sábado, 30 de maio de 2009

Vem, Espírito Divino

Vem, Espírito Divino Reparte os teus sete Dons
O Senhor vos dará seu Espírito Santo; Não temais, abri vossos corações, Ele derramará todo o seu amor. Ele transformará hoje as vossas vidas, Vos dará a força para amar. No percais vossas esperanças, Ele vos salvará. Ele transformará todas as penas, Como filhos vos acolherá, Abri vossos corações à liberdade. Fortalecerá todo o vosso cansaço Se ao orar deixardes que vos de a sua paz. Brotará vosso louvor, Ele vos falará. Vos inundará de um novo gozo Com o dom da fraternidade. Abri vossos corações à liberdade.

Domingo de Pentecostes

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João [Jo 20, 19-23]

Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, colocou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. Jesus disse-lhes de novo:«A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós».Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes:«Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados;e àqueles a quem os retiverdes serão retidos».

Que dons temos recebido cada um?

Cada Cristão (ungido pelo Baptismo e Confirmação) recebe os dons do Espírito para o desenvolvimento e fruto da sua fé e para edificar a Igreja. Que dons temos recebido cada um? As vocações são dons especiais: cada qual comporta hoje algo da plenitude de Jesus. Exemplos de distintos serviços são os religiosos/as, sacerdotes, missionários/as, institutos seculares, vida contemplativa.
Sabedoria: «Vossa sabedoria é como o sal da terra, que da sabor e evita a corrupção».
Entendimento: «Sois a luz incendiada, para que com vosso entendimento espiritual possais ler os signos dos tempos e a cultura de hoje á luz do Evangelho». Conselho:
«Recebida estes conselhos e vividos como fruto do Espírito Santo». Fortaleza: «Elevada a cruz de Cristo, carregada com ela a fortaleza do Espírito, porque ela tem força de redenção e salvação». Ciência: «O Espírito é fonte de água viva. Que Ele nos dê o dom da ciência para que nos purifique de toda ignorância e possamos conhece-lo com pureza de coração». Piedade:
«Que o Espírito vos dê o dom da piedade, para que não esqueçais a oração e o louvor e vossa oração suba a Deus como o incenso». Santo Temor de Deus: «Lêde a Sagrada Escritura, deixai-vos conduzir pelo Espírito e não vos afasteis dos caminhos de Deus».

Espírito Santo (VI)

O perfume Plenitude de vida e alegria são sinais de presença do Espírito de Deus. Mas o Espírito é também o bom perfume da vida. Este é também um dos símbolos do crisma, com que se consagram as pessoas e as coisas: óleo misturado com perfume. A arte dos perfumes (Ex 30) é uma das estimadas do Antigo Testamento. O perfume é um pouco como o vento: não se vê mas sente-se. Não se toca mas é algo que penetra em nós e suscita emoções e sentimentos. É significativo que hoje a publicidade aos perfumes seja tão sofisticada. Há uma crença em que através de um perfume se pode atrair uma pessoa. Claro que podemos criticar todo esse mundo de enganos e seduções. Mas por trás desses desejos não estará o desejo profundo de relação, de vencer a solidão, de criar uma comunhão? E precisamente o Espírito Santo é como o perfume que invade e penetra todas as coisas, sem se deixar ver. Alguém passa ao teu lado e, sem te tocar, atinge-te com o seu perfume. Assim é o Espírito. Ele é o perfume de Deus que sem se impor nos atrai com a força do amor. O Espírito Santo é como o perfume que permite ir para além do visível e do palpável. É o aroma que nos estimula a viver em alegria e em festa. Essa sensação de festa nasce ao percebermos que está aqui algo mais, algo diferente, em relação ao quotidiano. O Espírito é como um perfume que nos seduz e convida a descobrir que a fadiga e a dificuldade do dia-a-dia são um caminho para o repouso e para a festa. Na parábola do filho pródigo há um versículo importante: E começaram a fazer festa (Lc 15, 24). A casa do Pai, de Deus, é uma casa em festa. E a Igreja, tal como o coração de cada cristão que acolheu a força e a beleza do Espírito Santo, deveria ser sempre uma casa em festa. Um lugar onde se sente, espalhado pelo ar, um perfume, um aroma, um ar de festa. Esse perfume que está no ar cura-nos do medo, purifica-nos do pecado, dissolve os corações de pedra, liberta-nos das violências sofridas. A evangelização não deveria ser outra coisa senão atrair as pessoas para uma comunhão com Deus que se torna fonte de festa, de alegria. O Evangelho é uma boa notícia por isso mesmo: pela sua capacidade de mudar a atmosfera. De um ambiente triste e fechado a um ar de festa e exultação. Mas para que isto se torne realidade é necessário que cada cristão assuma as qualidades do perfume: espalhar-se como o Espírito Santo que não se vê mas que se sente.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Espírito Santo (V)

O vinho Os símbolos do Espírito que vimos até agora (vento, água, fogo) são elementos naturais. Mas a Bíblia e a Tradição viva da Igreja usam como símbolos outras realidades criadas pelo homem. O Espírito é como um bom vinho; é algo que tem que ver com o sabor. O Espírito dá sabor e sentido à vida. Permite ao homem saborear a sua existência. O vinho é alimento que encoraja o coração (Salmo 102); consola nos momentos em que a vida perde sentido e sabor. Há uma embriaguez que é sinal de loucura e de descontrole. Mas há uma suave embriaguez do Espírito que indica o triunfo da vida contra todas as formas de morte e de mal. O Espírito é como o vinho, aquele vinho que nunca faltou nas bodas de Cana porque Jesus o tornou sempre melhor e mais abundante (Jo 2). Quando Jesus quis deixar no mundo um sinal da sua presença e do seu amor, além do pão, usou o vinho. Não quis usar apenas um alimento para a subsistência; quis também o vinho para viver na alegria. O Espírito não é só como o pão mas é como o vinho. É o que assegura na vida do homem a plenitude e a alegria. Às vezes, esta dimensão de alegria contagiante da vida cristã fica um bocado esquecida. Se calhar gastamos demasiado tempo a ensinar na catequese a “portarmo-nos bem” e esquecemos que a vida no Espírito é alegria e entusiasmo. Quem nos vê deveria perceber imediatamente que a nossa vida, a vida no Espírito, é uma vida saborosa. O que, aliás, é o convite da Palavra de Deus: “Saboreai e vede como o Senhor é bom!” (Salmo 33)

quinta-feira, 28 de maio de 2009

III Peregrinação a Pé a Fátima - Notas Finais (III)

Segundo dia de caminho
Sábado, 02 de Maio de 2009 «O amor não consiste em sentir grandes coisas.»
— Não! Não pode ser… levantar?! Já? A esta hora? O que vos passará pela cabeça?! Primeiro não nos deixam dormir [os roncos parecem bombos a retumbar na madrugada silenciosa] e agora que quereis, Deus meu? Quereis que estejamos aptos para caminhar, nesta ditosa madrugada?! Onde se encontram as forças? Mas peregrinação não rima com amuos. Por isso, peregrinemos, porque «O amor não consiste em sentir grandes coisas.» Somos peregrinos. Por muitas razões que nos assaltem a mente, jamais poderemos deixar de caminhar. Um pouco sobressaltados e friorentos fomos convidados a levantar, lavar a cara para despertar ânimos, tomar o pequeno-almoço não sabendo bem o que se come, pois pouco se vê com olhares ensonados. Fizemo-nos à estrada. Iniciámos o nosso dia com a oração da manhã à porta de um Cemitério, sob a brisa fria e terna das seis da manhã; tiritámos, silenciámos e retemperámos forças ouvindo a voz do Pai, que nos convoca a que nos reunamos em seu Nome. Iniciámos por fim o caminho montanhês quase intocado pela mão humana cantando alegremente os belos caminhos que a manhã nos convidava a deslumbrar, eram montes e vales, planícies, planaltos, lonjuras e horizontes: «Ó bosques de espessuras plantados pela mão do amado!....», «como são belos os pés que anunciam a paz». Sim, como é terna e suave a brisa das palavras que trocámos com os amigos ao longo deste peregrinar, mesmo em silêncio sentimo-nos amados como irmãos que caminham sentindo a presença de Deus. Carmelitas somos, no monte nascemos, o monte percorremos e vivenciamos a presença de Deus. Descendo o monte as forças tivemos que retemperar e na sombra de uma árvore fomos convidados a descansar. Os carros de apoio apareceram, com eles dois amigos que se juntaram a nós: a Irmã Palmira que iniciaria o caminho connosco desde ali; o Pedro que almoçaria connosco e nos trazia a sobremesa e a Susana no coração… Preparávamo-nos para almoçar — e como em todos os locais pelos quais passámos fazemos amigos, somos bem recebidos e melhor acolhidos —, quando, bem perto do sítio onde almoçávamos, um amigo nos estendeu a sua mão e depôs nas mãos do Frei João uma garrafa de vinho tinto, para que retemperássemos as forças. (Só pediu que rezássemos por ele!) Obrigado, amigo! Depois descansámos, dormimos… contámos histórias de ontem e de hoje, contámos histórias das aventuras de sermos «amigos fortes de Deus», levantámo-nos e prosseguimos o caminho soalheiro. Como é bom sentirmo-nos Carmelitas! Os passos eram agora mais lentos com o sol no rosto, um pouco de fumo e de poeira espalhados no ar. Passámos por uma praça de toiros, a mais antiga do País. Mas não vimos nem os toiros nem as mães, nem ouvimos olés ou olás! Por fim, um café, uma pausa… pois após o almoço que esperar?! No largo duma igreja juntámo-nos para iniciarmos o caminho a rezar os mistérios… partimos dois a dois… ó que subida, e qual fôlego quê, com que haveríamos de suportar os cânticos? Faltavam uns 10km para chegarmos à meta. O Frei João ia convidando e seduzindo a que subíssemos para a carrinha. Dizia, «Para a carrinha ou para o convento!», mas ninguém ouvia o murmúrio…Passo a passo, lento ou espaçado, chegámos ao quartel da 5.ª Secção dos Bombeiros Voluntários de Pombal, em Albergaria dos Doze onde nos aguardava o Eng. Manuel Marques, Presidente da Junta e membro da Direcção dos Bombeiros. Recepção cinco estrelas, para gente que já via estrelas às cinco da tarde! Foram distribuídos os quartos: as raparigas teriam uma descansada noite nas camaratas, os rapazes ficariam numa ampla sala dormitando no aconchego do chão. Ah valentes! É mesmo à bombeiro! O jantar seria servido nas instalações do Centro Social de São Pedro de Albergaria dos Doze. O Eng. Manuel Marques acompanhou-nos e retribuiu a singela lembrança que lhe tínhamos ofertado ao ler-nos um poema de seu pai e ofertando-nos livros sobre as gentes e tradições da sua terra. Jantámos, agradecemos e regressámos ao quartel-general. Após a oração da noite, uma vez que seria a última noite que nos encontrávamos juntos nesta III Peregrinação a Pé, tivemos tempo e espaço para colher e abraçar palavras amigas, fortalecendo laços em prol do caminho percorrido, e perspectivar novos caminhos peregrinos. As palavras trocadas foram de agradecimento de todos para todos. Foram de convite à persistência e de encorajamento para que o Movimento Carmo Jovem não deixe nunca apagar a «chama do amor» que transporta no coração. Foi ainda entregue a cada peregrino a t-shirt da III Peregrinação a Pé a Fátima do Carmo Jovem, que no peito tinha o símbolo sorridente das peregrinações do Carmo Jovem e nas costas podia ler-se “Andai sempre alegres!”, tema desta Peregrinação. Foi-nos ainda pedido que no dia seguinte todos envergássemos, esta camisola e que sempre levássemos o Carmo Jovem no coração. Assim seria… A noite já ia adiantada quando o olhar piscava convidando ao descanso…

Testemunho X - III Peregrinação a Pé

[Nada] Ó meu Deus, Trindade de Amor no meio do Mundo, Que a partir d´hoje possamos (já que Tu és nosso Pai e Amigo) perseverar a carminhar alegremente para Ti! Consagra o mais profundo centro da nossa alma, refugia-Te em nós, encontra-Te connosco, para que permaneçamos em Ti, nos carminhos da Humanidade. Ámen. - O que esperas desta terceira peregrinação? – Nada. «A ninguém te pareces desde que peregrinei contigo!» - foi com esta frase que na tarde do dia 30 de Abril abandonava Viana do Castelo rumo a Coimbra, para dar início à III Peregrinação a Pé a Fátima do Carmo Jovem. Esta expressão desde que tive oportunidade de a ler via e-mail não me escapou do pensamento. E a verdade é que esta me auxiliou ao longo destes três dias de jornada… Nada foi o que consegui enunciar na noite do dia 30 de Abril, quando nos ajuntamos para iniciar a III Peregrinação a Pé, nada foi o que consegui titubear aos amigos durante o caminhar e nada foi o que consegui enunciar no último dia na eucaristia no Domus Carmeli, quando Frei João, pedia para descrever em breves palavras a III Peregrinação a Pé. Nada! Foi este conhecimento que consegui pronunciar. Pois este nada, estava no silêncio e não nas palavras. Nada era mais forte que o vivido tempo. Nada de silêncios e de quietudes de amigos que caminhavam ao meu lado. Nada num Tudo que envolveu os caminhos por onde andei… Nada me pareceu igual… desde o pensar ao querer falar e não conseguir... O chão que pisara? Uma longa estrada por cessar… Neste cansar onde o nada me envolvia, pedia-lhe a graça de crescer na intimidade na relação com Ele, agradecida por me sentir no fogo do seu amor em que nada se espera a não ser a Sua presença... No caminho? Enchia a minha alma (mochila não levava e a água iam-me dando) de um único absoluto desejo … fazer sempre e em tudo a Sua vontade… mas qual era a Sua vontade naqueles passos dados, naqueles caminhos em que a terna e luminosa noite nos pede para nada sermos a não ser o que somos diante da Sua presença? Como ser simples é difícil, na Sua presença tudo se transforma… quando assim nos predispomos a ser a procurar a simplicidade comovemo-nos de ternura, delicadeza de lágrimas pelo facto de nos sentirmos imensamente amados. Ó grande mistério que não se explica, que se vive e se manifesta na noite em que nos deixamos abraçar… Amigos carmelitas, peregrinamos, levamos atrelados a nós o nosso dia-a-dia, a nossa família, mais e mais amigos, perdemo-nos no meio dos nossos nadas! Peregrinamos, levamos Deus connosco nos caminhos por onde «secamos» e onde nos enchemos sempre de uma forma alegre, jovial e cheia de «luz terna e suave que nos leva mais longe no meio da noite» … Sentimos e vimos reflectidos nos outros o grande Amor de Deus. Tu foste Amor de Deus. Eu partilhei os passos deste amor a teu lado, a vosso lado, a Seu lado. Partilhamos vida! Foi o que aconteceu na nossa III Peregrinação a Pé a Fátima. E de facto foi possível dizer desde o íntimo do meu ser em silêncio a cada um de vós: «A ninguém te pareces desde que peregrinei contigo!» pois nada pereceu e perecerá igual na minha vida … Amigos carmelitas: Alegremo-nos! Não estamos sozinhos neste caminho na fé. Li nos vossos testemunhos o espelhar da vossa Alegre alma. Alegres pelo caminho percorrido. Mantende viva a memória dos caminhos que percorres-te mantende viva a «Chama de amor» que se alastrou em nós, mantende viva as pessoas que amamos e por mais caminhos que cruzemos elas permanecem no nosso coração, onde quer que estejamos… mantende vivo o Seu olhar de Amor… eis o essencial. Dai à vossa vida uma poesia construtiva. Que nenhum de vós duvide da veracidade das palavras proclamadas pelo apóstolo São Paulo: «Andai sempre alegres!» e quando não dermos conta da Sua presença na alegria dos nossos passos, que encontremos «Amigos fortes de Deus», que nos delimitem a estrada da alegria para nos voltarmos a (re)encontrar!... VERÓNICA PARENTE Viana do Castelo – 32 anos

Carta a Filémon

Luís Miguel Cintra lê Carta a Filémon

Espírito Santo (V)

O fogo O fogo manifesta a força do amor que purifica e consome. Jesus Cristo é baptizado com Espírito e fogo (Lc 2, 16), aquele fogo que Ele quis levar a todo o mundo (Lc 12, 49) e que foi oferecido aos seus discípulos no dia de Pentecostes (Act 2, 3-4). O Espírito é como um fogo, como uma chama. Paulo pede aos cristãos: “Não apagueis o Espírito” (1Tes 5, 19). Dizem os historiadores que a descoberta do fogo foi decisiva para a evolução do homem e para nos distinguir dos animais. O fogo aquece, cozinha, transforma. A primeira grande possibilidade que o fogo-chama permite é transformar a escuridão em luz. Toda a escuridão do mundo não pode abafar a luminosidade de uma chama, por pequena que seja. O fogo transforma os elementos e permite purificar os metais. O Espírito é como o fogo: o Espírito transforma a humanidade. Ele dá-nos a esperança que tudo possa ser transformado, que tudo possa ser melhorado e purificado. Tal como o fogo, o Espírito Santo permite-nos passar de um estado a outro. Quando o homem recebe o Espírito, acende-se o amor e chora o mal que fez… e o coração do pecador arde na dor do arrependimento… o Espírito contagia o coração dos fiéis com a chama do amor. (S. Gregório Magno). Experimenta acender um fósforo. Podes mudar a posição do fósforo mas a chama aponta sempre para cima, para o alto. O Espírito eleva, faz avançar em cima, para essa pátria de Deus que desejamos ardentemente. O Espírito Santo torna-se uma presença consoladora na nossa vida porque nos ajuda a ver como tudo o que vivemos (mesmo as coisas mais negativas) podem ser transformadas e orientadas para “cima”, para Deus. Através de um fogo de transformação, de discernimento. E esta transformação que acontece dentro de nós faz da nossa vida um fogo que dá luz, consolo e calor àqueles que estão à nossa volta. Jesus disse: “Eu vim para trazer o fogo à terra” (Lc 12, 49). Este fogo é o seu Evangelho que nos permite sentir que o Amor pode transformar tudo, até a morte, em vida nova. Ao lado de Jesus, cada crente pode encontrar luz e calor. E na medida em que nos deixamos tocar e acender pelo fogo do Espírito de Jesus ressuscitado, também as outras pessoas podem encontrar luz e calor. A nossa vida de homens e mulheres “acesos” pelo fogo do Espírito pode fazer a diferença para aqueles que estão à nossa volta. O Espírito que está em nós leva-nos a gestos de serviço, de ternura, que aquecem os corações daqueles que mais sofrem. Leva-nos a trazer luz às zonas escuras da vida de tantos dos nossos companheiros.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

III Peregrinação a Pé a Fátima - Notas Finais (II)

Primeiro dia de caminho
Sexta-feira, 01 de Maio de 2009 «A alma que caminha no amor não cansa nem se cansa.»
Ainda a luz do dia não chegara a Coimbra, já soava o sininho nas delicadas mãos da Alice Montargil pelas salas onde dormitávamos, no interior da Casa de Noviciado das Irmãs Doroteias, despertando os últimos ensonados. Após o célere pequeno-almoço e com tudo acomodado dentro dos carros de apoio, dirigimo-nos a passos largos para o Carmelo de Santa Teresa, onde, ainda bem cedo, celebraríamos a Eucaristia presidida pelo Rev. Cónego Aníbal Pimentel Castelhano, Capelão do Carmelo de S. Teresa de Coimbra, e solenizado pelas melodiosas vozes das nossas Irmãs Carmelitas, que do Coro fizeram ecoar por toda a igreja e em nós próprios os seus cânticos angelicais, introduzindo desta forma tão especial a peregrinação que iramos realizar. Porém, o mais intenso estava para vir! Após a Eucaristia, peregrinos, familiares e amigos convergiram no locutório onde nos foram entregues pelas Irmãs as novas faixas do Movimento Carmo Jovem com o lema: «Levamos o Carmo (Jovem) no coração», bem como, um Menino Jesus em barro ofertado a cada um dos jovens peregrinos pela Maria Cristina Lima, da Fraternidade de Santa Teresinha do Menino Jesus, do Carmelo Secular de Coimbra. No locutório, rezámos, cantámos, assinámos o Guião da Peregrinação que oferecemos às Irmãs, falámos do Movimento Jovem, da Ordem Carmelita Descalça em Portugal e pedimos que através da oração Leigos, jovens Leigos, Irmãs e Irmãos Carmelitas acompanhassem esta pequena gota em peregrinação. No final, esperamos pelos chocolates com que as Irmãs, a pedido do Frei João nos mimosearam, depois distribuímos agradecimentos às Irmãs e ao Carmelo Secular, pela forma fraterna e amiga com que nos receberam; tivemos ainda tempo para a fotografia de família e partimos na certeza de que não íamos sós… muitos amigos nos acompanhariam nesta III Peregrifáti. Saímos do Carmelo de Coimbra e juntamo-nos no jardim do Penedo da Saudade, para os últimos abraços e fotos antes de colocarmos pés a caminho. A pedido do Apóstolo S. Paulo — «Andai sempre alegres» —, saímos alegres para uma nova etapa… abandonámos Coimbra cruzando a ponte Pedro e Inês, que sobre as águas doces do Mondego se eleva transportando-nos para a outra margem. A torre da universidade começava a desaparecer nas nossas costas quando vieram as vias rápidas, a estrada nacional 1 / IC2 e o ruído dos carros, que acompanhar-nos-iam durante todo este dia, quebrando as palavras que trocávamos entre nós. Pouco a pouco os sorrisos iam-se conquistando e conhecendo ainda mais aqueles que connosco caminhavam. Parámos para almoçar em Condeixa, as pernas pediam descanso e o corpo necessitava de protector solar, pois o sol começava a incidir sobre nós com toda a sua força. Almoçámos. O caminho esperava novamente por nós e quão agradável é começar este caminhar com Maria, nossa Mãe. O sol da tarde atormenta o ritmo de cada passo… O caminhar inicia-se lento e com vontade de desfalecer, mas se unidos em oração o tempo custa menos a passar. Fizemo-nos à estrada lado a lado, recitando o Terço. Cantávamos em cada mistério o Ave Carmelita e quebrávamos o ruído com o silêncio e a oração. O primeiro dia finalizaria junto à Igreja Paroquial de Tapéus, Soure, onde nos esperava um acolhimento muito familiar oferecido por amigos que ainda não conhecíamos. Depois, choviam mensagens de ânimo e de incentivo para este III peregrinar, mensagens via telemóvel e via e-mail dos amigos que partilhavam caminho de outra forma, da família carmelita deixada na manhã desse dia. E líamos e partilhávamos uns com os outros o quão reconfortante é sentirmo-nos amigos fortes nos caminhos do Pai. As portas estavam abertas tal como os corações que nos receberam. [Bem-hajam, muito obrigado a quem tão bem nos acolheu… Deus Pai não vos esquecerá. Ele jamais pode esquecer estes pequenos grandes gesto de amor em favor dos seus peregrinos…] Banho frio, comida quente e apetitosa, pequeno-almoço, e a Igreja Paroquial para que no final do dia, nos juntássemos em família para agradecer e louvar. Dar graças pelo dia, dar graças pelas pessoas que sem nos conhecerem de lado algum nos abriram as portas, estenderam as mãos e trabalharam para nós. As luzes apagaram-se, o corpo pedia descanso para uma nova etapa. O despertar seria dali a minutos ao apagar das luzes, pois «a alma que caminha no amor não cansa.»

Espírito Santo (IV)

A água Tal como o símbolo anterior, também a água é um símbolo de vida. Sem água não há vida. E sem o Espírito Santo a vida torna-se árida, seca… e parece-se mais com a morte do que com uma vida digna. A riqueza simbólica da água aparece em muitas culturas e religiões. Mas no cristianismo é reforçada de modo especial pela experiência do baptismo. É que a água, no baptismo, torna-se sinal eficaz que não só recorda a acção de Deus mas que a torna realmente presente e actuante. Há uma característica da água que pode ilustrar muito bem o estilo de actuação do Espírito Santo: a água tende a correr para baixo. Tal como o Espírito Santo. A água vem do céu e cai sobre a terra, entranhando-se sempre. Quando pensamos no Espírito Santo pensamos em adjectivos como “espiritual”, com algo que tem que ver com o “alto” e não com o baixo. Mas o Espírito é como a água; gosta de descer, sempre mais e mais até encontrar a vida dos crentes. Essa vontade de descer, de vir ao nosso encontro, nota-se muito bem na Incarnação: O Espírito Santo virá sobre ti… (Lc 1,34). É uma alegria descobrirmos que o nosso Deus gosta de descer ao nosso encontro e não tem medo de tocar a nossa pequenez. O Espírito é como a água: revela a humildade de Deus que vai sempre para baixo; que se dobra para nós e se compadece. E Maria bem o reconhece: pôs os olhos na humildade da usa serva (Lc 1,4). Se o Espírito é como a água, se a água é a matéria do baptismo, então o cristão deve tornar-se como água à sua volta. Aqueles que foram baptizados no Espírito Santo devem tornar-se como a ága e correr sempre para baixo. Trata-se de ser homens e mulheres que amam o “baixo”, que não têm medo de descer e ir ao encontro daquelas situações mais “baixas”, mais degradadas, mas desumanas. Ser amigos de Deus significa amar o que Deus ama e amar como Deus ama: aquilo que é pequeno é frágil. E assim, os cristãos tornam-se continuadores do estilo de Deus. Levam a sua Presença, o seu amor, àqueles irmãos e irmãs que têm uma existência mais “baixa”, com mais dificuldades. O Espírito veio do céu ao nosso coração, descendo como a água; na medida em que O acolhemos, tornamo-nos fontes de água e de vida nova para aqueles que vamos encontrando.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Espírito Santo (III)

O vento Um dos símbolos mais comuns do Espírito é o vento, o sopro de vida. Tanto se refere ao vento que sopra nos grandes espaços como à respiração das pessoas e dos animais. Espírito é o ar que nos faz viver. Sem este sopro de vida não se pode viver. O Espírito Santo é como o vento: é uma realidade que envolve o mundo e o homem, umas vezes com suavidade outras com força. Não se sabe de onde vem. Sabe-se apenas que sem o vento as não nuvens não se moveriam, não haveria chuva e a terra morreria de sede, sem vida. É imprevisível e incontrolável. O que marca a nossa vida de fé. Não sabemos controlar o Espírito. É Ele que, como o vento, empurra as velas da barca da nossa vida. Não somos nós a ditar-lhe as nossas condições. Este vento não se vê. Mas sente-se. O mesmo se passa com o Espírito Santo. Não O vemos mas sentimos os seus efeitos de bondade em nós. O símbolo do sopro de vida recorda que toda a vida vem de Deus. Jesus, na cruz, morre “entregando o Espírito” (Jo 19,30). O Espírito que animava Jesus vai ser oferecido aos seus discípulos. E é de facto o Espírito que nos dá uma vida de qualidade. Uma vida apoiada n’Ele que é capaz de vencer todas as mortes que se atravessam à nossa frente. Viver no Espírito Santo significa amar a vida que d’Ele nos vem e ser capaz de testemunhar com a própria vida a alegria que vem de um Deus que ama a vida.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Espírito Santo (II)

Quem é? O que faz? Apesar da nossa muita ignorância, a verdade é que o Espírito Santo está muito presente em toda a Bíblia. Desde o início, no livro do Génesis o espírito de Deus movia-se sobre a superfície das águas (Gen 1,2) até à última oração do último livro (Apocalipse): O Espírito e a Esposa dizem: «Vem! (Ap 22,17). Mas muitas referências ao Espírito de Deus são indirectas. Usam símbolos para mostrar a acção de Deus a acontecer na vida do seu povo. Mas para captar a riqueza comunicativa destes símbolos temos que conhecer e entender o seu significado.

Santa Maria Madalena de Pazzi

Vinde, Espírito Santo. Vós sois o Espírito da verdade. Sois o prémio dos Santos, o consolo das almas, a luz nas trevas, a riqueza dos pobres, o tesouro dos que amam, a abundância dos famintos, o consolo dos peregrinos: Enfim, Vós sois Aquele que contém em si todos os tesoiros. Vinde, Vós que descestes ao seio de Maria. Vinde, Vós que sois alimento de todo o pensamento casto, a fonte de toda a bondade, a plenitude de todo o bem. Vinde, e transformai tudo o que em nós é obstáculo para sermos plenamente transformados em Vós. [Oração de S. Maria Madalena de Pazzi - In Música Calada em Oração] http://www.carmelitas.pt/site/santos/santos_ver.php?cod_santo=27

Espírito Santo (I)

A festa do Pentecostes encerra o tempo pascal. Liturgicamente é uma festa muito importante. Mas poucas são as comunidades em que esta festa entrou na alma da gente.
Claro que o "problema" não é tanto o ritual ou a liturgia. A verdade é que o Espírito Santo na catequese, na teologia e na vida de fé, continua um "bocadinho" ausente.
Está nas nossas mãos e na nossa criatividade ajudar a descobrir o Espírito Santo a partir de uma série de símbolos bíblicos.