sábado, 30 de janeiro de 2010

SÃO JOÃO DA CRUZ (1542 - 1591)

.

[desenho de Samuel Cabete - Moinhos da Gândara]

.

Juan de Yepes nasceu em Fontiveros, uma província de Àvila, Espanha, em 1542 (pensa-se no dia 24 de Junho). È o terceiro filho de um amor “proibido”, seu pai Gonzalo de Yepes, oriundo de uma família abastada de comerciantes de tecidos, fora deserdado por teimar casar com Catalina Alvarez, tecelã e órfã de pais e de bens. A vida deste casal não foi fácil desde o primeiro momento, viviam muito humildes e com dificuldades, sendo que após o nascimento de Juan, o seu pai fica muito doente e acaba por falecer. Catalina vê-se sozinha para criar Francisco, Luís e o mais novo. Inicia o que vai ser uma vida de peregrinação e sofrimento procurando em várias terras ajuda e reconhecimento da parte da família de seu marido, o que não encontra. Entre viagens, sacrifico e pobreza, Luís acaba por falecer ainda criança.
Em 1561, a família encontra-se em Medina del Campo, o irmão mais velho casa e Juan vai estudar para uma escola destinada a crianças pobres. É iniciado em diversos ofícios e presta serviços no Convento de Madalena, é um menino esperto e vivo, destaca-se pela sua habilidade, perspicácia e pelas suas boas inclinações.
É nesta altura, que Frei João se encontra com Santa Teresa de Ávila (1567), ele andava insatisfeito com o modo de vida dos conventos Carmelitas, pensando até ingressar na Ordem dos Cartuxos (ordem de muita austeridade), ela ansiosa por ter alguém que a ajudasse na Reforma do Carmo, já a tinha iniciado com as freiras, mas queria estendê-la e sentia necessidade de a levar também aos padres.
É assim que juntamente com o Frei António de Jesus de Herédia se prossegue a reforma e é em Duruelo que surge o primeiro Convento dos Carmelitas Descalços. Nesta altura, toma o nome de São João da Cruz, talvez devido à veneração que sempre teve pela Cruz de Cristo.
Esta transição da Ordem Carmelita para a Ordem dos Carmelitas Descalços não foi bem aceite pelos seus irmãos e foi considerado um rebelde. Na noite de 2 de Dezembro de 1577, Frei João da Cruz e seu companheiro Frei Germano de São Matias, são presos por um grupo de Padres Calçados e alguns leigos, que rebentam a porta da casa e os levam algemados ao Convento do Carmo. Alguns dias mais tarde o seu companheiro é solto enquanto Frei João da Cruz é levado ao Convento de Toledo onde é jogado num cárcere e ali permanece por nove meses. Conseguindo fugir no dia 19 de Agosto de 1578.
Este tempo de prisão conseguiu prender apenas seu físico, mas não o seu espírito, foi o período mais rico da sua espiritualidade, em que o Santo escreveu as mais belas poesias, o que lhe valeu o título de Patrono dos Poetas Espanhóis. É também notável a sua grande capacidade de amar e perdoar seus inimigos, mesmo aqueles que o prenderam.
Morreu no dia 14 de Dezembro de 1591 no Convento de Ubeda. A doença que motivou sua morte foi “uma erisipela que começou no peito do pé direito, começou sendo um diminuto glânulo, transformando-se numa inflamação virulenta que rebentou em cinco chagas, em forma de cruz”.
O seu corpo, em 1593, é transladado para Segóvia, onde se conserva até hoje.
Em 1926 é proclamado Doutor Místico da Igreja.
Os Santos não morrem, continuam vivos hoje dando-nos uma lição de amor e de vida e os seus escritos são verdadeiros tesouros de sabedoria :
Noite Escura
Cântico Espiritual
Chama de Amor Viva, são dos mais importantes!
Aprendamos com ele:
“amar não é sentir grandes coisas, mas em despojar-se e sofrer pelo amado.”
(Frei João da Cruz) .
.
[Sofia Simões - Moinhos da Gândara]