deão.
À chegada vimos a piscina a fumegar frio e fomos em frente.
À partida ficaram em casa a Maria Regina e a Rita. O que as terá obrigado a ficar em casa? Era, seria, o primeiro contacto com o Carmo Jovem. Talvez tenha sido isso. Talvez isso e os maus presságios. Entre a tarde de Domingo e a manhã de Segunda compôs-se o ramalhete: 22 jovens Carmelitas. A grande maioria repete a convocatória; mas também existem caloiros alegres e ansiosos. O casal Élsio e Glória montaram a sua tenda na Aldeia Casal Célia e Luís Martin e ao início da noite regressaram a casa e ao trabalho com promessa de regressarem na Sexta, logo que os patrões deixassem. Ao longo da semana havemos de crescer, mesmo que o tempo quase só prometa e cumpra ameaças de frio e chuva. A montagem das tendas foi uma festa. O que mais se ouvia é: — preciso de espaço para alargar a minha tenda; preciso de mais espaço! Quando todas as tendas ficaram montadas, de estacas espetadas e fios esticados ainda havia luz. E alegria. Muita. Claro que a anteceder a montagem das tendas tivera lugar um trabalho de sapa que durou duas tardes e deu que fazer a doze mãos, doze pés e seis corações. Quando chegaram os acampákis até o jornal de parede do primeiro Acampáki tinha sido montado! Como é bom recordar!
Mais uma vez as tendas ficaram sob a copa das árvores de fruto, mas mais bem organizadas. A aldeia de São João da Cruz recebeu os jovens de Caíde de Rei; a de S. Teresa de Jesus, os do Carmo de Braga; a de Santa Teresinha, os de Aveiro, Avessadas, Coimbra e Guarda; a de São Paulo, as de Viana; a última, a dos Bem-aventurados Célia e Luís Martin recebeu os casais.
À medida que o dia se foi aproximando do fim, de nós se veio aproximando o frio e a chuva. A noite prometia ser fria lá fora, mas quente nos corações dos amigos que se reuniam e se revisitavam.
A ceia foi ceada em alegria bebericando água e acepipes com que as mães nos brindaram à despedida. Eram pequenas delícias, mas maiores que a fome que tínhamos. Amanhã haverá ainda lugar para nos saciarmos com os restos de coisas boas. Amanhã e Terça não haverá cozinheira. E se vier durante a semana é o que veremos.
Enquanto comemos a chuva cai. No céu há estrelas, mas só a fé permite crer que lá estão por cima das nuvens e da chuva.
Arrumada a mesa e limpas as migalhas as tramelas dão à língua com gosto. Não tarda a noite é tarde e convida à oração. Foi a das boas vindas: o tempo arisco e chuvoso proibira da subida ao Santuário de Nossa Senhora do Acampáki. Por isso, rezamos ali mesmo, no refeitório, o convite de Deus a alargar a tenda; não é que fosse necessário convidar mais, mas era necessário rezá-lo sob o olhar amoroso do Pai. Feita a apresentação geral e lida a Saudação do Responsável da Pastoral Juvenil da Ordem, rezou-se. E depois de rezar lavámos o dentinho e fomos para a cama. Fomos não, eu fui; eles foram para as tendas. Ficaram com a melhor parte, como me disse um médico. Porque pelo menos uma vez por ano devemos deitar-nos no pó e comer um pouco dele. Seja. Boa noite. Bom descanso. Bom AAcampáki.

Testemunho II - De um lugar chamado coração

Não soube então onde entrava;
Porém, quando ali me vi, (…)
grandes coisas entendi;
não direi o que senti,
que fiquei não o sabendo,
toda a ciência transcendendo
. [São João da Cruz]

Falar sobre uma actividade como AAcampaki, logo nos momentos seguintes é duro; todos os momentos que vivi individualmente ou em grupo fazem ainda eco no meu coração… a procura de uma explicação desses momentos de forma racional é difícil… o mais importante ficará sempre por dizer, ficará sempre entre os espaços das palavras que escrevo.
As expectativas, à partida para esta actividade do Carmo Jovem, existiam para todos os participantes. Eu não fugia à regra… as expectativas eram altas, tendo em consideração o Acampaki de 2007. Não sei dizer, no entanto, se este foi melhor. Diferente foi de certeza.
Marcaram-me de forma especial as conferências. Estas foram sempre interpelativas, pediam resposta interior e envolvência. Com os testemunhos que fomos ouvindo, era impossível manter-se alheio. As conferências e as suas temáticas não foram distantes do mundo e dos jovens. Foram testemunhos com rosto, vida e coração.
Depois, o AAcampaki é sempre um momento de caminho diferente. Longe das minhas coisas tão necessárias das quais não sinto falta nesta semana. A mata, a piscina, o santuário preenchem profundamente os espaços deixados vazios… alargam-nos e enriquecem-nos. A oração e o silêncio são pacificadores, mas também provocadores. Levam-me ao encontro de um lugar que nem sempre encontro no dia-a-dia…
Os amigos que se revêem ou que se conhecem são especiais. Tornam os momentos muito significativos. A partilha, os abraços, as lágrimas e os sorrisos são partes do carminho que faço… como partir sendo o mesmo?
Na verdade, este foi (é) só um tempo “para partilhar qualquer coisa que ainda podemos guardar cá dentro um lugar a salvo para onde correr” [Mafalda Veiga]
Obrigado a todos…

Jorge Fernando Teixeira, 27 anos
S. João da Cruz (Caíde de Rei)

Despedida

Conta-se que certa pessoa encontrou o que ninguém antes quisera: um diamante bem feio com uma enorme cicatriz! Pensou em dar-lhe um piparote e atirá-lo para a berma onde se derrotam todos os lixos. Mas pensou: este ano ainda não paguei os meus impostos ao Rei. Isto servirá. O Rei ao receber aquele asqueroso diamante pensou em atirá-lo à cabeça do servo atrevido, mas um avisado Conselheiro pousou suavemente a mão na do Rei e pediu-lhe que lhe cedesse aquela pedra tão ignóbil. Saindo dali levou-a a um joalheiro que a burilou pacientemente durante duas décadas.
No dia do jubileu o Rei exibia satisfeito a mais bela rosa.
Eis o Espírito Caracol. O bicho em si é viscoso, mas ágil. Repelente, mas com encanto. Pequeno, mas animoso. Assustadiço, mas resoluto. Tenro, mas destemido. Lento, mas incansável! Nervoso, mas intrépido.
Não é algo que se aprecie facilmente. A carapaça pode chegar a ser bela ou simplesmente ter a sua piada, mas aquela baba que expele é tão repugnante que nem os queremos ver por perto. Longe de nós como bicho de estimação, pior como amigo. Se se assusta refugia-se em casa. Se chove, encolhe-se. Se ouve os pés das crianças a correr, treme só de pensar que vai ser esmagado. Come as couves e as alfaces da minha mãe e por isso os dá às galinhas. Elas apreciam-nos, e alguns humanos também.
Aparentemente não se recomenda. Mas aquela carapaça faz-me lembrar os falsos refúgios onde nos acoitamos para sossegar o medo. Onde nos consolamos a ouvir música e fingimos palavras mudas de salvação.
Não tenhas medo, pobre caracol!, diz-nos Deus. Sim. Não tenhas medo. Não vivas do medo nem bebas da vergonha. Sim, és tímido, mas ainda assim vai ao jogo da vida com alegria e destemor. Com amor.
Só o amor move.
Rompe a tua carapaça, alarga a tua tenda. Não te escondas, caminha sem medo. Talvez não chegues longe. Talvez não alcances o teu objectivo. Mas por que te assustas? Porque tremes e páras? Estica as tuas peles, firma os teus músculos, expande os teus sonhos, alarga os horizontes e avante! Caminha que é o amor que nos impele! É o sopro do vento do Espírito que nos anima!
Não tenhas medo, pequeno caracol! Amanhã ou depois de muitos amanhãs, depois de teres suado e chorado baba e ranho, quando lá chegares, verás que não custou
nada. Verás que verdadeiramente ainda não chegaste, porque és apenas um pequeno caracol.
E porque és um pequeno caracolito, alarga a tua carapaça! Caminha sem medo! Vai, deixa que «o amor de Deus propague a força do Espírito Santo, para que te mude a partir de dentro. Tens de O deixar penetrar na crosta dura da tua indiferença, do teu cansaço espiritual, do teu cego conformismo com o espírito deste nosso tempo.» (Bento XVI, na homilia de encerramento da XXXIII JMJ em Sidney).
Vai, leva uma rosa! Alguém precisa dela.
Até para o ano.
Obrigado pelo Amor!


Frei João Costa, ocd

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Testemunho I - Obrigado

Obrigado.


... por ter permitido que entrasse nessa família.

... pela paz de espírito que levam e oferecem aos "novos" e "velhos" elementos, uns mais e outros menos jovens.

... pelo momentos em que me esqueci dos problemas da vida e passei a amar os outros elementos e ouvir as preocupações deles.

... por me acolherem na "Tenda", mas mesmo assim acho que cabem muitos mais, quem sabe para o ano a Ana vai.

..... pelo silêncio que torna mais especial "o vento das folhas" (*) mais sonoro, quente.

..... por me fazerem esquecer que alguém especial para mim está longe, mas que estará mais perto dentro de uns tempos, porque os segundos no AAcampaki passam a correr sem que eu dê por isso.

... pela paciência, de aturar a malta que não deixa uma pessoa relaxar, ter um momento de paz e de descanso sem que seja "atacado" pelas tropas (Diogo, Luís, David, Tiago, Élsio, e outros)...

... pelas natas do céu da mãe do Francisco (mas, segredo dos segredos, gosto mais das Natas do Céu da minha mãe - sou imparcial, acho eu).

... experimentei essa "droga" que vocês todos tomam, e fiquei viciado... a "droga" AA (no símbolo do Acampaki) (A de Amizade e o outro A de Amor pelo semelhante).

... por tudo...

Já estou com saudades de todos vós, e só estive dois dias... até para o Ano.


Abraços para Eles e Beijos para Elas do amigo (e não Sr. como alguns diziam/chamavam) Marco Branco


Obrigado Noddy, Sr. Lei e Ursa Teresa


(*) citação do Sr. Lei na oração da manhã do dia 3-8-2008.

Marco Branco, 33 anos
Aldeia Casal Martin (Gafanha da Nazaré)

Sempre jovem, Carmo jovem!

1. Caros Jovens Carmelitas,
saúdo-vos por esta vossa actividade e como esta iniciativa é uma iniciativa proposta pela Ordem, senti-me na obrigação de responder ao vosso convite. Nós como Ordem Carmelita não temos uma tradição muito forte ao nível do laicado; ou seja, nós historicamente não temos investido muito nos leigos, praticamente têm sido os leigos que se aproximam de nós e à sua maneira tem apanhado o trilho para si. Seguem a nossa espiritualidade e à sua maneira tem procurado viver a sua vida cristã com o espírito carmelita. Isto sem ignorarmos a existência da Ordem, ou a extensão da Ordem ao mundo laical, chamada Ordem Terceira.

2. De facto, o Carmo começou por ser uma Ordem de varões — os primeiros eremitas do Monte Carmelo; depois juntaram-se mais tarde as mulheres — e temos a Segunda Ordem, as Carmelitas de Clausura; mais tarde ainda vieram os leigos. Esta é a ordem natural das coisas e praticamente todas as Ordens Religiosas tiveram este processo, porque um carisma é um dom de Deus dado ao Homem, homem e mulher. Quando esse dom começa por ser dado a um homem, logo se comunica naturalmente a uma mulher e no nosso caso é curioso que a Reforma começou numa mulher, Santa Teresa de Jesus. Foi ela que iniciou a reforma da Ordem que deu origem a outra Ordem, porque a primitiva era a Ordem do Carmo, depois surgiu a Ordem do Carmo Descalço. Neste caso, a fundadora foi uma mulher que considerou que sem a reforma dos padres seria difícil que aquela sua iniciativa fosse avante e logo se preocupou em agregar a si São João da Cruz. Ele foi o primeiro que ela encontrou e daí nasceu a reforma dos frades. Esta reforma naturalmente estendeu-se aos leigos e hoje temos leigos da ordem do Carmo antiga, aquela do Beato Nuno — São Nuno daqui a algum tempo; e também o laicado da Ordem do Carmo Descalço.

3. Portanto, nós terminamos por ter uma relação forte no mundo laical, embora nós, os frades e as freiras, não tenhamos uma tradição de caminhar com os leigos como têm outras famílias religiosas.

4. Nos últimos anos, até pela escassez das vocações de consagração religiosa — mas não é só por isso; e pela consciência que temos da nossa missão na Igreja, abrimo-nos a esta colaboração com os leigos e criamos iniciativas para vós. O Acampáki é uma actividade que de vai respondendo a esta necessidade de nos abrirmos aos jovens leigos, para lhes oferecermos a nossa espiritualidade, afim de que eles se enriqueçam com aquilo que é a nossa herança. Bom, isto, diria, é a minha introdução. Vamos ao assunto.

5. O assunto é a nossa preocupação. É que o Acampáki é uma actividade nossa, e se o Acampáki não resultar — e pode não resultar —, por dois factores: ou porque nós não a sabemos apresentar e portanto ela não tem interesse junto dos leigos, e pode terminar por aí; ou ela pode ter interesse: pode ser uma árvore muito bonita, faz-se uma festa para plantar a árvore, mas depois a árvore não é regada, não é cuidada e termina por morrer. E então quem fez aquela festa da plantação da árvore, ao ver a árvore morta não tem coragem para plantar outra árvore e fazer outra festa, com o medo de ser mais uma árvore morta.

6. Bom, perceberam o que nós… a minha ideia. Estas actividades do Carmo Jovem são uma responsabilidade para nós, daí a atenção que eu dediquei em vir aqui… Este tempo faz-me falta para outras coisas e prejudicou outras actividades, mas considero o Acampáki como prioridade, por conseguinte vim cá. Mas também do vosso ponto de vista isto deve ser uma responsabilidade porque se esta actividade que para todos os efeitos é uma plantazinha, é a vossa vida, se isto não for acarinhado, se esta experiência que fizestes não for levada para a vossa vida, ela pode morrer. E todas as mortes são dolorosas no coração. Daí o apelo que vos deixo a que acarinheis esta actividade que fizestes, para não pensardes nela ou não a terdes como uma coisa que passou, um acontecimento sem sentido, como tantas coisas que acontecem na nossa vida, mas como um acontecimento importante que projectou luz na nossa existência, deu rumo, encontrámos amigos. E os amigos são um tesouro na nossa vida, nunca são demais, e quanto mais variadas, quanto mais distantes geograficamente, quanto mais diferentes culturalmente, ideologicamente as amizades se situam muito mais valor acrescentam à nossa vida.

7. Eu convidava-vos a serdes responsáveis com estas actividades a acarinhá-las, promovê-las, a agarrá-las e a manterdes isto pela vida fora. O que é que acontece? Com tristeza nós verificamos que as actividades que nós temos vindo a fazer com os leigos, com os jovens, de há alguns anos para cá, essas actividades têm vindo a morrer. E o Carmo Jovem tem já uma experiência histórica negativa, porque tem vindo a morrer e a ressuscitar; quer dizer, morre e ressuscita, acabam uns jovens e vêm outros e depois vão indo e vão vindo e não tem havido uma continuidade e isto é mal. A falta de continuidade não ajuda. Ou seja, os jovens são Carmo Jovem, mas depois há uma idade em que os jovens já não são tão jovens: casam-se, têm filhos, crescem e eu pergunto: onde se encontram esses jovens? Alguns já têm agora 40 anos, daqui a pouco 50: Mas onde estão, por onde andam? Ainda serão Carmo, como agora são Carmo Jovem? Esta falta de continuidade é mal. É mal porque desanimamos: afinal temos trabalho em começar grupos de jovens e depois eles vão à sua vida! É como na família casam-se e desaparecem, quer dizer… então os pais, não contam, não se conhecem? E depois é ainda mal para as próprias pessoas porque cria um certo desencanto: afinal não vale a pena investir nos grupos porque eles desfazem-se e não se investe no grupo. E é importante investir no grupo, até porque hoje a sociedade vive de grupos e quanto mais forte for o grupo maior é a capacidade de êxito do próprio grupo.

8. Há dias o Padre Carlo, italiano, que trata do nosso site da Ordem e que também trabalha no Vaticano, veio a Fátima com um casal. Foi um fim de semana interessante. Que casal era aquele? Ele já tem netos, devem ter 60 e tal anos. Já têm netos crescidos. Quando eles eram namorados quem os animou para o casamento foi um Carmelita e digamos em atenção a esse Carmelita que os incentivou a casar, eles deram-lhe o primeiro nome do filho: António! E depois em atenção a uma santa carmelita baptizaram uma filha com o seu nome. Eles têm meia dúzia de filhos e todos os filhos têm nomes relacionado com o Carmelo. São Carmelitas para tudo. E eu perguntei: na sua paróquia há Carmelitas? Eles disseram que não, que eram os únicos Carmelitas na paróquia. Assumiram responsabilidades pastorais, mas como um lar com identidade carmelita: são filhos de escola carmelita… São uma família autenticamente carmelita, conotada com o Carmelo. O senhor estava em nossa casa e dizia: «sinto-me em minha casa!».

9. Isto é bonito de ouvir. Mas esta identidade não se constrói de um dia para o outro: é uma vida! Vidas assim são um estímulo muito grande para nós, porque o Carmelo é das ordens religiosas mais ricas espiritualmente, é a que tem mais doutores da modernidade e outros estão a caminho! Eles são uma rica espiritualidade cristã para o mundo de hoje, pela exploração que fazem — por exemplo, São João da Cruz é o especialista da noite, da noite do espírito, que hoje é um grande drama da Humanidade, porque nós estamos a atravessar uma longa noite, noite escura e vem aí uma noite tremenda que é a noite da fé, da descrença. Hoje está-se a banir da sociedade a crença. Há toda uma estratégia maçónica ou não sei bem como interessada em banir a fé e as manifestações de fé da sociedade, se estivermos atentos escutamos denúncias nesse sentido. Tudo o que é fé, tudo o que é crença, deve ser ocultado. A sociedade está como que zelosa por ser ela própria sem Deus. Isto é uma noite tremenda, uma noite muito escura! E essa noite escura é iluminada pela espiritualidade de São João da Cruz e pela espiritualidade de Edith Stein, que esta aí à porta como Doutora da Igreja. Num tempo em que os Judeus, eram todos eliminados e ela esteve nessa lista e também foi eliminada, ela tem uma doutrina preciosa para a Humanidade do nosso tempo.

10. A espiritualidade carmelita tem grande interesse para o presente e para o futuro na orientação da Humanidade no prisma da perspectiva da orientação, da luz que vem de Deus, aquela luz que os Magos viram e os demais não viram nada porque não sabiam ler as estrelas. Os Magos sabiam ler as estrelas e nós temos que saber ler os acontecimentos.

11. E nós não estamos aqui a dizer aos leigos que vivem no mundo: vão para freira ou para frades! Não! Dizemos: sejam cristãos, sejam casais, sejam solteiros, o que a vossa consciência vos ditar, se quiserem ir para religiosas podem ir, se quiserem ir para frades podem ir! Sejam muito felizes, mas onde estiverdes que sejais cristãos, porque o cristão é o sal que dá sabor, o cristão é a luz que ilumina e esse sabor e essa luz vêm do Evangelho e o Carmelo é uma vinha onde isto tudo se cultiva. Eu fazia votos para que nunca deixassem murchar esta plantazinha do Carmo Jovem, que esse caracolzinho cresça, que vá devagarinho, mas vá sempre atento. Muito bem.

12. (Palmas, segundos de silêncio e continua…)


13. É… vocês não parem, não parem nisto, de facto é uma pena, já existe aí alguma coisa do antigo Carmo jovem, tentativa de… mas há poucos… era necessário relacionar a parte teórica da espiritualidade, do pensamento, aterrar estas ideias para que elas cresçam e produzam fruto, isto pode acontecer; este produzir fruto pode ser na vida paroquial, numa fábrica, onde estiverdes aí deveríeis fazer crescer e provocar, ou seja: deveriam olhar para vós e perguntar: este indivíduo que procede assim porque é que procede assim? Nós devemos ser provocadores. Nós também perguntamos, o que é que esta comida tem para que esteja tão saborosa? Porque é que esta pessoa procede assim? E a resposta não tem porque ser imediata, nós até podemos esconder, os antigos cristãos tinham o arcano, um segredo, e não diziam imediatamente o que eram, por que isso é uma provocação às pessoas, as pessoas têm que aprofundar. Provocar as pessoas pela nossa forma de viver, de modo a que elas se interroguem e investiguem, porque assim investigam mais. Porque é que as pessoas têm este comportamento e este brio profissional?, por que tem esta caridade, esta amizade?, por que têm esta atenção: visitar os doentes, os pobres, atender as pessoas, não pensar só em si?

14. Para proceder assim é necessário uma riqueza espiritual muito grande. E o Carmelo permite essa experiência de união com Deus que leva à procura dos irmãos e quando nós vamos à procura dos irmãos aí é que provocamos! Por que vem esta pessoa à procura dos irmãos? Por que se interessa pelos demais: é porque é cristã? Mas os cristãos são assim? É por que é Carmelita? Aqui está a ponte! O Carmelo é o lugar onde as pessoas se encontram com Deus, é o lugar onde se se enriquece e donde se é enviado. O Carmelo é o lugar à volta do qual nós vivemos mas onde não se deve parar! Tu deves ter a preocupação por alargar o Carmelo por onde andares.

15. Gostaria que vocês aproveitassem toda a riqueza do Carmelo. Que nunca parassem com o Carmo Jovem seja qual for a vossa profissão futura! De facto esse é o eco que nós temos das pessoas que procuram na espiritualidade do Carmelo o alimento espiritual para durante o ano. E é curioso que quanto maior é o nível cultural maior é o interesse pela espiritualidade carmelita. A espiritualidade carmelita é quase uma espiritualidade de élites, é quase… Corre o risco de não ser entendida pelas pessoas simples, talvez porque não leiam. A nossa espiritualidade tem outra vertente: a da devoção mariana, a devoção popular do Escapulário; mas digamos, como arte de viver são mais as classes médias e superiores que se encontram no Carmelo. Gostaria que para o próximo ano estas caras se mantivessem por aqui, que os casais crescessem em número. Era muito bom sinal, era sinal que se mantinham nisto, porque cada um que se casa trás o outro. Faço votos para que de futuro este número que hoje aqui se encontra duplique. Eles tragam elas e elas tragam eles, depois em vez de um Acampáki faz-se uma dúzia de Acampalás…. Muito bem…

16. (Entrega das lembranças ao Padre Provincial juntamente com o Guião do Acampáki.)

17. Por acaso eu aprecio muito estes livrinhos, porque dizem da seriedade com que estas coisas são feitas. Eu não sou indiferente a isto. Não é pelo livro, porque nós livros temos muitos: é porque há muitas actividades improvisadas e as actividades que o Carmo Jovem promove são actividades preparadas. Isto é muito importante, porque sem isto vocês andavam um pouco às aranhas. Eu sou apologista dos guiões, etc., porque são instrumentos de trabalho.

18. Os meus parabéns! Vocês são pessoas que sabem trabalhar. Eu sei o que isso custa… e este está muito bem feito. Vocês são especialistas nestas coisas!

19. Acampákis! Sempre jovem, Carmo jovem!

P. Pedro L. Ferreira,
Provincial ocd


Fotos - AAcampaki - 27 JUL a 3 AGO

quinta-feira, 31 de julho de 2008

V Mensagem da Família Branco para os AAcampakis

Meus Irmãos No próximo sábado celebra-se a brincadeira do Acampaki, é com pena da não participação em tal evento, porque nessa brincadeira tinha escolhido um tema passado na vida real de uma criança que nasceu a 04-03-1948, e que tinha escolhido o título «A Homilia de Hoje», (com todo o respeito pela Igreja e por todos vós). A “Homilia” contava a história de uma criança que nasceu num palheiro à beira da Ria de Aveiro, mais concretamente junto ao Canal da Malhada – S. Salvador. Quando das marés vivas estas penetravam no Palheiro onde essa criança nasceu e viveu e misturava-se com os pés da cama onde dormia. A sua mãe numa preocupação constante não podia dormir com receio da subida da maré, e que fosse ter com essa criança há cama, pois seria esta a rábula que apresentaria na brincadeira do Acampaki. A Família Branco

quarta-feira, 30 de julho de 2008

IV Mensagem da Família Branco para os AAcampakis

Saber perdoar Meus Irmãos No monte onde vos encontrais, e já lá vão 5 dias, não acredito que num período tão dilatado de tempo, não tenha existido um gesto, uma palavra ou uma atitude de desagrado nos elementos do Grupo. Porquanto: Todo o ser Humano é portador de temperamentos, actos, reacções, feitios, ira e de raiva, que no meu entender não se enquadram num sistema coordenado pelo Homem. Por isso, não se pode aplicar ao humano o sistema de comparação de padrões, pode e deve-se aplicar a regra do Perdão. Perdoar é… … saber ignorar a atitude incorrecta de outrem. … saber ignorar a bofetada que se levou na face … saber fazer reconciliação. … não responder com agressividade com outra agressividade. … demonstrar ao nosso semelhante que sabemos perdoar e compreender. A palavra perdoar aplica-se no dia a dia e no mundo em que vivemos. Mas, meus Irmãos, por vezes nos sítios onde nos encontramos não temos a sensibilidade e a clareza que Jesus Cristo nos ensinou para sabermos perdoar. Quando assim acontece o nosso coração fecha-se e vive num Mundo de aflição contínua e não queiram viver assim neste Mundo. A virtude do humano é ter capacidade e sensibilidade de perdoar, Só assim Nosso Senhor Jesus Cristo também saberá compreender e perdoar-nos. Família Branco

terça-feira, 29 de julho de 2008

III Mensagem da Família Branco para os AAcampakis

Meus Irmãos É necessário que a cabeça nos doia, para que possamos tomar a medicação indicada. Por isso: É necessário que façamos tudo como Jesus nos ensinou, para assim O podermos Admirar, Adorar e Amar. É necessário que o nosso coração se abra para que a Fé que temos no Senhor possa penetrar nos nossos corações. É necessário estarmos no monte para conhecermos melhor quanto Ele nos ama e ajuda nos momentos mais solitários e difíceis entre os montes. É necessário estarmos juntos e longe do meio que nos rodeia durante o Ano, para nos tornarmos Homens e seguidores da palavra de Jesus É necessário que as nossas linhas imaginárias se cruzem e se encontrem no meio de um monte, para encontrarmos forças para acreditar e passar-mos a ser seguidores de Jesus. É necessário ter Fé e acreditar Nele durante a solidão. Família Branco

segunda-feira, 28 de julho de 2008

II Mensagem da Família Branco para os AAcampakis

Meus Irmãos Quem segue a N.ª Sr.ª do Carmo e se identifica como Carmelita encontra-se junto a Jesus. Aos Jovens que se encontram no monte em Acampamento, saibam receber os conselhos e dever de obediência ao Pastor, pois é o digno representante de Jesus Cristo. Vivam com as virtudes da N.ª Sr.ª do Carmo, e assim saberão encontrar o caminho que vos levará até Jesus e aprenderem a amarem-se uns aos outros. Tenham como exemplo as virtudes da N.ª Sr.ª do Carmo, e sigam os exemplos dos Carmelitas que tão bem conhecem e sejam uns seguidores da Ordem. Recebam esta mensagem de apoio da Família Branco.

domingo, 27 de julho de 2008

I Mensagem da Família Branco para os AAcampakis

Meus Irmãos
Bem-vindos a este monte na última semana do mês de Julho, semana em que os Jovens Carmelitas se encontram para se prepararem parta conhecer mais a vida de Jesus. Este acontecimento ao celebrá-lo todos os anos, juntando jovens de vários pontos do país é prepará-los para se encontrarem mais perto da Igreja e junto Dele. Com certeza que todos vós já repararam nos montes que vos rodeiam, que vos isola da civilização, mas que vos une na fé de amar Jesus e respeitando o Pastor que vos orienta. Lembro que um dia muito distante os Reis Magos seguiram uma estrela brilhante que os levaram até ao Menino, vós, nos tempos modernos em que vivemos foi e será um monte que vos levará até Jesus e vos ensinará a amarem-se ainda mais uns aos outros. Abraços e Beijos da família Branco que gostaria de estar presente.

Apresentação AAcampaKi - Espírito Caracol


É no fim que se faz o princípio. Sim, no fim porque nenhum de nós é Deus. Então, vamos lá! O AAcampáki já nos anda a baralilailar há muitos meses na cabeça. Na cabeça, no coração e no corpo todo. Quando se fala em AAcampáki começamos logo a ter bons sonhos e todo o corpo treme.



(— Anda. Vamos ao que interessa.)




Sofremos um longo deserto de um ano a desejar acampar. Porque no primeiro esteve Deus e estiveram os amigos. E Deus como amigo e os amigos como Deus. Agora que viesse o segundo. E ele chegou. Ei-lo. Foi muito sonhado, pensado e amado. Agora é crescer, gozar, rezar e rir.



(— Anda. Vamos ao que interessa.)



A reunião dos acertos finais foi muito desacertada. Eu fico contente que assim seja! Navegávamos em altas e brumosas vagas, todos com vontade de acertar, mas como é fácil de entender não é durante a tempestade que melhor nos ouvimos e acertamos no alvo. Os sins eram tão secos e os nãos tão raros, que ou barco ia ao fundo ou esventrava de vez as vagas e aportava a bom porto. Há uma testemunha.



(— Anda. Vamos ao que interessa.)



Por fim, sem nos apercebermos, chegámos tão rapidamente aos temíveis escolhos donde tantos têm saído derrotados. Fora decidido que faríamos um Tshirt. E saltava à vista que a solução não agradava. E havia que encontrá-la. E fomos à procura, como se dum tesouro escondido se tratasse. Fomos, não. Não fomos todos. Por fim encontramos. Eureka! Encontramos! Encontraaamos! Mas não encontráramos ainda.



(— Anda. Vamos, vamos ao que interessa.)



Encontrámos por fim o slogan para o AAcampáki. Mas o AAcampáki já não tem slogan? Tem! E vamos pôr outro? É diferente! Não é bem um slogan, é uma ideia força, é um espírito. E lá fomos, e lá fomos pela noite dentro e com vontade de sair dali com todo o AAcampáki resolvido mesmo sem ter começado.



(— Sim. Mas vamos ao que interessa ou não?)



Por fim, ouviu-se uma voz: Achei! E rabiscou no papel o desenho do mapa do tesouro: Espírito Caracol! Ninguém riu, ninguém chorou, ninguém cantou, ninguém bateu palmas. Os cépticos cruzaram os braços, os poetas puseram-se a sonhar. O capitão, velha raposa de água doce, sugeriu que se explorasse a coisa, que se chamassem os áugures, os intérpretes, adivinhos e as odaliscas e nos dissessem o que ninguém jamais alcançava enxergar.



(— Ai, sim? Eu também não vejo nada!)



Mas vais ver.
Queridos amigos queridas amigas, estamos no AAcampáki. Os dois ‘ás’ maiúsculos significam que é o segundo acampamento de jovens Carmelitas. Foi tão bom o primeiro que Deus continua connosco! Escolhemos como lema deste uma frase do Profeta Isaías: «Alarga o espaço da tua tenda!». O versículo é um pouco maior; lá dentro do Guião e durante o acampamento percebê-lo-ás melhor.



(— Mas eu ainda não percebo nada!)



Tem calma, em breve perceberás. O defeito não é teu.
O nosso voto é que alargues a tenda do teu coração. Se necessário que desentulhes as abastanças que te encharcam e te impedem de acolher e andar, de ser mais fraterno e mais ágil no anúncio do Reino. Há tanto sono numa tenda assim e tão pouco favor para a fruição de Deus, que não admira que andes raquítico! Alargar é alargar, mesmo que custe ter de deitar carga preciosa ao mar.



(— E o Espírito Caracol?)



Alarga a tua tenda, porque és maior se mais lá entrarmos. Entremos. És maior se mais acolheres, servires e amares. E melhor serves se menor fores. E se menor fores mais cabemos na tenda. Entra. Também Deus tem lugar na sua tenda para ti. E quer meter muitos na tua. Tens lugar para eles? E para Deus?



Bom AAcampáki. Sê bem vinda! Sê bem vindo.
Deus te abençoe.

(— Ei! Então! É isto o Espírito Caracol?)



Não te perturbes. Lê de novo o texto da Apresentação. E ficarás a saber o que é o espírito caracol. O verdadeiro Espírito Caracol dir-te-ei noutro dia.



Frei João Costa
Responsável pela Pastoral Juvenil da Ordem


(— brrrrrruffff!)

O AAcampáki começou.

O AAcampáki começou. Para trás estão dias intensos de trabalho gostoso. O tempo está farrusco, parece não nos querer receber bem. Ainda assim está tudo pronto para começar. O tema é: Alarga o espaço da tua tenda! O espírito é caracol! Caracol? — Já saberemos o que isso é.