domingo, 30 de janeiro de 2011

Semana do Consagrado 30JAN a 06 FEV'11



ORAÇÃO MISSIONÁRIA A MARIA


Que Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe,
Senhora da Anunciação e da Saudação,
vele por nós,
nos molde no seu jeito maternal e evangelizador,
e abençoe os nossos trabalhos e propósitos.

Senhora da Anunciação,
que corres ligeira sobre os montes,
vela por nós, fica à nossa beira.
É bom ter a esperança como companheira.
Contigo rezamos ao Senhor:
Dá-nos, Senhor,
um coração sensível e fraterno,
capaz de escutar e de recomeçar.
Mantém-nos reunidos, Senhor,
à volta do pão e da palavra.
Ajuda-nos a discernir os rumos a seguir
nos caminhos sinuosos deste tempo,
por Ti semeado e por Ti redimido.
Ensina-nos a tornar a tua Igreja
toda missionária,
e a fazer de cada paróquia, que é a Igreja
a residir no meio das casas
dos teus filhos e filhas,
uma Casa grande, aberta e feliz,
átrio de fraternidade,
de onde se possa sempre ver o céu,
e o céu nos possa sempre ver a nós.

(Da Carta Pastoral CEP
Rosto Missionário da Igreja, Junho 2010)

sábado, 29 de janeiro de 2011

DOMINGO IV DO TEMPO COMUM



Naquele tempo, ao ver as multidões, Jesus subiu ao monte e sentou-Se. Rodearam-n’O os discípulos e Ele começou a ensiná-los, dizendo:
«Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos Céus.
Bem-aventurados os que choram,
porque serão consolados.
Bem-aventurados os humildes,
porque possuirão a terra.
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça,
porque serão saciados.
Bem-aventurados os misericordiosos,
porque alcançarão misericórdia.
Bem-aventurados os puros de coração,
porque verão a Deus.
Bem-aventurados os que promovem a paz,
porque serão chamados filhos de Deus.
Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça,
porque deles é o reino dos Céus.
Bem-aventurados sereis, quando, por minha causa,
vos insultarem, vos perseguirem
e, mentindo, disserem todo o mal contra vós.
Alegrai-vos e exultai,
porque é grande nos Céus a vossa recompensa». [Mt 5,1-12]

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

XVIII CARMINHADA - Vila Praia de Âncora -19|FEV'11


«Deus não deixa sem prémio a quem se mete nestes trabalhos.»

(Santa Teresa de Jesus, Vida 11:11)

Santa Teresa de Jesus, a história continua...

XIII

POR TERRAS DE CASTELA

Quase todas as fundações realizadas por Santa Teresa, tanto em Castela como na Andaluzia, onde tinha receio de fundar mosteiros por diversas causas, como ela própria diz, ficaram assinaladas por algum acontecimento notável, digno de registo. Em Medina foi encontrar providencialmente a Santa Madre os dois homens que Deus destinava para pilares do edifício da Reforma da Ordem entre os frades: Frei António de Herédia, Prior do Carmo, e Frei João de S. Matias ou, por outro nome, S. João da Cruz. Foi justamente na vila de Medina que falou com eles pela primeira vez, ficando tudo combinado para o início do grande empreendimento, como se dirá no capítulo seguinte.


Em Malagón, terceira fundação da Madre Teresa, inaugurada no Domingo de Ramos de 1568, a pedido da sua dedicada amiga D. Luísa de Ia Cerda, aquela viúva fidalga que tinha ido consolar, há seis anos, em Toledo, deu-se um caso que não deve passar despercebido. Era, por via de regra, antes ou depois da Sagrada Comunhão que ouvia falas divinas ou tinha êxtases ou arroubamentos. Como ficasse lá uns dias e comungasse na capela do seu mosteiro, foi tão forte em certa ocasião o arroubamento do seu espírito, que ia levando consigo para cima o corpo da Madre... de tal maneira que o sacerdote mal podia chegar-lhe à boca a sagrada partícula. Então, com admiração de todos, esta foi, voando, pousar na língua de Santa Teresa. Escusado é dizer como ficaria embaraçada, pois não queria, na sua humildade, tornar-se reparada.

Na fundação do mosteiro de Valladolid, que ocupa o quarto lugar na ordem cronológica das fundações feitas pela Madre Teresa, foi também contemplada a Santa Reformadora com uma visão. À elevação da primeira Missa que se rezou (15 de Agosto de 1568), Santa Teresa viu subir ao Céu, como lhe tinha prometido Nosso Senhor quando andava a fazer os preparativos para esta fundação, a alma do fundador, D. Bernardino de Mendoza, irmão do Sr. Bispo de Ávila. Disse-lhe então Nosso Senhor que esta alma tinha estado em grande risco de se perder para sempre, mas que tinha tido pena dela por D. Bernardino lhe ter oferecido a sua própria casa para mosteiro da Ordem da Sua Mãe.
A fundação em Toledo (1569) proporcionou ocasião a Santa Teresa e às duas companheiras que levou consigo, de praticarem grandes virtudes básicas na vida religiosa: a pobreza e a obediência. Apesar de terem sido hóspedes de D. Luísa de la Cerda, dama rica e fidalga, no seu palácio daquela cidade, a verdade é que foram tomar posse do seu convento e inaugurar a fundação na maior pobreza; só tinham duas enxergas e um cobertor, mais nada..., nem uns gravetos para assar uma sardinha..., no dizer da própria Santa Teresa. Foi Deus Quem assim o ordenou. A Santa Madre não costumava pedir, nem incomodar ninguém; esperava que Nosso Senhor enviasse o necessário para o sustento das Suas esposas.
No que respeita à obediência, apenas um exemplo. Perguntando, um dia, a Prioresa a uma das Descalças de Toledo o que é que ela faria se a mandasse lançar-se no poço cheio de água que lá estava, mal tinha acabado de pronunciar estas palavras quando a boa da freira se atirou a ele, sendo necessário, como conta a Santa Reformadora, vestir-se de novo...
Foi também nesta casa que a Santa Madre viu um dia Nosso Senhor à cabeceira duma freira moribunda – Petronila de Santo André, 1576 –, de braços abertos, amparando-a com toda a meiguice e ouviu ao mesmo tempo estas palavras: “Prometo-te assistir assim a todas as freiras que morrerem nestes mosteiros. Não tenhas receio de que sejam assaltadas de tentações à hora da morte”.
Por ocasião da fundação na vila de Pastrana (1569), realizada a pedido da Princesa de Éboli, D. Ana de Mendoza, esposa do Príncipe Rui Gomes da Silva, oriundo de Portugal, grande favorito do Rei de Espanha, teve ensejo Santa Teresa de mostrar o seu carácter e a sua energia mais que de mulher:
O caso passou-se assim: a Princesa, dotada de grande formosura, mas um tanto ou quanto inconstante e voluntariosa, começara a intrometer-se no governo do convento, tirando umas coisas e pondo outras a seu bel-prazer. A Santa Madre opôs-se tenazmente, considerando intangível e da sua exclusiva incumbência a vida das Descalças nos seus mosteiros.
Continuando o abuso, teve a Madre Teresa de se impor, ameaçando os fundadores de suprimir a fundação e levar as suas freiras. O Príncipe, homem inteligente e probo, logo concordou com a Madre, pondo-se do seu lado e chegou a insistir muitas vezes, junto de sua mulher, para ela entrar também num acordo. Porém, não houve meio. A soberba Princesa teimava em impor seus caprichos e veleidades e intrometer-se naquilo que lhe não dizia respeito.
O Carmelo de Pastrana já não era, nem podia ser, um asilo de paz. Nesta altura, 29 de Julho de 1573, morre o Príncipe Rui Gomes. Na sua grande mágoa só teria um único conforto, dizia a desconsolada Princesa: entrar no Carmelo, tomando ela também o hábito de descalça. Como prometia com lágrimas não tornar mais a preocupar-se com a vida regular do convento, os Superiores da Ordem e a Santa Madre anuíram ainda a esta sua veleidade. Porém, não tendo a inconstante Princesa cumprido o que prometera, Santa Teresa, que se não rendia a títulos nobiliárquicos, nem ao dinheiro nem a fidalguias, resolveu, com licença dos Superiores (nada fazia sem o conselho deles), suprimir o mosteiro de Pastrana e levar as suas freiras para Segóvia.
Assim acabou esta fundação, digna de melhor sorte, mas a Santa Madre soube manter com energia inquebrantável os seus direitos e os das suas filhas pobres, muito pobrezinhas, mas fiéis à Regra e ao seu espírito.
Foi este, no nosso entender, o primeiro encontro que teve a Madre Teresa com gente portuguesa na pessoa do ilustre Príncipe Rui Gomes da Silva, em Maio de 1569 e parece-nos que não foi de todo desagradável, porque a Santa Madre e Rui Gomes logo se entenderam, quando esta lhe explicou a natureza e finalidade dos Carmelos que fundara. Se o Príncipe tivesse sobrevivido à Princesa, ainda hoje estaria de pé a fundação do mosteiro de Pastrana, como se conservam todas as outras fundações realizadas por Santa Teresa. Haja em vista o rasgado elogio que a Santa Reformadora tece a este ilustre fidalgo português, que soube insinuar-se no ânimo do Monarca Espanhol.
Outro contacto com portugueses teve Santa Teresa por este tempo, mais ou menos, ao tratar com D. Leonor Mascarenhas, dama portuguesa favorita da Imperatriz D. Isabel, esposa de Carlos V, residente em Madrid.
Chegara ao conhecimento desta piedosa senhora a fama de santidade e prudência que aureolava já a figura da Madre Teresa e, como o convento de freiras Carmelitas chamadas da “Imagem”, fundado com o seu apoio em Alcalá de Henares pela Ven. Maria de Jesus, não progredia, por certos extremos de austeridade e penitência estabelecidos pela fundadora, mulher de grandes virtudes mas nada exímia na arte de governar, pediu a Santa Teresa para ir lá pôr as coisas no seu lugar, estabelecendo a vida religiosa em alicerces sólidos.
A Santa Madre, ansiosa da glória de Deus e da perfeição das almas, chegou a ir a Alcalá para se tornar agradável a D. Leonor Mascarenhas. Foi nesta ocasião que a Madre Teresa passou por Madrid (tantas vezes havia de passar lá no decorrer das suas fundações!) onde era esperada com viva curiosidade por senhoras madrilenas da melhor sociedade. Tantas maravilhas tinham ouvido contar!
Por fim, um belo dia, lá lhes apareceu a ilustre freira Carmelita. Cumprimentou-as com finas e delicadas maneiras ao descer da carruagem:
– Oh! que lindas ruas tem Madrid, disse a Santa.
E ficou assim tudo conquistado e rendido a seus pés, tendo-lhe as senhoras feito grande festa, encantadas com o seu porte, trato e conversação lhana e franca. À noite, foi pousar no mosteiro das Franciscanas fundado por esta piedosa dama portuguesa.
Não se sabe ao certo quanto tempo se demorou Santa Teresa no convento das Carmelitas de Alcalá, mas o certo é que, com tino e prudência, conseguiu reorganizar a vida conventual a contento de todos.
A fundação do convento das Descalças em Salamanca ficou assinalada, não só pela engraçada expulsão dos estudantes universitários do velho casarão dos Gonzaliañez pela Madre Teresa que queria fundar aí o seu convento, ao cair da tarde do dia de Todos os Santos (1 de Novembro de 1510), quando os sinos de todas as igrejas e capelas da cidade dobravam a finados, mas também com três milagres operados pela própria Madre Teresa.
Depois de fazer a limpeza naquele velho e desmantelado casarão e de aprontar os preparos para se rezar a primeira Missa, a Reformadora e sua companheira, Maria do Sacramento, deitaram-se sobre palhas e uns sarmentos secos. Esta monja, incapaz de pegar no sono, passeava a vista por toda a parte. Os sinos continuavam a dobrar a finados e ouvia-se o sibilar do vento.
– Para onde é que olha? – diz-lhe a Madre. Então não vê as portas e as janelas fechadas? Não vê que ninguém pode entrar?
– Madre – acode ela – dominada como estou pelo medo aos mortos, queria saber o que é que faria vossa mercê se eu morresse aqui, neste instante, ficando sozinha, dentro deste casarão em ruínas, onde pode estar ainda escondido algum estudante.
A Madre, sempre e a toda a hora senhora de si e dos seus nervos, solta uma risada e responde-lhe assim:
– Oh! filha, agora deixe-me dormir sossegada e tranquila; quando isso acontecer, pensarei bem o que hei-de fazer.
Esta resposta põe em evidência o que era o espírito superior de Santa Teresa.
Reza a tradição que, trabalhando uns operários no telhado deste convento de Salamanca, caíra um tijolo, matando instantaneamente uma criança de poucos anos. Penalizada, a Santa Madre pegou na criança morta, apertou-a fortemente contra o seio, levantou os olhos para o Céu em atitude de quem ora, e a criança voltou à vida. E, assim, entregou-a viva a seus pais.
Foi também nesta cidade salmantina que a Reformadora restituiu a saúde a duas moribundas. D. Maria de Arteaga, moradora no palácio dos Condes de Monterrey, estava quase às portas da morte. A pedido dos condes, foi visitá-la a Santa Madre. Movida de compaixão, pôs as mãos sobre a cabeça da enferma que subitamente sarou...
Quem é que me toca, perguntou a doente, que já me sinto bem?
Santa Teresa recomendou-lhe por amor de Deus que se calasse, mas logo se espalhou o milagre.
Passados poucos dias deu-se o mesmo caso com uma filha dos Condes de Monterrey.
E não admira que Santa Teresa operasse tais milagres. Nesta altura da sua vida – andava por volta dos seus 55 anos (1570) –, só vivia para Deus, fazendo-Lhe a vontade em todas as coisas e zelando pela Sua honra, designadamente desde que Deus lhe mandou um serafim transverberar o seu coração. É justo e razoável que Deus, por sua vez, lhe faça a vontade a ela, quando a Santa Madre insiste “O meu Amado para mim e eu para o meu Amado”.
No ano seguinte, 1571, estando ainda a Santa Madre em Salamanca, o Visitador Apostólico dos Carmelitas Descalços, P. Frei Pedro Fernandes, nomeado por Bula de Pio V em 20 de Agosto de 1569, manda-a, na qualidade de Prioresa, ao mosteiro da Encarnação de Ávila.
O mundo com as suas vaidades havia entrado demasiadamente neste mosteiro e as monjas, por sua vez, tratavam de mais com o mundo; daí a sua ruína espiritual e material. Até o pão de cada dia lhes chegou a faltar.
Só a Madre Teresa, pensou o Visitador, com o seu tino invulgar e prudência, seria capaz de levantar este célebre mosteiro. Mas havia de se contar com a oposição à Madre Teresa, que não seria pequena. Por isso julgou conveniente o Provincial, P. Alonso González, apresentar ele próprio a nova Superiora à Comunidade.
Reunidas as freiras na sala do Capítulo, o Provincial procedeu à leitura da patente em que o Visitador Apostólico nomeava a Madre Teresa de Jesus Superiora daquele convento. As últimas palavras do Superior foram abafadas por murmúrios e vozes de protesto das freiras, cujo número era superior a cem. É que as Carmelitas Calçadas da Encarnação receavam que a Madre Teresa as fosse governar como se elas fossem Descalças. Santa Teresa aguentara todo aquele temporal de insultos, em silêncio, de pé, junto à cadeira do Provincial.
Serenada a tormenta, perguntou o Superior às religiosas:
– Então V. Rev.as não querem a Madre Teresa?
Silêncio absoluto na sala capitular.
– Sim, queremo-la, diz em voz alta D. Catarina de Castro, e até somos amigas dela.
Estas palavras que Deus pôs na boca daquela religiosa, decidiram a questão a favor da Madre Teresa, que ficou reconhecida como Superiora da comunidade. No dia seguinte, Santa Teresa manda tocar a sineta e chama as freiras a capítulo a fim de tomar posse do cargo.
Entre as freiras há grande expectativa. A nova Superiora vai fazer a sua primeira conferência à comunidade. É tudo ouvidos. O silêncio é absoluto no capítulo.
– Minhas senhoras, madres e irmãs – começa por dizer a Madre Teresa com a sua voz melíflua – quis Deus Nosso Senhor, nos Seus altos juízos, que eu fosse escolhida para Superiora deste mosteiro, cargo que venho hoje assumir por obediência. Só venho aqui para vos servir e consolar, tanto quanto eu puder. Filha sou desta casa e irmã de Vossas Rev.as. Não receeis o meu governo, porque, se é verdade que eu tenho vivido e governado entre Descalças, também sei muito bem como devem governar-se as que não o são.
Isto foi o bastante para tudo se render. Triunfara a Madre Teresa na Encarnação. A partir desse dia, as religiosas daquele convento só verão nela uma mãe solícita e meiga, que tudo faz para as conquistar todas para Deus. Volvidos alguns meses, passou a ser aquela comunidade, sob o governo da Madre Teresa e a direcção de S. João da Cruz, carmelita descalço, homem celestial e divino, no dizer da própria Santa, que ela pedira aos Superiores para confessor, modelo de observância regular e espelho de perfeição religiosa.
*
Concluída a fundação do mosteiro de Salamanca, passou a Santa Madre Teresa, a pedido dos Duques de Alba, à vila de Alba de Tormes (1571), que havia de ser seu sepulcro glorioso e relicário do seu coração transverberado. E volvidos mais três anos (1574) que ela viveu a governar o mosteiro das Calçadas da Encarnação em Ávila, meteu ombros à fundação do convento das Descalças de Segóvia.
O mesmo rigor de observância regular, a mesma clausura, a mesma austeridade e penitência estabelecidos no mosteiro de S. José de Ávila, foram implantados também por Santa Teresa em Malagón, Valladolid, Toledo, Pastrana, Salamanca, Alba de Tormes e Segóvia, para as suas filhas se entregarem à contemplação das coisas do Céu.
Apesar de andar quase sempre doente, com uma contínua dor de cabeça, resíduos da enfermidade de outrora e em frequentes viagens, Santa. Teresa fazia penitência, muita penitência; vivia mesmo, como diz um dos seus biógrafos, “martirizada de penitências”; e não fazia mais porque os confessores lhe atavam as mãos.
Nunca se deitava antes da meia-noite, gastando o tempo a orar, a escrever cartas para governar os seus conventos, e a redigir, ao correr da pena, as páginas preciosas dos seus livros.
Superiora dos conventos, valia-se muita vez da sua autoridade para comer os sobejos do jantar. Sempre algoz de si mesma, era, todavia, mãe carinhosa e meiga das suas filhas.

[Jaime Gil Diez, Santa Teresa, Edições Carmelo]


quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Crónica da II Noite Escura - Caíde de Rei

Nova experiência para falar
Crónica da segunda Noite Escura


Caíde de Rei, Lousada, noite do dia 22 de Janeiro de 2011. Era uma noite escura e fria, em que o calor das casas apetecia. Mas, mesmo assim, reunimo-nos no salão da Junta de Freguesia de Caíde de Rei mais de trinta jovens para ouvir poesia e ouvir falar dela.
Tudo estava bem preparado, um cenário acolhedor e familiar que os Jovens Sementinhas tomaram como missão construir. Havia um pano de fundo que realçava o tema deste encontro: “Não direi coisa que não tenha experimentado”, que tinha sido proferido por Santa Teresa de Jesus, uma poetisa do século XVI, que nos inspira e guia.
Era hora de começar e estava presente Caíde de Rei, Paços de Gaiolo e Viana do Castelo. Através da breve apresentação que o Jorge Fernando fez, ficamos a saber que quem nos iria falar era a fotógrafa e arquitecta, Marta Nunes e o poeta e editor João Manuel Ribeiro. Iniciou-se assim uma conversa familiar com uma pergunta que, embora não tenha sido dita, pairava no ar: “O que é a poesia?”.
João começou por nos dizer que “a poesia eleva o Homem acima de si mesmo”, sendo esta a mais bela forma de comunicação desde sempre, uma vez que através de um verso, podem surgir vários sentimentos e interpretações, dependendo de quem o lê. Esta simples pergunta fez-nos vaguear, visto a poesia ser uma tentativa de se dizer o que não consegue ser totalmente dito, usando metáforas para este fim. Assim, aprendemos que de certa forma, um poeta é um “arquitecto de metáforas”.
A certa altura o Jorge salientou o facto da palavra “coração” aparecer muitas vezes na poesia do João. Aí ficamos a saber que este é um órgão vital da sua poesia, que ele tenta fazer com que seja clara, sem complicar a interpretação, esperando ser entendido, pois usa poucas palavras para dizer muito. Segundo o poeta “o que se diz no silêncio vale mais do que as palavras em si”.
Neste domínio assistimos à intervenção da fotógrafa Marta Nunes, dizendo que a poesia é mal vista pois é ensinada nas escolas como algo certo e com uma única interpretação, e não como algo subjectivo cuja análise e definição vária de pessoa para pessoa. Marta falou-nos também de como relaciona a poesia com a fotografia, partilhando connosco que quando lê um poema, relaciona a emoção que este desperta nela com uma imagem, nascendo um trabalho de cooperação entre poesia e fotografia.
Surgiu então a questão da “inspiração”. Teria um poeta necessidade de tal ferramenta? João rapidamente nos fez saber que todos somos poetas quando expressamos os nossos sentimentos, mas que para escrever poesia (um texto elaborado) nem todos têm vocação. Definiu a inspiração como sendo “a predisposição que as palavras encontram para serem escritas”. Tudo isto revelou-se como um mistério uma vez que, segundo João, são pequenos pormenores, rotineiros ou não, que despertam ideias. Assim, um poeta está sempre presente no que escreve, independentemente de quão pouco a sua experiência possa lá estar escrita.
Surgiram questões sobre a relação que se pode criar entre o poeta e o leitor, uma vez que o segundo vai interpretar as emoções do primeiro, fazendo deste uma espécie de “pano de fundo” para a poesia. Contudo não faz sentido impor às crianças tal conhecimento do autor, uma vez que elas interpretam o sentido do poema por si só.
Como tem vindo a ser hábito, o Frei João contribui com uma intervenção construtiva, perguntando: “Quem define melhor uma geração, o poeta ou o Cristiano Ronaldo?”. A pergunta em si parecia bastante banal, mas o sentido real desta era a noção dos valores contidos nas gerações. Os valores que um poeta deixa são inabaláveis (estão presentes nos seu livro), podendo ser esquecidos mas nunca apagados. Por outro lado, os valores monetários e materiais são os que predominam na actualidade.
Estávamos no fim desta conversa bastante construtiva quando Marta, Jorge e João nos presentearam com a declaração de alguns versos da poesia de João acompanhados por música de fundo. Fizeram-nos meditar naqueles versos simples e cheios de sentido.
Seguiu-se um pequeno e apreciado momento musical ao vivo protagonizado pela Maria, antes do habitual convívio entre os participantes na companhia de chá e bolos.
Uns mais cedo e outros mais tarde, todos abandonaram fisicamente, mas nunca em espírito, o calor e a amizade que só um encontro da família Carmo Jovem nos pode oferecer. Voltamos ao frio e ao escuro da noite, mas desta vez com uma nova experiência para falar.
E obrigado pela visita!


Francisco de Babo Martins & Ana Maria de Babo Martins

(Jovens Sementinhas, Caíde de Rei)




LOL

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

II Noite Escura 22|JAN|2011

Depois da II Noite Escura, ficam aqui as ligações para os trabalhos do João e da Marta.
João Manuel Ribeiro
Andanças do Poeta (blogue pessoal); Trinta por uma Linha (editora de livros para a infância); Cosmorama (editora de poesia).
Marta Nunes
Agradecendo mais uma vez aos dois a partilha e a disponibilidade!

sábado, 22 de janeiro de 2011

DOMINGO III DO TEMPO COMUM

Quando Jesus ouviu dizer que João Baptista fora preso, retirou-Se para a Galileia. Deixou Nazaré e foi habitar em Cafarnaum, terra à beira-mar, no território de Zabulão e Neftali. Assim se cumpria o que o profeta Isaías anunciara, ao dizer: «Terra de Zabulão e terra de Neftali, estrada do mar, além do Jordão, Galileia dos gentios: o povo que vivia nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam na sombria região da morte uma luz se levantou». Desde então, Jesus começou a pregar: «Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos Céus». [Mt 4, 12-17]

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Santa Teresa de Jesus, a história continua...


XII

OUTRAS FUNDAÇÕES

Com ordem ou patente assinada pelo Provincial, Frei Ângelo de Salazar, em 28 de Agosto de 1563, isto é, um ano depois da inauguração, passara a Madre Teresa, definitivamente, do mosteiro da Encarnação para o seu convento de S. José onde as Descalças observavam a Regra de Nossa Senhora do Carmo, sem mitigação alguma, tal qual a ordenou Frei Hugo, Cardeal de Santa Sabina, em 1248, no ano V do Pontificado do Papa Inocêncio IV.


D. Teresa de Ahumada levou consigo três religiosas da Encarnação que tinham, como ela, desejos de vida mais perfeita.


Reza a tradição que a reformadora entrou, de passagem, a fazer oração na ermida de Nossa Senhora da Soterroña, no bairro de S. Vicente, onde tirou o calçado, seguindo descalça para S. José. Assim, com este gesto de devoção a Nossa Senhora, cujo hábito trazia, quis iniciar Madre Teresa a sua vida de monja reformada.


Duas coisas, porém, queria deixar bem estabelecidas e assentes no seu primeiro mosteiro, protótipo dos Carmelos que havia de fundar: primeira, que fosse muito reduzido o número de religiosas que neles morasse; ao princípio só quis admitir 13, concordando depois em que se elevasse o número até 21, mas não permitindo que fosse mais além; segunda, que, sempre que fosse possível, fundassem seus Carmelos sem quaisquer rendas, opondo-se, neste ponto de capital importância para a perfeição, ao parecer dos seus grandes confessores e insignes teólogos, P. Pedro Ibañez e P. Domingo Bañez, que, fundamentando-se na concessão de possuírem bens em comum, outorgados aos mosteiros pelo Santo Concílio de Trento não viam nada de mal no facto de terem rendas alguns dos mosteiros da Madre Teresa. A um deles – parece que foi Frei Pedro – que lhe enviara algumas páginas cheias de ciência teológica para a convencer a fundar alguns mosteiros com rendas, respondeu com notável desassombro que para cumprir o voto de pobreza que tinha feito e seguir os conselhos de Cristo com toda a perfeição não precisava da sua teologia nem das suas letras... É que Madre Teresa, como ela própria dizia, queria imitar Jesus Cristo, pobre e despido na cruz. Por isso, para fundar mosteiros sem renda alguma, alcançou do Santo Padre um Breve assinado em Roma a 17 de Julho de 1565.

Vale a pena registar aqui o apoio que neste sentido lhe prestou sempre, com os seus conselhos, o Santo Frei Pedro de Alcântara. Dias antes da sua morte, mandou-lhe um bilhete por intermédio do Dr. Gaspar Daza, sacerdote muito piedoso, insistindo ainda uma vez mais com ela no ponto da pobreza extrema.

Mais. Até Nosso Senhor Jesus Cristo, nas suas frequentes aparições, lhe dizia que não aceitasse as rendas que lhe ofereciam. Mosteiros destes, pobres, vivendo de esmolas e do trabalho, observantes, fundados na austeridade e solidão da Regra primitiva do Carmo, queria-os Santa Teresa de Jesus espalhar, aqui e além, por toda a parte, na sua pátria.

Não nos deve passar despercebido que, desde a sua entrada definitiva no convento de S. José, em Agosto de 1563, quis a Reformadora chamar-se Teresa de Jesus, e assim começou a assinar os livros do convento como Prioresa da comunidade. Trocou o apelido fidalgo de Ahumada pelo de Jesus, seu Rei e Senhor, que, um dia, abrindo-Se amorosamente com ela, depois de comungar, lhe falou assim: “De hoje em diante zelarás a minha honra, como verdadeira esposa”.
Correm os anos. É o dia 12 de Agosto de 1567. O sol é de abrasar. Vai para dois meses que não chove em terras de Castela. Pela estrada de Ávila a Arévalo, rodam lentamente três carros com grandes toldos de lona, puxados por muares, levantando nuvens de poeira. Seguem um sacerdote a cavalo e diversos moços de lavoura a pé. São a Madre Teresa de Jesus, suas monjas descalças, o capelão, P. Julião de Ávila, e alguns criados. Vão a caminho de Medina del Campo onde querem fundar um convento de Descalças.
Embaixatriz do Rei Celestial, como lhe chama a Santa Igreja, queria levar a toda a parte a boa nova da Reforma da veneranda Ordem de Nossa Senhora, fundada agora em Castela e depois na Andaluzia, terra de luz e de flores, “palomarcitos de la Virgen”, como ela dizia, onde donzelas chamadas por Deus à vida do Carmelo vivem com inocência de pombas, rezando e fazendo penitência pelos que defendem a Santa Igreja.
Lá vão, pois, a Madre e suas filhas em direcção a Medina; mas convém notar que, dentro dos carros, seguem as Carmelitas fundadoras o mesmo rigor de observância que no mosteiro de S. José. Vestidas com o grosso burel da Ordem, de cor castanha, capa branca e véu negro para velarem o rosto quando obrigadas sair dos carros, fazem a meditação, rezam o Breviário, cantam salmos, trabalham ou guardam silêncio nas horas regulamentares, tal qual como se estivessem em clausura. A quem muito observasse esses carros, daria a impressão de conventos ambulantes...
Trazem pendurado um pequeno sino, com relógio de areia, para se regularem por eles.
Não falta nunca a Missa às romeiras, durante a viagem, nem assistência religiosa, porque irá sempre em sua companhia, até conseguirem ter frades carmelitas Descalços, o próprio capelão do convento de S. José de Ávila, sacerdote exemplar, dedicadíssimo à Madre Reformadora, e um dos seus mais ilustres biógrafos.
Nestas fundações de novos mosteiros terá Teresa de Jesus de tratar e trocar cartas com pessoas de todas as categorias sociais: reis, príncipes, bispos, grandes do reino, nobres, fidalgos, sacerdotes, frades e freiras, criados, gente humilde do povo. Agora vai apreciar o mundo as raras prendas e excepcionais qualidades de inteligência e de coração com que Deus dotou esta grande mulher, prendas e qualidades que as criaturas irão pôr, inconscientemente, à prova.
Um escritor português enumera, um por um, melhor do que ninguém, esses dotes que fazem de Teresa uma rara maravilha de mulher:
“Beleza, fidalguia, distinção, coração, bondade, delicadeza, vontade, energia, carácter, alegria, serenidade e sorriso, pensamento, arte, critério, intuição, génio e santidade consumada” – eis Teresa, a ilustre Reformadora do Carmelo. Ora, esta inigualável mulher sem par que, na sua humildade, se julgava a criatura mais miserável da terra, e nesta conta queria ser tida, exultando de júbilo quando era desconsiderada e Deus lhe proporcionava bocados amargos, como atesta o P. Jerónimo Graciano, seu Superior e confessor, mete agora ombros a este empreendimento de espalhar pela sua pátria o Reino de Deus e a Ordem de Sua Mãe Santíssima já reformada.
Mas note-se que vai empenhar-se nesta obra, destinada à maior glória de Deus, por obediência, isto é, com beneplácito de seu confessor, do Provincial do Carmo, e com ordem expressa do Sr. Bispo de Ávila, D. Álvaro de Mendoza, a quem estavam sujeitas as Descalças.
“Nada sem obediência, tudo com obediência” é o lema desta grande carmelita, espelho de humildade, como o prova o que sucedeu quando da fundação de Sevilha. “Estava projectada outra em Madrid, tendo a Santa visão para ir antes à capital da monarquia. Todavia, como o Provincial lhe dissera que fosse primeiro a Sevilha, preferiu antes obedecer do que seguir o seu próprio juízo ou mesmo a revelação. Isto levou o Provincial a perguntar-lhe por que, tendo ela o espírito de Deus, segundo era notório, antepunha a tudo o juízo humano, como era o dele, que podia enganar-se. A Santa respondeu-lhe que, enganar-se podia ela nas suas visões, e por isso preferia a obediência, onde não podia haver equívoco”.
Sendo Santa Teresa tão obediente, não admira que chegasse a escrever no livro das Fundações frases como esta: Não há caminho mais curto para atingir os píncaros da perfeição que o da obediência.
Guiada, portanto, a Madre Teresa pela mão amiga da obediência, sai de Ávila com suas freiras e o capelão, pernoita na vila de Arévalo, embalada pelas mansas e cristalinas águas do rio Adaja, e segue viagem, chegando a Medina perto da meia-noite do dia 14 de Agosto, vigília da Assunção de Nossa Senhora.
Era Medina, com o seu histórico castelo, empório de riqueza na Espanha do século XVI, notável pelas suas célebres feiras de renome universal a que concorriam negociantes da França, Alemanha, Flandres, Itália, etc., entre eles não poucos protestantes, luteranos, seita esta que, como peste, começava a grassar pela Europa.
Hoje Medina já não tem essa importância comercial, sendo apenas ponto de entroncamento obrigatório das comunicações internacionais. Havia, naquela vila, um convento de Carmelitas Calçados, cujo Prior, Frei António de Herédia, homem de vida interior e letrado, estava incumbido pela Reformadora de arranjar casa para a fundação das Descalças, mas só tinha encontrado uma bastante velha, quase a cair, da qual só se podia aproveitar uma sala, que serviria para capela.
Como tinham surgido ultimamente algumas dificuldades que podiam embaraçar a fundação, a Santa Madre, que já havia dispensado, em Arévalo, os carros, os criados e algumas freiras, não quis fazer ruído em Medina com a sua entrada e, por isso, resolveu continuar viagem com duas freiras e o capelão, a cavalo, em mulas, e entrar na vila pela calada da noite... Os biógrafos de Santa Teresa registam aqui, com agrado, que esta grande mulher sabia também montar muito bem e que não lhe faltava jeito e arte para dominar a montada quando ela se espantava.
Mal acabavam de cair as doze badaladas da meia-noite, no relógio da Colegiada, chegavam à beira do convento carmelitano a Fundadora e seus companheiros. Querem saber onde fica a casa comprada para a fundação, porque a Madre Teresa deseja tomar posse dela, celebrando-se a Santa Missa, no próprio dia 15 de Agosto, Festa da Assunção. O capelão bate fortemente à porta; as pancadas reboam por aquelas ruas silenciosas e escuras. Todos receiam qualquer facto desagradável...
Nesta altura ouve-se, ao longe, vozearia, algazarra... Que será? E a Madre Teresa falava há pouco em passar despercebida! Três frades do Carmo, mandados pelo Prior, e um fâmulo do Sr. Bispo prontificam-se logo para os acompanhar até à casa destinada a convento. A vozearia vai aumentando assustadoramente... Todos apressam o passo, com natural nervosismo; levam na mão objectos de culto para a primeira Missa: toalhas, missal, paramentos, galhetas, etc. Dir-se-ia que acabam de cometer um furto e fogem à polícia. A algazarra chega ao máximo; é que o povo de Medina, galhofeiro e barulhento, corre apaixonado, atrás de uns novilhos que vão para o covil, destinados à tourada do dia seguinte. Não há meio de os evitar.
São apanhados em plena rua, alta noite, com todo o apetrecho dum altar improvisado a Madre Teresa, os frades, as freiras, o capelão, o criado do Sr. Bispo. Nada, porém, acontece, além de risadas, gargalhadas, remoques graciosos. “Foi grande misericórdia do Senhor – diz Santa Teresa, contando, com pilhas de graça, as peripécias daquela fundação – não toparmos com um touro dos que naquela noite se encerravam”.
A casa alugada para mosteiro estava quase em ruínas e, todavia, devia arranjar-se tudo para se rezar a primeira Missa, logo ao romper do dia, porque a Santa Madre entendia ser essencial ao acto de posse da fundação. Duas, três, quatro da madrugada... tudo trabalha afanosamente na limpeza da casa e no arranjo da capela, à luz bruxuleante de velas, sob a direcção da Reformadora. O que lhes valeu foi o senhorio, que lhes emprestou tapetes, cortinas, colgaduras, damascos para se taparem as paredes meio esburacadas e arruinadas.
O sol ia nascer lá longe, nas imensas planícies castelhanas, vestidas de dourados trigais, onde parece juntarem-se a terra com o céu. De manhãzinha, apareceu na casa-mosteiro o P. Prior do Carmo, Frei António, que quis ter a honra de celebrar a primeira Missa e pôr o Santíssimo Sacramento, enquanto uma sineta conventual, pendurada à última hora no telhado, anunciava aos habitantes de Medina a inauguração duma igrejinha, pobre e desmantelada como a lapinha de Belém, e o início da vida carmelita descalça num casebre adaptado a convento. A Santa Madre não cabia em si de alegria, ao pensar que tinha contribuído alguma coisa para que o Santíssimo Sacramento tivesse mais um tabernáculo no mundo. Do alto duma janela, a Santa Fundadora velava o Santíssimo, passando as noites em claro, com receio de que fosse profanado pelos luteranos, que andavam à solta nas feiras de Medina. Volvidos oito dias, passaram-se as Descalças para o último andar da casa dum rico mercador daquela terra que delas teve dó e onde arranjaram capela e encontraram algum conforto.

Asseguradas as fundações de Ávila (1562) e de Medina (1567), não descansou Santa Teresa, obedecendo aos apelos de Nosso Senhor que lhe exigia pressa na fundação de outros mosteiros. E assim, com licença dos seus Superiores, confessores e Bispos, que acabaram por se render totalmente aos seus desejos, chegou a fundar Santa Teresa de Jesus conventos de Descalças em Malagón (1568), Valladolid (1568), Toledo (1569), Pastrana (1569), Salamanca (1570), Alba de Tormes (1571), Segóvia (1574), Beas (1575), Sevilha (1575), Caravaca (1576), Villanueva de la Jara (1580), Palência (1580), Sória (1581, Burgos (1582).
Em todas estas fundações, com excepção da de Palência onde tudo correu às mil maravilhas, teve imensas dificuldades a vencer, contratempos, dissabores, desgostos... quer para obter a licença, quer para arranjar casa onde recolher as freiras e rezar a primeira Missa; além, é claro, dos incómodos e peripécias das viagens em carros ou a cavalo, únicos meios de transporte.
Acresce ainda que estas viagens ou excursões apostólicas eram longas, de três, quatro, cinco jornadas, ficando depois a Santa Madre esfalfada e doente.
Mas tudo vencia a prudência, discrição e tino de Santa Teresa em gerir negócios, embora ela, como humilde e santa, o atribua unicamente a Deus Nosso Senhor. “Nestas fundações, escrevia a Reformadora, é quase nada o que fizeram as criaturas, foi Deus Quem quis fazer tudo”.
[Jaime Gil Diez, Santa Teresa, Edições Carmelo]

PreCaRminhada...

Rumo à XVIII Carminhada
19|FEV|2011 
PreCarminhar é contemplar...
Vale a pena!
O Bruno, o Nuno, a Emília e a Maria João Soares que o digam!

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

PreCaRminhada...

Rumo à XVIII Carminhada: Vila Praia de Âncora.
19|FEV|2011
Quem prepara carminha, pelo menos, duas vezes!
Uma já está! Na outra, virás tu também!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

sábado, 15 de janeiro de 2011

DOMINGO II DO TEMPO COMUM


Naquele tempo, João Baptista viu Jesus, que vinha ao seu encontro, e exclamou: «Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. É d’Ele que eu dizia: ‘Depois de mim vem um homem, que passou à minha frente, porque era antes de mim’. Eu não O conhecia, mas foi para Ele Se manifestar a Israel que eu vim baptizar na água». João deu mais este testemunho: «Eu vi o Espírito Santo descer do Céu como uma pomba e permanecer sobre Ele. Eu não O conhecia, mas quem me enviou na baptizar na água é que me disse: ‘Aquele sobre quem vires o Espírito Santo descer e permanecer é que baptiza no Espírito Santo’. Ora, eu vi e dou testemunho de que Ele é o Filho de Deus». [Jo 1, 29-34]

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

II Noite Escura 22|JAN|2011


poema: João Manuel Ribeiro
fotografia: Marta Nunes

Logo português, texto castelhano

As próximas JMJ estão quase à porta. Até que lá cheguemos há muito trabalho por fazer. Por exemplo o logo da Juventude Carmelita Ibérica. A notícia diz-nos respeito, porque o trabalho é do Tiago Gonçalves, da Equipa Coordenadora do Carrmo Jovem.
Parabéns, Tiago.

Segue o texto explicativo em castelhano; é par air preparando o encontro internacional. Segue: Este año la Jornada Mundial de la Juventud nos convoca en Madrid a una fiesta de Iglesia, a un foro de jóvenes cristianos de todo el mundo, de todas las familias y movimientos religiosos. El Carmelo participaremos, compartiendo nuestra espiritualidad, la palabra de Teresa de Jesús, y de Juan de la Cruz, Teresita y otras figuras del Carmelo. Y en el marco de estas jornadas celebraremos nuestro I Encuentro Teresiano Internacional.
El logo del Carmelo Joven quiere expresar esta doble dimensión: participamos de la Jornada con toda la Iglesia, y lo hacemos desde nuestras raíces, con el estilo que recibimos de Teresa y Juan.
Por eso acogemos el Logo de la JMJ Madrid 2011 y lo hacemos nuestro, lo reinterpretamos: combinamos los colores de la JMJ con el del hábito del Carmelo, y con los tonos de España y Portugal. Y ahora la corona de María se hace también Monte Carmelo, presidido por la cruz, acompañado por esas tres estrellas que en nuestro escudo sugieren diversos significados.
El trazo multicolor del logo evoca la diversidad de los que formamos el Carmelo: entre todos vamos construyendo esta familia, y nos acercamos a Jesús a través de María, la que enseña a guardar y meditar las palabras de Él en el corazón.. Para que desde el interior nazca el gozo y la fraternidad.
Para hacer este logo, convocamos un concurso. Entre todas las propuestas elegimos este diseño de Tiago Gonçalves, del Carmo Jovem portugués. Comenzamos así este año en que el Carmelo Joven Ibérico queremos acoger a los jóvenes del Carmelo de todo el mundo.

REPENSAR JUNTOS A PASTORAL DA IGREJA EM PORTUGAL

Apresentação

A Conferência Episcopal Portuguesa decidiu promover um caminho para “repensar a pastoral da Igreja em Portugal”, de modo a adequá-la melhor ao mandato recebido de Jesus e às circunstâncias actuais. Como ponto de partida, foi elaborado o documento “Formação para a missão – formação na missão”. Nele se aponta este objectivo: “encontrar uma compreensão comum a todas as Igrejas de Portugal dos caminhos da missão e enunciar prioridades de opções e dinâmicas de acção com as quais todas as Dioceses se comprometam”. E refere-se como método a leitura dos “sinais dos tempos”, segundo a perspectiva do Concílio Vaticano II (cf. GS 4 e 11).

O presente instrumento de trabalho dá continuidade prática ao citado documento, que indica: “Temos todos de perscrutar o Espírito, para na autenticidade do que somos, merecermos o futuro que Deus quer e nos dará”. Daí a oração que deve marcar e inspirar este esforço eclesial: “Ensinai-nos, Senhor, o vosso caminho e caminharemos na verdade. Dirigi a vossa Igreja em Portugal, para que honre e testemunhe o vosso Nome” (cf. Sl 86,11).

Neste esforço para repensar a pastoral, pretende-se envolver num caminho sinodal, em comunhão e colaboração, a nível diocesano e nacional, os múltiplos agentes pastorais (bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas, movimentos, associações de fiéis e outras obras eclesiais). Assim, o itinerário percorrerá várias etapas, como se dirá mais abaixo. Não de trata de realizar um sínodo nacional mas tão só adoptar o espírito e o estilo sinodal.

O método com o qual se começa é o discernimento pastoral. Trata-se de um processo de observação, análise e perscrutação dos sinais de Deus na realidade da vida da Sociedade e da Igreja. Em termos paulinos, procura-se “discernir qual é a vontade de Deus: o que é bom, o que lhe é agradável, o que é perfeito”, em ordem a determinar o caminho e os modos de a Igreja em Portugal cumprir de modo mais frutuoso a sua missão. Este processo, conduzido na atenção e docilidade ao Espírito Santo, requer previamente da parte de todos os que nele se envolvam a disponibilidade para se deixar “transformar, adquirindo uma nova mentalidade” (cf. Rm 12,2).

Neste caminho eclesial, procura-se atingir os seguintes objectivos específicos:

Chegar à consciência clara do que realmente move a Igreja na acção pastoral e à convicção de que sem uma confiança firme e a comunhão profunda com Cristo e em Cristo nada se pode fazer (cf. Jo 15,5). Discernir os sinais de Deus na sociedade actual, como apelos e luz que permite à Igreja vislumbrar o horizonte para o qual se deve orientar. Identificar e acolher a ajuda actual de Deus, com a qual abre à Igreja novos caminhos ou possibilidades inovadoras em ordem à sua missão pastoral.

I. Itinerário sinodal proposto
Para pôr em andamento este processo, propõe-se a todos os pastores das dioceses e aos dirigentes e responsáveis das variadas expressões da Igreja em Portugal a prática da comunhão e da colaboração eclesial em ordem à identificação das linhas comuns de acção pastoral. Elas não porão em causa o caminho e as legítimas opções de cada diocese ou organismo eclesial mas deverão inspirá-las e constituir o horizonte comum de referência.

Mediante o trabalho de discernimento pastoral, à luz do Evangelho e na atenção e docilidade ao Espírito, procuramos identificar progressivamente o caminho por onde ir e as prioridades a assumir, sabendo que não deixaremos cair os esforços habituais, mas colocamos o empenho principal nos novos caminhos...

Para essa caminhada, propomos os seguintes passos:

1. A Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) aprecia a presente proposta e instrumento de trabalho, apresentado pelo grupo promotor representativo das Dioceses e outras instâncias eclesiais em ordem a lançar a dinâmica da procura e do discernimento pastoral. Sendo aprovado, torna-o público para se pôr em prática. (Abril de 2010)

2. Nas Jornadas Pastorais do Episcopado, a CEP começa o processo de “repensar juntos a pastoral da Igreja em Portugal”, revendo experiências e ouvindo o contributo de peritos em teologia e pastoral e de figuras da sociedade civil e da cultura. (Junho de 2010)

3. Durante vários meses, nas Dioceses (conselhos pastorais ou outras instâncias), nas conferências ou direcções nacionais dos institutos de vida consagrada e dos movimentos e associações de fiéis far-se-á o trabalho de discernimento pastoral, conforme se propõe mais adiante. (Julho de 2010 a Março de 2011)

4. Depois, o resultado deste trabalho, com os vários contributos diocesanos e nacionais, é recolhido e sintetizado no Gabinete de Estudos pastorais da CEP. (Abril de 2011)

5. As conclusões recolhidas são depois reflectidas pelo grupo representativo das dioceses, congregações e movimentos. O resultado final será entregue à CEP. (Maio de 2011)

6. Nas jornadas pastorais, estudam-se as formas de pôr em prática as orientações comuns nas Diocese e nas diferentes instâncias da Igreja. (Jornadas Pastorais do Episcopado, Junho de 2011)

7. A CEP define as orientações pastorais comuns para a Igreja em Portugal. (Assembleia Plenária, Novembro de 2011)

8. Três anos depois (2014), pelos meios julgados oportunos, a CEP avaliará o caminho pastoral feito e os seus frutos, e, se assim o entender, definirá a sua continuidade.

II. Proposta para o discernimento pastoral (instrumento de reflexão)

1. Traços da situação actual
No Concílio Vaticano II, a Igreja reviu-se nas palavras de S. João (1 Jo 1, 2-3), nas quais declara que os apóstolos e toda a comunidade dos cristãos viviam em comunhão com Deus e com Seu Filho Jesus Cristo e deseja que os destinatários da sua carta pudessem também viver em comunhão com e como eles (cf. DV 1). Por esta comunhão com e em Deus, que é amor, a Igreja torna‑se “o sacramento, ou sinal, e o instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o género humano” (LG 1).

Todavia, a incarnação desta comunhão na vida e missão da Igreja em Portugal encontra dificuldades e resistências várias, que entravam o testemunho do Evangelho na sociedade e o serviço espiritual aos homens. A Igreja – nas suas múltiplas dioceses, congregações religiosas, movimentos, novas comunidades, associações de fiéis – vive dispersa em inúmeras actividades, encontros, jornadas, congressos, instituições... que parecem não ter ligação entre si nem dar aquela vitalidade e inovação significativa na vida dos cristãos, nem irradiar sinais de esperança na sociedade em que vivemos. Há nela muitas instituições sociais, meios de comunicação social, instituições de ensino e assistência... mas parecem ficar no seu âmbito próprio, sem serem vistas e reconhecidas, e nem elas mesmas parecem sentir-se e agir como membros diferenciados de um só corpo, a Igreja. As cartas, notas, mensagens e outros documentos pastorais da Conferência Episcopal têm algum impacto no momento em que são publicados, mas depois são esquecidos, não chegando a dar os frutos desejados. O processo de catequese, sobretudo na infância e adolescência, foi recentemente renovado e alargado, mas observa-se que, a não ser numa pequena percentagem, acaba por não gerar cristãos vivos e empenhados. Por outro lado, no que se refere aos jovens e aos adultos, não se têm conseguido grandes avanços na formação sólida da fé de modo a acompanhar os diferentes momentos da vida das pessoas. Que falta?

Ao mesmo tempo que se nota decréscimo em vários aspectos na Igreja em Portugal, também há sinais novos. Mencionamos alguns, a título de exemplo, para que se descubram outros: na sequência do sopro conciliar do Espírito, a vida da Igreja e dos cristãos tornou-se mais simples e fraterna, desenvolveu-se bastante a participação laical, quer no interior das comunidades cristãs quer mesmo nalgumas causas (solidariedade em causas emergentes, defesa da vida, afirmação da família constituída por um homem e uma mulher unidos pelo casamento...), apareceram ou cresceram significativamente novos movimentos, comunidades e associações de fiéis, com propostas inovadoras de evangelização, de vida comunitária e de testemunho da fé no mundo... Não será, através destes sinais, que o Espírito Santo nos indica o caminho?

Vivemos, na Europa e também em Portugal, numa sociedade cada vez mais secularizada e, por vezes, secularista, abafando ou denegrindo o valor e a influência pessoal e social da religião, da fé cristã e da Igreja. Conforme a palavra de Deus proclamada pelo profeta, pode dizer-se que as pessoas escolheram confiar no homem e contar somente com a força humana, “afastando o seu coração do Senhor” (Jer 17, 5). Ao mesmo tempo, há sinais evidentes de que persistem nos corações humanos os anseios pela espiritualidade e pela comunhão com o mistério divino. E percebe-se o desafio à Igreja de saber comunicar o Evangelho de modo atractivo como “palavra que dá vida” e “vida em abundância”, e de fazer propostas cativantes que possibilitem matar a sede a quem procura saciar as inquietações do seu espírito pela comunhão com Deus.

Toda esta mudança social e cultural e a diminuição da relevância da Igreja constituem um apelo a todos os seus membros, para sermos, como escreveu João Paulo II, “mais humildes e vigilantes na nossa adesão ao Evangelho” (NMI 6). A Igreja em Portugal é assim chamada a viver em atitude de serviço generoso e a ser fermento pela autenticidade das suas propostas e do seu testemunho. Diz alguém: “O mundo é de quem o ama e sabe melhor prová-lo”.

2. Três aspectos para uma “nova maneira de ser Igreja”
Analisando a situação da Igreja em Portugal, nos seus múltiplos membros e actividades, e as circunstâncias sociais e culturais do nosso povo, parecem emergir três questões cuja resposta pode indicar o caminho para as prioridades da acção pastoral. São elas: a exigência da formação cristã, para sermos melhores fiéis e darmos testemunho do Evangelho; o empenho criativo, ardente e frutuoso na nova evangelização, com um modo cristão e eclesial novo de estar e agir no mundo; a reorganização das comunidades cristãs, que passa pela descoberta de novas formas de exercício do ministério sacerdotal e a implementação da diversidade de ministérios eclesiais.

Estas possíveis linhas comuns de acção pastoral deverão ser confirmadas ou eventualmente alteradas, após o processo de discernimento pastoral. Através dele, somos convidados a acolher o mesmo convite que o Espírito disse ao vidente do Apocalipse, quando lhe apresentou o retrato das Igrejas da Ásia Menor (Ap 2-3): trata-se de dar ouvidos ao que o Espírito hoje diz às Igrejas que estão em Portugal (cf. Ap 2, 7.11.17, etc.). Na observação, escuta e discernimento do caminho a seguir, não podemos deixar de atender à recomendação do apóstolo Paulo: “Não apagueis o Espírito. Não desprezeis as profecias. Examinai tudo, guardai o que é bom” (1 Ts 5, 19-21).

3. Questões para o discernimento pastoral
Neste caminho sinodal, procuramos fazer um discernimento em profundidade, identificando os sinais, a luz e a voz do Espírito. A Igreja em Portugal, através dos seus múltiplos responsáveis, é chamada a deixar-se interpelar e a tomar consciência de si mesma e das convicções que a movem, examinando se vive realmente o Evangelho de Jesus Cristo e se está a corresponder aos seus apelos.

Apontam-se duas grandes questões para o discernimento: uma sobre a leitura de fé dos sinais de Deus na sociedade e outra sobre os sinais e indicadores do Espírito Santo na própria vida da Igreja. As respostas deverão ser recolhidas e remetidas ao Secretariado da Conferência Episcopal.

Igreja em Portugal, “que vês na noite” da sociedade em que vives (cf. Is 21, 11)? Quais os sinais de Deus e os desafios para a tua missão? O que verdadeiramente precisam as pessoas de hoje, a nível espiritual e humano, e o que podes tu oferecer-lhes?

Igreja em Portugal, que indicações ou rumores do Espírito encontras hoje em ti (experiências, carismas, dinamismos existentes...) a apontar‑te o estilo de vida cristã e a “nova maneira de ser Igreja” adequada aos tempos de hoje? Que caminhos pastorais te assinalam os sinais e os dons do Espírito para viveres e testemunhares o Evangelho de Cristo?

4. Leituras de apoio a este itinerário de renovação pastoral
Para além dos textos base (desde a Sagrada Escritura ao Concílio Vaticano II…), destacamos: – Exortação Apostólica pós-sinodal «Ecclesia in Europa» de João Paulo II, 2003; Carta Apostólica «Novo Millennio Ineunte» de João Paulo II, 2001; Papa Bento XVI em Portugal – Discursos, homilias e saudações, 2010; Servidores da Alegria, Cardeal Walter Kasper, 2009...

Documento aprovado na Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa

Fátima, 14 de Abril de 2010

domingo, 9 de janeiro de 2011

II Noite Escura 22|JAN|2011


Ao som das caçarolas: SENTEI-ME À SOMBRA.

video

SENTEI-ME À SOMBRA
Sentei-me à sombra de Quem desejava,
Oh, que sombra tão celestial!
Oh, que sombra tão celestial!

S. Teresa
(Meditação sobre o Cântico dos Cânticos 5, 1; Cant 2, 3)

sábado, 8 de janeiro de 2011

DOMINGO: Baptismo do Senhor


Naquele tempo, Jesus chegou da Galileia e veio ter com João Baptista ao Jordão, para ser baptizado por ele. Mas João opunha-se, dizendo: «Eu é que preciso de ser baptizado por Ti e Tu vens ter comigo?». Jesus respondeu-lhe: «Deixa por agora; convém que assim cumpramos toda a justiça». João deixou então que Ele Se aproximasse. Logo que Jesus foi baptizado, saiu da água. Então, abriram-se os céus e Jesus viu o Espírito de Deus descer como uma pomba e pousar sobre Ele. E uma voz vinda do céu dizia: «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência». [Mt 3, 13-17]

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Santa Teresa de Jesus, a história continua...

XI

O TRIUNFO DA MADRE TERESA

No próprio dia da inauguração do convento das Descalças de S. José, a Madre Teresa houve de recolher, por obediência, à Encarnação. As quatro descalças ficaram sós, mas não abandonadas, porque a Reformadora as acompanhava sempre em espírito.
Ávila começa a viver, a agitar-se em volta do novo convento. A cidade em peso abala-se ao saber da inauguração, considerando o convento da Madre Teresa inconveniente mesmo à vida religiosa dos avilenses. Nunca a solução dum assunto prendeu tanto a atenção e interessou a cidade dos santos e dos cavalheiros como este do mosteiro fundado por D. Teresa de Ahumada. Dir-se-ia que estava em jogo para os avilenses a vida da nação...
No dia seguinte ao da inauguração, por volta das três horas da tarde, quando as Descalças estavam bem sossegadas nas suas celas, ocupadas nos trabalhos manuais, bate à porta do convento o regedor Carvajal que, aproximando-se da roda, intima as freiras com brados e por modos violentos a saírem imediatamente da clausura... porque o Conselho da cidade tinha resolvido suprimir o mosteiro da Madre Teresa.
Não se pode dizer o que sentiram neste transe difícil as quatro noviças, mas todas responderam de dentro que só sairiam quando as tirasse quem lá as meteu.
O regedor, fulo, ardendo em ira, volta à sala do Conselho. Novas discussões e novas deliberações. Não havia meio de se chegar a um acordo. Como resolver, então, o caso do qual dependia o sossego da cidade? Alguém propõe o alvitre, que logo foi aceite, de consultar as forças vivas de Ávila, clero, povo e fidalguia numa magna assembleia.
Com efeito, no domingo 30 de Agosto, pelas 3 horas da tarde, reúne a mencionada assembleia geral para decidir da aceitação ou destruição do convento da Madre Teresa.
Já vão chegando as autoridades civis, alcaide, regedor, oficiais de justiça, etc. O clero, tanto regular como secular, tinha também luzida representação, como o Vigário Geral da diocese, cónegos, o Rev. Dr. Gaspar Daza, alguns franciscanos, dominicanos, jesuítas. Nobres e fidalgos de Ávila quiseram também fazer acto de presença.
A sala de sessões regurgita de povo pertencente a todas as camadas sociais. Abre a sessão o Sr. Vigário Geral, que, em nome do Prelado, se limita a ler o Breve Pontifício chegado de Roma para a fundação, e imediatamente retira da sala. Começam logo as calorosas discussões.
A opinião mais forte, entre clérigos e seculares, é pela destruição do convento da Madre Teresa, não tendo força o Breve Pontifício – alegava-se –, por isso que se não observaram algumas condições... O povo, que não via com bons olhos a nova fundação de Descalças, concorda plenamente.
Nesta altura, quando as pessoas amigas da Reformadora viam a causa perdida, levanta-se para falar, fazendo sinal de silêncio aos assistentes, um grande teólogo da Ordem de S. Domingos, companheiro de armas daquele Frei Pedro Ibañez que aprovara com entusiasmo o espírito da Santa Madre e o projecto da Reforma da Ordem Carmelita. É Frei Domingo Bañez.
Toda a gente, na sala, volve os olhos para o jovem teólogo dominicano. Fala como só ele sabe falar: com aprumo, energia e precisão teológica.
– Não pode tomar-se assim – diz – de ânimo leve, uma resolução destas... acabar com um convento. Trata-se da supressão dum mosteiro aprovado já pelo Santo Padre e pelo Sr. Bispo de Ávila. Ponderem, também, os meus senhores –acrescenta – que esta obra é indubitavelmente destinada à maior glória de Deus e que a Madre Teresa tem muito bom espírito, pretendendo apenas com isto salvar e aperfeiçoar almas. A solução deste caso tão momentoso é, como se vê, da exclusiva alçada do Prelado, visto tratar-se dum assunto eclesiástico. É a ele e só a ele que incumbe resolver o caso, não a nós nem ao Conselho desta ilustre cidade.
Assim, em síntese, falou este eminente homem de ciência, tido e havido como alguém nos meios cultos de Ávila. E não admira, pois foi dos mais insignes teólogos do seu tempo. Aquelas palavras calaram fundo no ânimo da assembleia e podem ser até consideradas como uma mensagem do Céu, pois extinguiram completamente o fogo da luta acesa contra o convento das Descalças de S. José. Os assistentes entreolhavam-se admirados.
Triunfara, portanto, em toda a linha a Madre Teresa.
Quando, de novo, se levanta para falar o regedor Carvajal, já não é para pedir a supressão do convento de S. José, mas sim, para que se informe pormenorizadamente o Prelado da diocese do resultado da assembleia.
Assim terminara, com a vitória estrondosa da Madre Teresa, aquele memorável consistório avilense dessa tarde de domingo, 30 de Agosto de 1562.


[Jaime Gil Diez, Santa Teresa, Edições Carmelo]





sábado, 1 de janeiro de 2011

DOMINGO: EPIFANIA DO SENHOR


Tinha Jesus nascido em Belém da Judeia, nos dias do rei Herodes, quando chegaram a Jerusalém uns Magos vindos do Oriente. «Onde está – perguntaram eles – o rei dos judeus que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O». Ao ouvir tal notícia, o rei Herodes ficou perturbado e, com ele, toda a cidade de Jerusalém. Reuniu todos os príncipes dos sacerdotes e escribas do povo e perguntou-lhes onde devia nascer o Messias. Eles responderam: «Em Belém da Judeia, porque assim está escrito pelo Profeta: ‘Tu, Belém, terra de Judá, não és de modo nenhum a menor entre as principais cidades de Judá, pois de ti sairá um chefe, que será o Pastor de Israel, meu povo’». Então Herodes mandou chamar secretamente os Magos e pediu-lhes informações precisas sobre o tempo em que lhes tinha aparecido a estrela. Depois enviou-os a Belém e disse-lhes: «Ide informar-vos cuidadosamente acerca do Menino; e, quando O encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-l’O». Ouvido o rei, puseram-se a caminho. E eis que a estrela que tinham visto no Oriente seguia à sua frente e parou sobre o lugar onde estava o Menino. Ao ver a estrela, sentiram grande alegria. Entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e, prostrando-se diante d’Ele, adoraram-n’O. Depois, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes: ouro, incenso e mirra. E, avisados em sonhos para não voltarem à presença de Herodes, regressaram à sua terra por outro caminho. [Mt 2, 1-12 ]